Cavaco Silva: pior a emenda do que o queixume

Cavaco Silva falou hoje, por escrito, sobre a sua declaração de pobreza. Para repôr a verdade? Para dizer que se enganou nos números? Para pedir desculpa? Não,

“Apenas quis ilustrar, com o meu exemplo, que acompanho as situações que chegam ao meu conhecimento de cidadãos que atravessam dificuldades e para as quais tenho chamado a atenção em diversas intervenções públicas”

Com o seu exemplo… acompanha situações… de cidadãos que atravessam dificuldades. Vejamos: Cavaco acompanha situações e dá o seu exemplo aos cidadãos que (como ele?) atravessam dificuldades.

Ocorrem-me vários qualificativos para ilustrar este tipo de afirmações mas não vou por aí. Preocupa-me, no entanto, um pormenor: ninguém tem nada a dizer quanto ao facto de, na realidade, nada nestas declarações (e nas anteriores) ser verdade?

Marcelo diz que Cavaco não quis dizer o que disse: deve ser bruxo

Marcelo Rebelo de Sousa lançou os búzios, leu as entranhas de uma galinha preta e estudou a forma das nuvens para chegar à conclusão que

o Presidente da República “quis dizer uma coisa e saiu-lhe outra.

A seguir examinou a bexiga de um bode e percebeu que

Cavaco quereria dizer aos portugueses que até ele, “um privilegiado”, tem dificuldades

Entretanto esqueceu-se de consultar os dicionários e acrescentou que

o que ficou subentendido não foi isso

Ou seja, nem Cavaco disse o que disse, nem a gente ouviu. Subentendeu. Depois de tanta macumba, acabadinho de sair do transe, Marcelo expôs a sua última revelação e

lembrou que o Presidente da Republica “ganha menos” que os de outros países europeus.

Obrigadinho pela lembrança, também a generalidade dos portugueses ganha menos do que os de outros países europeus. Estes senhores das “elites” não vivem cá de certeza. Se vivessem estavam caladinhos. Por causa das moscas.