(A) Odisseia

Sanctuary was massive.
Johnny Marr

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Hei-de ver o filme A Odisseia — aparentemente, o título em português do filme tem um A antes da Odisseia, mas vê-lo-ei na Bélgica, por isso, este pormenor de interesse geral português é-me individualmente irrelevante: verei o filme no inglês original, com legendas em francês e em flamengo.

Felizmente, tenho conseguido desviar o olhar das várias tentativas, nas redes sociais e alhures, de me darem cabo da ida ao cinema. Hei-de vê-lo, pois as minhas impressões iniciais raras vezes (diria nunca, mas isto é tudo muito subjectivo) são afectadas negativamente pelas experiências novas. Acrescentaria mesmo que antes pelo contrário.

Até hoje, a minha versão cinematográfica predilecta da Odisseia é o “O Brother, Where Art Thou?“. Exactamente, essa versão aproximada. Não me estragou a “minha” (todos temos a “nossa”) Odisseia original: longe disso, enriqueceu-a. Vários filmes e séries têm reproduzido obras literárias que aprecio, mas não me recordo de qualquer impacto negativo na minha impressão inicial, nas minhas representações pessoais originais de personagens, narradores, enredos, tempos, espaços.

Apesar de ter visto incontáveis e belíssimos Hamlets, a minha representação pessoal do primeiro acto do Hamlet valeu-me, há poucos anos, uma vitória que me deixou mais eufórico do que o golo do Éder em 2016 ou o vozeirão do Ian Astbury em 1993. Em suma, quando regresso ao texto, é a minha representação original que prevalece.


Ao falar em Hamlet, lembrei-me da Helena de Tróia. Sim, essa. Adiante. O significado da palavra representação é unívoco. A representação respeita todos os elementos da obra? Excelente. Não respeita? Choca? Óptimo.

Antes de regressar ao impacto da instrução na aquisição e aprendizagem de segmentos de uma L2 (porque a vida não é só ficção), vamos à forma como a Odisseia efectivamente acaba. Como diz uma pessoa da minha família, é assim (a tradução portuguesa, na imagem supra, é de Frederico Lourenço):


ὣς φάτ᾽ Ἀθηναίη, ὁ δ᾽ ἐπείθετο, χαῖρε δὲ θυμῷ.
ὅρκια δ᾽ αὖ κατόπισθε μετ᾽ ἀμφοτέροισιν ἔθηκεν
Παλλὰς Ἀθηναίη, κούρη Διὸς αἰγιόχοιο,
Μέντορι εἰδομένη ἠμὲν δέμας ἠδὲ καὶ αὐδήν.

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Santana Lopes, o Wally e a República das Bananas

Antes de Pelé, 10 era apenas um número. Li essa frase em algum lugar, em algum momento da minha vida.

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Santana Lopes, apesar de aparecer imenso na comunicação social portuguesa, continua a não responder ao essencial, que tentarei resumir em três perguntas:

  1. Porque é que “agora facto é igual a fato (de roupa”?
  2. Porquê esta República das Bananas ortográfica? (*)
  3. Considera que 1. poderá explicar 2.?

Votos de um óptimo 2023.

(*) A actualíssima imagem vai sem as rodinhas do costume, para Santana Lopes descobrir o Wally.

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Somos?

Since Spanish spirantization and English flapping both affect /d/ intervocalically, the acquisition of the/d/-/ɾ/ contrast proves difficult for English learners of Spanish.
— Herd, Jongman & Sereno (2013)

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Somos isto, aquilo e aqueloutro (tosse sabática), mas não houve Stones e não haverá Fórmula 1. Por falar em música, já sabia que o Maher à superfície era um /mɑːr/ profundo, agora, não sabia era que o Marr é, efectivamente, Maher.

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Pelo fato

Well, I miss, really, silly things about Manchester. I miss the kind of things that nobody would understand why they could be missed, I miss the grey slate of the sky. And I miss silly things about Manchester people.  But you’re Southern, you wouldn’t understand. When you’re Northern, you’re Northern for ever and you’re instilled with a certain feel for life that you can’t get rid of.
Steven Morrissey

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Pelo fato de quê? Tendes de ler no sítio do costume. Quando? Desde Janeiro de 2012.

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