As religiões fazem mal à saúde, mental e não só

Esta fotografia de Andres Serrano representa um crucifixo mergulhado em urina. Piss Christ tem sido vítima da intolerância religiosa, e acaba de ver destruída mais uma impressão em Avignon, às mãos de uma turba de fundamentalistas católicos.

Mais um episódio a juntar, por exemplo, à democrática forma como o governo de Madrid lida com o direito à manifestação dos ateus.

Sempre achei que a fé move a inteligência para partes do corpo que não lhe foram destinadas pela natureza. Problema de quem a tem, à fé, e desde que não mova o seu comportamento no sentido da imposição do seu peculiar modo de ver o mundo aos outros, por mim tolerância absoluta.

Para haver uma piada no episódio acresce que a turba, apoiada pelo episcopado, se queixava de cristianofobia. Aqui me confesso: temo as religiões, sobretudo quando se transformam em turba. Esta gente, que acha natural termos de levar com a sua iconografia por tudo o que é sítio, esquece-se que isso ofende o comum dos mortais, já para não falar do notório mau-gosto. Algumas das obras de arte que mais mexem comigo representam JC na cruz, lamentos, deposições, e outros episódios da mitologia católica, mas logo por azar o que anda por escolas, hospitais, quartéis e outros espaços públicos é por regra cópia de obras vulgaríssimas.

Depois os muçulmanos é que são os únicos maus da fita, os fundamentalistas, etc. etc. Fossem todos ler poesia ao invés dos seus livros “sagrados”, e o mundo estaria muito melhor do que está.

Adenda: este texto, no centenário da Lei de Separação da Igreja do Estado, é dedicado aos milhares de portugueses que ao longo de séculos foram torturados, humilhados e assassinados por motivos religiosos, e a todos os que durante os mesmos séculos foram obrigados a professar e sustentar a religião oficial do estado.

Saúde e Fraternidade para todos, em particular para os comentadores que tanto se esforçaram para confirmar o que escrevi.

A santa cruzada passou-se

PROCURA-SE CRUZADO DO SÉCULO 21 Desde que em Novembro comecei a aventar sobre o ensino privado que se instalou nos comentários uma espécie de santa cruzada, formada por professores dos colégios, mães e pais que usufruem de serviços religiosos pagos pelo estado, e que não se confundem com quem muito simplesmente não concorda comigo.

Escrever sobre os colégios da minha aldeia levou a que depressa surgissem insinuações sobre a minha vida privada e profissional, ameaças veladas aqui e ali, na demonstração dessa velha estratégia das hordas católicas: quando se esgotam os argumentos passa-se para o ataque ad hominem, quem não é por eles só pode ser uma má pessoa, o velho ódio ao herege tão típico dos fundamentalistas.

Ontem chegaram ao ataque tu quoque, acusando-me de ter estado destacado pelo Ministério da Educação na Companhia de Teatro Viv’arte.

A Companhia de Teatro Viv’arte pertence a uma associação cultural sem fins lucrativos, isenta de impostos por despacho assinado pela sra. Manuela Ferreira Leite, foi fundada pelo professor Mário da Costa, meu mui caro amigo e um dos melhores professores que Portugal tem, a partir duns miúdos complicados do 2º ciclo Oliveira do Bairro e depois de outros encontrados nas valetas do mundo por onde passa, insistindo em nelas recolher pessoal da pesada que algumas vezes conseguiu transformar em gente com profissão e vida estável, tendo de resto o estatuto de empresa de inserção. Ser acusado disto por um professor de um colégio onde menino com necessidades educativas especiais não entra tem a sua graça, como ironia, mas encheu o copo. Quem continuar a comentar os meus textos com acusações ao autor, ou ameaças e insinuações, verá todos  os comentários aos meus postes apagados, como agora fiz.

Discutam e divirjam de mim à vontade; mas quando, à falta de argumentos, o argumento passa a ser o outro argumentador, temos o caldo entornado.