Peter Stein em entrevista ao Le Monde: “Senti-me sempre no dever de lutar”

Entrevista de Brigitte Salino ao encenador alemão Peter Stein, publicada no Le Monde em Agosto de 2005 e sobre a qual se debruçou a Sarah Adamopoulos num artigo de Março deste ano “Europa: misantropia e terrorismo de Estado“, foi traduzida pelo Luís Sérgio Reis Fernandes. Para ele, o agradecimento do Aventar.

Peter Stein é, política e esteticamente indissociável da história “maior” do teatro europeu: a companhia Teatro Schaubühne de Berlim que ele dirigiu de 1970 a 1987. Depois o encenador alemão instalou-se em Itália, onde vive entre Roma e a região da Úmbria, naquilo que ele chama “a sua Villa”: um campo de oliveiras, um lago e florestas a perder de vista em redor das habitações cujo largo central tem as medidas exactas do anfiteatro grego em Epidauro.

A sala de repetição, tão espaçosa quanto à do seu “Teatro”, aparece abrigada por árvores. É neste local ideal para aninhar uma Academia, que Peter Stein continua a imaginar os futuros projectos: depois de FAUSTO, de Goethe, em que é o primeiro a encenar a integral com 23 horas, em 2000, prepara Wallenstein de Schiller, em 9 horas, para 2007, na Alemanha, e Édipo-Rei de Sófocles que deverá encenar em Paris no Odéon – Teatro da Europa, com Michel Piccoli. [Read more…]

«O terrorismo de Estado formou a minha geração».

Peter Stein – a propósito da Grécia e da posição de Schäuble. Mais sobre isto, aqui.
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Peter Stein vem a Portugal agora, por ocasião do 32º Festival de Almada, que começa já no próxima dia 4.

Europa: misantropia e terrorismo de Estado

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© Harry Clarke (1889-1931) Mephisto

Numa entrevista de 2005 ao jornal francês Le Monde, Peter Stein (n. 1937), o famoso encenador alemão, fundador da companhia Schaubühne (que mudou o teatro, e não apenas na Alemanha) e pertencendo à mesma geração que Wolfgang Schäuble (n. 1942), fez o que esparsos alemães da sua geração procuraram fazer: matar o pai nazi através da arte. Foi a fazer isso que construiu uma encenação mítica do Fausto de Goethe (Hannover, 2000), o poeta maior da Língua alemã que Stein nunca mais largou, apesar da memória de quando a Língua alemã foi um fardo para a sua geração, nascida para carregar a culpa dos pais. Mas como demonstrar que o Alemão “não era só a Língua de Hitler [mas também] uma língua maravilhosa, melódica, sensível”? (Peter Stein ao Expresso, em 2012). [Read more…]