Fernanda Policarpo, a mulher detida

A Noémia já aqui escreveu sobre os acontecimentos e a detenção de Fernanda Policarpo.

Conheço a Fernanda há muitos anos, tenho com ela uma relação de amizade. Trata-se de uma actriz com longa carreira de palco, com quem já tive o prazer de trabalhar em várias ocasiões.

Como actriz e cidadã, Fernanda tem encarnado, no contexto actual, uma personagem que transporta consigo uma bandeira portuguesa e lenços brancos. Trata-se de uma figura que resiste, protesta e exerce cidadania activa, para que não nos esqueçamos que há um mínimo de dignidade a que todos temos direito.

Foi isso que ontem lhe negaram na manifestação em frente ao hotel Ritz. Suponho que atacaram mais a personagem do que a cidadã (ainda que em alguns aspectos sejam indissociáveis) e pergunto-me o que odeiam e temem tanto, se a bandeira portuguesa, se os lenços brancos, se a atitude de quem não se rende e age de forma teatral e eficazmente simbólica, obrigando-nos a uma reflexão sobre o nosso próprio espaço, cultura, história e liberdade:

Eis o que quero dizer:

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Tenham vergonha!

Fotografia: Ministério da Verdade - Lisboa, 16.04.2013 Tirada do Facebook

Fotografia: Ministério da Verdade – Lisboa, 16.04.2013
Tirada do Facebook


Chama-se Fernanda Policarpo. É a mais recente vítima do terrorismo político em Portugal.
Enquanto muitos partilham velinhas e preces pelos caídos em Boston, poucos vejo fazer alguma coisa pelos nossos que também tombam. De fome, de sede, de desespero…
Esta senhora tombou por lutar, por se manifestar contra a Troika que está luxuosamente acomodada no Ritz para, sabemo-lo bem, nos esmifrar ainda mais.
Foi vítima de violência policial. Diz que agrediu um agente policial durante a acção-relâmpago convocada pelo movimento Que se Lixe a Troika.
É mulher e tem 49 anos. Alguém acredita que era necessária esta força para dominar tão perigosa meliante? Que ela constituía qualquer perigo para os polícias?
Ao que se sabe, estará presente esta manhã no Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa.
Calemo-nos todos e partilhemos velinhas e preces vazias de sentido pelos que sofrem noutros países. Os Portugueses não são importantes.
A menos que morram.
Talvez nem assim.

Fernanda Policarpo e João Vilas em Avenida à Rasca 193

avenida à rasca 193

Fernanda Policarpo em Avenida à Rasca 193

fernanda policarpo

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