Os portugueses e o fogo

Excerto de um livro do holandês Gerrit Komrij (que viveu em Portugal). Em 1996, escreveu: “A cada Verão que passa, os políticos prometem fazer finalmente alguma coisa e, cada Verão, a coisa arde com violência acrescida.” 1996!

O país real…

O Estado de forma coerciva apropria-se de praticamente metade dos rendimentos do país, mas não consegue proteger território nem cidadãos, como mais uma vez ontem desgraçadamente os portugueses puderam constatar. E ninguém assume responsabilidade política, no governo estão entretidos com as negociações junto dos interesses corporativos que permitam a manutenção do poder à geringonça. É o que temos e pelos vistos o povo até gosta…

A propósito de eucaliptos: Jorge Paiva ou Passos Coelho?

Passos Coelho tem a qualidade fundamental para se ser político: falta de vergonha. Como qualquer bom político, e ao contrário, quiçá, da maior parte da humanidade, Coelho é imune àquele sentimento que muitas pessoas normais e alguns tarados sexuais resumem na frase “se houvesse um buraquinho, enfiava-me lá dentro”.

Depois de ter inundado o espaço mediático com uma multidão de suicidas inexistente, resolveu, do alto da cátedra em que finge viver, explicar que não há nenhum problema com os eucaliptos, reduzindo essa questão a uma aliança entre PS e os Verdes para aguentar a Geringonça.

Efectivamente, é simplista pensar que bastaria erradicar os eucaliptos para acabar com os incêndios. O simplismo é próprio dos pobres de espírito ou dos que não têm vergonha na cara. Passos Coelho, que não é pobre de espírito, cai no simplismo oposto, não tendo pejo em contrariar aquilo que muitos investigadores têm escrito sobre o problema dos incêndios florestais.

Uma das vozes mais autorizadas sobre o assunto é o professor Jorge Paiva, que, ainda recentemente, escreveu um artigo em que, naturalmente, não reduz o problema dos incêndios à eucaliptização, porque, como qualquer especialista, não cai em simplismos, instrumento reservado aos desprovidos de vergonha.

Uma expressão como “época de incêndios” já deveria ter deixado de fazer sentido há muito. Para isso, seria preciso ouvir quem sabe.

Por isso, pergunto: se falarmos de incêndios florestais, vamos dar ouvidos a Jorge Paiva ou a Passos Coelho?

A Protecção Civil e a prevenção dos fogos

João Faria Martins

seguro_incêndioNo que toca a tudo o que se relacione com fogos florestais, do que apreendo das notícias dos últimos dias, a Protecção Civil em Portugal funciona mais ou menos assim:

Imaginem um serviço nacional de saúde de um certo país no qual não existe qualquer tipo de medicina preventiva: não se fazem exames de rotina, não há consultas regulares com médicos de clínica geral nem tão-pouco com especialistas, ou um aconselhamento sobre modos de vida saudável. Quaisquer remédios ou tratamentos preventivos foram há muito abolidos; não se receitam comprimidos para a tensão alta, comprimidos para o colesterol, e afins. Jamais se trata em ambulatório, ou com medicação leve, só se opera. Não se encoraja o exercício físico, ou a alimentação saudável. Não se desencoraja o excesso de peso ou o tabagismo. [Read more…]

Sujeito Vírgula Verbo

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Em Braga, o número de alerta de fogo na floresta não é o 117, é o 112.

“Eu Gosto é do Verão”

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