The Ultimate Genuflection Compilation

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Juridicamente não chega, Marcelo

A CPLP não pode pactuar com mais ditaduras. O regime Dos Santos chega e sobra.

«La nouvelle orthographe figurera au cœur des discussions officielles»?

Não? Ah! OK: «les domaines de la formation et de la recherche», «les thèmes économiques et internationaux», «la politique européenne»… Oh!

Marcelo Rebelo de Sousa, o infiel, e os trogloditas

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Em novo video de propaganda do Daesh, ou de um tolinho qualquer que gosta de brincar aos grunhos fundamentalistas, Marcelo Rebelo de Sousa – o infiel – surge a condecorar o rei de Marrocos – o muçulmano sem vergonha. Com este conteúdo, presume-se que os trogloditas pretendam mostrar a outros trogloditas que os jovens trogloditas são bem formados, bem preparados e com uma “moral superior à dos jovens dos países árabes e islâmicos “corruptos”. Isto apesar dos seus carros ocidentais, das suas armas ocidentais, das suas drogas ocidentais ou dos seus infames e imorais relógios ocidentais, que fazem Maomé corar de vergonha alheia com tanto troglodita imbecil e desmiolado. E ainda há trogloditas, com acesso à informação, que abandonam este país para combater as guerras destes charlatões. Ainda bem que nasci infiel. Antes infiel do que troglodita.

Foto@Público

À espera de Marcelo Rebelo de Sousa

O candidato à Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa durante um encontro com atletas paralímpicos, esta manhã no Estádio Universitário de Lisboa, 21 de dezembro de 2015. INÁCIO ROSA/LUSA

© INÁCIO ROSA/LUSA (http://bit.ly/2dDfE4R)

Waiting, waiting, waiting, waiting
Waiting, waiting, waiting, waiting

— The Doors, “Waiting for the Sun

ESTRAGON: Do you see anything coming?

VLADIMIR: (turning his head). What?

ESTRAGON: (louder). Do you see anything coming?

VLADIMIR: No.

ESTRAGON: Nor I.

— Samuel Beckett, “Waiting for Godot” (“À espera de Godot“/”Esperando Godot“)

Reina o silencio que falla,

Bafeja a doce frescura.

— A. Gonçalves Dias,  “Gulnare e Mustapha'” (“Sextilhas de Frei Antão“) (*)

***

Há alguns meses, soubemos que Marcelo Rebelo de Sousa decidira reabrir o debate sobre o AO90. Desde então, o silêncio tem presidido. Felizmente, no caso de Miró, o poder político foi exemplar (embora, como portuense, continue a achar que o Batalha teria sido a melhor solução: adiante). Todavia, no caso do AO90, isto parece que não vai lá nem com eleitos, nem com nomeados por eleitos: só mesmo com eleitores, ou seja, com Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90 e com Iniciativa de Referendo.

Se ainda não assinou, assine. Sim, as duas: a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90 e a Iniciativa de Referendo. Porque as coisas continuam a correr mal e, para chegar a esta conclusão, basta prestar um mínimo de atenção à realidade. Efectivamente. Um mínimo de atenção. É sabido, desde Schelling, segundo Gadamer (p. 82): «Die Angst vor dem Nichts treibt die Kreaturen heraus aus ihrem Zentrum». De facto: “Die Angst des Lebens selbst treibt den Menschen aus dem Centrum [, in das er erschaffen worden]”. De facto, sim. Exactamente. Enfim, hoje, no sítio do costume.

dre3102016

***

(*) Recomendo a leitura do excelente texto de Sant’anna Martins “O experimentalismo linguístico de Gonçalves Dias“.

“Uma televisão vende tudo – tanto um Presidente da República como um sabonete.” Ou uma agenda escondida.

A SIC manipulou o vídeo de uma reportagem para parecer que um postal de correio que Marcelo estava a enviar a Costa custava a entrar na caixa de correio. Uma espécie de mensagem escondida para responder ao que o Presidente da República acabava de dizer: “Para o Sr. Primeiro-Ministro, vamos lá ver se entra mais fácil ou não…” Por acaso entrou mais fácil, mas a SIC mostrou outra coisa. A RTP prova-o.

Este truque foi descoberto pelos incansáveis da página “Os truques da imprensa portuguesa“.

Está a a SIC a estagiar para ser tornar na Globlo portuguesa? Emídio Rangel, quando era director da SIC, chegou a afirmar que “uma televisão vende tudo – tanto um Presidente da República como um sabonete.” Um presidente ou uma agenda escondida, poderia, aparentemente, Rangel ter dito.

O abraço do Presidente

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Há quem afirme conhecer pessoalmente o Presidente da República e assegure que o seu Abraço ao homem em sofrimento foi genuíno, porque Marcelo Rebelo de Sousa é mesmo assim, fraterno, espontâneo, empático.
Não duvido.
O problema não está no Abraço. Está em fotografá-lo.

Marques Mendes elogia António Costa

MM

No seu espaço de spin na SIC, o barão do PSD afastou o cenário de crise política artificialmente criado pela direita parlamentar e elogiou António Costa pela forma como conduziu a polémica questão das sanções. Marques Mendes destaca aquilo que considera ser uma “tripla vitória”: em primeiro lugar, o facto de estar definitivamente afastado o cenário de sanções, não havendo sequer, na sua opinião, danos de reputação para o país. Em segundo lugar, o facto da Comissão Europeia ter “suavizado” a meta do défice imposta ao nosso país, que longe dos habituais 3%, passou da exigência dos 2,2% para os 2,5%. Em terceiro e último lugar, Marques Mendes destaca o facto dos custos da recapitalização da Caixa não entrarem nas contas do défice para o ano corrente. Uma “tripla vitória” de António Costa, partilhada, no entendimento do comentador, com Marcelo Rebelo de Sousa, que elogia o entendimento constante e coerente entre os dois governantes: [Read more…]

A verdade dos fatos: exactamente, dos fatos

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Foto Olimpik/NurPhoto via Getty Images (http://bit.ly/29dJeqz)

Après avoir assumé quatre mises à mort par l’élimination dramatique de ses camarades, après avoir manqué trois estocades, il réussit pleinement la quatrième et nous lui dûmes ce spectacle : le taureau, l’épée enfoncée jusqu’à la garde, traversa lentement toute la piste afin d’aller se coucher et mourir près de la barrière.

— Jean Cocteau, “La corrida du 1er mai

Quoi que je fasse, elle est toujours là, cette pensée infernale, comme un spectre de plomb à mes côtés, seule et jalouse, chassant toute distraction, face à face avec moi misérable, et me secouant de ses deux mains de glace quand je veux détourner la tête ou fermer les yeux. Elle se glisse sous toutes les formes où mon esprit voudrait la fuir, se mêle comme un refrain horrible à toutes les paroles qu’on m’adresse, se colle avec moi aux grilles hideuses de mon cachot ; m’obsède éveillé, épie mon sommeil convulsif, et reparaît dans mes rêves sous la forme d’un couteau.

— Victor Hugo, “Le Dernier Jour d’un condamné

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Ao contrário daquilo que publicações portuguesas têm andado a insinuar («nunca neste Euro a seleção dominou os seus adversários nos cinco encontros que disputou»), a revista Le Point deu opiniões ortograficamente exemplares:

Car jamais dans cet Euro la Selecção n’a dominé ses adversaires lors des cinq rencontres qu’il lui a été donné de disputer.

La Selecção a subi le jeu et les assauts croates pendant 117 minutes jusqu’à ce but de Ricardo Quaresma d’une cruauté sans nom.

Exactamente: Selecção.

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Quanto àquilo que costuma acontecer no sítio do costume [Read more…]

Pergunta ao Prof. Marcelo

Quanto tempo necessita um presidente da República de aparecer e falar (quase) ininterruptamente para que se deixe de fazer-lhe caso?

Os motivos dos fatos

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Amadeo de Souza-Cardoso, Caricatura de Emmérico Nunes (1909)(http://bit.ly/1sHl6FW)

Chacun, là-haut, sait mieux que le matador ce qu’il conviendrait de faire en bas. En outre, comme chez tous les publics, la critique prouve l’intelligence et l’enthousiasme se verse au compte de la crédulité, de la naïveté, de la bêtise.

— Jean Cocteau, “La corrida du 1er mai

Lembra-me um sonho lindo, quase acabado
Lembra-me um céu aberto, outro fechado
Estala-me a veia em sangue, estrangulada
Estoira no peito um grito, à desfilada

Fausto Bordalo Dias

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Os leitores do Aventar conhecerão certamente a seguinte afirmação de Santana Lopes:

Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).

Não será, contudo, todavia ou até mesmo porventura, o caso do jornalista que entrevistou o autor desta afirmação, ainda por cima, produzida em artigo escrito para o jornal em que a entrevista foi publicada. Efectivamente, uma vez que na entrevista nenhures se vislumbra qualquer referência à afirmação de Santana Lopes, o autor terá perdido, [Read more…]

Apontamento sobre o 10 de Junho

marcelo 10 junho 2016

Imagem: Presidência

Desejando ser entendida por quem me lê, começo por declarar que não passo cheques em branco a políticos, sejam eles governantes ou presidentes de República, porque já não tenho idade para acreditar no Pai Natal. Posto isto, vamos ao que me traz.

E o que hoje me traz é dizer que achei uma boa ideia a maneira como, neste ano inquieto de 2016, se celebrou o Dia de Portugal com a parada militar no Terreiro do Paço para depois se brindar à Pátria junto da comunidade portuguesa de França, lado a lado com o presidente do país que acolheu esse mais dum milhão de portugueses. Ambas as cerimónias tiveram grande dignidade e aprumo.

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Lixo Jornalístico IV: a realidade paralela do jornal I

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Para enorme tristeza de significativa parte do eleitorado que conduziu Marcelo Rebelo de Sousa a Belém, a convivência entre o Presidente da República e o actual governo parece reflectir uma certa harmonia, o que deverá sempre ser relativizado porque o futuro é incerto e nada nos garante que não chegue o dia em que Marcelo acabará por tirar o tapete a António Costa. Até ver, é legítimo dizer que o presidente tem colaborado com o governo na defesa do interesse nacional.

Porém, e apesar do optimismo manifestado por Marcelo, nomeadamente no que diz respeito aos números do défice (onde até espetou uma alfinetada no seu amigo Passos Coelho) e da execução orçamental, o jornal I parece discordar de algo aparentemente unânime para a restante imprensa nacional, tendo inclusive publicado a capa que podemos ver em cima, onde se pode ler que o presidente não confia nas contas do governo. Palavras para quê, é o jornal de António Ribeiro Ferreira.

Fotomontagem@Os Truques da Imprensa Portuguesa

O Presidente da República

O comportamento do Presidente da República vai mudar quando atingir o seu primeiro objectivo estratégico: mudar a liderança do PSD.

Arranjem-lhes um quarto, pá!

Marcelo e Costa, os novos best friends forever

Heresias de um catavento

será que assusta os mercados?

O carreto contra balanço e o correto balanço

Je n’ignore pas combien il est malpropre de parler de soi, et quel blâme on s’attire. Mais, en parlant de moi, ce n’est pas de moi que je parle.

— Jean Cocteau, Démarche d’un poète (introduction, édition et notes par David Gullentops), Paris, Éditions Grasset & Fasquelle,  2013, p. 103

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Algures, no Facebook (sim, está na moda), Maltez refere-se a “correto balanço“. Curiosamente, até hoje, em português europeu, só encontrara “carreto contra balanço”.

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Exactamente: carreto contra balanço. Correto balanço, em português europeu? Não conhecia.

No mesmo texto, Maltez escreve: «desenha a respetiva estratégia de autoridade». Efectivamente, respetiva/respectiva. Sim, isso já conhecia.

Correio da Manhã: assim se vendem jornais (e se manipula a opinião pública)

CM

Não vale a pena gastar muitas linhas com isto. O Correio da Manhã é assim e está no direito de o ser. Tal como qualquer um de nós está no direito de o acusar de sensacionalismo, manipulação ou aldrabice compulsiva. Mas devo dizer que esta tirada de primeira página me deixou boquiaberto. Eu até compreendo que o grande catavento esteja a causar algum mal-estar junto do seu eleitorado natural (e de grande parte do público-alvo do CM), aquele que tanto lutou para o eleger. Mas daí até uma tirada destas, com certeza parida num momento de alucinação, é caso para ficar estupefacto. Quererá o CM fazer concorrência à imprensa cor-de-rosa?

Imagem@Os truques da imprensa portuguesa

Marcelo

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Li as análises à intervenção de ontem do Presidente da República. Lamento, mas já não tenho pachorra para os comentadores de televisão, cada vez mais fracos e alinhados. Do que li fiquei surpreendido pelo tom de varias análises mais à direita: somente Nuno Garoupa se distingue pela lucidez. Nota-se uma enorme irritação com o Presidente. Uns esperavam que ele alertasse para os “enormes perigos” do OE2016, outros que dissesse que o orçamento é muito perigoso pois assenta num modelo errado, outros que levantasse o cartão amarelo, esperando para ver, mas avisando da margem de manobra, outros que fizesse algum “jogo” com o PSD, etc. Mas ninguém esperava, aparentemente, que Marcelo Rebelo de Sousa fosse igual a si mesmo. O que é surpreendente. As reações descabeladas do PSD são uma demonstração da sua desorientação estratégica. O CDS, para mim surpreendentemente (pela positiva), esteve calado, deixando o ridículo para o PSD.

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Marcelo isola (ainda mais) Pedro Passos Coelho

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Na Segunda-feira, os deputados do PSD da comissão parlamentar de finanças endereçaram uma carta ao primeiro-ministro, pedindo esclarecimentos sobre o alegado envolvimento de António Costa nas negociações em curso entre o regime angolano Isabel dos Santos, o BCP e o BPI, com base numa peça publicada na passada Sexta-feira no Expresso, onde se podia ler “Costa dá luz verde a Isabel dos Santos no BCP”. A pergunta que abre a missiva não podia ser mais clara: “A que título e com base em que competência constitucional ou legal atuou o senhor primeiro-ministro?”. [Read more…]

Marcelo Rebelo de Sousa patrocinado pelo Expresso

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Sim, já sabíamos que a imprensa adora Marcelo e que o carregou em ombros das instalações do Grupo Prisa até ao Palácio de Belém. O que talvez muitos não soubessem é que, apesar de já eleito, alguns jornais ainda se dão ao trabalho de continuar com o processo de beatificação. Marcelo, o Afectuoso, foi a pé de sua casa para a sua investidura com presidente. O Expresso acompanhou o percurso, publicou a peça e ainda decidiu pagar ao Zuckerberg para patrocinar este importante acontecimento no Facebook. E porquê? Não sei. Fica a dúvida que partilho com a página Os truques da imprensa portuguesa.

Imagem@Os truques da imprensa portuguesa

Fim-de-Semana Lusitano

 

Vem o bom tempo e é todo um Portugal voyeurista que se desabroch-a em flor.
Do Eros Porto 2016 ao congresso do CDS sem esquecer Marcelo Presidente, um Portugal feliz explode de contente. Adoro Portugal e adoro portugueses felizes de tão contentes.
A Primavera aproxima-se e nada nos pode deter agora. Estamos imparáveis.
Força, Portugal!

O Lápis Azul da SIC Notícias

A SIC Notícias recebeu o novo Chefe de Estado truncando o seu discurso inaugural, manipulando, através de um truque de montagem desonesto e lamentável, a mensagem dirigida ao Presidente cessante.
Uma vergonha para o jornalismo e um insulto aos portugueses e ao seu novo Presidente.
De facto, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se ao seu antecessor em termos muito claros e significativos, designadamente no que respeita ao entendimento muito próprio que este teve sobre o “interesse nacional”.
O discurso de tomada de posse é esclarecedor ao afirmar a subjectividade óptica do conceito de “interesse nacional” adoptado por Cavaco Silva:

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O que vai ser o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa

De Cavaco não sei se volto a falar. Tenho este péssimo hábito de não gostar de bater em mortos.
Acerca de Marcelo Rebelo de Sousa. Pela amostra – 10 de Junho em Paris – já se percebeu ao que vem o estacionador no lugar dos deficientes. Ou me engano muito ou vai passar mais tempo lá fora do que cá dentro. Tipo Mário Soares no primeiro mandato.
Esbanjando simpatia. Esbanjando afectos. Durante 5 anos, vai trabalhar para ser reeleito com uns 70%. E depois sim, num segundo mandato, tratará de bater no Governo que então estiver em funções, sobretudo se for de Esquerda. Tipo Mário Soares no segundo mandato, mas ao contrário.
Ainda assim, acredito que não fará pior do que Cavaco. Dificilmente um ser humano normal conseguiria tal feito.

Marcelo Rebelo de Sousa: Isto, sim, é começar em grande

No dia seguinte ao da eleição, conduziu sem cinto e estacionou num lugar reservado a deficientes. Podem achar uma coisa menor, para mim não é. Diz muito da personagem.
Num dia destes, esteve em Braga. Recebeu um prémio das mãos de António Salvador. Presidente do Braga, dono da Britalar e uma pessoa acima de toda a suspeita. Numa cerimónia em que, recorde-se, foi evocado Marcelo Caetano e o Cónego Melo (Padre Max,lembram-se?)
Para quem ainda nem sequer tomou posse, não está mau…

Precisará Marcelo de um visto gold?

Marques Mendes mantêm-se no Conselho de Estado. E que jeito que a imunidade lhe dá.

Marcelo dá dois péssimos exemplos ao país

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Marcelo Rebelo de Sousa deu hoje dois péssimos exemplos ao país. Conduzindo o seu veículo com uma equipa de reportagem da SIC ao seu lado, o novo presidente da República viajava sem cinto de segurança, uma péssima lição do professor que se prepara para ser o primeiro representante de uma nação onde a sinistralidade rodoviária ceifa anualmente centenas de vidas. Chegado ao seu destino, Marcelo estacionou num lugar reservado a deficientes, um acto de enorme desrespeito num país onde a chico-espertice faz multiplicar este tipo de comportamento, prejudicando diariamente muitos portugueses que se confrontam com o problema da mobilidade reduzida.

Sim, tudo isto é mesmo muito grave. E quando o exemplo que vem de cima é este – veio-me imediatamente à memória o episódio da campanha das Legislativas em que a caravana do PàF decidiu parar numa via equiparada a auto-estrada em Famalicão, com dezenas de apoiantes no meio da estrada, numa demonstração de absoluta irresponsabilidade e em clara violação da lei, apenas para filmar um vídeo de propaganda, que curiosamente já desapareceu, não sem antes terem sido guardadas algumas provas para a posteridade – não nos podemos admirar por ver o civismo pelas ruas da amargura.

Fotomontagem via Bocage 2.0

Marcelo Rebelo de Sousa não é Pedro Passos Coelho

MRS

Após a há muito anunciada esmagadora vitória eleitoral de Marcelo Rebelo de Sousa, o que resta do exército PàF, acantonado à direita e agarrado a um discurso radical, que de resto foi ontem criticado pelo novo presidente da República no seu discurso de vitória, acredita que o resultado ontem obtido por Marcelo representa uma nova distribuição dos eleitores que pouco mais do que 38% dos votos deram à coligação PSD/CDS-PP em Outubro passado. Sobre estes delírios, cito a minha camarada aventadora Daniela Major:

As pessoas não votaram em Marcelo porque Marcelo é do PSD. As pessoas votaram em Marcelo porque ele é uma figura simpática, que sempre teve uma presença mediaticamente fortíssima e que sempre tentou passou a ideia de um intelectual acessível e disponível (que até aceito que seja, salvo o epíteto de “intelectual” – acredito que  nem ele havia de apreciar), logo uma pessoa com “as competências necessárias para ser Presidente”.

É que é tão simples quanto isto. O Expresso ainda tentou alimentar o coro com uma notícia intitulada “PS: há 94 dias a perder eleitores“. O mesmo Expresso que um mês antes publicava uma sondagem na qual o PS crescia e ultrapassava o PSD. Mas ninguém no seu perfeito juízo acredita verdadeiramente que isto foi uma segunda volta das Legislativas. Então o Marcelo não era o catavento? Uma comédia, estes PáFs.

A natureza afectiva e o cumprimento afectuoso

marcelo cavaco

© Presidência da República Portuguesa (http://bit.ly/1Sf7vhO)

Ontem, depois do acto, ouvimos Marcelo Rebelo de Sousa a dizer que a escolha da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa para o discurso da noite eleitoral fora «de natureza afectiva». Não compreendo a razão pela qual alguns órgãos de comunicação social decidiram transmitir a ideia de que Rebelo de Sousa dissera “de natureza afetiva”. Afetiva ([ɐfɨˈtivɐ])? Não disse. Verifique-se:

Efectivamente, afectiva [ɐfɛˈtivɐ].

Marcelo Rebelo de Sousa, ao contrário daquilo que se lê por aí, não referiu qualquer “cumprimento muito afetuoso”. Não. Rebelo de Sousa mencionou um “cumprimento muito afectuoso”:

Exactamente, afectuoso. E especial.

E hoje? Hoje, ficámos a saber que, no sítio do costume, não houve nem sobressaltos, nem perturbações, nem estrangulamentos, nem constrangimentos.

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Viva o Presidente de 50% de 50% dos Portugueses!

 

  • Não votei em Marcelo embora confesso que o novo Presidente me é uma figura simpática. Sinceramente, acho difícil alguém detestar Marcelo. Não é uma pessoa que provoque esse tipo de sentimentos fortes, como o ódio ou, por oposição, o amor fanático. Não é sequer um Cavaco Silva. As pessoas não discutem (não discutiriam) durante décadas por causa de Marcelo como o fazem com Soares ou Cavaco.
  • Consola-me que Marcelo ficará na história mais como uma figura da chamada opinião pública do que como Presidente. A não ser que declare guerra à Espanha ou assim. Esperemos que não porque eu gostava de ir a Barcelona ainda este ano.

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