A união de fato e o pára-raios: hábitos e recaídas

Kein Mensch kann wirklich leben, wenn nicht noch ein Funken von Hoffnung in ihm ist. Und das sollten die Massenmedien nie vergessen.

Hans-Georg Gadamer

A marcha era lenta, iam velhos entre eles e mesmo os moços estavam no limite da fadiga, não podiam mais. Alguns quase se arrastavam, sustentados apenas pela esperança.

Jorge Amado

***

Esta semana tem sido extremamente produtiva. Tivemos alguns exemplos do sítio do costume, como o contato de 13 de Maio ou os contatos de anteontem, aos quais se juntam os fatos de ontem:

 

Exactamente: fatos.

No Expresso. tem havido recaídas. Como se sabe, não há três sem quatro.

Ei-la:

Efectivamente: pára-raios.

E hoje?

Hoje, dedicaremos a nossa atenção ao sítio do costume e a outro aspecto da adopção do AO90 :

Exacta e efectivamente: coletivo, colectiva e colectivamente.

E amanhã?

Amanhã, felizmente, não há Diário da República.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

As recaídas do Expresso e os «contatos posteriores»

Rogava aos santos que lhe permitissem morrer. Ah! para não ver cumprir-se o inelutável destino, acontecer a inexorável desgraça.

Jorge Amado

Tu já sabes o que é que vai acontecer

— Conan Osíris

All this was real, it was really happening, but with a quality of the unreal; it was reality happening in quite a different way.

— Anna Kavan, “Ice”

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Escreve o Expresso:

Queda de betão da parte inferior do tabuleiro da ponte da Arrábida origina inspeção.

Felizmente, o caso está a ser acompanhado pela Protecção Civil.

Efectivamente: Protecção.

Como é sabido, não há nem uma recaída sem duas, nem duas sem três, nem três sem quatro — e assim sucessivamente.

Quanto ao Diário da República, não há surpresas.

Aliás, quando se menciona Diário da República, todos sabemos, como cantava ontem Conan Osíris, “o que é que vai acontecer”:

Exactamente: a grafia habitual, no sítio do costume.

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Ilusões ortográficas

Tu já imaginou a decepção, homem?

Coronel Jesuíno Mendonça

Para o segundo número da revista preparou um artigo, em português não menos clássico e com argumentos irrespondíveis, no qual, baseado em fatos e sobretudo nos versos do poeta Teodoro de Castro, esmagava definitivamente as negativas do conde.

Jorge Amado

***

Ontem, 13 de Maio de 2019, lembrei-me do dia 13 de Maio de 2009.

De facto, tendo lido isto,

lembrei-me disto:

O Diário da República não nos desilude.

Efectivamente,

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.

***

O Polígrafo, o sítio do costume e o contato escondido com rabo de fora

Pai, agora eu decolei, guardei meu celular, já tô no ar, mas não me desliguei

Gabriel, o Pensador

E se eu partir o telemóvel
Eu só parto aquilo que é meu

Conan Osíris

***

O Polígrafo volta a desiludir-nos, o Polígrafo continua a decepcionar-nos. Apesar de avisado, insiste em prevaricar:

Como sabemos, desde Janeiro de 2012, é muito mais fácil encontrar um contato no Diário da República do que um gato no meio de corujas.

Descobriram o gato? Sim? Não? Então, experimentem agora encontrar o contato:

Exactamente. Muito bem. De facto, está ali:

Na senda da decepção ortográfica do Polígrafo, procuremos agora o p do grafema (dígrafo) <ep> de decepção, no Diário da Assembleia da República (sexta-feira, 15 de Junho de 2018, I Série, N.º 94):

Encontraram? Não? Nem eu.

Então, experimentem agora [Read more…]

O progresso da ortografia e o véu da ignorância

A useful comparison here is with the problem of describing the sense of grammaticalness that we have for the sentences of our native language. In this case the aim is to characterize the ability to recognize well-formed sentences by formulating clearly expressed principles which make the same discriminations as the native speaker. This undertaking is known to require theoretical constructions that far outrun the ad hoc precepts of our explicit grammatical knowledge. A similar situation presumably holds in moral theory.

— John Rawls

L’agent voudrait se mettre au vert
L’Opéra rêve de grand air
A Cambronne on a des mots
Et à Austerlitz c’est Waterloo

Joe Dassin

***

Em recente debate com Steven Pinker, Paul Krugman teve a feliz ideia de lembrar o véu da ignorância, de John Rawls (cf. a partir de 24:15).

Debatia-se, então, o progresso da humanidade, note-se. Não se debatia o progresso da ortografia. O progresso da ortografia é assunto para os próximos parágrafos. Retomemos, então, neste nosso parágrafo, o véu da ignorância. O ponto de partida de Rawls é a possibilidade de se estabelecer um procedimento justo de tomada de decisão, de modo a que quaisquer princípios associados a este sejam também eles justos. No fim de contas, a ideia é anular efeitos de contingências concretas que constituam uma tentação para os decisores e os levem a explorar circunstâncias naturais e sociais em benefício próprio. Para esses efeitos serem anulados, um véu de ignorância deve impedir que os decisores saibam qual o lugar que ocupam na sociedade, qual a classe social a que pertencem, que estatuto social detêm, quanto vale a sua fortuna, quão inteligentes são, quanta força têm, etc.

Mudemos, abruptamente, de assunto.

Hoje é dia útil, portanto, não há novidades.

Efectivamente, no sítio do costume, além de adotante, temos união de fato:

De facto, ninguém ficará surpreendido, creio, com esse fato (sim, com esse fato):

Escrito isto, desejo-vos uma óptima Páscoa, com muitas amêndoas e pouco (se possível, nenhum) Diário da República.

Exactamente.

Até breve.

***

O buraco ortográfico

Credits: Event Horizon Telescope collaboration et al. (https://go.nasa.gov/2Z2mJPS)

Sey. The Queene (my Lord) is dead.
Macb. She should haue dy’de heereafter;
There would haue beene a time for such a word:
To morrow, and to morrow, and to morrow,
Creepes in this petty pace from day to day,
To the last Syllable of Recorded time:
And all our yesterdayes, haue lighted Fooles
The way to dusty death.
— Shakespeare, “Macbeth” (Folio I, 1623)

***

Depois das notícias de ontem sobre o buraco negro (eis o artigo), regressemos ao buraco ortográfico aberto pelo poder político.

Repare-se neste exemplo clássico:

Exactamente:

Menção de que o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura.

Trata-se efectivamente de exemplo que é genuinamente clássico, conhecido no Palácio de São Bento, pelo menos, desde o dia 7 de Fevereiro de 2013 (cf. página 7 em “Documentação entregue [formato PDF]“). Entre a entrega do documento que redigi e o dia em que escrevo estas linhas, portanto, é só fazer as contas, deixa cá pegar num lápis aguçado, ora bem, já lá vai uma, já lá vão duas, já lá vão três, já lá vão, deixa cá ver… 322 semanas.

Até hoje, como se vê,

nada se fez.

Todavia, fala-se muito (“Portugal fez a sua parte“). Aliás, fala-se imenso (“Orgulho-me de ter assinado o Acordo em 1990“). Declara-se abundantemente (“O autor escreve segundo as normas do novo Acordo Ortográfico“) e profere-se bastante («Portugal “aguarda serenamente” a conclusão da ratificação do acordo ortográfico pelos membros da CPLP que ainda não o fizeram»), com tiros pela culatra.

Enfim, muita conversa e o buraco a aumentar.

***

A aliança ortográfica

Linguistics is the field that tries to figure out how human language works — for example: how the languages of the world differ, how they are the same, and why; how children acquire language; how languages change over time and why; how we produce and understand language in real time; and how language is processed by the brain.

David Pesetsky

***

Depois de Santana Lopes ter promovido os fatos, através do famoso “agora facto é igual a fato (de roupa)“, vem agora o Expresso (num intervalo das aulas) dar uma notícia sobre a Aliança com contatou:

Na quinta-feira, dia deste excelente artigo de Nuno Pacheco, o Diário da República trouxe-nos os habituais fatos

e andou a promover contatos [Read more…]

Depois do excepcional, a direcção

How can we explain that what is difficult to learn when moving from Lx to Ly is not necessarily difficult when moving from Ly to Lx, if it were true that it is mere L1–L2 differences that cause learning difficulty?

— Lourdes Ortega

***

Efectivamente, o Expresso, apesar das aparências e da propaganda, não adopta o Acordo Ortográfico de 1990.

Anteontem, o excepcional.

Ontem, a direcção.

O Expresso diz-nos que Armando Vara deixou de ser Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e que o despacho foi publicado no Diário da República de hoje.

Efectivamente, é verdade:

Todavia, também é verdade que no Diário da República, como no Expresso, há uma direcção, sem til e sem cedilha, claro, tendo em conta o contexto, mas com consoante não pronunciada ‘c’, quand même:

Além disso, como é costume, há contato

efectivamente, há contato

e fatos e factos.

Exactamente: no sítio do costume.

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A pressão ortográfica

Breathe the pressure
Come play my game, I’ll test ya.
Prodigy

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O meu destaque da semana podia ser esta magnífica foto dos heróis do Dragão.

© Global Imagens [https://bit.ly/2TrZPkT]

Todavia, há emergências mais urgentes (a propósito de emergências mais urgentes, durante a semana passada, faleceu José Vieira de Lima, o tradutor que me apresentou o Sam Shepard).

No sítio do costume, continuam a chumbar nos testes ortográficos da norma que eles próprios criaram e impuseram.

Já agora, é engatar e não enganar (efectivamente, é uma discussão interessante).

***

Keith Flint (1969-2019)

Alcouce, sim, mas com cedilha, claro

I’m a scientist. I never apologize for the truth.

Sheldon

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Depois de uma introdução com terramotos para encher chouriços, Cristina Ferreira disse a Marisa Matias que não se conseguia fixar o nome da localidade onde a entrevistada cresceu.  Note-se que Ferreira não disse “é um nome difícil de eu memorizar/é um nome difícil para mim de memorizar/é um nome que eu não consigo memorizar”. Não. Ferreira disse: “é um nome difícil de memorizar” — ou seja, para ela, para mim, para si, caro leitor do Aventar. E Ferreira terá alguma razão, pelo menos, no que diz respeito à equipa daquele programa, a julgar pela memória grafémica do autor daquele Alcouçe, que não terá lido com cuidado qualquer biografia da entrevistada e, pior, não aprendeu a regra cacecicocu [kasɛsikɔku]. Isto é inadmissível, num programa em que o salário da apresentadora parece ser o assunto mais candente. em vez de se discutir o salário (ou a péssima remuneração) e o curriculum (ou a licenciatura na University of Westfield Online) do redactor dos rodapés e dos oráculos.

Quanto ao sítio do costume,

tudo bem.

***

O fato de apresentação

If ifs and buts were candy and nuts we’d all have a Merry Christmas.

Acquisition takes time; it takes far more than five hours per week over nine months to acquire the subjunctive.

Stephen Krashen

***

Como ontem e anteontem, temos na epígrafe uma referência ao conjuntivo. Como ontem e anteontem, temos grafias exóticas, no sítio do costume:

Amanhã e depois de amanhã, felizmente, é fim-de-semana e não há Diário da República. Efectivamente, fim-de-semana: com hifenes, com certeza, logo, sem fatos e sem contatos no sítio do costume. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

O fato é parâmetro preferencial

Phenomena in physics are also conditioned by all kinds of extra-physical parameters, which may be biological, chemical etc. Would physicists try to explain physical phenomena by extra-physical causes before having tried physical explanations? Would anybody believe that extra-physical explanations are superior to physical ones per se?

Tobias Scheer

Penny meant “if he were a purple leprechaun”. Penny forgot to use the subjunctive.

Sheldon

***

Depois de termos ouvido Searle a pronunciar-se sobre o modo que exprime acções e estados ainda por realizar e hipóteses ou acções e estados irreais, hoje é a vez de ouvirmos (e lermos) o Sheldon a exprimir-se sobre o conjuntivo. Relativamente a ontem, esta é a grande novidade que me apraz registar. No sítio do costume, lamento imenso, continua tudo exactamente na mesma.

Continuamos com contatar (e contactar!):

Aliás, abrindo um parênteses, esta tendência não é exclusiva do Diário da República — também sofrem do mesmo mal quer a Lusa, quer quem divulga os despachos (os meus agradecimentos ao excelente leitor do costume, por este alerta):

Fechado o parênteses, mantêm-se os fatos:

Até há mais fatos: [Read more…]

Perspectivas de Adriano

Ce provincial ignorait le grec, et parlait le latin avec un rauque accent espagnol qu’il me passa et qui fit rire plus tard.

— Marguerite Yourcenar, Mémoires d’Hadrien

God, how I miss the subjunctive! […] Far be it from me to use the subjunctive in a lecture. But, anyway, I just did.
John Searle

Je pense qu’il faut avoir ressenti ce que Proust a ressenti pour pouvoir trouver du plaisir à la fameuse histoire de la madeleine, pour n’en rester qu’à ça. Et encore, la madeleine de Proust c’est le Don Quichotte contre les moulins: il suffit d’une anecdote pour résumer la totalité du livre.

Michel Onfray

***

A ortografia portuguesa continua na mesma: estável na sua instabilidade. Repare-se na crónica publicada no Expresso, acerca do jogo de futebol A.S. Roma-FC Porto de ontem. Começa tudo muito bem, do ponto de vista da ortografia portuguesa europeia e da “unidade essencial da língua portuguesa”, com perspectiva (quartos-de-final, mas não nos dispersemos).

Efectivamente, em primeiro lugar, para impedir o fechamento (ou elevação) da vogal, convém meter uma consoante (como já expliquei aqui e ali): neste caso, o c. Além disso, em segundo lugar, a tão propalada “unidade essencial da língua portuguesa” é mantida pela recaída do Expresso, mas posta em causa pelo próprio Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990: no Brasil, mantêm a perspectiva; por cá, criaram a perspetiva.

Todavia, logo a seguir, a crónica do Expresso resvala para terrenos de 1990, com esta receção.

Portanto, perspectiva por um lado, mas receção por outro.

estamos habituados.

Quanto ao sítio do costume…

Exactamente.

Continuação de uma óptima semana, se possivel, com mais recaídas.

***

Boletim meteorológico

Cette arrogance est absolument insupportable. Mais pour qui vous prenez-vous? Mais pour qui vous prenez-vous, Emmanuel Todd? Vous ne passez plus les portes!

Alain Finkielkraut

I think that’s the way things work. You have some… It’s not that you… I mean, belief formation is often contingent on the outcomes that you want. You want a certain outcome and you construct a system of beliefs which makes that exactly right and just.

Noam Chomsky

***

Efectivamente.

Efectivamente, estava eu a escrever, 2019 continua com dias de céu geralmente limpo (Magnolia foi há 20 anos). Há vento. Vento que vem, desde 2012, do outro lado do Atlântico, como se vê pelo contato, mas em geral fraco, devido a ‘respetivo’ em vez de ‘respectivo’.

Há possibilidade de formação de neblinas em forma de contatos todas as semanas.

O arrefecimento, apesar de lhe chamarem noturno, é nocturno (para si, minha senhora). Quanto ao mar, há ondas, muitas ondas, só ondas (my wave), só ondas (waves roll in my thoughts) e há espuma (Fort ans Meer! ans Meer! es schäume die Welle), muita, muita espuma. A temperatura da água do mar, como os pareceres, não interessa rigorosamente nada.

***

Em Portugal, é «possível estabelecer contato imediato»

It’s hard to get the students who read a lot of Foucault, for example, to worry about anything as simple as national health insurance, or the minimum wage, or immigration policy, or NAFTA, or something like that.

Richard Rorty

É como chegar, não chegar

Pára, enfim, a relação

GNR

***

Efectivamente, no sítio do costume, a possibilidade de estabelecer contato imediato existe há 7 anos.

Sim, eis o ‘eminente’ tão associado ao ‘perigo’ no Diário da República, em vez do esperado ‘perigo iminente’ (recordo indicações dadas em Dezembro de 2015, Janeiro de 2016 e Novembro de 2016), mas não nos dispersemos.

Porque os primeiros dias úteis de 2019 estão a ser bastante excitantes e extremamente auspiciosos. Ontem, também houve contato.

E hoje? [Read more…]

A susceptibilidade e os espectadores

Em vez de se preocupar com a *suscetibilidade dos *espetadores,

convinha que a RTP prestasse mais atenção à susceptibilidade dos espectadores. E dos telespectadores.

Ou há ortografia

ou comem todos.

No sítio do costume, ’tá tudo bem:

Efectivamente, tudo bem. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Efectivamente, isto é grave

Introspect for a while.

Noam Chomsky

***

PT

EN

ES

 

A resposta sobre estes *fatos está aqui, hoje, no sítio do costume:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Nótula: Os meus agradecimentos a Isabel Nogueira.

***


Trump, Chomsky e as línguas

Quem quer ouvir pintar em inglês do Mali?

— GNR

I’ll tell you what I want, what I really, really want
So tell me what you want, what you really, really want
I wanna, (ha) I wanna, (ha) I wanna, (ha) I wanna, (ha)
I wanna really, really, really wanna zigazig ah

— Elijah Wood (o original é este e eis um bónus)

***

Segundo a versão do Politico («Without the US, the French would be speaking German»), Donald Trump terá escrito que, sem a intervenção dos EUA na Segunda Guerra Mundial, hoje em dia, os franceses estariam a falar alemão — como língua dominante no território francês, entenda-se. Já agora, fica aqui uma nótula informativa a indicar que a paisagem linguística do hexágono é extremamente complexa e interessante e, já agora, há vida francófona além do hexágono.

Adiante.

Com esta asserção do presidente dos EUA (a veiculada pelo Politico, a original encontra-se no chilreio), depreende-se que Trump não lê, não escuta, não ouve (ou — existe sempre esta hipótese — não concorda linguisticamente com) Chomsky. Há uns anos, perante a pergunta de  Al Page “porque é que a língua francesa é tão diferente da alemã?”, Chomsky criticou implicitamente o ‘tão’, retorquindo que Page estava a partir do princípio de que a língua francesa era diferente da alemã.

Além desta pequena provocação, deixo-vos uma linda imagem do sítio do costume, desta vez, sem fatos, sem contatos, mas com um belíssimo panorama de um aspecto que só tenho difundido em dias de Orçamento do Estado. Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, obrigado pelo mote.

Efectivamente, ontem, no sítio do costume.

***

A ortografia e a autenticidade

De voorspelling is dan dat er in riem meer alveolaire fricatieven zullen voorkomen (het meest waarschijnlijke resultaat van het mislukken van tongpunttrilling).

— K. Sebregts

***

O Polígrafo estudou a matéria e divulgou que uma declaração atribuída a Catarina Martins não é autêntica. Convém ao Polígrafo debruçar-se também sobre a convenção ortográfica adoptada nas suas deliberações e comunicações. Um conselho aos redactores do Polígrafo: adoptai a ortografia de 1945, a autêntica, a verdadeira, a legítima, a da Bayer. Efectivamente, evitai contatos.

Quanto ao sítio do costume, pouco há a acrescentar.

***

Os U2 e a alfaiataria nacional

You may know I’m guest-hosting tonight because Dave’s got a little eye problem. He’s having trouble seeing. Now that’s the bad news. The good news is he now qualifies to be an umpire on the tennis tour.
John Mc Enroe

the /t/ is often elided

Ida Brunsvik Eriksen

The… what do they call them? The emoticons. At first, I really thought they were dumb, and I didn’t use them, but (by God!) I use them. No. I only use one… two types… well maybe even more…

Douglas Hofstadter

***

Vale a pena ler alguns dos comentários a este descuido dos U2.

Infelizmente, muitos dos comentadores não conhecerão a ortografia praticada no sítio do costume.

É pena.

A propósito, daqui a cerca de um mês, vou a Cracóvia falar sobre Lisboa. Lisboa fonológica. Enquanto preparo os últimos pormenores da comunicação, aproveito para vos deixar descansar, repor baterias. Daqui a pouco menos de um mês, acreditai em mim, tudo estará exactamente na mesma. Quando? Daqui a umas semanas. Onde? No sítio do costume.

Efectivamente.

Até meados de Outubro.

***

Não há ortografia

Heute werden die nationalen Bevölkerungen von politisch unbeherrschten funktionalen Imperativen eines weltweiten, von unregulierten Finanzmärkten angetriebenen Kapitalismus überwältigt. Darauf kann der erschrockene Rückzug hinter nationale Grenzen nicht die richtige Antwort sein.

Jürgen Habermas

Vou corrigir este erro meu.

— Rodolfo Reis, 9/9/2018

Ich glaub, es hackt.

Judith Holofernes (Kölner Treff, WDR)

***

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande disse: “não há irregularidades”. Li isto em notícia do Correio da Manhã, enviada por leitor extremamente atento, a quem agradeço a amabilidade. Graças a esta notícia e a excertos de um comunicado da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, confirma-se que, com a adopção do Acordo Ortográfico de 1990, não há ortografia.

Há casas afetadas e casas afectadas.

subdirector da directoria e há inspetores.

Há «se apuram serenamente os fatos e se repõe a verdade objectiva» [Read more…]

Espalhafatos e coisinhas assim

Lear. Get thee glasse-eyes, and like a scuruy Politician, seeme to see the things thou dost not.

— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)

A TextGrid is a collection of tiers (this rhymes with cheers, not with liars).

— Paul Boersma (p. 350)

… ’tás sempre a falar coisinhas assim.

— Rodolfo Reis, 2/9/2018

***

Mais imagens esclarecedoras.

A propósito, convém sempre regressar a este belíssimo texto de Donald Davidson, cujo trecho mais célebre é o seguinte (p. 47):

A picture is not worth a thousand words, or any other number. Words are the wrong currency to exchange for a picture.

oito anos, dois meses e dez dias, o Expresso anunciou a adopção do AO90. Eis um dos resultados tangíveis das grafias utilizadas por quem actualmente adopta esse modelo ortográfico [Read more…]

Dúvidas legítimas da Fenprof

Lear. Blow windes,& crack your cheeks; Rage,blow
You Cataracts, and Hyrricano’s spout,
Till you haue drench’d our Steeples, drown the Cockes.
You Sulph’rous and Thought-executing Fires,
Vaunt-curriors of Oake-cleauing Thunder-bolts,
Sindge my white head. And thou all-shaking Thunder,
Strike flat the thicke Rotundity o’th’world,
Cracke Natures moulds, all germaines spill at once
That makes ingratefull Man.
[…]
Heere I stand your Slaue,
A poore, infirme, weake, and dispis’d old man
— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)
Reg. We shall further thinke of it.
Gon. We must do something,and i’th’heate. 
— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)
***

Segundo o Expresso, o secretário-geral da Fenprof duvida que esteja tudo preparado para uma abertura sem problemas do ano ‘letivo’. Mário Nogueira menciona uma visão idílica do ministro da Educação, por este garantir que tudo está preparado para que o ano ‘letivo’ comece com normalidade. De facto, se experimentassem uma abertura do ano lectivo, veriam que um dos problemas ficava logo resolvido.

Efectivamente, esta imagem actual do sítio do costume

deve-se a visões idílicas de anos ‘letivos’.

De facto, também a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, aparentemente, decorre com normalidade, ou seja, sem «estrangulamentos e constrangimentos».

Exactamente.

***

Os agentes da ortografia

Quis pedir ajuda, mas a língua estava morta.

Mesa & Rui Reininho

Si cada español hablara de lo que sabe y solo de lo que sabe, se haría un gran silencio nacional que podríamos aprovechar para estudiar.

— Manuel Azaña (apud Felipe González)

Wenn der Mann auf dem Bett liegt und dieses ins Zittern gebracht ist, wird die Egge auf den Körper gesenkt. Sie stellt sich von selbst so ein, daß sie nur knapp mit den Spitzen den Körper berührt; ist diese Einstellung vollzogen, strafft sich sofort dieses Stahlseil zu einer Stange. Und nun beginnt das Spiel.

Franz Kafka, (ARD, adapt. 00:26:51)

***

Há erros ortográficos que nos dão indicações importantes sobre aspectos fonéticos e fonológicos. Um *’fato’ em vez de ‘facto’ ou um *’contato’ em vez de ‘contacto’, por exemplo, dão-nos interessantes pistas sobre as quais nos podemos debruçar hipoteticamente logo no segundo ponto deste decálogo. De igual modo, é sabido (por exemplo, por Cook) que um falante de uma língua estrangeira, através de certas características ortográficas presentes em textos escritos nessa língua — e não só com dados denunciados pela pronunciação —, pode desvendar particularidades do sistema fonológico da língua materna e não só do sistema de escrita em que o falante, leitor e escrevente aprendeu a ler e a escrever.

Também é sabido há muito (por exemplo, por Maria Helena Mira Mateus) que um <s> em vez de <ç> (como a *’insersão’ em vez de ‘inserção’ dos autores da Nota Explicativa do Acordo Ortográfico de 1990) demonstra a falta de adequação do “critério fonético (ou da pronúncia)”, pois “a ortografia portuguesa é fonológica e etimológica e não fonética”. Sabe-se agora também que <ç> em vez de <s> (como um *’dorço’ em vez de ‘dorso’) leva a polícia brasileira a ter dúvidas sobre a autenticidade de documentos.

Adiante.

No sítio do costume, tudo como dantes.

Através da RTP, percebe-se, [Read more…]

«Costa diz que as suas palavras sobre Monchique foram “deturpadas”»

Escreve o Expresso (esse paladino, esse arauto, esse preceptor), grafando ‘excepção‘ e deturpando com ‘exceção‘.

No sítio do costume, obviamente, continuam as grafias grosseiras e vergonhosas.

Ou seja, tudo como dantes.

Boas férias. Regresso em Setembro.

***

Sexta-feira, 13

Tomorrow is another day.

— Peter Sagan

***

Efectivamente. Ainda por cima, sendo sábado, não teremos o nosso querido Diário da República.

***

Rio sobre Santana:

É uma figura que todos nós acarinhamos.

Santana sobre o AO90:

Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).

A União das Freguesias de Azueira e Sobral da Abelheira, em 2013, sobre atestado [pdf, p. 10]:

Exactamente:

documento público, escrito, de carácter informativo, relativo a factos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

A União das Freguesias de Massamá e Monte Abraão, em 2018 (aliás, foi mesmo ontem, no sítio do costume, obviamente), sobre atestado:

Efectivamente:

documento público, escrito, de caráter informativo, relativo a fatos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

***

Ronaldo, o ˈɛlbəʊ e o Egipto

Om de akoestische kenmerken van een spraakgeluid nauwkeurig te kunnen analyseren is een kwaliteitsvolle opname nodig. Enerzijds is de opnameapparatuur heel belangrijk. De microfoon moet alle variaties in frequentie en intensiteit kunnen opvangen die in het spraakgeluid voorkomen. Een vlakke frequentieweergave van 20 Hz tot 20 kHz en een dynamisch bereik van 90 dB maken optimale spraakopnames mogelijk met maximale variaties binnen de spreek- en de zangstem.

— Smessaert & Decoster

City of orgies, walks and joys!
City whom that I have lived and sung in your midst will one day make you illustrious,
Not the pageants of you—not your shifting tableaux, your spectacles, repay me;
Not the interminable rows of your houses—nor the ships at the wharves,
Nor the processions in the streets, nor the bright windows, with goods in them;
Nor to converse with learn’d persons, or bear my share in the soiree or feast;
Not those—but, as I pass, O Manhattan! your frequent and swift flash of eyes offering me love,
Offering response to my own—these repay me;
Lovers, continual lovers, only repay me.

Walt Whitman

La prononciation uvulaire de ‘rr’, mais non pas de ‘-r-‘, comme R, se répand de plus en plus dans les villes. Cependant, on la regarde encore comme vicieuse, le rr apical étant toujours préférable au grasseyement du R, qui individuellement est plus profond qu’en français ou en allemand.

— Aniceto dos Reis Gonçalves Vianna (1903: 19)

***

Por um lado, temos o Ronaldo, o elbow, o pára e o para.

Por outro, temos as habituais cenas tristes no sítio do costume.

Nestas alturas, aliás, convém sempre lembrar que há uma diferença entre selecção e seleção e é igualmente importante recordar que o AO90 é inútil. Não acreditam? Perguntem ao CR7.

Efectivamente.

Lembrando também a existência em Portugal de um órgão de comunicação social que, em vez de promover a expressão livre de ideias, adopta actualmente a resistência silenciosa como forma de vida, vejamos a consistência na utilização de uma grafia contrária à letra do AO90, apesar de certas leituras abusivas, explicadas justamente pela falta de leitura. [Read more…]

«OE2019 será negociado ao mais alto nível»

Before the nasal consonants, the vowel /ɔ/ is closer and more centralized than in other positions, i.e. it is pronounced as [ʊ] in that position.

Geert Booij

***

Apesar do “mais alto nível” (em inglês, ‘geringonça’ até mantém o pê), teremos muito provavelmente mais do mesmo.

Porquê? Porque basta consultar o Diário da República.

Está tudo igual. Sem tirar nem pôr.

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Greve dos ferroviários para 90% dos comboios?

As Gut (2009: 253) notes, even though they are much more objective, “analyses of acoustic correlates of foreign accents are still rare.”

Agnieszka Bryła-Cruz

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Greve dos ferroviários para 90% dos comboios? Não! Greve dos ferroviários pára 90% dos comboios!

Como «Bloqueio nos fundos da UE pára projecto de milhões na área do regadio» ou «greve na CP pára comboios em todo o país» (efectivamente). É o acordo ortográfico à moda do Expresso.

No sítio do costume, tudo bem?

Tudo bem.

We’re alright.

Quanto a este «infeção por lentes de contato é algo possível de acontecer», devo admitir que a autora do texto, efectiva e auto-referencialmente, tem razão: «infeção por lentes de contato», de facto, aconteceu.

Exactamente, convém evitar os aspetos. No Brasil, por exemplo, não adoptam.

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