Da PJ a Sócrates, do sexo oral ao Parlamento

A PJ foi à SAD do Porto, buscar uns documentos. Terá a ver com transferências de jogadores, no cumprimento de uma carta rogatória da Bélgica. Pois é, o “clube regional”, negoceia transferências de jogadores a nível internacional, quem diria…

A “Comissão de Ética” do Parlamento ouviu o Director do “Expresso“, Henrique Monteiro, afirmar que José Sócrates chegou a telefonar-lhe para lhe pedir por tudo que não fosse publicada uma dada notícia acerca da sua licenciatura. Continuarão a chover exemplos da difícil relação de José Sócrates com a liberdade de imprensa. Algo que não é novidade, servirá apenas para refrescar a memória lusitana que é, tendencialmente, curta.

O sexo vende. É mais do que sabido. A publicidade que o diga. É o caso desta campanha anti-tabagista, que associa o acto de fumar ao sexo oral forçado. Que é outra coisa (o sexo oral) que é uma fixação dos portugas (relembro que para constatar isso basta ir á versão portuguesa do Google e escrever a palavra “como”).

Inês de Medeiros arrisca-se a ter de pagar do seu bolso as viagens a Paris para ver os filhos. Isto não se faz, conforme o nosso Ricardo Santos Pinto decerto concordará…

Uma nota final: aprovada a redacção final do casamento homossexual. Aguardemos pela decisão de Cavaco Silva.

Os casamentos de Santa Liberata

Parece que houve um mal entendido: afinal a Câmara Municipal de Lisboa não queria nada alterar o figurino dos casamentos de S. António, de modo a que estes contemplassem casamentos entre homossexuais, embora noutra versão não seja bem assim.

Tem lógica. O franciscano  não seria o padroeiro mais adequado. Já a também portuguesa Santa Liberata parece-me de conveniente invocação.

Santa Liberata, Wissant

Santa Liberata, Wissant

Liberata, a virgem barbuda, também conhecida por Willgeforte,  Librada ou Uncumber, é segundo algumas versões uma santa portuguesa com certeza. Filha de um rei mauzinho que a queria casar com um colega quando a cachopa já consumara matrimónio com Jesus pediu ao esposo que a fizesse tão feia que nenhum homem a aceitasse. E desta forma foi contemplada com uma bela barba. O pai, furioso por perder o negócio (sim, o casamento, o sagrado matrimónio, foi um negócio corrente até ao séc.  XX), destinou-lhe como castigo morrer como morrera o seu deus na versão filho, mandando-a crucificar.

Discretamente foi transformada em padroeira dos perseguidos, ora perseguidos foram os homossexuais ao longo dos tempos, e de resto ainda o são. Podem encontrar as mais diversas versões e nacionalidades da lenda, como é próprio das lendas, a mim ninguém me tira que era irmã de Santa Comba, a santa de Coimbra antes de ser destronada por uma Isabel de Aragão, essa sim personagem real. Não conheço nenhuma representação de Liberata por estes lados, mas conheço o papel da inquisição na arte religiosa portuguesa e portanto é natural que assim seja.

Fica a sugestão à Câmara Municipal de Coimbra, antes que o evento siga para o Porto em retaliação pela fuga de um outro espectáculo…

O que se diz por aí

A afirmação de Pinto Balsemão que o PSD “está vivo”, poderá ser tranquilizadora para algumas pessoas – até mesmo para o Governo que diz que a Regionalização depende do PSD -, mas penso que é algo preocupante para qualquer social-democrata: é muito mau sinal quando é preciso vir um fundador afirmar que o partido está vivo.
Já o PS parece estar muito vivo, até demais para o gosto de José Sócrates: a alegada insconstitucionalidade (pela exclusão da adopção) do regime legal do casamento homossexual ontem aprovado, mostram, que a matéria até entre socialistas é fracturante, ao contrário da versão oficial.
Interessante é saber que a Barragem do Alqueva está no limite e não se sabe o que fazer a tanta água. Eu estava em crer que faltava água em Évora, mas deve ser imaginação minha.
Ficou-se a saber agora que o Governo vai construir 400 novas creches. José Sócrates escusava era de exagerar quando afirmou que assim ficará assegurado que os jovens casais “podem ter os filhos que quiserem”. É que para se criar filhos não basta ter quem tome conta deles…

Em revista 08.01.2010

E aí está José Sócrates a afirmar no Parlamento que a provação do casamento homossexual é “um passo contra a discriminação”. Esqueceu-se foi de dizer que é também um passo a favor de uma outra discriminação: podes casar mas não podes adoptar.
Entretanto o Tribunal da Relação de Lisboa, confirmou a inconstitucionalidade da ASAE, quanto às suas competências policiais. O que é um claro exercício de coragem: arrisca-se que a ASAE ainda lhe feche as portas à custa de umas tantas normas de uns tantos regulamentos.
Mas, voltando a José Sócrates, afirmou ontem que a culpa da crise financeira é dos bancos. Isto a propósito das contas sobre a dívida pública apresentadas pelo BPI. Sócrates não deve ter gostado que fossem privados a denunciar o real estado das contas públicas. É o que dá as zangas entre comadres…
E ainda há o azar destas coisas da natureza, a aumentar aos custos do Estado. Pelos vistos já custa ao erário público cerca de 80 milhões de Euros as chuvas de Dezembro. Se continua assim, precisamos de fazer um fado bem trágico “As águas de Dezembro”, para contrapor às “Águas de Março” de Tom Jobim.
Por fim, uma boa notícia: Manuel Machado teve alta. Sempre gostei do estilo deste treinador, que nunca se escusou a dizer o que pensa. Que regresse o mais cedo possível ao trabalho.

Em revista

Diz o Público que o líder parlamentar social-democrata, Aguiar Branco, rejeita a possibilidade de mais um “orçamento limiano”.
Acho muito bem: o que as contas do Estado menos precisam é de matéria gorda. Nem um orçamento de tempos de vacas magras bate certo com queijo flamengo.
Já a TVI24/IOL destaca que as ambulâncias do INEM estão a servir de taxi gratuito para os utentes.
É o que dá não haver investimento sério e eficiente na rede de transportes públicos, a par da subida do crude que tem aumentado o preço da bandeirada.
Ainda a TVI24/IOL, refere que uma lésbica se manifestou durante a apresentação de um livro contra o casamento homossexual.
Parece-me que há pessoal que ainda não se apercebeu bem das potencialidades que o casamento homossexual terá em sede de manifestações lésbicas: a partir de agora muita gente não terá de andar a ver cenas lésbicas às escondidas na net, poderá usufruir duma vistas dessas sentado num qualquer banco de jardim e ao vivo.

Casamento homossexual: Cada um pode dizer as parvoíces que quiser

“Há uma opção e cada um é livre de optar. Eu não quis casar, fiz essa opção e tenho direitos e deveres graças a ela. O mínimo que se pode pedir a quem fez uma opção é que a respeite, estamos só a pedir coerência”. A frase, com doses aceitáveis da verdade de La Palise, é de Gonçalo Portocarrero de Almada, segundo o site da TVI, na apresentação do seu livro, de parceria com Pedro Vaz Patto, “Porque Não – Casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

Não li o livro e não creio que o vá ler. Costumo ser muito selectivo nas minhas leituras. Em todo o caso, pela qualidade da frase do autor, já se percebe a essência dos argumentos. Gonçalo Portocarrero de Almada, que é padre, diz que teve a opção de não casar e só pede que a respeitem. Não creio que alguém o vá contrariar.

Curioso é que quem pede respeito pela sua opção, não pretenda respeitar a opção de quem pretende casar. Para quem fala em “coerência”…

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Referendo sobre casamento homossexual (2)

Ao contrário do que se julga, a nossa sociedade é muito mais plural e liberal do que se pode pensar. Existe um conjunto de sinais, ditos, procedimento já entre nós enraizadas, que mostram que nós, portugueses, não somos tão quadrados quanto isso.

Já me referi (texto “Vinhas-me ao pau”) à lusitana tradição dos comentários finais entre jogadores de sueca, onde abundam as expressões do tipo “baldavas a tua bisca no meu pau que estava firme” ou “metias-me o pau na copa e ficavas ao corte”, entre outras. Num país homofóbico, tal não seria possível.

Além disso, e na senda da argumentação que somos um país de mente aberta, e onde a ligeireza de linguagem é disso exemplo é cada vez mais corrente o pessoal, para ganhar a vida, oferecer o pacote: seja o pacote de chamadas, seja o pacote de férias, o pacote de mensagens, seja que pacote for. Quanto mais oferecerem do respectivo pacote, mais apelativos se tornam num mercado cada vez mais concorrencial, numa guerra de pacotes sem precedentes.

Ora, deve ter sido este tipo de sinais que levou socialistas, bloquistas e comunistas a antever uma aceitação social minimamente pacífica do casamento homossexual, e, daí, a inexistência de razões para qualquer tipo de consulta popular.

Devíamos era dar graças por ter forças políticas tão atentas aos sinais.

Referendo sobre casamento homossexual

Dado o apoio do BE e do PCP à iniciativa do PS, é óbvio que não vamos ter referendo. O que é curioso é que, nos últimos anos, tem sido na ala Esquerda onde tem havido mais controvérsias acerca de referendos. No caso do aborto o PCP queria que fosse o Parlamento a resolver a situação, com o PS e o BE a defender a consulta popular; na Constituição Europeia, foi o PS (com o apoio do PSD, é um facto) a escusar-se ao referendo, com o PCP e o BE a defender o referendo; agora no casamento homossexual é o PCP e o BE, ao lado do PS, a obstar à pronúncia popular.

Parece-me curioso que a ala política que mais reivindica poder para o povo, que tanto apregoa a participação popular, tenha esta visão tão “conjuntural” acerca do referendo.