Se me perguntas como se constrói um carro, ou de que é feito o planeta Terra, ou como é que a borracha consegue apagar os riscos do lápis no papel, eu posso procurar na enciclopédia, ou na wiki, e explicar-te, mais coisa menos coisa. Podemos construir uma miniatura do sistema solar e contar os países que há em África. Podemos usar o super olho biónico para ver como é a pele de um braço ampliada, ou um fio de cabelo, ou umas pedras de sal. O mundo é um sítio explicável, sabes?
Mas quando ficamos a olhar o periquito morto, quer dizer, o corpo inerte do periquito, e tu me perguntas onde está agora o periquito e por que é que o periquito já não canta, nem voa, nem tenta bicar-nos os dedos, o mundo deixa de ser tão explicável. Por que é o corpo fica assim, esse miserável corpo hirto, de patas esticadas, esse corpo que já não reconhecemos como o do periquito? Por que é que a vida que pulsava ali deixou de estar? Onde está agora o periquito? Há algum lugar onde ele esteja? [Read more…]







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