“Acabei a pintura que estava a fazer. O Papa ficou satisfeito”

“Acabei a pintura que estava a fazer. O Papa ficou satisfeito”. A frase é atribuída a Miguel Ângelo, um dos maiores artistas da história, depois de concluir o trabalho que o Papa lhe tinha encomendado: pintar a Capela Sistina.

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Não foi o único autor de um dos mais esplendorosos trabalhos artísticos jamais executado. Rafael, Bernini, Boticelli, entre outros, também espalharam tinta nas paredes da mais famosa sala de todo o Vaticano, restaurada entre 1477 e 1480 por indicações do Papa Sisto IV. Mas foi Miguel Ângelo o criador das mais celébres áreas da sala, a cena do juízo final e a criação de Adão. Além do tecto.

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DAVID E A SUA FAMÍLIA

David ou Davi (em hebraico: דוד, literalmente "querido", "amado", no hebraico moderno Dávid, no hebraico tiberiano Dāwiḏ; em árabe: داود) é um personagem da Bíblia (Antigo Testamento). Filho de Jessé, da tribo de Judá, teria nascido na cidade de Belém e se destacado na luta dos Israelitas contra os Filisteus. Tornou-se rei, sucedendo a Saul e conquistou Jerusalém, que transformou em capital do Reino Unido de Israel.

Bem sabemos que o que mostamos no texto, não é a imagem real de David.

No seu tempo, as esculturas não eram possíveis para um povo de pastores. Foi bem mais tarde que pasou a ser posível esculpir no mármore. David ou Davi é uma das esculturas mais famosas do artista renascentista Miguel Ângelo. O trabalho retrata o herói bíblico com realismo anatómico impressionante, sendo considerada uma das mais importantes obras do Renascimento e do próprio autor. A escultura actualmente encontra-se em Florença, na Itália, cidade que originalmente encomendou a obra. O que a obra mostra é um jovem getil, cheio de força , capaz, ele sozinho, de derrotar  o gigante filisteu, Golias, com apenas uma pedra atirada com a sua fisga. Bate na cabeça do gigante e mata-o de imediato. Golias era o terror de Israel. Mas David era pastor e na sua pastoricia soube ganhar calma, serenidade, paz, e formas diversas de pensar. 

Um pastor precisa  de habilidade e inteligência para ser capaz de tratar do seu rebanho: a lã, as vezes, fica agarrada a objectos que imovilzam ao animal e o pastor deve pensar nas alternativas para libertar essa parte do seu rebanho.

A inteligência do pastor é cultivada confrontando problemas só, que, se não souber resolver, perdia uma peça valiosa do seu sustento. Esse pastor não pode ter medo. O medo dinamiza a adrenalina que paraliza o pensamento e a solução, assim, nunca mais apareceria. O pastor, além de todas as alternativas para tomar conta do seu rebanho, acaba por amar ao seu redil ou curral. Pasa a ser a única maneira de suportar o frio, o calor do verão, encontrar soluções para a falta de agua do deserto, essa agua que o curral precissa para viver. A inteligência acorda desde a mais tenra infância e  desenvolve-se na solidão da sua juventude, com apenas o redil por companhia, ou os proprietários dos animais que cobram caro a perca de uma ovelha o cabrito. No caso de David, a sua força desenvolve-se na medida de andar e andar por planicies desérticas, procurando sempre essa sombra que dificilmente se encontra.  Apenas a juventude sem posses, é capaz de manipular tamanha fortaleza.

O problema é que a glória traz arrogância, especialmente se ganhar uma batalha só e ser proclamado rei por causa da façanha. Ser rei, já maduro, as tentações acontecem, como no caso do pastor feito rei. Na sua paixão, é capaz de sacrificar não um animal, nos tempos em que apenas tem o poder do orientar, mas sim um general do seu, agora, próprio exército para amar a mulher do amigo que é morto pela sua ordem. Como dizem por ai, é melhor um corpo sem vida e bonito que fica marcado na nossa memória e sentimento, que um material todopoderoso monarca que não hesita em usar a força, não para ganhar uma guerra, mas sim para ter o prazer que a kei proibe. A juventude avança com calma: está a aprender, especialmente com as manhas dos outros; o adulto, precipita-se para satisfazer apetites mal cultivados, que acabam com ele, como aconteceu com o rei, já monaca absoluto. De certeza Luís Miguel Pimentel Correia foi sempre esse David que tomava conta do seu curral e sabia tratar aos seus animais com a gentileza que o pastor sabia cultivar. É a memória do David da figa, metáfora do Luís que usou a sua juventude para ser solidário com a mãe, o pai, a irmã e as tias e primos. Certo estou que Miguel Ângelo soube esculpir essa alma escondida dentro de um corpo trabalhador. E é assim que vive dentro de todos nós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

David em Florença