A santa cruzada passou-se

PROCURA-SE CRUZADO DO SÉCULO 21 Desde que em Novembro comecei a aventar sobre o ensino privado que se instalou nos comentários uma espécie de santa cruzada, formada por professores dos colégios, mães e pais que usufruem de serviços religiosos pagos pelo estado, e que não se confundem com quem muito simplesmente não concorda comigo.

Escrever sobre os colégios da minha aldeia levou a que depressa surgissem insinuações sobre a minha vida privada e profissional, ameaças veladas aqui e ali, na demonstração dessa velha estratégia das hordas católicas: quando se esgotam os argumentos passa-se para o ataque ad hominem, quem não é por eles só pode ser uma má pessoa, o velho ódio ao herege tão típico dos fundamentalistas.

Ontem chegaram ao ataque tu quoque, acusando-me de ter estado destacado pelo Ministério da Educação na Companhia de Teatro Viv’arte.

A Companhia de Teatro Viv’arte pertence a uma associação cultural sem fins lucrativos, isenta de impostos por despacho assinado pela sra. Manuela Ferreira Leite, foi fundada pelo professor Mário da Costa, meu mui caro amigo e um dos melhores professores que Portugal tem, a partir duns miúdos complicados do 2º ciclo Oliveira do Bairro e depois de outros encontrados nas valetas do mundo por onde passa, insistindo em nelas recolher pessoal da pesada que algumas vezes conseguiu transformar em gente com profissão e vida estável, tendo de resto o estatuto de empresa de inserção. Ser acusado disto por um professor de um colégio onde menino com necessidades educativas especiais não entra tem a sua graça, como ironia, mas encheu o copo. Quem continuar a comentar os meus textos com acusações ao autor, ou ameaças e insinuações, verá todos  os comentários aos meus postes apagados, como agora fiz.

Discutam e divirjam de mim à vontade; mas quando, à falta de argumentos, o argumento passa a ser o outro argumentador, temos o caldo entornado.

Comments

  1. Hakeem says:

    Não é só a si, Sr. João José Cardoso. Em Anadia o debate anda no mesmo tom, contra mim e contra um blogger que, por acaso, até é católico e ninguém tem o mínimo pintelho a dizer da sua conduta enquanto católico e cidadão. O problema é mesmo a Opus Dei e o poder que tem, nomeadamente na educação: formam as pessoas para reagirem assim a qualquer coisa menos boa que se tenha a dizer de organizações católicas, e estou convencido que o objectivo final é colocar em causa a laicidade do Estado. Além disso, esta polémica está a revelar que os Contratos de Associação são uma forma encapotada de financiamento da Igreja Católica. Por isso acho mesmo que, apesar dos bons serviços que algumas organizações religiosas prestam ao povo português, devia-se acabar com o ensino em estabelecimentos religiosos ou dirigido por religiosos, e rever a Concordata, excluindo o ensino religioso de qualquer escola pública, seja de gestão pública ou privada. E, mesmo assim, este problema vai perdurar por gerações…

    • manel alentejano says:

      compadre ou comadre Hakeem, a gente na entende o que acontece em Anadia.Isso é lá pra Bairrada. Rica pinga.Parece o meu Alentejo.Afinal quem é que é católico, o senhor ou o blog?Se é o compadre, tá no sítio errado. O compadre Cardoso, detesta tudo o que cheira a sacristia. Se é o blog, acabe-se com ele. Fui até lá e de facto o compadre ou comadre Hakeem tá melhor aqui no Aventar. O outro blog tá a ficar sem gente. Só o compadre e um tal Sérgio é que lá escrevem. Óspois, aparecem uns anónimos que desancam em vós. Devem ser anticristãos. Batem, batem, batem. E depois o compadre ou comadre Hakeem perde a compostura e fica um bocado arruaceiro.Eu compreendo. Ná pachorra práquela cambada.Aqui é que tá bem.Tem compadres cultos, respeitadores, democratas e muito mais leitores

      • Hakeem says:

        Compadre Manel, nem volte lá, àquele sítio que está a ficar sem gente, que ainda fica com uma ideia errada da Bairrada. Venha cá, para a pinga, para o espumante e para o leitão. Eu prometo retribuir, fiscalizando convenientemente a açorda, os tintos e os queijinhos de Nisa.

  2. Casimiro19 says:

    Caro João, tenho vindo aqui discordar daquilo que tem escrito sobre esta temática, sempre em nome próprio. Quero expressar a minha repulsa pela incapacidade de discutir temas sem recorrer a ofensa, qualquer que seja o seu tipo.

    Mas também tenho que lhe recordar, caro colega, que ânsia argumentação contra as EPC faz tábua rasa de uma realidade muito heterogénea. A eaola onde trabalho e laica, nao faz selecção de alunos, presta serviço a comunide com uma qualidade superior as institucoes estatais próximas.

    A realidade que apelida aqui (e bem) como vergonhosa, também se verifica em escolas estatais, tão utilizadas aqui como modelo.

    Sabe provavelmente o João melhor que eu quantos alunos com ase há no dona Maria… Saberá melhor que eu como se obteem aqueles resultados….

    A hipocrisia desta discusao e tal que Ja li a dirctora dessa escola a atacar as EPC e quando precisou d arranjar emprego para o seu filho, nosso coleg, nao teve pudor em mover influencias para o colocar numa EPC.

    Como Ja escrevi aqui, Ja trabalhei para o estado e agora estou numa EPC em risco de fechar há boas praticas em ambas, há bons e maus métodos em ambas, mas eu sou o mesmo professor nas duas.


    • Tenho tido o cuidado de apontar exemplos concretos e que me são próximos, precisamente porque não quero generalizar. Em Bustos, por exemplo, uma instituição católica trata efectivamente de crianças em situação difícil e bem merece ser subsidiada.

      Aproveito por repetir a quem não tendo alunos com NEE tem dificuldades óbvias em entender o que não está no seu catecismo: comentários seus em postes meus são de imediato rejeitados. Quem não se sabe comportar numa discussão vai para a rua de castigo.

  3. Casimiro19 says:

    Peço desculpa pelas gralhas, quen ocorreram por estar a escrever no telefone.

  4. Paulo Tomé says:

    Sr. João José, camarada de disciplina e de algumas lutas. O camarada Mário é realmente um benemérito na sua actividade que se tornou regional, nacional e internacional! Acompanho com entusiasmo a vossa actividade, uma vez que eu próprio andei nessas lides durante alguns tempos. Infelizmente para o caríssimo, pelo que vai dizendo, num colégio! Digo-lhe que ergui sózinho algumas feiras! Formei alunos em andas, malabares e teatros! Pesquisei muito, dei muito de mim, tudo, aprendi para ensinar, passei meses a preparar dando aulas ao mesmo tempo, reuni com colegas, alunos, pais, juntas de freguesias, câmaras, companhias, dei conferências, convidei professores universitários para falarem da temática…….
    Fui professor, educador, organizador, palhaço, amigo, negociador, carpinteiro, motorista, cozinheiro, etc,etc,etc!Numa instituição privada! Obrigado? Não! Por carolice! Aprendi muito, realizado enquanto professor de História!
    Trabalho noutro colégio, sou professor, sou actor, ensino teatro, organizo manifestações…trabalho com a linguagem e com as mãos! Não tenho medo de trabalhar! Realizo-me quando, no fim de muitas semanas de trabalho, almoços a correr, horas de carolice, acaba a peça, que durou apenas 20 minutos, e os meus alunos eufóricos de excitação me abraçam e me agradecem, não sabendo o que me estão a oferecer, a realização pessoal, profissional, humana, emocional…
    Agora, vejo pessoas hipócritas, políticos, estudos encomendados, interesses de empresas (Parque Escolar) que se preparam para abocanhar a educação, destruindo pessoas, sonhos, projectos, vidas… Sinto-me a lutar contra moinhos gigantes, que utilizam os ventos da hipocrisia, do oportunismo, mentira, para impor a privatização da educação! Dividem professores, que se esgrimam numa batalha sem sentido, que não percebem, instigados pelos poderosos, fantoches nas mãos desses tiranos!
    O que realmente interessa na Educação!? Há muito de mal, mas não posso concordar com o doce esgar daqueles que se deleitam com a morte dos outros! Ars moriendi! A morte leva a todos, ricos e pobres! Era o contentamento do povo que via na peste a justiça divina! Ainda andamos na Idade Média e, no entanto, pensamos que somos tão distantes destes homens, que apenas merecem ser revividos em festas simbólicas!
    Caríssimo, urge discutir Educação! Conversar Educação! Ataques pessoais e indescriminados não! Concordo! Vamos a dados! Vamos viver desafios intelectuais honestos, bem à moda da Idade Média de que tanto gostamos!
    O CRS é uma realidade, o CS Teotónio outra, o Lordemão outra, S.Martinho outra e por aí adiante! Não se pode generalizar! Assim como a Infanta D. MAria, Quinta, Brotero, Taveiro etc…

  5. Rodrigo Costa says:

    … Caro João José Cardoso, acho que fez mal, ao apagar os comentários. Não me parece muito apropriado abrir um espaço e esperar que quem aceda o faça de acordo com as nossas expectativas. Alguns, fazem-no com indecência, porque cada um faz da forma como pode —acha que Deus ou o papa pode salvar os crápulas; aqueles que, para mamarem, se escondem nas suas vestes?…

    Quanto à qualidade dos estabelecimentos de ensino e à qualidade dos professores —em quantidade substancial—… basta ver o estado da Sociedade.

    Dir-me-ão haver escolas e professores que são sérios, empenhados. Eu pergunto, quantos?… Deus sabe!

    Quianto à religião, isso é já um problema da área da psiquiatria.

  6. Rodrigo Costa says:

    … O fenómeno religiooso é simples e, ao mesmo tempo, complexo.
    Simples, porque se percebe ser o ser humano é um animal cheio de fantasmas, de inseguranças; que necessita de fundamentar a esperança no invisível e intangível, porque “os santos da porta não fazem milagres”; e porque, a sós, são incapazes de encontrar respostas para as inconsequências.

    No fundo, juntaram-se os fantasmas e a necessidade de domínio; os espertos, como representantes de Deus —qualquer Deus—, e os tontos, acreditando que Deus —qualquer Deus— mandataria, para intermediar, um qualquer espécimen de uma espécie canalha —o último Papa sofreu e morreu de Alzheimer; como poderia ter morrido de outra coisa qualquer, sem que eu me atreva a dizer que por castigo; mas, antes, porque, de uma maneira ou de outra, tinha de acontecer, porque a eternidade pertence somente ao Universo que, como corpo, se renova pela morte das células; e o Papa era e é, somente, uma invenção dos humanos. A fé —a crença, a reverência pelo que nos cerca, pela beleza e pelas harmonias que nos transcendem— não é propriedade de religião alguma; mas, antes, a interiorização da nossa pequenez; a esperança na inteligência de um mundo movido em regime de causalidade, com causa e efeito, acção e consequência.

    Se eu confiaria um filho meu a uma escola religiosa?… Nem pensar nisso! Quereria uma escola que o formasse para a vida e não para cultivar fantasmas; para ocupar e entorpecer o raciocínio com virtualidades. Para isso, já basta a internet, cuja utilização, se não for moderada, leva a presunções disformes e a desequiulíbrios…

    Mas qual o problema?…
    Nem sequer o coloco em termos económicos, porque todos os problemas que o dinheiro pode resolver são os mais fáceis. Se não houver dinheiro, há fundamentada esperança na cura. Os problemas são de ordem psicológica, pelos transtornos, pela anormalidade em que as pessoas tenras são mergulhadas —o problema religioso é, em tudo, semelhante ao problema político; e eu não poria um filho meu numa escola que fosse administrada por um partido. A Escola deve ocupar-se, com isenção, das aprendisagens e dos saberes terrenos, do conhecimento do tangível.

    E, mesmo que pretenda entrar nos domínios da filosofia e/ou do desconhecido, deve fazê-lo sem qualquer carácter obrigacionista; sem segregar, isolando os que têm, apenas, vontade de saber; porque ninguém chega a conhecer o que está longe, se, antes, não tiver uma ideia do que está perto —é ridículo perder o tempo com a angeologia, roubando tempo à apreensão dos rodimentos da língua e/ou da matemática. Ainda por cima, atrás de figuras que não têm sexo, porque a reprodução, pela via, seria impura… Quem inventou o sexo e a reprodução pela via?!… Se foi o Diabo, então eu pergunto: e quem inventou o Diabo, se, como dizem, nada existe que não seja obra e vontade de Deus?…

    Tenho dúvidas sobre a Sua existência, porque O vejo apregoado e louvado também por gente da pior espécie. Tenho dificuldade em crer que, a existir e a ser como defendem que Ele é, permitisse que a Igreja, o Vaticano, fosse um potentado económico. Mais: que, defendendo, como defendem, o exemplo do Filho, repitissem a vilaneza dos vendilhões do templo, esquecendo a escorraça, que, supostamente, teria posto termo —episodicamente, como se pode ver— aos seus jogos de interesses… à reciclagem das velas… criando, sobre a oração, uma indústria… Qual Deus pode com esta corja?!…

    Escolas do estado ou privadas?… Nesta altura, o Mundo e a Espécie, essencialmente, a Espécie, estão feridos de quase todas as anormalidades. As pessoas estão confusas, não podem fazer luz nem serem condutores seguros para criaturas esperadas pelo futuro. A normalidade tornou-se estado instituído; e eu acho que só um Deus sádico —no caso, também masoquista— permitiria este estendal de factos; fazendo ou deixando o Seu invento expiar os erros da Sua perfeição…

    Sim, eu sei do “livre arbítrio”. O que eu daria ao meu filho, por não saber como o fazê-lo perfeito…

    Benza-os Deus!

  7. manel alentejano says:

    Compadre Rodrigo, na deu pra entender. Afinal o compadre acredita em Deus ou não?O seu discurso, vai-me desculpar parece o de um antigo seminarista zangado com a vida.
    Olhe compadre quando descobrir “… uma escola que o formasse para a vida e não para cultivar fantasmas; para ocupar e entorpecer o raciocínio com virtualidades…” avise. Essa é o meu ideal de escola. Não esqueça, avise logo!


  8. Só para dizer que concordo com o comentador Rodrigo Costa quanto à remoção de comentários,sem querer pôr em causa o seu direito de os apagar.
    Se os mantivesse ser-nos-ia mais fácil entender essa sanha persecutória por parte dos defensores dos contratos de associação a todo o custo,que a meu ver não tem qualquer sentido.

    • soso says:

      o problema não foram os defensores dos contratos de associação. foi o feitiço que se virou contra o feiticeiro. prega são tomás…

  9. Rodrigo Costa says:

    … Compadre Manel —eu que até conheço parte do Alentejo—, não posso afirmar ou negar o que não sei se existe. Posso —devo— dar o benefício da dúvida. Sempre me conheci assim; porque, podendo ser erro, estou como S. Tomé. Quer dizer, nunca poderia ser seminarista. Para ter sido, teria que ter acreditado no que nunca soube se existe, e muito menos, nos termos que dizem existir.

    Zangado com a Vida não estou. Não dei tempo à Escola para isso. Frequentei-a e percebi, rápido, que esse não era o melhor caminho —gosto de colher as uvas à minha maneira.

    Acabo de lhe dizer que a escola por que anseia, que eu saiba, não há —poupo-lhe tempo e esperança. Por isso é que tenho feito o percuso a meu modo. Não tenho títulos… Mas esse também nunca foi o meu objectivo —já viu como está o país, gerido por burros e ladrões carregados de diplomas?… garanto-lhe que não há lá nenhum que pertença à minha classe 🙂

    Sobre Deus, ainda, procuro comportar-me como se Ele exista; muito embora Ele saiba (?) que cometo pecados. Creio, mesmo, que, existindo Ele e não tendo criado tribunais, na sua sapiência, sempre terá sabido (?) que não há inocentes. Para quê perder tempo com juizes e advogados?… 🙂

  10. manel alentejano says:

    Compadre Rodrigo, ainda bem que conhece o meu Alentejo.Até há quem diga que Deus, ao criar o mundo, ao sétimo dia ao chegar ao Alentejo (esta parte foi sonegada da Bíblia), vendo que era tão bonito, descansou!Quanto ao resto tou de acordo consigo.Tudo seria melhor se certos engenheiros e doutores não nos (des)governassem e se no lugar deles estivessem compadres como o meu Amigo, com a escola da vida. Foi um prazer comunicar consigo e não se esqueça de visitar Portel, se ainda não conhecer.

  11. octavio says:

    JOÃO JOSÉ, este espaço é público. não é a sua sala privada para onde leva amigos e diz o que lhe vem à cabeça, SEM FUNDAMENTO, numa espécie de catarse. se quer arremessar pedras, com razões pouco razoáveis, tem que estar atento, porque algumas podem cair-lhe em cima. parece-me que foi o que aqui aconteceu.

  12. Rodrigo Costa says:

    Caro Compadre,

    Até estive apaixonado por uma alentejana, veja lá! 🙂
    Não é por causa disso, mas tenho muitas saudades de Évora. Possivelmente, irei para lá pintar, este próximo Outono. Ainda não é certo. Gosto muito da planura e da calma. E estive, uns dias —à 10 anos +-—, em Reguengos de Monsaraz. Cheguei a ver o pôr do sol, no Redondo; com a luz a avioletar a brancura das casas… Portel não conheço. e fiz, com frequência, a viagem entre Elvas e Évora: Borba, Terrugem, Vila Viçosa… Como vê, não estou muito às escuras.

    Grande abraço

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