"Que parva que sou" de Deolinda, ou como nascem os hinos sociais

Acredito que um dia ainda se vai fazer história sobre como se fazem os hinos sociais. Não aqueles que dão colorido a uma qualquer nação, sem dúvida significativos mas que perdem importância perante aquelas canções que, num dado momento, num certo contexto, são sentidas por toda uma comunidade. Não por todos, claro, porque há, em todo o lado, uns palermas que fazem gala em não querer gostar do que os outros gostam.

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Voltemos ao hino social. Aquele que é nosso, que fala para nós. Mais: somos nós que estamos ali retratados, um pedaço da nossa vida que ganhou relevância naquele instante. São assim os hinos. Há aqueles que o são por fruto do acaso. Paulo de Carvalho ganhou um lugar na história de Portugal porque interpretou a canção que serviu de senha para a revolução de 1974. Outros resultam do momento e ajudam a transformar-lo, como alguns dos temas dos Beatles, autores de diversos hinos ao longo da agitada década de 60 do século passado. Há uns dois anos houve quem visse em Movimento Perpétuo Associativo (MPA), dos Deolinda, o tema adequado para ilustrar o verdadeiro espírito português. O hino nacional a sério. [Read more…]