PS e PSD: as cabeças da hidra

PS e PSD: as cabeças da hidra

Hoje, há razões para comemorar, porque estamos perto de confirmar o óbito político do pior Primeiro-Ministro da Democracia portuguesa, o que não era um título fácil de atingir, tendo em conta que a concorrência era grande (e ser pior do que Santana Lopes era um desafio a que Sócrates não soube resistir).

Hoje, continua a não haver razões para comemorar, pois, ao que tudo indica, o PSD voltará a governar, o que constituirá uma mera alteração de siglas e uma continuidade de políticas. Depois de ter PECado em conjunto com o PS, o PSD irá a correr assinar os papéis que confirmam a união de facto, tumultuosa, é certo, mas não é o tango a dança que retrata essas relações em que o amor tem aparências de ódio? [Read more…]

Portugal Vive Um Sonho

…quentinho, húmido, doce, livre de impostos…

Portugal euro-cruxificado

Como dizem aqui no Alentejo, Sócrates está de abalada. Saiu como e quando quis. Com o pretexto de não poder aplicar o PEC IV, envergou a  pele de vítima. O objectivo era sair queixoso desta batalha, colocando o ónus da crise política sobre os adversários políticos. 

Paradoxal ou não, da ordem de trabalhos da reunião da zona euro, de hoje, foram retiradas à última hora as decisões sobre o reforço do fundo de socorro; nas quais, lembre-se, se integravam as medidas do rejeitado PEC IV. Sócrates e Teixeira dos Santos sabiam-o ou souberam-o, provavelmente, antes ou durante o debate parlamentar. É uma das hipóteses para  explicar a saída prematura do PM e as temporárias ausências de Teixeira dos Santos e Silva Pereira da sala do plenário da AR. 

Vamos a eleições. Sócrates voltará à linha da frente, na disputa com Pedro Passos Coelho. Os dois, em coligação restrita ou alargada com Portas ou isoladamente, têm possibilidades de vir a governar os portugueses. São, diz-se a torto e a direito, os homens do arco do poder – a semântica da política está em enriquecimento constante. Todavia, nos momentos históricos que vivemos, não estamos sujeitos apenas a arcos. Há  também o enorme crucifixo com que  subimos ao calvário da ‘Zona Euro’, onde os nossos eleitos apenas relatam, ouvem e obedecem. Sim, não haja ilusões; quem comanda ou comandará será sempre a Sr.ª Merkel ou outro gauleiter que a substitua. 

Penitentes por erros acumulados, estamos condenados ao PEC IV, V, VI, VII …   e não sei até quantos os comandantes da Europa do Norte venham a impor. Os nossos governantes limitar-se-ão a cumprir, com zelo e respeito, as orientações para fazer navegar um Portugal euro-cruxificado. Prometam os nossos políticos o que prometerem, assim vamos continuar. Sofrendo.

Sócrates: “Nunca me passou pela cabeça ir embora”

 À saída do debate da Assembleia da República, Sócrates afirmou: “nunca me passou pela cabeça ir embora”. Ouvi a afirmação, assim como havia registado dias antes as palavras do PM, em Nova Iorque, a garantir a demissão do seu governo, caso o OGE não fosse aprovado; e ainda idêntico aviso reiterado pelo Ministro da Presidência, Silva Pereira, em entrevista na RTP1.

Na altura, congeminei para mim próprio: “desta vez o g. deve estar a falar verdade e, se não houver orçamento aprovado, demite-se mesmo”. Hoje, com esta tirada de ‘nunca lhe ter passado pela cabeça ir embora’, fiquei ligeiramente confuso. Sim, porque Sócrates já nem sequer surpreende, neste tipo de coisas. Confirmou-se, uma vez mais, o hábito: ainda que pareça dizer a verdade, de Sócrates deve esperar-se sempre o contrário do que profere; a não ser quando fala de impostos e mesmo assim… cuidado, muito cuidado.

Deve-se desconfiar, em especial, nos momentos em que o nosso primeiro exibe aquele ar circunspecto de um estadista dos autênticos. Para já, é uma espécie em vias de extinção e Sócrates não integra essa categoria superior de políticos.