Greve geral: ménage à trois

Acerca da minha relação com as greves de um dia, não tenho muito a acrescentar àquilo que já escrevi e partilho a opinião do Ilídio Trindade, partindo do princípio de que haveria união suficiente para se fazer uma greve por tempo indeterminado.

De qualquer modo, não posso dizer que esteja exactamente entre o João Paulo e o José Magalhães, porque, como o primeiro, vejo muitas razões para protestar, mesmo recusando-me a fazer greves que considero inofensivas; ao contrário do segundo, no entanto, penso que, relativamente ao Estado e ao Governo, os cidadãos deste país não são devedores de coisa nenhuma, são credores de uma dívida incomensurável e protestar, com ou sem greve, é, na realidade, reclamar o pagamento, ou seja, fazer cobranças difíceis.

Entretanto, qualquer um deles cai no erro – eventualmente inevitável – de retratar (ver é outra coisa) a realidade a preto-e-branco, embora eu tenha a certeza de que sabem que o mundo tem mais cores. A incómoda afeição que sinto por ambos impede-me, no entanto, de transformar estas minhas discordâncias em palavras agrestes, até porque, seja como for, andar à porrada a três não deve ser fácil, sobretudo para quem fica no meio.