A derrota do social-liberalismo

O Partido Socialista (PS) perdeu as eleições que ninguém ganhou, excluindo a agremiação onde se arrolam mil e um interesses obscuros.

Em relação a 2022, o PS perde quase meio milhão de votos. A “grande” Aliança Democrática (AD), coligação entre três partidos – uns mais moribundos do que outros -, conseguiu a proeza de, em relação a 2022 e ao PSD de Rui Rio, só ter ganho 259 224 votos. Já a terceira força política, arregimentou os votos daqueles que no seu extremismo se vêem representados mas, sobretudo, dos descontentes; se, por um lado, nos congratulamos porque a abstenção baixou, também saberemos ver que esses, os cordeiros inocentes, saíram para votar no lobo que lhes esfolará a pele mal tenha oportunidade. É, de todos, o mal menor, pois hoje, se a gente adulta estiver atenta e se galvanizar, será o primeiro dia do fim da vida da extrema-direita como a conhecemos na Assembleia da República. Com tantos deputados quantos os anos que durou o Estado Novo, a cooperativa de interesses de colarinho branco chamada Chega terá, agora, a difícil tarefa de transformar os votos que teve em propostas concretas e realistas, para lá da gritaria, do insulto e da mentira reles e facilmente desmontável, o que, convenhamos, será quase tarefa impossível para quem entrou na política apenas e só a reboque dos caciques milionários que comandam o país. [Read more…]

Há apoios que não se desejam nem aos nossos piores inimigos

É mais do que certo: Pedro Nuno Santos será o próximo secretário-geral do PS.

É um novo capítulo n’A história de Sérgio: o Sousa Pinto.

O pitbull que o PS coloca nas TVs a malhar na esquerda, junta-se a um candidato que diz querer fazer acordos com a esquerda.

Números

Fotografia: Rita Chantre/Global Imagens

8 108 200 000. Oito mil cento e oito milhões e duzentos mil.

É quanto o Governo, depois de aprovado o Orçamento de Estado, vai entregar ao sector privado da saúde, vindo do orçamento do Serviço Nacional de Saúde.

Social-liberalismo

Nunca falha. Quando o PS se apanha sozinho no poder, lá vêm os rosinhas do costume falar das maravilhas do neo-liberalismo.

Mudem o nome, seus manipuladores social-liberais com socialista no nome. Partido Social-Liberal (PSL) adequa-se melhor àquilo que é a actuação política do partido nas últimas décadas.

Não é de estranhar, portanto, que o PS tenha sido o partido que mais privatizou e liberalizou a economia em Portugal, antecipando-se ao PSD (outro que tal – de social-democracia só mesmo o nome) e que seja, com orgulho, “o melhor aluno da UE”. Não precisam de ir longe, pesquisem por essa internet o que António Costa dizia das maravilhas do liberalismo e os ataques constantes à esquerda parlamentar. Aliás, num dos debates da última campanha legislativa, o homem disse, à boca larga, que “também eu sou um liberal”. Vocês é que tapam os olhos e os ouvidos.

Há, em Portugal, com representação parlamentar, quatro partidos que, de uma forma ou de outra, se advogam do neo-liberalismo: o PS, o PSD, a IL e o CH. Já os que sobram no resto do espectro, hoje, não passam de social-democratas (até porque se fossem comunistas, nunca participariam em eleições da democracia burguesa)… é só ler os programas eleitorais.

É História, é facto.

Beleza!

Custou mas foi

Há anos que designo os neoliberais que tomaram conta do PSD/CDS como extrema-direita. Tenho levado como reacção que é um exagero, onde meto o (inexistente) PNR, etc, etc.

Há anos que coloco o PS na direita, vá lá, centro-direita, como o social-liberalismo à moda de Blair que representa. Insulto, queixam-se uns, é de centro-esquerda, és um exagerado, levei como resposta.

Até que um dia os insuspeitos Abrantes falam de erro de paralaxe: “O que já vinha a acontecer na década anterior, e se aprofundou nestes últimos quatro anos, foi uma transformação do PSD num partido da direita radical, abdicando até de se reclamar da «social-democracia».” E segue-se que, depois de lido o documento macro-neoliberal do PS (austeridade com vaselina, submissão ao euro e à ortodoxia europeia), a extrema-direita lá chega, basta ler o Pedro Romano:

Francisco Louçã tem um excelente texto no Público, que toca mais ou menos nos mesmos pontos, embora de forma detalhada. Lido do princípio ao fim, penso que só divergimos na forma como encaramos a essência do programa do PS: Louçã com repulsa, eu com alívio.

O texto de Louçã realmente desmonta como o PS se prepara para mais do mesmo, pasokismo que o há-de partir ao meio; deixemos o governo grego sair do euro e demonstrar como algum tempo de sacrifício prova  haver alternativa, e valer a pena. A dívida é impagável, o euro é uma moeda alemã, o resto é conversa de treta.

Finalmente, obrigado António Costa, por outras razões, é certo, também fiquei  aliviado.