A propósito de eucaliptos: Jorge Paiva ou Passos Coelho?

Passos Coelho tem a qualidade fundamental para se ser político: falta de vergonha. Como qualquer bom político, e ao contrário, quiçá, da maior parte da humanidade, Coelho é imune àquele sentimento que muitas pessoas normais e alguns tarados sexuais resumem na frase “se houvesse um buraquinho, enfiava-me lá dentro”.

Depois de ter inundado o espaço mediático com uma multidão de suicidas inexistente, resolveu, do alto da cátedra em que finge viver, explicar que não há nenhum problema com os eucaliptos, reduzindo essa questão a uma aliança entre PS e os Verdes para aguentar a Geringonça.

Efectivamente, é simplista pensar que bastaria erradicar os eucaliptos para acabar com os incêndios. O simplismo é próprio dos pobres de espírito ou dos que não têm vergonha na cara. Passos Coelho, que não é pobre de espírito, cai no simplismo oposto, não tendo pejo em contrariar aquilo que muitos investigadores têm escrito sobre o problema dos incêndios florestais.

Uma das vozes mais autorizadas sobre o assunto é o professor Jorge Paiva, que, ainda recentemente, escreveu um artigo em que, naturalmente, não reduz o problema dos incêndios à eucaliptização, porque, como qualquer especialista, não cai em simplismos, instrumento reservado aos desprovidos de vergonha.

Uma expressão como “época de incêndios” já deveria ter deixado de fazer sentido há muito. Para isso, seria preciso ouvir quem sabe.

Por isso, pergunto: se falarmos de incêndios florestais, vamos dar ouvidos a Jorge Paiva ou a Passos Coelho?