Esta fotografia de Andres Serrano representa um crucifixo mergulhado em urina. Piss Christ tem sido vítima da intolerância religiosa, e acaba de ver destruída mais uma impressão em Avignon, às mãos de uma turba de fundamentalistas católicos.
Mais um episódio a juntar, por exemplo, à democrática forma como o governo de Madrid lida com o direito à manifestação dos ateus.
Sempre achei que a fé move a inteligência para partes do corpo que não lhe foram destinadas pela natureza. Problema de quem a tem, à fé, e desde que não mova o seu comportamento no sentido da imposição do seu peculiar modo de ver o mundo aos outros, por mim tolerância absoluta.
Para haver uma piada no episódio acresce que a turba, apoiada pelo episcopado, se queixava de cristianofobia. Aqui me confesso: temo as religiões, sobretudo quando se transformam em turba. Esta gente, que acha natural termos de levar com a sua iconografia por tudo o que é sítio, esquece-se que isso ofende o comum dos mortais, já para não falar do notório mau-gosto. Algumas das obras de arte que mais mexem comigo representam JC na cruz, lamentos, deposições, e outros episódios da mitologia católica, mas logo por azar o que anda por escolas, hospitais, quartéis e outros espaços públicos é por regra cópia de obras vulgaríssimas.
Depois os muçulmanos é que são os únicos maus da fita, os fundamentalistas, etc. etc. Fossem todos ler poesia ao invés dos seus livros “sagrados”, e o mundo estaria muito melhor do que está.
Adenda: este texto, no centenário da Lei de Separação da Igreja do Estado, é dedicado aos milhares de portugueses que ao longo de séculos foram torturados, humilhados e assassinados por motivos religiosos, e a todos os que durante os mesmos séculos foram obrigados a professar e sustentar a religião oficial do estado.
Saúde e Fraternidade para todos, em particular para os comentadores que tanto se esforçaram para confirmar o que escrevi.






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