As benesses

Chocam-me estas benesses que certos cargos podem proporcionar, em particular cargos pagos pelo erário público. Estes especificamente porque, frequentemente, há decisões que são tomadas que têm impacto no dinheiro dos outros. E já se sabe, se não sai do bolso, não se sente.

Os políticos têm o dever de ter sensibilidade para esta questão e, sendo cargos de nomeação, os cuidados precisam de ser redobrados. Por isso, todos os que aceitaram prendas, que mais não são do que pequenos subornos, que tenham a dignidade de se demitirem. Ou que sejam demitidos, se não tiverem essa elevação.

Não importa se a benesse influencia ou não alguma decisão. Certamente que algumas influenciarão, caso contrário estaríamos perante um exercício de atribuir prémios de simpatia. A política, hoje em dia, é uma profissão, como qualquer outra, até tem formação de quadros e “universidades”, mesmo que durando apenas uns dias no Verão, assim se vê a qualidade dos graduados, portanto, porque é que hão-de ter estes profissionais pagamentos por baixo da mesa? Até porque os políticos, estes mesmos que aceitam prendas daqueles que procuram ganhar concursos, trataram de ilegalizar para as outras profissões, e bem, os esquemas das benesses por baixo da mesa.

Ah!, não me venham tretas partidárias. Não me recordo de um governo que não tenha tido casos desta natureza. Há, isso sim, hipócritas que apontam o dedo, esquecendo os três dedos que ficam a apontar para si mesmos.

Segredo do Pai Natal descoberto!

Afinal, os gnomos são um mito: os ajudantes do Pai Natal são estivadores.

Há gente muito prendada, se há

Como dizia a minha avó, tão ***  é quem aceita como quem dá.

Claro que a prendinha de Natal é “uma prática social, velha de décadas, para não dizer de séculos, genericamente aceite, praticada e consentida”, como diz o pai Penedos sem se rir muito.

Falta saber se todos aceitaram, na velha prática social de receber de braços abertos tudo o que nos é oferecido. O meu pai foi vereador da Câmara durante muitos anos, por vezes com pelouros ligados por exemplo aos recursos humanos. Sempre tivemos ordem para recusar os cabazes de Natal, embora hoje seja um bom dia para admitir que uma vez aceitei à socapa, e gamei, uma garrafa de uísque que deu muito jeito na passagem de ano.

Imagem retirada da capa do Sol de hoje.