Metam a unidade nacional no pacote

Depois de o primeiro-ministro grego ter sido proibido pelo casal Mercozy de referendar seja o que for, o que está a dar na Europa, dizem, é a unidade nacional.

Em nome da unidade nacional o PS não vai votar contra o Orçamento Geral para acabar com o Estado. Abstém-se, e com candura ainda negoceia um IVA ou dois. É um partido responsável, diz o Seguro, e bem vistas as coisas o orçamento é da troika e de quem negociou com a troika, não tivesse caído Sócrates e estaria a apresentar o mesmíssimo orçamento, chamando-lhe talvez PEC 7 ou 8.

A unidade nacional existe.  Armando Vara e Duarte Lima, fizeram carreira á sombra dela, Medina Carreira e João Duque mentem diariamente em nome dela, e os nossos ricos metem a massa nos offshores em solidariedade para com ela.

A unidade nacional ao que parece vai produzir um novo governo grego onde os corruptos dos partidos do alterne estarão representados sob a provável presidência de um banqueiro, quem melhor do que um banqueiro para dar credibilidade a um governo que tem de pagar o armamento tão generosamente vendido por alemães e franceses a troco de empréstimos ruinosos?

Um dia também por cá teremos um governo de unidade nacional. Esquecendo o detalhe de nem todos termos andado no mesmo gamanço, unirá aqueles que à sombra do estado enriqueceram mas se queixam do estado que ainda mantém propósitos tão irrealistas como o de assegurar saúde e educação para todos. Para primeiro-ministro espero que também se encontre um banqueiro à altura da responsabilidade: Oliveira Costa, pois claro, um garante de que se pode meter a unidade nacional no pacote geral de austeridade, que é como quem diz, trabalharás mais, ganharás muito menos, e não digas que vais daqui. Pela parte que me toca podem metê-la já no pacote, sim, nesse mesmo, no outro.

Referendo sobre casamento homossexual (2)

Ao contrário do que se julga, a nossa sociedade é muito mais plural e liberal do que se pode pensar. Existe um conjunto de sinais, ditos, procedimento já entre nós enraizadas, que mostram que nós, portugueses, não somos tão quadrados quanto isso.

Já me referi (texto “Vinhas-me ao pau”) à lusitana tradição dos comentários finais entre jogadores de sueca, onde abundam as expressões do tipo “baldavas a tua bisca no meu pau que estava firme” ou “metias-me o pau na copa e ficavas ao corte”, entre outras. Num país homofóbico, tal não seria possível.

Além disso, e na senda da argumentação que somos um país de mente aberta, e onde a ligeireza de linguagem é disso exemplo é cada vez mais corrente o pessoal, para ganhar a vida, oferecer o pacote: seja o pacote de chamadas, seja o pacote de férias, o pacote de mensagens, seja que pacote for. Quanto mais oferecerem do respectivo pacote, mais apelativos se tornam num mercado cada vez mais concorrencial, numa guerra de pacotes sem precedentes.

Ora, deve ter sido este tipo de sinais que levou socialistas, bloquistas e comunistas a antever uma aceitação social minimamente pacífica do casamento homossexual, e, daí, a inexistência de razões para qualquer tipo de consulta popular.

Devíamos era dar graças por ter forças políticas tão atentas aos sinais.