Proxenetismo

Até se tratar de um homem, nunca ninguém fez puto de ideia de quem venceu qualquer edição do concurso Miss Portugal. Este ano, cada peido dado por esta concorrente é noticiado e destacado pelos órgãos de propaganda social como um grande passo de progresso e tolerância. Pobres de dinheiro e espírito, desesperados por cada cêntimo que puderem sorver do caos cultural e moral que disseminam, põem a nu o evidente: isto é tudo um tragicómico freakshow.

Para os jornalistas das causas, a Marina Machete é a mulher barbuda que eles levam na coleira, de feira em feira, para ganhar uns trocos. Não lhes chegava terem-se prostituído, querem prostituí-la a ela também. O problema é que têm a distinta lata de o fazerem enquanto simultaneamente se arrogam paladinos da defesa da sua humanidade e dignidade. Que patéticos.

Quem não for trans, ponha o dedo no ar

Numa certa ordem do dia, está a recusa de Miguel Sousa Tavares em casar com a vencedora do concurso de Miss Portugal, recusa essa secundada por José Alberto Carvalho. Não sei, aliás, se podemos falar em recusa, porque, que se saiba, nenhum dos dois foi pedido em casamento pela pessoa com quem não querem casar. No mundo tantas vezes incerto das relações amorosas ou conjugais, ter uma recusa como antecipadamente certa não deixa de ser refrescante. Deste modo, Marina Machete já sabe que não vale a pena insistir com estes dois senhores e assim não se perde tempo.

Segundo Miguel Sousa Tavares, Marina é o resultado de uma operação e não propriamente uma mulher. Devo dizer que penso muito pouco sobre essências, por ser um relativista empedernido, sempre na dúvida do que é isso de ser e de não ser. A biologia é um facto, mas isto de ser humano não é só biologia. Os órgãos sexuais existem, como existe o cérebro, como existe a sociedade, com todos os seus fechamentos e aberturas. [Read more…]