O Monopólio da ladroagem

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A Hasbro lançou o jogo que vai revolucionar os tempos livres de ultraliberais e outros adeptos da ladroagem financeira: a versão do Monopólio para batoteiros. Não que a versão original seja a mais ética, o que não faz com que o jogo se torne menos interessante, mas um Monopólio que permite assaltar bancos, não pagar rendas e adicionar hotéis às nossas propriedades sem pagar por eles deve ser o sonho de criança de centenas de milhares de políticos, banqueiros e empresários corruptos. Estado fraco e impunidade total. Será que dá para fugir com o dinheiro fictício para o Panamá?

Festivais de Verão

Festival de Glastonbury, Reino Unido

Festival de Glastonbury, Reino Unido.

Uma das principais características dos principais festivais de música do Verão realizados em Portugal é serem totalmente dominados  por empresas privadas de telecomunicações, em regime de monopólio. Todas as grandes marcas de telecomunicações a operar no nosso país têm um festival de música e algumas têm mesmo mais do que um.

Aparentemente, esta é uma tendência que não se verifica noutros festivais que se realizam na Europa, aos quais acorrem milhões de pessoas, que normalmente são patrocinados por várias marcas e empresas, que não necessariamente de telecomunicações.

Este tipo de monopólio numa área cultural tão popular entre os sectores mais jovens da nossa comunidade, como é a música, normalmente anglo-saxónica, confere a estas empresas um poder incomensurável sobre a formação desses jovens, sobre a construção do seu gosto musical, sobre as suas tendências de consumo e, necessariamente, sobre a sua cultura.

Por outro lado, sabe-se que estes eventos culturais são altamente lucrativos para essas empresas e, o que não deixa de ser extraordinário, são apesar disso muitas vezes financiados pelos municípios onde decorrem, não apenas por via directa, com a atribuição de elevados subsídios em dinheiro, que chegam a atingir as centenas de milhar de euros, quer por via indirecta, através da isenção de taxas e mobilização de recursos públicos, como a segurança, serviço de bombeiros, ambulâncias, hospitais, etc.

Haverá aqui algo que nos escapa?