A força dos óculos ideológicos

“Gasta-se o dinheiro a aumentar os médicos e os enfermeiros e depois não há para o Joãozinho ” – foi assim que um conhecido comentarista da televisão e jornais sintetizou a situação da construção de uma ala pediátrico do Hospital de S. João, no Porto, onde o Joãozinho seria uma hipotética criança com cancro. Ficamos a saber, portanto, que não foram os 17 mil milhões cedidos à banca, mas sim os salários dos trabalhadores, a causa de males nacionais, tais como o desinvestimento na saúde. Há um preconceito ideológico por trás de afirmações como estas, que negam uma realidade de todos conhecida, inclusivamente por João Miguel Tavares, autor da citação, o qual vê moinhos de vento em cada assalariado que tenha recebido um poucochito mais com as reposições de António Costa.