Europa: misantropia e terrorismo de Estado

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© Harry Clarke (1889-1931) Mephisto

Numa entrevista de 2005 ao jornal francês Le Monde, Peter Stein (n. 1937), o famoso encenador alemão, fundador da companhia Schaubühne (que mudou o teatro, e não apenas na Alemanha) e pertencendo à mesma geração que Wolfgang Schäuble (n. 1942), fez o que esparsos alemães da sua geração procuraram fazer: matar o pai nazi através da arte. Foi a fazer isso que construiu uma encenação mítica do Fausto de Goethe (Hannover, 2000), o poeta maior da Língua alemã que Stein nunca mais largou, apesar da memória de quando a Língua alemã foi um fardo para a sua geração, nascida para carregar a culpa dos pais. Mas como demonstrar que o Alemão “não era só a Língua de Hitler [mas também] uma língua maravilhosa, melódica, sensível”? (Peter Stein ao Expresso, em 2012). [Read more…]

Fausto

Longa mentragem de Murnau baseada na peça de Goethe. Fausto, um velho alquimista, vê a sua cidade ser assolada pela Peste Negra. Legendado em português.
ficha IMdB

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Unidade 4.3. – Crises e Revolução no séc. XIV

25 Poemas de Abril (XX)


O Patrão e Nós

Vejam aquele homem de cartola, de lacinho e casacão
A mala cheia de dinheiro que ele transporta na mão
Vive em Cascais ou no Estoril e mora numa mansão
Goza as férias de Verão quando quer e lhe apetece
Tem um Banco e muitas fábricas e tem nome de patrão
Mas agarra que é ladrão
Não faz falta e é cabrão

E olhem agora cá pra nós, boné roto e macacão
Saco da ferramenta e de lancheira na mão
Vivemos no Casal Ventoso, moramos num barracão
O ano inteiro a trabalhar sem Verões nem Primaveras
Temos filhos, muito filhos, sem escola nem sacola
Mas isto vai acabar
À porrada no patrão.

Fausto

Memória descritiva: um pormenor insignificante

Já aqui contei há meses a história de uma tele-confusão – convidou-me a RTP para ir falar sobre o local de nascimento do D. Afonso Henriques e, quando a entrevista, em directo, começou, fizeram-me perguntas sobre as origens do fado. Tenho uma história do género, mas passada num jornal diário em que colaborei.

Era o «Página Um», um diário ligado à esquerda extra-parlamentar. Depois de acabado o meu trabalho na empresa, ia para a redacção, na Rua Braamcamp, e encarregava-me da crítica de livros, de temas culturais e de um ou outro fait-divers. Com o Fausto, esse mesmo, o Fausto Bordalo Dias, o excelente cantautor, ocupava um pequeno gabinete. Ele fazia crítica de discos e espectáculos musicais. A política corrente é que estava a dar, por isso éramos uma espécie de párias, defensores de causas perdidas. Não nos ligavam nenhuma. Uma tarde, vinda de uma agência, chegou-me uma fotografia de um miliciano maronita sentado num degrau de uma casa destruída, descansando da fatigante tarefa de assassinar muçulmanos. [Read more…]

Convidado – para reflectir…

 Estudei com ardor tanta filosofia, Direito e Medicina, e, infelizmente até muita Teologia. A tudo investiguei com esforço e disciplina. E assim me encontro eu, qual pobre tolo, agora, tão sábio e tão instruído quanto fora outrora!

Primeiro fui assistente e em seguida Doutor, dez anos a ensinar, autêntico impostor. A subir e a descer por todos os lados. Estudantes à volta em mim sempre grudados. E chego ao fim de tudo ignorante em tudo! Coração a ferver! Para que tanto estudo! Não tenho mais saber que os tolos e doutores, nem sei mais do que os Mestres, padres e escritores. Dúvidas? Escrúpulos? De tudo já dei cabo.

Não mais me assombra o Inferno e nem mesmo o Diabo, fugiu todo o prazer da minha adolescência, não me interessa mais do Direito e a ciência, nem tampouco a tarefa árdua de ensinar, aos homens converter e tanto doutrinar.

Dinheiro não ganhei, não tenho quase haveres, nem a gloria do mundo e seus doces prazeres; por que tanto viver como se fora um cão! Apego-me à magia. É uma salvação.

Pela força do espírito e o vigor do verbo, as forças naturais, secretas e exacerbo, que com amargo esforço eu tentei revelar não conseguindo nunca a verdade alcançar. Por fim, conheço hoje, o que em todo o mundo. Existe de mais íntimo e de mais profundo. As forças criadoras, forças embrionárias, que palavras não exprimem tão tumultuárias.

Goethe (Fausto)

 

É apenas para reflectirem um pouco. Pode ser de grande ajuda nos tempos que vão.

 

RD

Rolf Dahmer

Três Cantos no Coliseu: Fez-se História

Fez-se História no Coliseu do Porto, ontem à noite, e eu estive lá…

José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto começaram pelas canções actuais (de destacar, de José Mário Branco, o Onofre, a palavra portuguesa para o botão On/Off), e, com o decorrer do espectáculo, foram desfiando os êxitos mais antigos – aqueles que, como sempre, motivam mais o público.

José Mário Branco falou: «Estou tão contente. Podem continuar a contar connosco para cantar… e para o resto». Sérgio Godinho, depois das «4 Quadras Soltas», soltou o maior aplauso da noite: «Zeca Afonso não devia estar ausente esta noite». Isto depois de dizer com a ironia do costume, a propósito de «O Charlatão», que felizemente é uma espécie que hoje em dia já não existe em Portugal. Fausto, com o «low profile» que o caracteriza, pôs milhares de pessoas a cantar a sua Rosalinda.

Foi um espectáculo belíssimo. Cada um cantou as suas canções e as canções dos outros dois. E as canções dos outros que cantavam, parece que se apropriavam delas num instante e que toda a vida tinham sido suas.

A certa altura, José Mário Branco disse que iriam dizer e cantar naquela noite o que andavam a dizer há 40 anos. E foi isso mesmo. Sobretudo isso: um espectáculo de memórias, de recordações. De alguém faz parte das nossas vidas. Crescemos ao som das músicas deles.

É como dizia Sérgio Godinho: só faltou mesmo o Zeca!

Salário mínimo: 25 euros é muito

Para o presidente dos patrões, 25 euros de aumento no salário mínimo, no próximo ano, é demasiado para as empresas. Diz que não podem suportar esse aumento.

Passando ao lado do aumento que o presidente da CIP vai receber em 2010, só apetece perguntar o que merece uma empresa que não consegue dar mais 5 contos por mês a um empregado. É uma fortuna? É?

É o eterno «O Patrão e Nós» que Fausto tão bem cantou em 1974. Isto só lá vai mesmo «à porrada no patrão».