A fúria do mar

Há várias façanhas pelas quais os portugueses são conhecidos mundialmente. Terá sido, aliás, Mário Cesariny um dos primeiros a descobri-lo e a demonstrá-lo com evidência científica e surrealista, na sua “pena capital”:

quando acabava de ser identificada a casa onde viveu
Miguel Cervantes, em Alcalá de Henares,
eu saía para o campo com Rufino Tamayo
enquanto um português vivia trinta anos com uma bala
alojada num pulmão
chegava eu ao conhecimento das coisas

A verdade, é que parece haver uma tendência, nos portugueses, para uma certa satisfação pelos extremos e um cultivo alegre do espanto perante fenómenos ou acontecimentos totalmente insusceptíveis de o gerar ou, em gerando-o, mais tendentes, num “povo normal”, a suscitar uma reacção de cautela, previdência e algum recato. Não se trata de uma realidade circunscrita espacialmente à zona do Entroncamento, ou da Cova da Iria, mas, pelo contrário, presente em qualquer lugar onde chegue a alma lusa. A capacidade portuguesa para fazer do banal, extraordinário, e do extraordinário, banal, é algo do nosso quotidiano morno e acontece onde quer que estejamos e sejam quais forem as circunstâncias do tempo e do lugar.

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Pires de Lima em momento parlamentar insólito

Terá sido excesso de álcool? Se não foi parece

Mr. Bean e Cristiano Ronaldo na hora de receberem uma rainha

O craque português esteve no Palácio do Pardo, em Madrid, para receber o «Premio Nacional del Deporte» como atleta ibero-americano que mais se destacou em 2011.

Mas receber um troféu das mãos da rainha Sofia enquanto se mastiga uma pastilha é coisa que não fica bem, pelo que o futebolista teve que encontrar uma solução rapidamente.

Ronaldo tentou cuspir a pastilha discretamente para a mão para a colocar no bolso, mas o gesto não passou despercebido.

Alguns convidados da cerimónia disseram que foi a presença da família Real que deixou Ronaldo mais nervoso que o habitual”.
CR inspirou-se em Mr. Bean! Tenho a certeza que o futebolista «viu à frente» a cena de Mr. Bean recebendo a sua rainha:

Mr. Bean 4 – CR 1. Ou será o contrário?

Ser caso único

Conheci a história (do caraças) de Henrique Ferreira através do JN (de ontem).

O empresário é o único caso de «Fetus in fetu» (FIF) conhecido em Portugal. A FIF é uma condição patológica muito rara “que consiste no desenvolvimento  de um embrião ou feto dentro do corpo de outro feto”. “Uma anomalia tão rara que não está inscrita nos portais de referência de doenças raras”.

São apenas 100, os casos documentados no Mundo inteiro.

Henrique é o único caso conhecido no nosso país. Sofreu muito em criança: sentiu raiva por ser diferente. Foi operado há 25 anos nos EUA, mas ainda hoje fala com mágoa desse tempo de dissabores…

Partilho a sua lição de vida:

quando se tem um objectivo na vida, é preciso ter paciência e saber esperar e tudo se resolve. (…) Nada acontece por acaso.

Por que é que eu faço desta história um post? Porque estes casos de vida fazem-me ver que como sou sortuda e que me queixo de ter vida fácil.  O que são os meus pequenos complexos ou problemas, comparados aos que Henrique teve?  E porque gosto muito daquela frase «Nada acontece por acaso».