A Rota da Sede

A Rota das Patacas, Lisboa-Macau, continua a levar ao Oriente “charters” cheios de jovens alfacinhas de aspecto muito saudável, doutores em leis e cheios de bons princípios, que mal põem o pé fora do avião já têm emprego bem pago, ali, perto do Senado, no Pátio da Dissimulação.
Trânsito em que um bom jornalista daria como bem empregue o seu tempo, para que se perceba, ao menos, como está a ser preparada a nossa elite política dos amanhãs que não cantam, pois a voz já dói. Mas assobiam. Para o lado.

Macau

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Às 00:00 do dia 20 de Dezembro de 1999, cumprem-se hoje 17 anos, nasceu a Região Administrativa Especial de Macau, da República Popular da China. Numa cerimónia realizada no Centro de Actividades Turísticas, Edmundo Ho Hau Wah foi empossado pelo primeiro ministro chinês, Zhu Rongji como o primeiro chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau às 01:46.

 

A Oriente

© hojemacau

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É assim vista em Macau a chegada de António Guterres ao lugar de Secretário Geral da ONU, no dia em que o Primeiro-Ministro António Costa parte para a República Popular da China em visita oficial. Na diplomacia não há coincidências e ainda bem que o actual governo, como não podia deixar de ser, parece compreender com inteira clareza a importância da aliança estratégica com o Império do Meio.

O Mundo de Camões segundo o Jornal de Notícias

Terras de Camões

 

O Jornal de Notícias de hoje, dia da Final do Campeonato da Europa de Futebol, publica um mapa que pretende descrever a distribuição dos emigrantes portugueses pelo mundo.

Além de apresentar números errados, que totalizam cerca de 2 milhões de emigrantes, quando, na verdade, há mais de 2,5 milhões de portugueses espalhados pelo mundo, crescendo esse número para o dobro (5 milhões) se forem, como é devido, contabilizados os descendentes, o mapa do Jornal de Notícias omite estranhamente a Venezuela e Macau.

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José Sócrates será o Mário Soares de Pinto Monteiro

Há uns anos atrás,  o Procurador-Geral da República de então, Cunha Rodrigues, recusou ouvir Mário Soares, Presidente da República, a propósito do Fax de Macau, na investigação que estava a ser liderada por Rodrigues Maximiano. «Cunha Rodrigues, envolvido em conciliábulos com Soares em Belém, optou pela versão mínima: deixar de fora o Presidente e limitar o caso a apurar se o Governador de Macau, Carlos Melancia, recebera um suborno de 250 mil euros». (Joaquim Vieira, «Grande Reportagem», Set/Out 2005)

Os indícios criminais abundavam, mas Presidente é Presidente e o entendimento de Cunha Rodrigues era o de que «dar esse passo era abrir a Caixa de Pandora, implicando uma investigação ao financiamento dos partidos políticos, não só do PS mas também do PSD.»

Hoje em dia, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, tem o seu novo Mário Soares. Chama-se José Sócrates e é Primeiro-Ministro. O facto de um Magistrado de primeira instância considerar que há crimes contra o Estado na conduta do Primeiro-Ministro não é para ele relevante. Daí que mantenha o processo tanto tempo parado no seu gabinete, permitindo que Sócrates vença calmamente as eleições. Daí que não recorra da decisão do Supremo de anular e eliminar as escutas. Daí que se prepare para fazer o mesmo com as restantes certidões que já tem na sua posse. Primeiro-Ministro é Primeiro-Ministro e a função da Justiça não é perseguir os poderosos.

Exactamente ao contrário do que muitos dizem, parece-me que os Juizes e Magistrados de primeira instância são aqueles que mostram mais independência. Foram eles que prenderam Paulo Pedroso, que extrairam certidões sobre José Sócrates, que constituiram Armando Vara arguido. Quando a situação se torna complicada para eles, as instâncias superiores da Justiça são chamadas e tudo desaparece como que por magia. Anula-se. Arquiva-se. Nomeia-se Cândida Almeida, a grande amiga de Mário Soares e de Almeida Santos. E destrói-se. Tudo. Porque a função da Justiça não é perseguir os poderosos.