Telefonemas

Sem hipóteses de um terramoto a sério, ficamo-nos por imaginadas réplicas, desta vez registadas por telefone e por certos almoços, já confirmados.”Diz-se” que anda alguém a dedilhar teclados móveis a partir da rive gauche parisiense, tendo como receptadores das mensagens, alguns devotos seguidores de uma preclara obra de dignificação nacional.

O argumento é bem conhecido e não vai além de um “se”: “se o PECIV não tivesse sido chumbado”…, decerto o país “estaria muito melhor” e “não seriam necessárias as medidas a que temos assistido”.

Este can-can à maneira da folie bergère é muito audível, mas o problema será tentarem justificar a apresentação dos já passados PECI, II e III. Existiram “porque sim”, só para chatear?

Portugal Vive Um Sonho

…quentinho, húmido, doce, livre de impostos…

Portugal euro-cruxificado

Como dizem aqui no Alentejo, Sócrates está de abalada. Saiu como e quando quis. Com o pretexto de não poder aplicar o PEC IV, envergou a  pele de vítima. O objectivo era sair queixoso desta batalha, colocando o ónus da crise política sobre os adversários políticos. 

Paradoxal ou não, da ordem de trabalhos da reunião da zona euro, de hoje, foram retiradas à última hora as decisões sobre o reforço do fundo de socorro; nas quais, lembre-se, se integravam as medidas do rejeitado PEC IV. Sócrates e Teixeira dos Santos sabiam-o ou souberam-o, provavelmente, antes ou durante o debate parlamentar. É uma das hipóteses para  explicar a saída prematura do PM e as temporárias ausências de Teixeira dos Santos e Silva Pereira da sala do plenário da AR. 

Vamos a eleições. Sócrates voltará à linha da frente, na disputa com Pedro Passos Coelho. Os dois, em coligação restrita ou alargada com Portas ou isoladamente, têm possibilidades de vir a governar os portugueses. São, diz-se a torto e a direito, os homens do arco do poder – a semântica da política está em enriquecimento constante. Todavia, nos momentos históricos que vivemos, não estamos sujeitos apenas a arcos. Há  também o enorme crucifixo com que  subimos ao calvário da ‘Zona Euro’, onde os nossos eleitos apenas relatam, ouvem e obedecem. Sim, não haja ilusões; quem comanda ou comandará será sempre a Sr.ª Merkel ou outro gauleiter que a substitua. 

Penitentes por erros acumulados, estamos condenados ao PEC IV, V, VI, VII …   e não sei até quantos os comandantes da Europa do Norte venham a impor. Os nossos governantes limitar-se-ão a cumprir, com zelo e respeito, as orientações para fazer navegar um Portugal euro-cruxificado. Prometam os nossos políticos o que prometerem, assim vamos continuar. Sofrendo.