Vida animal

Os documentários sobre a vida dos animais sempre me pareceram abomináveis. Seja qual for a espécie retratada, os guiões tendem a ser iguais. Começam por apelar à nossa benevolência: aqui vemos uma jovem gazela, terna, vulnerável, feliz, a dar os seus desajeitados primeiros passos, a bebericar água no lago, a aprender os rudimentos da vida na luminosa savana. Corre, brinca graciosamente com as outras gazelas, fixa por vezes a câmara como se soubesse que a observamos e quisesse piscar-nos o olho. Atingido o ponto em que a nossa simpatia pela gazela não pode ser maior, o tom monótono do locutor altera-se:

“Mas, na savana, há sempre perigos à espreita! Ali perto, uma experiente leoa espreguiça-se e prepara-se para caçar.” [Read more…]

Estes também podem entrar nos restaurantes

Mas só pela cozinha.

Animais nos restaurantes?

pub_england
Anda por aí muita discussão por causa de animais nos restaurantes, vivos, entenda-se.
Nos pubs de Inglaterra, a discussão é de outro teor. Cheers…!

Rejubilai! As touradas estão a morrer

tourada

Desde o final da década passada, o número de touradas realizadas em Portugal tem vindo a diminuir de ano para ano. Em igual trajectória, estes espectáculos de violência e morte perderam milhares de espectadores em poucos anos: em 2008, segundo números do IGAC, as touradas levaram aproximadamente 700 mil portugueses às arenas. Em 2016, o número foi reduzido para perto de metade. Um declínio que se saúda.

Perante esta realidade, é expectável que as touradas acabem mesmo por morrer, ainda que de morte lenta e demorada, o que infelizmente ainda custará a vida a centenas de animais indefesos que continuarão a ser alvo da brutalidade de uma tradição sem nexo. Não obstante, o crescente desinteresse dos portugueses pelo entretenimento da tortura é um sinal positivo e animador. Estamos no bom caminho e só se lamenta que o enfermo continue a ser medicado. Desliguemos-lhe as máquinas. Ou eles que se toureiem uns aos outros.

Cartoon@No Limiar das Palavras

Um par mortífero

Já aqui contei que a minha cadela Rita adoptou um gato vadio, o Chico. Nos outros lugares, menos virtuais, onde também o contei, a reacção foi sempre de ternura embevecida. Punham-se as cabecinhas de lado quando ouviam a história, aquele sinal inegável de que os ouvintes responderiam com adjectivos como fofo, lindo, queriducho, e outros termos detestáveis. A história começou a correr e eu fiquei conhecida em certos meios como “a dona da cadela que vive com um gato”. Houve até um vizinho que veio ter comigo na rua para perguntar-me se era eu que escrevia no Aventar porque tinha lido o post e reconhecido a cadela e o gato que ele via do seu quintal. A Rita e o Chico devolviam a uma pequena amostra de seres humanos a fé quase perdida na possibilidade de um mundo de paz e harmonia.

Embalada com o sucesso da história, não me coibi de ir partilhando detalhes mais actualizados. E aí, para meu espanto, o entusiasmo esmoreceu de forma súbita. É que a cadela começou a ensinar o gato a caçar. Ele tinha o talento inato mas faltava-lhe a aprendizagem dos procedimentos. Começaram pelas ratazanas. Ao que o Chico tinha de rapidez e agilidade, a Rita respondeu com astúcia e experiência. Percebi logo que estavam ali dois assassinos em série. Orgulhoso, o Chico foi deixando um rasto de roedores chacinados por todo o lado, a sua forma de retribuir o carinho a quem lhe dá de comer. A Rita também ficou orgulhosa dele, mas disfarçou mostrando uma entediada indiferença quando ele empurrava as ratazanas mortas para junto da cama dela, uma das mais tocantes manifestações de afecto a que se pode assistir neste mundo. [Read more…]

Animais de estimação

Depois de cortar nos ordenados , nas pensões, no Serviço Nacional de Saúde, no Ensino, nos mais variados subsídios e apoios sociais, o governo, sempre preocupado com o nosso bem-estar, vai cortar no número de cães ou gatos que cada família pode ter em casa.

Nada dizem os governantes, porém, quanto a uma qualquer limitação de vermes, traças, percevejos e outros parasitas mais ou menos rastejantes. Compreende-se. Não iam atacar os seus semelhantes.

Dizem que é um governo liberal

Digam-me por favor que é 1º de Abril ou brincadeira de Carnaval. Esta medida imbecil, a ser verdade os seus autores deveriam estar sob efeito de substâncias ilícitas no momento em que ponderaram avançar com a mesma, levanta desde já algumas questões. Caso alguém tenha em casa um casal de cães, terá forçosamente de castrar os animais? Se nascerem crias, os donos poderão optar por abater as mesmas ou serem despejados do apartamento? O governo há muito que perdeu o estado de graça, mas prepara-se para ganhar o estado de riso, enriquecendo o anedotário nacional. Quando se chega a este ponto…

Extinções

Esta frase de um leitor num comentário a este poste

…quando era criança era muito comum ver joaninhas em todo o sítio, hoje em dia são cada vez mais raras…

fez-me fazer um exercício de memória.

Tenho cinquenta e dois anos, nasci em Angola, vim para Portugal com quase quinze, há trinta e sete anos, portando. Sem nenhuma pretensão científica e não sendo exaustivo, dei por mim a pensar nas extinções a que assisti – aqui a palavra é utilizada de forma pouco exacta, sendo que chamo extinção ao (quase) desaparecimento de certas espécies de determinados locais.

Um dos primeiros insectos que me maravilhou em Portugal foram os pirilampos. Lembro-me deles às centenas, à noite, piscando nos campos. Há anos que não vejo um único pirilampo nos mesmos campos. O que se passou? Não sei, sei que as crianças os apanhavam às dezenas para brincar, mas imagino que sempre tenham feito o mesmo ao longo de gerações. [Read more…]

Os animais de estimação

angela barroso
São muito úteis. Fazem o trabalho pesado, o trabalho sujo, guardam os rebanhos, palram, cacarejam quando põem ovos (e, sobretudo, quando não põem), estão, muitos deles, ansiosos por agradar aos donos em troco de uma ração (alguns são de muito alimento).

Não hesitam em atacar os seus congéneres, sobretudo os mais fracos, ao serviço dos patrões. Alguns até marram, sobretudo se os alvos forem vermelhos. Nem sempre dotados de grande inteligência (senão poderiam interrogar-se sobre a sua condição), mas precisando de alguma para cumprir as tarefas que lhes cabem, devem ser, preferencialmente, destituídos de carácter e integridade, atributos que os tornariam inúteis e, até, perigosos.

Por isso, nem todos servem para os efeitos pretendidos. Alguns, quando jovens, podem ser um tanto rebeldes. Mas quando se adaptam, são indispensáveis. Tornam-se mesmo os mais servis, embora a sua alimentação possa sair cara. Para os manter felizes, convém ir-lhes fazendo umas festinhas. Na cara, no pêlo, nos cornos, nas contas bancárias e outras partes que venham a calhar. Bem tratados, podem servir fielmente por vários mandatos, digo, anos.

Pontapé oficial

Levantei-me muito cedo no Sábado. Eram mais de 300 os quilómetros que nos separavam da Manifestação de Professores. Como eu, alguns milhares de professores (o SPN levou 60 autocarros) usaram a A1 para chegar a Lisboa.

Já depois das portagens, mesmo à entrada da capital, parou tudo! Alguns minutos depois, nem para trás, nem para a  frente. O diz que disse, os telemóveis que tocam e rapidamente se percebe que aconteceu alguma coisa.

Ficamos muito tempo dentro do autocarro  – para quem fuma, foi um tempo sem fim!

Chegámos, ainda sem almoçar, atrasados à Manifestação. Fomos a pé do Marquês ao Rossio e no fim o nosso autocarro estava parado 500 metros depois do viaduto, isto no sentido Santa Apolónia / Parque das Nações (são, segundo o Google Maps cerca de 5 km).

A viatura que nos transportou para casa tinha um problema no motor e tivemos que parar em todas as estações de serviço para meter água.

Quando chego a Gaia, um colega havia deixado a carteira num outro autocarro que já se tinha dirigido para Aveiro. Sim, isso mesmo – ainda fui a Aveiro!

Eram quase 4 da manhã quando consegui descansar.

Mas, mesmo assim, não compreendo este comportamento do Militar da GNR!

A propósito de cães e luta de classes

Milito no partido dos gatos desde pequenino. O cão, cão, segue o dono como seguiria o líder na matilha. Há o cão inventado pelo homem para ser assassino, o cão que pastoreia, o cão que guarda, o cão que morde pouco, mas o cão, cão, lambe sempre o dono.

O gato, animal de território pouco dado a bandos, conheceu a mãe, livrou-se dos irmãos, e tem domesticamente perante quem o alimenta o trato estritamente necessário para a sua sobrevivência. Sei segredos, gatos que salvam vidas, mas os meus defuntos não entram aqui.

Por via de uma família que mantinha um cão de matar entalado entre uma varanda e uma cozinha, assunto que naturalmente rebentou na morte de uma criança, anda por aí tanto latido que ensurdece. A esquerda divide-se, a direita devota de uma pomba estúpida, citando o sábio Caeiro, resfolega e puxa para a tourada, uma arca de noé em formato babel.

Tola carnificina de palavras. Mas recordo que os animais, sendo todos iguais são uns um pouco diferentes de  outros, adoro um cão, raivoso, este do Sérgio Godinho, que tão bem o explica. E esta é para ti, Raquel Varela, essa do Hitler enferma de uma pequena descontextualização histórico-zoológica: os animais irracionais, legitimamente, defendem-se uns aos outros, não obrigando com isso os racionais a desprezá-los; e depois tens no teu título um erro gramático, não é o cão de Hitler, é sempre o cão do Hitler. Faz uma certa diferença.

Dia do Planeta Terra

Algumas ideias avulsas que me ocorre dizer neste dia…

A população mundial chegou aos 7 mil milhões, mas está muito envelhecida e não sabe lidar bem com isso. 

Os idosos morrem sós…

O Homem ainda não aprendeu a aceitar as rugas no rosto e no resto do corpo por mais voltas que a Terra dê. Muito menos a natural morte por mais que assista à das plantas e dos animais e de tantos seres humanos ao seu redor.

A esperança média de vida aumentou, mas morremos por doenças diferentes às que matavam no passado. Doenças deste tempo: ansiedade, stress, depressão e outras bem nossas conhecidas. [Read more…]

Os animais na quinta do fim do Mundo.

Desde o clímax do milenarismo, em 2000, que tem vindo a aumentar a ansiedade quanto a outro hipotético “fim do mundo”. Do cinema à publicidade, todos glorificam o momento final como se fosse possível vender souvenires do armagedão. Se repararem não há blockbuster recente que não introduza o tema do fim do mundo. Os espectadores acorrem para assistir de camarote ao take final. Afinal de contas, para os tradicionais voyeurs dos acidentes, aqueles que abrandam ou param para ver os destroços dos carros sinistrados, ou os que aguardam no sofá pela imagem do sangue que os cameramen sempre filmam, o paraíso é ver acontecer a desgraça final, em todo o seu esplendor.
Por outro lado, crescem as associações, campanhas, movimentos e manifestações a favor dos direitos dos animais. No mundo ocidental, o animal começa a tornar-se cada vez mais humano e as suas necessidades ultrapassam mesmo as dos indivíduos. Não se trata só do orçamento gasto em alimentação dos animais domésticos que, nos EUA, ultrapassa já a dotação destinada aos sem-abrigo, mas a própria humanização do bicho. O cão (ou o gato) já não é apenas o melhor amigo do homem, mas um novo-Homem.
Não sei se entre ambos os fenómenos existe uma relação directa, nem vou tentar encontrá-la à luz das teorias relacionais e por vezes conspirativo-esotéricas. Mas uma coisa parece-me coerente: existe aqui muita falta de auto-estima (colectiva e individual) e, sobretudo, falta de crença na humanidade. Uma sociedade que deposita nos seus animais toda a sua força anímica, que os diviniza e dirige para eles as suas esperanças, não deseja se não o fim da sua espécie. Conheço pessoas que vivem com dezenas de cães e gatos e são incapazes de se relacionarem socialmente.
Devo dizer que adoro animais e sempre que posso faço o necessário para os acolher e providenciar-lhes conforto. Mas não posso colocar à frente do meu semelhante as necessidades de um animal, se o fizesse estaria a negar o meu ser pensante, o meu lugar num complexo labirinto de vida que me trouxe até onde existo.
Talvez esta negação advenha e exista efectivamente e se espelhe numa sociedade cada vez mais dependente de seres vivos que não desiludam, que não falem nem pensem mas que sejam leais e devotados ao seu criador – estas qualidades são em geral as que os grandes activistas pró-animais alegam na sua luta. Para eles os animais são mais leais que o Homem.
Talvez tenham razão e que, um dia, eles nos governem e se  tornem nós, como no “Animal farm” de Orwel.
Essa seria, com certeza, a maior ironia de todas.

Hoje dá na net: Earthlings – Terráqueos


Earthlings, em português Terráqueos. Um filme-documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em relação aos animais (para estimação, alimentação, vestuário, diversão e desenvolvimento científico). O desrespeito do Homem em relação aos animais fica bem evidente através de hora e meia de imagens verdadeiramente chocantes (de que aquelas que podemos ver à passagem dos 55 minutos são o melhor exemplo), conseguidas sobretudo através de câmaras ocultas. No site oficial de Earthlings, é possível ver o filme completo e comprar a edição original. No site não-oficial, é possível fazer o download gratuito de forma completamente legal. É um projecto da organização ambiental americana NationEarth, com narração de Joaquin Phoenix e banda sonora de Moby.

Crianças, venham ao Circo Cardinali – onde os animais são tratados como merecem

http://rd.videos.sapo.cv/play?file=http://rd.videos.sapo.cv/91o0eQzGZcZN0OHuzTAT/mov/1

Quem são os criminosos afinal?

   
5 activistas da causa animal foram condenados a prisão efectiva por terem perturbado a santa paz de um laboratório onde se fazem experiências com animais. Entre outras coisas, fizeram telefonemas abusivos e enviaram embrulhos-bombas que, depois de abertos, afinal não tinham nada.
Grave, muito grave. Já a continuada tortura sobre animais indefesos, quando já existem muitas outras alternativas fiáveis, é perfeitamente natural e admissível.

Quem são os criminosos afinal?

Fim da Linha

(adão cruz)

Texto de Marcos Cruz

Será que os pássaros vivem a crise? Será que há menos gente a dar-lhes migalhas nos jardins? E todos os outros animais? Será que partilham as angústias do Homem sobre o estado do mundo? Será que sofrem de forma indirecta? Pelo que me é dado ver, não. A generalidade dos animais ditos não racionais habituou-se a viver em liberdade, coisa de que o Homem, no exercício da razão, quis prescindir. Cioso da sua mais-valia, despediu-se da cadeia de ADN global para se fazer a uma vida destacada, para escrever uma história acima do universo, mero contexto, paisagem, folha lisa. Capítulo após capítulo, encontra-se hoje perante a realidade irrefutável de ter criado um Deus à sua imagem, chamado dinheiro, Deus esse que, cada vez menos, por ser filho de um Homem desligado, de um recorte físico do infinito, está em todo o lado. Ora, se a ideia de que a salvação e a felicidade se baseiam na posse é hoje do domínio da lógica, do código subjacente à vida da espécie, há então que lutar com unhas e dentes por esse Deus. A este raciocínio interpõe-se, no entanto, um problema: o que fazer com as pessoas que se sentem felizes sem possuir ou querer possuir a dita felicidade? Pois excomungá-las, atirá-las para outra espécie, uma espécie inventada, uma espécie nova, que, tendo em conta a teoria evolucionista, quem sabe justificaria a reciclagem do termo super-homem. Hum…, não, não faria sentido evocar anacronicamente uma estrutura mítica cuja falência teve, aliás, expressão retumbante na realidade. Fosse ele um pássaro, como admitia a célebre pergunta dos homens que o viam pela primeira vez a rasgar os céus, e ainda andaria aí, imune à crise, mesmo que não a salvar pessoas, mesmo que não a aliar-se ou a substituir-se ao Deus dinheiro. Mas, enfim, talvez lhe assentasse bem a designação de supra-homem, um “supra” ligado à superação, à sublimação, à transcendência – uma transcendência inclusiva, porém, não uma transcendência irresponsavelmente mística, magicamente religiosa. Cumprida essa limpeza, deixada a nova espécie ao sabor dos pássaros, aprendendo a voar, a ser livre, o Homem poderia retomar a escrita da sua obra-prima, do seu grandiloquente livro técnico, sem romance, com menos personagens e mais Deus disponível para cada uma delas, e tirando proveito de, através do erro, ter aprendido uma lição extraordinária, imprescindível ao desejado final feliz: reprodução, jamais.

Um simples periquito

(adao cruz)

Um simples periquito

Não sei muito bem o que fazer nas férias. Não gosto de praia, não gosto de viagens programadas em grupo, não gosto de cruzeiros, enfiarem-me num resort qualquer é pior do que me enfiarem em Custóias. Só gosto de viajar, mas de carro, sem destino, ao deus-dará. Foi o que fiz na passada semana. Vi, por acaso, uma exposição de André Brasilier no Chateaux de Chenonceaux, e mal cheguei, fiz dois quadros, mais ou menos dentro da sua linha, a qual tem algumas semelhanças com a minha, ou melhor, a minha tem algumas semelhanças com a dele. Provavelmente, amanhã farei deles um post. Cheguei de férias. [Read more…]

FDL – As aberrações do Prof. Paulo Otero

Catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa (FDL) desde 2005, o Prof. Paulo Otero é recorrente em métodos de avaliação sórdidos; diria mesmo inaceitáveis a um docente que, por lei e estatuto, está obrigado ao cumprimento de normas éticas, pedagógicas e científicas, rigorosas e aplicáveis em qualquer nível de ensino.

Novo comportamento destemperado levou Paulo Otero a submeter alunos do 1.º ano de Direito Constitucional II da FDL a um teste sobre o casamento entre homossexuais; de permeio incluiu a união conjugal entre pessoas e animais e outras questões aberrantes, que a imprensa, Diário de Notícias, por exemplo, divulgou em detalhe.

Desta feita, Otero excedeu as fronteiras da escola e desafiou grupos estruturados e organizados – ILGA e LGTB, entre outros – que prometem agir junto dos órgãos directivos da própria FDL, e possivelmente de outras instâncias, com acções de protesto e eventuais pedidos de reparação das ofensas de que se sentem alvo.

A força das referidas organizações poderá causar – e oxalá causem – a penalização justificada de Paulo Otero. Vejamos como os membros da Direcção e do Conselho Pedagógico da FDL aplicarão a lei invocada pelo Director, Prof. Eduardo Vera-Cruz.

Todavia, antes de terminar, devo confessar-me revoltado por, apenas agora diante de um caso mediático, se equacionar a possibilidade de punir Otero. De facto, há muito que esta torpe figura, sem condições para o exercício da docência, prejudica alunos com testes de conteúdos absurdos, usufruindo de total impunidade. Mas a FDL é isto mesmo, um pequeno “Estado” dentro de um Estado pequeníssimo; onde os ‘Oteros’, a belo prazer, fazem dos outros otários.

Serão os bichos como as pessoas?

   

É a grande dúvida que sempre tive. Desde o dia que as minhas filhas queriam gatos e porcos de índias ou hamsters em casa, também denominados marmotas-da- alemanha, para tratar e tomar conta deles em casa.Com um carinho, que era impressionante! Eu sempre tinha gostado de cães e cavalos, mas fora de casa, no seu sítio, como essas casotas para os cães e o estábulo para os cavalosMais impressionante ainda, eram as comidas especiais preparadas por elas, mas compradas pelo pai. [Read more…]

Pior que todas as touradas

 

 

Será o espectáculo popular com que umas centenas de animais se deliciarão esta noite em Medinaceli, um município de Soria no reino de Castela e Leão.

As bestas lançarão fogo aos cornos de um touro indefeso, terminando por soltá-lo entre fogueiras e outras chamas, para seu gaúdio de pobres seres sem inteligência.

Eu sei que os animais são inimputáveis. Mas estes deviam ser enjaulados por uns bons tempos, ou talvez convertidos ao reino vegetal, ao menos não incomodavam, e daí, bestas destas viravam no mínimo em silvas bem espinhosas.

Dos cães

 O escritor Mário Cláudio publica hoje, na sua “Agenda”, um elucidativo retrato de um canil de uma cidade não identificada. O título sintetiza o tom geral do texto: “Descida ao Inferno”.

 

Não me conto entre os activistas da causa animal. E isto deve-se fundamentalmente ao facto de considerar que os direitos dos humanos ainda estão longe de cumprir-se, questão que me parece mais prioritária. Também não me inclino, como alguns, a considerar que o conhecimento dos humanos nos aproxima mais dos animais, porque não estendo a toda a humanidade os defeitos de uns poucos.

Mas considero que é dever de todos repudiar qualquer tratamento cruel que seja infligido a um ser vivo, admitindo, porém, que essa minha convicção está tingida pela contradição de eu não ser vegetariana.

 

Há uns anos, quando cá em casa foi decidido que era hora de adoptar um(a) companheiro(a) para a rafeira Changana, fomos a um canil. Nas suas celas de cimento frio, ainda esperançados pela possibilidade de serem escolhidos, ou já resignados à morte certa, sucediam-se os encarcerados. Quem os guardava desprezava-os, era evidente. A cada novo corredor, o percurso ia-se fazendo mais angustiante.

A escolha era impossível, e o ambiente era propício a que os visitantes fossem carregando aos ombros, a cada passo, o peso da crueldade da sociedade humana, como se dela fôssemos os desapiedados responsáveis.

 

Acabámos por escolher um rafeiro velhote, que fora abandonado nas ruas quando perdera os encantos da juventude. O veterinário iria diagnosticar-lhe uma doença cardíaca que o poderia fulminar a qualquer instante, e passámos os primeiros dias à espera de vê-lo tombar ao mínimo esforço. Ele resistiu e ao fim de uns meses era o pai orgulhoso de uma ninhada de sete. 

 

Foi justamente com essa ninhada de encantadores cachorrinhos que descobri que a relação com os animais é, na verdade, um delicioso potenciador das relações entre pessoas. Conseguir uma família para cada um dos seis que decidimos oferecer ocupou-nos várias semanas.

Um foi para uma família que lhe chamou Jardel, o goleador da época, outro foi parar a Mortágua, de onde era a amiga que o adoptou. Eu começara a conduzir pouco antes e quase nos espetava contra uma parede quando os fui levar á estação de comboios, mas acabámos por sobreviver. Outros dois foram para famílias da vizinhança.

 

Um dos cachorros, talvez o mais bonito, foi adoptado por uma família dona de uma rede de sapatarias, e transformou-se, em poucos meses, de filho de rafeiros em herdeiro de um império. Nas primeiras fotos que nos chegaram, ali estava ele, muito penteado, instalado em cima de um sofá aparentemente caríssimo, com uma coleira de brilhantes e ar de quem se instalara na vida.

Restava-nos um problema, uma cachorra difícil, a única que não brincava com os irmãos e resistia a carícias, e que ninguém escolhera. Pensámos em ficar com ela, juntamente com outra, a mais gorda e pesadona, que também não era muito cobiçada e que já tínhamos decidido deixar cá em casa.

Acontece que um dia em que regressávamos a casa com a difícil, talvez do veterinário, já não me lembro, uma das senhoras que trabalham na rua junto a umas pensões ao pé da nossa casa de então, a viu e ficou, claramente, apaixonada. Ganhou coragem para meter conversa, elogiando o bicho, e nós, interesseiros, vimos uma oportunidade. As vizinhas metediças passavam com ar horrorizado, calculando que acertaríamos as condições de algum "ménage à trois", enquanto nós ficávamos a saber que a senhora vivia sozinha com uma filha de oito anos, e que a menina tinha muitas dificuldades em estabelecer relações com outras crianças, permanentemente encerrada sobre si mesmo, receosa do mundo e dos outros, os mesmos que já a tinham magoado.

Uma semana depois éramos recebidos na casa delas para levar-lhes a cadelinha. O encontro entre o animal e a criança foi dos episódios mais comoventes a que assisti. Pareciam ter reconhecido de imediato uma na outra o aconchego que buscavam sem saber onde. Tornaram-se inseparáveis, soubemos depois, e a amizade da cadela viria ser fundamental no percurso daquela criança.

E a nossa cadela gorda sofreu um transformismo digno de uma borboleta. Em poucos meses, transformou-se num bicho esguio, capaz de saltar a alturas improváveis, e que, durante a sua turbulenta adolescência, foi uma delinquente que saltava o muro para ir matar, numa orgia de sangue e penas esvoaçantes, as galinhas da vizinha.

Também podia falar-vos dos gatos, em particular do intrépido Pancho, que adoptou como lema de vida a divisa "vive depressa, morre jovem", mas por hoje não vos maço mais.  

 

Liberta-me: Movimento de libertação dos cães

 

 Liberta-me é um movimento aque apela à libertação dos cães que vivem acorrentados, num curto espaço, durante uma vida inteira. É seu o texto que se segue.

Em Portugal, são milhares e milhares os cães condenados a prisão perpétua, sem que tenham cometido nenhum crime. São mantidos acorrentados uma vida inteira: um castigo pior do que a morte para estes animais.

Por todo o país, são demasiados os cães que sofrem em silêncio. Sofrem em silêncio, porque muitas pessoas desconhecem o sofrimento dos animais acorrentados, outras pessoas não se importam e outras simplesmente não se querem “intrometer”.

Muitos animais não têm sequer um abrigo, outros dormem dentro de um bidão ou de uma casota que mal os protege da chuva e das temperaturas extremas. Sentam-se sobre a lama ou sobre o cimento gelado, muitas vezes não têm sequer água fresca à disposição e raramente têm atenção.

Quase nenhum destes cães conhece outra vida que não estar amarrado a uma corrente. Quase nenhum destes cães sabe o que é passear, o que é correr atrás de uma bola, nem muito menos o que é ser acarinhado.

Acorrentados pelo pescoço, estes animais não vivem, limitam-se a existir. Existem sem respeito, sem carinho, sem exercício, sem interacção social e, muitas vezes, sem os cuidados alimentares e higiénicos mais básicos. À medida que os dias se vão transformando em semanas, as semanas em meses e os meses em anos, a maioria destes cães deita-se, senta-se, dorme, come, bebe, urina e defeca dentro do mesmo raio de dois metros..

 

 

ANIMAIS PARA ADOPÇÃO VIVANIMAL (Rio Tinto) – Contacto: 220938380

Ninhada de gatos com cerca de 3 meses. A mais crescida, a Flor, está esterilizada, vacinada e desparasitada. A opacidade da cornea é uma consequência de infecção virica quando era bebé, porque não foi tratada atempadamente.

BICHANOS DO PORTO (Porto). Contacto: 917512323

Paris, 5 meses. Daniela,cadela arraçada de Labrador. Magali, 4 meses, vacinada e desparasitada.

 

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