Contatável

Mat Hayward/Getty Images (http://bit.ly/2tLjj2O)

We should be able to move forward.

— Chester Bennington (1976-2017)

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Ontem, foi um dia extremamente activo no sítio do costume.

Todavia, não houve contatos.

Houve anteontem. [Read more…]

Bem-vindo ao passado

Welcome to the jungle

— Rose/Slash

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De facto, hoje, há de tudo. É como no tempo da pharmacia.

Sim, no tempo des contradictions et des irrégularités orthographiques que alimentavam o état anarchique da ortografia portuguesa. Efectivamente, quando eram indicadas as grafias “grosseiras e vergonhosas” das publicações saídas da Imprensa Nacional.

Zangado? Bem-vindo ao passado.

Continuação de uma óptima semana.

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A atracção dos fatos

[Aristotle] also describes how human beings ultimately differ from other animals, specifically by their possession of reason. This difference inevitably points humans towards politics—an activity in which animals cannot engage—and Aristotle’s explanation in his political writings of why human beings are uniquely suited to, and uniquely in need of, political life.

— Edward Clayton, “Aesop, Aristotle, and Animals: The Role of Fables in Human Life

Segundo escreve Ruy de Pina, em 6 de Março de 1493, estando El-Rei em Vale do Paraíso, arribou a Lisboa Cristóvão Colombo, italiano, que vinha do descobrimento das ilhas Cipango e da Antilha, que por mandado dos reis de Castela tinha feito, trazendo consigo as primeiras amostras de gente, ouro e algumas coisas que nelas havia e foi delas intitulado Almirante.

— Manuel Fernandes Costa, “O Descobrimento da América e o Tratado de Tordesilhas

O malandro é mais alcunha que nome
Fez-se à vida para fugir da fome
Posar gingão e um cenário à maneira
Perdeu rigor, ficou sem eira, nem beira.

— Paulo de Carvalho, “O Malandro

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Sabia-se que o AO90, nomeadamente nas bases IV e IX, carecia de rigor e revelava desconhecimento científico. Hoje, soubemos que o mesmo acontece com os «relatos da destruição no Convento de Cristo». Entretanto, a fogueira com cerca de 20 metros de altura continua a arder no sítio do costume. Efectivamente, no Diário da República, não se trata de qualquer «efeito cénico especial» com «estrutura piramidal tubular em aço com 8,04m de altura e 6,4m de base”. Aquilo é mesmo uma fogueira. Com cerca de 20 metros de altura. E a arder desde Janeiro de 2012.

 

dre372017b

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«Sociedade de Autores apoia projeto “Literatura Mundo: Perspetivas em Português”»

how much difference does it make?

—  Ament, McCready, Gossard, Abbruzzese & Vedder, “Indifference

Se for para bem, sigamos para bingo.

— Rodolfo Reis, 25/6/2017

I think you’re fighting a losing battle at the Eurovision. But in the rest of the world, you’re quite right, sir.

— Graham Norton

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Descubra as diferenças.

Português Europeu antes do AO90:

«Sociedade de Autores apoia projecto “Literatura Mundo: Perspectivas em Português”».

Português do Brasil antes do AO90:

«Sociedade de Autores apoia projeto “Literatura Mundo: Perspectivas em Português”».

Português Europeu com AO90:

«Sociedade de Autores apoia projeto “Literatura Mundo: Perspetivas em Português”».

Português do Brasil com AO90:

«Sociedade de Autores apoia projeto “Literatura Mundo: Perspectivas em Português”».

Quanto ao sítio do costume, tudo exactamente como dantes.

Sigamos para bingo.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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40 °C à sombra

Now I stand here waiting.

Gilbert/Hook/Morris/Sumner

Vicious
Hey, why don’t you swallow razor blades

— Lou Reed

ºF = (9 x ºC / 5) + 32 ou ºC = 5(ºF + 32) / 9

IPMA

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40 °C à sombra? Por cá, nem por isso. Contudo, por aí, como reiterava alguém, no longínquo Verão de 1993, diz que sim.

Todavia, no sítio do costume, independentemente dos alertas, quer os ocasionais no Público (há ligação no Ciberdúvidas, embora as palavras que aí se encontram a negrito não sejam as do original), quer os habituais cá por casa, a temperatura mantém-se extremamente estável.

Deve ser do calor.

Efectivamente.

Eventuais esclarecimentos

Amanhã, já é tarde.

— Rodolfo Reis, 11/6/2017

— As treeless as Portugal we’ll be soon, says John Wyse, or Heligoland with its one tree if something is not to reafforest the land. Larches, firs, all the trees of the conifer family are going fast. I was reading a report of lord Castletown’s…

— James Joyce, Ulysses

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas—a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.
AC

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Estamos em meados de Junho (“It is this hour of a day in mid June“). Todavia, não estamos exactamente em “16 June [1904″ 2017], ou seja, ainda não é Bloomsday. Hoje, Fernando António Nogueira Pessoa faria 129 anos. Hoje, não há Diário da República, logo, não há nem fatos, nem contatos, como houve em barda no dia 8 de Junho de 2017.

Contudo, ontem, houve Diário da República, por isso, lembrando «It’s the ads and side features sell a weekly, not the stale news in the official gazette», cá está «Published by authority in the year [one thousand and 2017]» e sistematicamente assim (umas vezes com mais, outras com menos), como é, aliás, sabido, desde Janeiro de 2012.

Efectivamente — e não «(effectively or presumably)».

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»Es war spätabends, als K. ankam«

Back to the 1890s, there was a very famous campaign manager, Mark Hanna, who was a star of campaign management. He was asked once: “what does it take to win an election?”. And he said: “it takes two things, the first one is money… and I’ve forgotten what the second one is”.

— Noam Chomsky

O que eu pergunto são coisas verdadeiras, correctas e reais.

— Rodolfo Reis, 3/6/2017

And it seems like twenty-five years of
Promises

Gary Marx & Andrew Eldritch

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Muitos fatos e muitos contatos.

Onde? No sítio do costume. Quando? Hoje.

Contatos

Fatos: [Read more…]

Unidos de fato

Don’t you know the truth is killing you?

William Henry Duffy & Ian Robert Astbury

Shy. The villanie you teach me I will execute, and it shall goe hard but I will better the instruction.

— Shakespeare, “The Merchant of Venice” (Folio 1, 1623)

No one to blame always the same.

Trent Reznor

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Unido de fato?

Com o titular de uma habitação pública já atribuída?

Exactamente: «unido de fato com o titular de uma habitação pública já atribuída».

Efectivamente, andamos nisto há muito tempo. [Read more…]

A possibilidade de contatar e a selfie de Simão Sabrosa

Don’t you get it yet?

— Henry Rollins

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É possível contatar? Sim, é possível.

Onde? No sítio do costume.

Quando? Desde Janeiro de 2012.

Quanto ao jornal que adopta a resistência silenciosa em vez da expressão, eis uma selfie de Simão Sabrosa (os meus agradecimentos a um excelente leitor do Aventar).

É verdade que a tradução «Simão Sabrosa tira uma selfie das críticas a Fernando Aguiar» é estranha. Contudo, não tenho culpa. Não assinei o AO90. Quem assinou o AO90 foi quem escreveu «agora facto é igual a fato (de roupa)» . Como é sabido, não escrevi tal coisa. Logo, a culpa não é minha.

Continuação de uma óptima semana.

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Estupefacto sem pê

É só porque há pessoas que são muito maiores do que parecem, mas claro que isso só se aprende quando elas deixam de estar.

— Carla Romualdo

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Antes de passarmos à inusitada ocorrência de estupefacto sem pê (+ vogal), há pouco detectada e transmitida por amigo atento, consultemos a edição de hoje do Diário da República.

Efectivamente, tudo como dantes, no sítio do costume.

Agora, para registo [Read more…]

Aparentemente, «o acréscimo das taxas decorrente deste fato não é significativo»

Excelente guarda-redes.

— Rodolfo Reis, 28/5/2017

As he [Noah Smith] says, sometimes there are vast literatures of nonsense, or at any rate of dubious quality, that mainly serve to protect vested intellectual interests.

Paul Krugman

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Efectivamente.

Reflictamos acerca «do que se exige e espera das instituições públicas»

Now, promise you’ll stay right there… I shan’t be long.

— Bond, James Bond

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Pelo menos, escrevem ‘inserção’, ao contrário dos autores do AO90.

Quanto a esta ocorrência na primeira página do jornal que em tempos de liberdade de expressão prefere resistir silenciosamente, os meus agradecimentos a um excelente leitor do Aventar.

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(Roger Moore, 1927-2017).

O expediente específico

Ensuma l’essència, recula cap a la natura salvatge i frondosa, cap als boscos de fusta olorosa nodrits amb romanís, farigoles i espígols i regats amb ungüents de pluja, amb colònia de llac i salt de riu, que han acabat impregnant en les planes que ara gaudeixes les olors d’una vida escapçada.

— Anna Ortiz i Huguet, “Llibre objecte/Libro objecto (L’olfacte)”

Uma vergonha.

— Rodolfo Reis, 21/5/2017

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Efectivamente, não pode ser

The people ahead of them are shooting up to the stratosphere, and then comes the scapegoating.

Noam Chomsky

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Amigo atento enviou-me esta primeira página, com palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990. É sabido, desde d’Andrade e Viana, que a ‘rutura’, além de inventada, é “injustificada”. Contudo, ei-la.

Além disso, tratando-se do presidente da direcção do Sporting, a grafia correcta é ‘ruptura’.

Exactamente.

Aliás, como é sabido, pelo menos desde que se leu aquilo que ainda há pouco escrevi («palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990»), no Brasil, [Read more…]

É muito fácil

Every word I said is what I mean

Chris Cornell & Hunter Shepherd

May I continue?

— Noam Chomsky

“Somos Porto”. É fácil dizer [ˌsomuʃˈpoɾtu].

— Rodolfo Reis, 14/5/2017

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De facto, também é fácil dizer “Portugal vinculou-se ao Acordo Ortográfico“.

Repare-se: [puɾtuˌɡaɫ vĩkuˌɫosɨˌau̯ ɐˌkoɾdu ɔɾtuˈɡɾafiku].

Muito fácil.

Efectivamente.

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Chris Cornell (1964-2017)

[Read more…]

Extracto → extrato → estrato

um estrato de tomate criado em Portugal

— Expresso (Caderno Economia), 18 de Julho de 2014, p. 14, apud Paulo J. S. Barata, “Um estrato (muito) mal extraído“, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 31 de Julho de 2014.

alunos oriundos de diferentes extratos socioeconómicos

— Dire[c]ção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.”Resultados Escolares por Disciplina, 2.º Ciclo – Ensino Público, Ano le[c]tivo 2014/2015“, apud Expresso8 de Maio de 2017, às 15h07

Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Salvador Sobral (interpretação)/Luísa Sobral (autoria)

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Para quem não estiver a par destes temas importantes, um redactor da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência escreveu ‘extratos’ em vez de ‘estratos’ e este descuido foi notícia no Expresso. Como é sabido (embora o Expresso não acrescente a nótula), extratos constitui um duplo erro: além de neste contexto ser mesmo ‘estratos’, a palavra ‘extratos‘ não existe em português europeu. A palavra grafemicamente correcta é extractos.

É curioso que o Expresso dê tanta importância a este assunto. Percebo que um especialista como Helder Guégés o faça. Contudo, para quem, como o Expresso, adopta o AO90 de forma tão descontraída (além deste exemplo, também temos este, aquele ou mesmo aqueloutro) e para quem, como o Expresso, comete exactamente os mesmos erros (ver epígrafe) agora apontados a outrem , este excerto à laia de comentário académico

Entre tantos números, escalas, percentagens, gráficos, etc., incluídos nas 58 páginas do documento, dir-se-ia que os autores do mesmo se deixaram levar pelo lado contabilístico que marca este trabalho,

parece um bocadinho areia atirada para os olhos dos leitores (areia para os olhos, note-se, e não arena para os óculos).

Será curioso verificar se [Read more…]

A vergonha habitual, no sítio do costume

Beat. he that hath a beard, is more then a youth: and he that hath no beard, is lesse then a man.

— Shakespeare, “Much Ado About Nothing” (Folio 1, 1623)

George: Good, better, best, bested. [Back to Nick] How do you like that for a declension, young man? Eh?

— Edward Albee, ‘Who’s Afraid of Virginia Woolf?’

Uma autêntica vergonha.

— Rodolfo Reis, 10/6/2015

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Por razões habituais, óptimas, espectaculares, excelentes, formidáveis e estupendas (a lista de atributos algo aleatórios encontra-se activa),

não consegui ver em directo o Glorioso e não actualizei o ponto da situação no sítio do costume.

Efectivamente, [Read more…]

Ecco il mio destino

 

Oui tellement faux
Mon seul tourment et mon unique espérance
Rien ne t’arrête quand tu commences
Si tu savais comme j’ai envie d’un peu de silence

Dalida & Alain Delon

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Estranheza e estupefacção

Hoje, através de uns amigos, soube que Tiago Barbosa Ribeiro, deputado do PS, reagiu com “estranheza e estupefação [!!!!!!]” a assunto que não me interessa discutir.

Todavia, não é verdade que o deputado tenha reagido com “estranheza e estupefação“. O deputado reagiu com “estranheza e estupefacção“. Efectivamente: com estupefacção. Isto é, com cê.

Depois de termos ficado a saber que «se quisesse, o Governo podia denunciar o acordo ortográfico – mas não quer», nada como uma pitada de “estranheza e estupefacção” de um deputado (do PS), para se perceber que tudo isto é muito hipócrita, tudo isto é muito fado.

Exactamente, haja pachorra e estupefacção.

Efectivamente, tudo isto é estranho.

Eis a situação

When the fire broke out on the Rio Grande
Put my foot to the board and she ate up the sand
With a horse on the side dragged tailing behind
Fire that aims to please

When the fire broke out on the Rio Grande
Left nothing standing but the smell of the land
And hubcaps that burnt through the skin of your hand
But nothing left at all but the sound of a rock ‘n’ roll band

David Bowie

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Efectivamente.

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Da veracidade dos fatos e dos contatos

Hippolyte: Cher Théramène, arrête

— Racine, Phèdre

Fico triste, chateado, zangado, aborrecido.

— Rodolfo Reis, 23/4/2017

***

***

Rodolfo tem razão

Não há contacto

– Rodolfo Reis, 2/4/2017

Sai do meu sangue, sanguessuga que só sabe sugar.

Caetano

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Efectivamente, não há.

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Canelas e caneladas

E assim arranjado, com as canelas vermelhas de diabo aparecendo sob o paletó, a gargantilha escarlate à Carlos IX emergindo da gola, a velha casqueta de viagem na nuca, o pobre Ega tinha o ar lamentável dum Satanás pelintra, agasalhado pela caridade dum gentleman, e usando-lhe o fato velho.

Eça

Le jour du mardi gras de cette année 1574, la cour se trouvait à Saint-Germain avec le pauvre roi Charles IX, qui s’en allait mourant.

Stendhal

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Quanto ao “documento comprovativo desse fato”, sugiro uma visita a esta etiqueta, onde há vários documentos que comprovam o fato. O fato, de facto, é velho e, afinal, as canelas, segundo Eça, são vermelhas.

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Nótula: [Read more…]

Ginestlay (hoje, não há fatos)

Rendez-vous, rendez-vous, rendez-vous
Au prochain règlement

Stromae

Aber genau deswegen ist es an der Zeit, über neue Gesten nachzudenken und von Mourinho zu lernen, wie ein paar flüchtig hochgereckte Finger einen ganzen Roman erzählen können.

– David Hugendick

Alors arrivèrent les plus lâches, qui n’ayant pas osé frapper la chair vivante, taillèrent en lambeaux la chair morte, puis s’en allèrent vendre par la ville des petits morceaux de Jean et de Corneille à dix sous la pièce.

– Alexandre Dumas, La tulipe noire

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No outro dia, não havia contato, mas havia fato.

Hoje, não há fato, mas há contato.

Todavia, como sabemos, apesar de haver dias com fato e sem contato e dias com contato e sem fato, há dias com fato e com contato.

Imaginemos um dia. Um dia em que deixe de haver dias com fato e sem contato. Um dia em que deixe de haver dias com contato e sem fato. Um dia em que deixe de haver dias com fato e com contato. Wouldn’t it be good?

Exactamente.

Ainda bem que temos esta petição, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90 e a Iniciativa de Referendo.

Assinou? Óptimo.

Efectivamente.

Desejo-vos uma óptima semana.

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Felizmente, não há contatos

Admiror parie{n}s te non cedidisse ruinis qui tot / scriptorum taedia sustineas.

— CIL. IV. 01904

… witches or something like that.

Richard Feynman

Traduz-me!

—Rodolfo Reis, 19/03/2017

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Exactamente, não há contatos. Contudo, há fatos.

Efectivamente, há fatos.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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O critério fonético (ou da pronúncia): a receção das crianças e o contato com os pais

Prenez une copie d’un gosse de troisième, vous verrez que c’est truffé de fautes d’orthographe, que c’est phonétique!

Pascal Praud

Em tese, hoje, o  [F.C.] Porto ganhava, não é?

— Rodolfo Reis, 19/3/2017

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Efectivamente, trata-se cada vez mais da adopção quer de atitudes, quer de regras de higiene.

Exactamente.

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Schnaps und Frauen & Wine, Women An’ Song

Als Sozialdemokrat halte ich Solidarität für äußerst wichtig. Aber wer sie einfordert, hat auch Pflichten. Ich kann nicht mein ganzes Geld für Schnaps und Frauen ausgeben und anschließend Sie um Ihre Unterstützung bitten.

— Jeroen Dijsselbloem

…como, por exemplo, faz o Jonas: a vir atrás, a segurar, a tabelar, a entrar, com o outro [ponta-de-lança] lá metido e com os extremos abertos, ou os extremos a vir dentro e os laterais a subir.

— Rodolfo Reis, 19/3/2017

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A Seção Consular de Portugal na Bélgica não existe

Texto publicado anteontem no Luso.eu, portal da comunidade portuguesa na Bélgica.

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La linguistique est une science, humaine certes, non pas molle.
— Marc Wilmet

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Comecemos pelos fatos. Para quem não estiver a par destes assuntos, segundo o dicionário brasileiro Houaiss, «algo cuja existência pode ser constatada de modo indiscutível» é a definição de fato. O fato, nesta acepção, ou seja, na acepção de facto, abunda, como se espera, no brasileiro Diário Oficial da União. Contudo, como é lamentável e culpa única e exclusiva das autoridades portuguesas, os fatos na acepção de factos abundam no homólogo português, no Diário da República. Efectivamente, no sítio do costume, com ‘fatos’ e ‘contatos’ e ‘seções’ se tem vindo a adoptar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90).

Recentemente, o texto A Seção Consular de Portugal na Bélgica não é caso único, de Ana Garrido, fez furor em determinados sectores da população portuguesa: nomeadamente junto de quem se exprime por escrito em português europeu. Esse texto, composto por grafias como ‘setores’ ou ‘afeta’, dir-se-ia redigido à luz do AO90. Todavia, a ‘seção’ (no título e no corpo do texto) é norma ortográfica do português do Brasil, onde a grafia <seção> (por <secção>) é adoptada.

Efectivamente, a ‘secção’ encontra-se, tal como os ‘factos’ e os ‘contactos’, entre os danos colaterais do AO90 na norma europeia do português. Este trio [Read more…]

Compreendo que Santana Lopes tenha peso na consciência

Isto sempre se passou.

— Rodolfo Reis, 13/3/2017

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Li por aí que Santana Lopes teria sido elegante, ao dizer que é

normal que Sampaio sinta algum peso na consciência.

De facto, Santana Lopes, como Voltaire, não disse tal coisa (publicamente, acrescento eu, obviamente).

Eis aquilo que Santana Lopes efectivamente disse:

Compreendo que Jorge Sampaio tenha peso na consciência porque a decisão dele é que pôs o país à deriva.

Eis outra coisa escrita por Santana Lopes:

Agora facto é igual a fato (de roupa).

Será que Santana Lopes tem “peso na consciência”?

Sim, porque isto

aconteceu.

Quando? Hoje. Onde? No sítio do costume.

Efectivamente, se Santana Lopes tiver “peso na consciência”, compreendo.

***

Santana Lopes e a ortografia à deriva

Jorge Sampaio escreveu o seguinte:

Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva — mas não foi uma decisão ad hominem.

De facto, este anúncio de Santana Lopes foi muito mau :

em relação ao acordo ortográfico […], o empenho do Presidente [do Brasil] Lula da Silva é o de que se dinamizem todos os instrumentos nesse domínio.

Contudo, isto é bem pior:

Agora facto é igual a fato (de roupa).

Efectivamente. Hoje, no sítio do costume.

Sampaio acrescenta:

De vez em quando é preciso dar voz ao povo – e percebi qual era o sentimento do povo.

Então, vamos por partes:

Já assinou a petição? Sim, esta. Óptimo.

Já assinou a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90? Muito bem.

E a Iniciativa de Referendo? Sim? Excelente!