Duarte Marques, o cúmplice acusador

Por uma vez, concordo com Duarte Marques, especialmente porque, sem se aperceber (Duarte Marques nunca desilude), o pobre está a fazer, em parte, uma autocrítica: o Serviço Nacional de Saúde está a piorar progressivamente devido às políticas deste governo, que se limita a prosseguir o trabalho iniciado por José Sócrates e continuadas entusiasticamente por um Passos Coelho que se orgulhou de ir além da troika.

Duarte Marques integra um centrão que, graças a uma escoliose política, está, há anos, inclinado para uma direita que se apoderou do Estado para o esvaziar, entregando-o a amigos do privado e privando os cidadãos de serviços mínimos de qualidade, na Saúde ou na Educação. No seu último texto para o Expresso, atribui a falta de condições dos hospitais (de que PSD e CDS são co-responsáveis) à reposição de salários, esquecendo, convenientemente, os muitos desvarios em que participaram vários amigos e aparentes adversários que têm dividido o bolo público em benefício de poucos.

Leia-se, entretanto, o texto de Mariana Mortágua, a propósito deste mesmo tema, mesmo sabendo que, segundo Duarte Marques, o Bloco de Esquerda tenha contribuído para a ocultação do que se está a passar no SNS, confirmando-se a incompetência do BE, tendo em conta que os problemas estão  a ser abundantemente divulgados (mas, lá está!, Duarte Marques nunca desilude). Ao surpreendente deputado, por ser cúmplice de tudo o que se está a passar, recomenda-se o mesmo tratamento que um certo médico prescreveu a um paciente.

Legionella – Ministro da Saúde precipita-se?

O Ministro da Saúde anuncia que o Estado pode e deve indemnizar as vítimas de legionella, após ter conhecimento de um relatório preliminar, da responsabilidade do Instituto Ricardo Jorge e da Direção Geral de Saúde, que conclui que a origem do surto se deveu ao mau estado sanitário de uma das torres de refrigeração do Hospital São Francisco Xavier.

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Atendendo a alguns comentadores da patrulha ideológica do PS se terem incomodado quando aqui escrevi que o governo deveria, de imediato, assumir responsabilidade do Estado, por uma questão de ética, talvez Adalberto Campos Fernandes se tenha precipitado, uma vez que se trata, apenas e tão-só, de um relatório preliminar.
Como não pertenço a patrulha alguma nem a seita, defendo que indemnizações não bastam, porque o assunto é de enorme gravidade!
Repito o que escrevi, então: [Read more…]

Legionella – por uma ética de esquerda responsável

Confesso, entristecido, não poder aceitar, precisamente por me considerar de esquerda, que um governo em funções há 2 anos, não assuma as suas responsabilidades enquanto gestor dos bens do Estado e do Serviço Nacional de Saúde, quando as instalações de um hospital público estão infestadas com uma bactéria perigosíssima, letal para os mais indefesos.
Sei que um hospital é uma fonte de vírus e bactérias e que é muito difícil, se não impossível, evitar a contaminação, devido ao intenso movimento de doentes e funcionários, mas não por legionella, uma vez que esta se propaga pelos sistemas de ventilação!
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Em nada me conforta saber que o governo anterior decretou o fim das auditorias periódicas obrigatórias à qualidade do ar interior em 2013! Este governo está em funções há 2 anos, tendo tido mais que tempo para repor a obrigatoriedade [Read more…]

A ciência e as opiniões

Vinte casos de Sarampo levaram o Ministro da Saúde ao prime time televisivo para afirmar que “a Ciência está a perder a batalha contra a opinião”. Aproveitou também para introduzir a discussão sobre a obrigatoriedade da vacinação, o que de imediato suscitou o aparecimento de opinadores a defender que, mais do que obrigatórias, as vacinas devem ser compulsivas, ou seja, o Estado deve vacinar os cidadãos, mesmo contra a sua vontade. É um assunto a estudar, mas é pena que esta polícia administrativa, tão característica de um Estado Novo, não seja colocada nos hospitais do SNS, onde todos os dias morrem, em média, doze pessoas, vítimas de infecções que não tinham antes de lá entrar. Não deixa, aliás, de ser curioso que vinte casos de Sarampo estejam a ser tratados como uma epidemia, enquanto as infecções contraídas em meio hospitalar, que vitimam em Portugal mais de quatro mil pessoas por ano, permaneçam inscritas no âmbito dos danos colaterais do Ajustamento. Aceitáveis, portanto. Outro facto curioso merece adequada atenção. Desde que a Dra. Margaret Chan assumiu a direcção da OMS, todos os anos há uma tremenda epidemia nos jornais e nas televisões. Se não é nos porcos, é nas galinhas. Se não é gripe, é sarampo. Indague-se.

Faleceu e precisa de um médico?

Então não perca mais tempo e contacte já a Unidade de Saúde Familiar Lusitânia, em Évora. O custo fica a cargo do SNS.

Não há milagres

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Segundo o economista Eugénio Rosa, a redução do défice global das Administrações Públicas em 2016 foi obtido em resultado de um elevado excedente na Segurança Social (1.559 milhões €) e na Administração Local (662 milhões €).

Ao enorme excedente na Segurança Social chegou-se através de uma redução do número de beneficiários de prestações sociais, como o Subsídio de Desemprego, o RSI, CSI e o Abono de Família. O número total de beneficiários diminuiu, entre Dezembro de 2015 e Janeiro de 2017, em 126.609.

A taxa de cobertura do Subsídio de Desemprego era em Dezembro de 2016 de apenas 28,8%, inferior à de 2015, que foi de 29,5%. Isto significa que em cada 100 desempregados, menos de 29 estão a receber aquela prestação social. Segundo o INE, 42% dos desempregados estão no limiar da pobreza.

Em 2016, o Serviço Nacional de Saúde sofreu uma forte contenção da despesa, o que naturalmente se traduz no serviço prestado às populações. Em 2015 e 2016, a despesa do SNS cresceu 105,5 milhões €, enquanto a despesa com Pessoal, por via da reposição de salários, cresceu 171,5 milhões €.

Por outro lado, os montantes pagos pelo Estado pelos juros e encargos da dívida são mais do dobro de todo o investimento realizado.

Conclui-se que a contenção do défice está a ser feita à custa dos mais pobres, da Segurança Social, da Administração Local e da degradação do Serviço Nacional de Saúde.

Não se compreende como é que um governo que se diz defensor do Estado Social, apresenta este nível de excedentes (1.559 milhões€) no Ministério ao qual cabe, precisamente, zelar pelo cumprimento dos direitos dos mais desprotegidos.

Medicina Chinesa no Serviço Nacional de Saúde

dgs

 

Considero ser muito feliz a notícia que dá conta da intenção manifestada pela Direcção Geral de Saúde, de trazer para o SNS práticas médicas tradicionais, designadamente a Medicina Tradicional Chinesa. É uma grande vitória para os que acreditam que é possível melhorar a prestação pública de cuidados de saúde, através da aceitação e incorporação de contributos terapêuticos provenientes de outras realidades, contributos esses sobre cuja eficácia e validade científica não restam já dúvidas.
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