O senhor Presidente da República está enganado

O senhor Presidente da República publicou uma nota na página oficial da presidência felicitando o actual Primeiro Ministro, António Costa, e o anterior, Pedro Passos Coelho, pelo “trabalho dos respectivos governos”, que permitiu a decisão tomada pela Comissão Europeia de retirar Portugal do Procedimento por Défice Excessivo.

Engana-se o senhor Presidente se acha que com esta declaração, discreta mas muito significativa, e que, curiosamente, omite o nome do seu antecessor no cargo, varre da memória dos portugueses a mais brutal legislatura da Democracia portuguesa, plena de intencionalidade e fulgor punitivo sobre quem “vivia acima das suas possibilidades” e haveria de empobrecer à força, além da Troika, custasse o que tivesse que custar. Essa injustiça com laivos de sadismo que, sob a batuta de Pedro Passos Coelho e Aníbal Cavaco Silva, se abateu sobre milhões de portugueses, custou um preço que a memória há-de preservar e transmitir às gerações futuras. E o senhor Presidente está enganado se pensa que pode reescrever a História com uma simples nota de rodapé onde, para mais, se esquece de felicitar também aqueles que, apoiando o actual governo, exerceram uma influência determinante na reversão de algumas das tremendas injustiças e malfeitorias herdadas e na obtenção deste resultado.

Os Vândalos

Nenhum vandalismo é admissível. Mas há graus.
Um bando de ex-estudantes da London School of Economics, vestidos com fatos de três mil euros e transportando pastas de pele de crocodilo, deslocaram-se a Portugal para um período de férias de três anos. Há quem diga que ainda cá estão. Ao longo da sua estada no nosso soalheiro país, que os recebeu de joelhos e braços abertos, destruíram mais de trezentos mil empregos, dizimaram a economia, expulsaram centenas de milhares de portugueses da sua própria terra, pilharam o sistema financeiro e os recursos públicos, arruinaram a vida a milhões de famílias, fizeram regressar a fome ao país, demoliram o Serviço Nacional de Saúde, desmantelaram a Segurança Social e destruíram a Escola Pública.
Verdade seja dita, não consta que tivessem posto uma televisão na banheira.

Sair da zona de conforto…

… ou o eufemismo para levar, calando, com as sucessivas alterações ao Código de Trabalho.

Código do Trabalho

Aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro, com as alterações introduzidas pelas Leis n.ºs

  1. 105/2009, de 14 de Setembro,
  2. 53/2011, de 14 de Outubro,
  3. 23/2012, de 25 de Junho,
  4. 47/2012, de 29 de Agosto,
  5. 69/2013, de 30 de Agosto, e
  6. 27/2014, de 8 de Maio

Já se sabe que os trabalhadores são moinantes – daí a fúria de alterações à conta do pretexto “Troika”. Seis alterações ao longo de seis anos, com especial  incidência entre 2011 e 2014. Eis como implementar um projecto ideológico sem tal ser assumido.

Trump recusa-se a cumprimentar Merkel

Escândalo! Que português com coluna vertebral a cumprimentaria?

Ainda além da troika?

Nenhuma dúvida há-de restar no espírito da maioria dos portugueses sobre os méritos evidentes da Geringonça e os benefícios que o governo do Partido Socialista, apoiado pelos partidos da esquerda parlamentar, trouxe à sociedade portuguesa. Não é possível negar esta evidência, mais ainda em face da memória, recente mas perene, da mais brutal legislatura da democracia portuguesa, liderada pelo governo PSD/CDS.

Dito isto, em circunstância alguma deve considerar-se o actual governo, assim como a maioria que o apoia, imune ao erro e à crítica, e não deve também esquecer-se que no PS, partido plural e diverso nas suas sensibilidades sociais e ideológicas, há muito quem veja com relutância – para usar um eufemismo –  o processo de reposição dos direitos individuais, económicos e sociais, devastados pelos quatro anos além da troika que caracterizaram a anterior legislatura e o retrocesso civilizacional por ela provocado.

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A entrevista de José Sócrates à TVI

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O ex-Primeiro Ministro José Sócrates deu uma entrevista à TVI da qual é legítimo destacar dois momentos. O primeiro, que a comunicação social não deixou passar despercebido, foi quando José Sócrates parece ter insinuado que a investigação de que é alvo, e que já provocou, entre outras coisas, a sua prisão, está, de algum modo, relacionada com o ex-Presidente da República, Aníbal C. Silva. Uma leitura mais livre, e necessariamente mais subjectiva e sujeita a erro, das suas declarações, pode levar a concluir que o ex-Primeiro Ministro considera, intimamente, que o ex-Presidente da República de algum modo promoveu ou patrocinou as acusações, não formalizadas, que recaem sobre si. O argumento, sendo conspirativo, é totalmente plausível.

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As duas caras do destino

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Sabe-se que a memória é coisa curta e volátil, muito sujeita aos desmandos da propaganda e de outros truques hipnóticos muito ao gosto do Príncipe do mundo. Mas ao homem comum, onde quer que ele ainda exista, não há-de ser permitido esquecer que a anterior legislatura, comandada por PSD e CDS, foi um dos mais brutais exercícios de destruição anímica, social, política e humana, de que há memória na história recente de Portugal.

O regime policial, persecutório e em muitos casos criminoso do Estado Novo e da sua ditadura, não ousou chegar tão longe na destruição de um país e na humilhação do seu povo, como o fizeram PSD e CDS nos quatro anos de vergonhosa e inesquecível liderança dos destinos de Portugal.

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Excepção à regra…

Haja quem fale verdade sobre o tempo em que o 44 foi primeiro-ministro…

O Fisco e o isco

Um dia acordaremos a saber que o empréstimo da Troika foi todo para offshores.

Aquele raro momento em que a crise financeira serve de pretexto para alguém se safar

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Portugal foi assolado por uma violenta crise que, tendo tido a sua origem num cocktail de especulação financeira, terrorismo de mercado e décadas de governação criminosa, criou as condições perfeitas para um processo de sequestro democrático que o bloco central amavelmente aceitou, ou não fosse Portugal um protectorado pobre da burocratocracia de Bruxelas.

Tomados por um poderoso surto de síndrome de Estocolmo, os dirigentes do PS e, posteriormente, os de PSD e CDS-PP, comportaram-se como bons alunos, o equivalente moral, neste tipo de cenário, a dizer que se comportaram como um cão com um dono violento, que por muito que apanhe continua a abanar o rabo e a pedir festas. Seguiram-se meses de venda de património estatal ao desbarato, cortes salariais, em pensões e em prestações sociais, desinvestimento no Estado Social, desregulamentação laboral, brutais aumentos de impostos e milhares de portugueses em fuga para o estrangeiro. Os ricos ficaram mais ricos, os pobres ficaram mais pobres, a classe média entrou em vias de extinção e o fosso transformou-se num buraco negro. [Read more…]

“Em todas as ruas te encontro” #4 (Cesariny)

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Manifestação Anti-Troika. Porto, 2 de Março de 2013. © Bruno Santos

“Em todas as ruas te encontro” #3 (Cesariny)

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Manifestação Anti-Troika. Porto, 2 de Março de 2013. © Bruno Santos

“Em todas as ruas te encontro” #2 (Cesariny)

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Manifestação Anti-Troika. Porto, 2 de Março de 2013. © Bruno Santos

“Em todas as ruas te encontro” (Cesariny)

Manifestação Anti-Troika. Porto, 2 de Março de 2013. © Bruno Santos
Manifestação Anti-Troika. Porto, 2 de Março de 2013. © Bruno Santos

Madalenas arrependidas e outras prostitutas

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Depois das críticas à agenda neoliberal, dos vários falhanços apontados à sua acção no nosso país e dos sucessivos anúncios que revelam projecções e decisões erradas, que agudizaram o impacto da política de austeridade cega e contraproducente em Portugal, o último dos quais na passada Quinta-feira, o FMI assemelha-se cada vez mais à reencarnação de uma Madalena arrependida, após anos de prostituição financeira e doenças reaccionariamente transmissíveis. Sobre este tema, pouco haverá a acrescentar ao esclarecedor artigo de Pedro Marques Lopes. [Read more…]

Quem Salva Quem?

Um filme de Leslie Frank e Herdolor Lorenz

O filme “Quem salva quem?” mostra como os resgates levados a cabo em vários países europeus na sequência da crise financeira despoletada em 2008, mais não foram do que uma estratégia neo-liberal para levar a cabo uma tremenda redistribuição de baixo para cima e um ataque ao estado social. Ninguém formulou esta realidade melhor que Mario Draghi, ex-vice-presidente do Goldmannn Sachs, actual presidente do BCE e que dirige a economia europeia:

“O modelo social europeu passou à história. A salvação do Euro custará muito dinheiro. Isso significa que teremos de abandonar o modelo social europeu”.

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Como lidam eles com a França?

Em 26 de Abril Yanis Varoufakis e Noam Chomsky tiveram uma interessante conversa na biblioteca pública de Nova York. A certa altura Noam Chomsky perguntou a Varoufakis, “E como lidam eles como a França?”, sendo que “eles” se refere, neste contexto, à Alemanha e à Troika. A resposta é surpreendente para quem está habituado a observar a “Europa” pelos filtros da comunicação social.

Pode assistir à conversa completa aqui.

A Maioria de Esquerda e o futuro

O trabalho a realizar pela Esquerda nesta legislatura não deve limitar-se a reverter as políticas com que a Direita destruiu o país. A Esquerda deve assegurar que uma tal experiência política e social jamais se repetirá, criando as bases de uma sociedade mais justa e mais esclarecida, e mais protegida, política e juridicamente, dos ataques que, certamente, sofrerá no futuro.
É verdade que não é uma tarefa fácil, mas, para a cumprir com sucesso, é necessário compreender que o mal que foi feito ao país não admite respostas dúbias, abstenções violentas, ou outras posições políticas que não sejam o testemunho de uma firme determinação em marcar um tempo novo e irreversível.

Uma choldra com Constituição

A forma como está a ser noticiada a contratação de uma ex-governante pelos mercados é sinal de que a manipulação da realidade ultrapassou o ponto de não retorno.

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Sobre a Desigualdade num Mundo Globalizado

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Foto: Jen Osborne

Joseph E. Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001 e ex- economista-chefe do Banco Mundial é um dos mais reconhecidos autores em matéria de desigualdade e uma das vozes mais críticas em relação à globalização comercial e financeira.
Excerto de uma entrevista a Joseph E. Stiglitz publicada na edição de 22.09.15 no jornal alemão der Freitag:
(…)
Stiglitz: Em todo o caso, é mais do que claro que o programa de reformas acordado com a Troika vai agudizar ainda mais a recessão no país (Grécia).
Jornalista: O ministro das Finanças Wolfgang Schäuble responder-lhe-ia: Veja a Espanha, Portugal ou a Irlanda: nestes países voltou a haver crescimento e o mercado de trabalho está a recuperar.

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E depois dos anéis

O memorando previa 5 mil milhões de euros em receitas provenientes de privatizações, o governo cumpriu a sua promessa de ir além da Troika e quase duplicou o número. O que é que vamos vender quando a próxima crise chegar?

Eles nunca sabem ao que vão

Passos

Numa entrevista conduzida pelo simpático e inofensivo Vítor Gonçalves, Pedro Passos Coelho passou ontem pelos estúdios da RTP para debitar as exactas mesmas coisas que tem dito todos os dias – com a excepção do nome de José Sócrates, por recomendação médica e imposição da malta que lhe diz o que deve dizer nestas coisas – pelo que não veio qualquer novidade ao mundo. A venda do Novo Banco não é nada com ele, Portugal está um espectáculo, visto das varandas da São Caetano e do Caldas, e a economia gera emprego cada vez menos precário, pelo menos no que às suas clientelas diz respeito. Tudo isto sem esquecer, claro, o momento kodak de António Costa no debate de hoje, que tanto gosta de falar de números apesar de se ter espalhado ao comprido nas contas sobre as prestações sociais. Passos, tal com Costa teria feito, não perdoou. [Read more…]

A carta de Passos a Sócrates na íntegra

Era previsível que apareceria. A prova de que o PSD não chamou a troika mas desejou-a. Aliás, toda a oposição desejou eleições, quando chumbaram o PEC IV, mesmo que isso significasse a vinda da troika. É bom recordar.
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“Fui eu que chamei a troika”

É preciso ter nascido ontem para engolir que o PSD não quis a troika em 2011. E é preciso ter passado por morte cerebral para aceitar que não foi o PS a chamá-la. Claro que foi, forçado por vários grupos, incluindo o PSD e a banca, mas sobretudo forçado pelas circunstâncias que a sua própria incompetência e negacionismo criaram. Adaptando uma famosa frase de Napoleão*, vemos agora a história do “quem chamou a troika” transformar-se num conjunto de mentiras sobre as quais jamais estaremos de acordo. Mas é simples: o PSD quis mas não chamou; o PS não quis mas chamou. [Pedro Santos Guerreiro]

Ler também “Cronologia: como Portugal chegou ao pedido de resgate” no Público de 06/04/2011.

Grandes Questões do nosso tempo*: Quem foi mesmo que chamou a Troika?

Troika

Tenho um palpite para o debate da próxima Quinta-feira na TSF, entre Pedro Passos Coelho e António Costa: o centro nevrálgico da argumentação do primeiro-ministro – José Sócrates – será substituído pela mais recente e suposta tentativa socialista de reescrever a história. A menos que Passos Coelho seja estúpido e pretenda ser novamente trucidado, o que não seria estranho para quem consegue atrair tantos eleitores com tendências masoquistas. [Read more…]

Porque há de facto memória

Excelente recolha de declarações a recordar o desejo e apoio do PSD e CDS quanto à vinda da troika.

PSD e CDS responsáveis

pela vinda da troika de credores. [Lobo Xavier e Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo/fonte: TSF]

Troika presa

num elevador em Atenas.
[Fonte: InfoGrécia]

A crise: abstracção de fronteiras semânticas turvas

“O PS é que trouxe a crise para Portugal” – o argumento desonesto que serve duas carapuças principais: a dos apoiantes da coligação PSD/CDS e a dos apoiantes da coligação PCP/PEV. A que se juntam algumas outras classes anti-PS, como por exemplo os que jamais perdoaram a Mário Soares e a Almeida Santos os improvisos da descolonização e os que não esqueceram quem lhes estragou a rave do PREC (que gerou uma partezinha da crise, já agora). E no entanto, basta ver quantos foram os Governos do PSD para perceber a verdadeira natureza da crise – a que também o PS não é alheio, nem o CDS, claro está. E era isto.

As contas mal feitas do Passos não contaram com a memória

Catroga disse  que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal “foi essencialmente influenciada” pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV. [daqui]