Conversas Vadias 33

Hoje, dissemos trinta e três. António de Almeida, José Mário Teixeira, Carlos Araújo Alves, João Mendes e António Fernando Nabais (retemperado por um justificado sono estético cujos resultados são evidentes) vadiaram, começando por falar de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, cidadão, dirigente partidário e provedor do governo. Comentou-se a comunicação ao país do multifacetado Chefe de Estado, que serviu para anunciar a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições para o dia 30 de Janeiro, havendo quem tenha realçado a salvaguarda do Natal, do Ano Novo e dos Reis. Debateu-se uma provável cadeia de faltas de respeito. Imaginaram-se cenários, pensou-se em guiões, com realce para a confusão que vai pela direita. Antes das sugestões, lembrou-se a votação sobre a Eutanásia. A partir de hoje, após o separador “Ler Mais”, há ligações para as sugestões dos vadios.

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Conversas Vadias 33
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O Velhaco

     Hugo Arsénio Pereira
     Ainda não percebi se por desleixo, se por tropeçar em si próprio de tão sôfrego e ansioso que é, se fez de propósito, ou se se está já a “cagar” simplesmente por ser o segundo mandato, este discurso da raposa que está em Belém foi tão óbvio e descarado naquilo que são as suas intenções desde sempre, que é facílimo de desmontar e contradiz-se a si mesmo. Senão vejamos:
     «Era um orçamento importante num momento importante (…) de acesso a fundos europeus. (…) A rejeição ocorreu logo na primeira votação, não esperou pelo debate e discussão na especialidade (…)»
     Engraçado…Foi precisamente ele, o Presidente da República, que não esperou sequer pelas negociações e conversações públicas e, precisamente, as da Assembleia da República, para gritar aos quatro ventos que ia dissolver a Assembleia e convocar eleições…Precisamente “num momento importante (…) de acesso a fundos europeus.”
     «A base de apoio do Governo mantida desde 2015. (…) [houve] divergências (…) que pesaram mais do que o percurso feito em conjunto até aqui.»
     Marcelo, o Presidente, a fazer de comentador televisivo, novamente. Marcelo sabe que desde 2019 que não existe base formal (repito, formal) de apoio ao Governo, que este, again, formalmente, claro, governa sozinho, em minoria, contrariamente ao que sucedia entre 2015-2019, onde havia…formalmente, again…aquilo a.k.a. acordos de incidência parlamentar. Marcelo sabe isso, mas decidiu fazer de Marques Mendes. «(…)e pesaram [as dissidências] mais do que o momento vivido (…) à saída da pandemia, e da crise económica e social (…) já bastava uma crise na saúde, mais outra económica e outra na sociedade e que, por isso, dispensava mais uma crise política a somar a todas elas». E, perante essas crises todas, o que é que este rato velho faz? Grita, antes das conversações, again, formais, que vai convocar eleições, comprometendo qualquer remota hipótese de mudança de posição e, por conseguinte, de aprovação do orçamento.
     «[eu] disse atempadamente que a rejeição do Orçamento conduziria a eleições antecipadas e que não haveria terceiras vias (…), a de um novo orçamento». Marcelo, não o Presidente, nem o comentador, mas o professor de Direito, sabe que, constitucionalmente, o chumbo de um orçamento não leva automaticamente à dissolução da Assembleia e a eleições. Sabe que existem, constitucionalmente, again, formalmente, aquilo a que ele chama de terceiras vias. Mas fingiu que não é prof. de Direito, e fez disso tábua rasa [não estou a dizer, atenção, que o ideal era o PS apresentar um novo orçamento, estou só a tirar a maquilhagem à raposa].

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Tudo correu conforme Marcelo previu

Marcelo ameaçou BE e PCP para aprovarem o orçamento de Estado com a dissolução da Assembleia da República e dissolveu-a.
Marcelo disse que queria eleições o mais rapidamente possível porque o país não poderia continuar sem orçamento, e assim marcou para dia 30, não de Dezembro, embora pudesse ser, mas de Janeiro de 2022.
Marcelo prometeu eleições em Janeiro, embora depois dos desenvolvimentos mui dignos dentro do PSD e do CDS, preferisse marcar as eleições para o dia 43, mas tal não foi possível porque 2002 não será ano bissexto. Ficou a 30 por ser Domingo.
Enfim, tudo previu e tudo aconteceu.

Que mais irá acontecer nas previsões do Presidente da República? Não perca os próximos episódios desta 2º série.

Marcelo a fazer o jogo do PS

A máquina socialista montou o spin, a comunicação social amplificou e o Presidente da República oficializou: não houve orçamento por causa do PCP e do Bloco.

Porém, não houve orçamento porque António Costa colocou à frente o seu interesse pessoal, e por ventura do PS, em vez do interesse do País.

Em orçamentos anteriores, a negociação nunca foi um problema. Até porque muitas medidas foram orçamentadas e depois congeladas devido às cativações.

Porque é que Costa não fez agora o mesmo? O que é que mudou? PSD e CDS em cacos, Chega a crescer e PCP e Bloco em queda.

O que mudou foi a leitura calculista de Costa. Que Marcelo acabou de subscrever. Miséria política!

Filipa Martins, a atleta que Marcelo não parabenizou

Marcelo não condecorou Filipa Martins, a atleta portuguesa que alcancou os melhores resultados de sempre num Mundial de ginástica artística. Nem os parabéns lhe deu. Estava muito ocupado a imiscuir-se na vida interna do PSD e a interferir nas negociações do OE22. Não dá para tudo. E, de facto, como a Filipa afirma, e bem, a ginástica artística não tem bola. Nem a senhora se chama Ronaldo. Ou Cristina Ferreira. Ou qualquer outra vedeta televisiva a quem Marcelo ocasionalmente liga, em directo, para parabenizar um nada qualquer.

Seis meses sem democracia para pôr tudo na ordem, em versão fast forward

 

Imagem: DN

Leio estupefacto que, durante não se sabe quanto tempo, Marcelo-Rei-Sol será o único a fiscalizar a acção governativa do governo desautorizado.

Com a anunciada dissolução do Parlamento, todos os caminhos políticos dos próximos meses passam por Belém. Marcelo fica sozinho na vigilância do sistema político: o Presidente passa a ser a única instância de controlo do poder legislativo e político do Governo, passa a ter a última palavra nos diplomas que ainda possam sair da Assembleia da República e até pode condicionar os calendários políticos, em particular dos partidos da direita em fase de eleições internas. Durante cerca de três meses ou um pouco mais, o comando é seu. [Público]

Em 2008, Manuel Ferreira Leite aventou se “não seria bom haver seis meses sem democracia” para pôr “tudo na ordem”. Elucidaram os tradutores das intenções que a então líder do PSD estava a ser irónica. Terá Marcelo-Rei-Sol levado a ideia a sério e, no seu estilo frenético, resolver pô-la em prática, não em seis, mas em “três meses ou um pouco mais”? Na altura, o PS não gostou da possibilidade. Gostará agora?

Já houve coisas a começarem assim. Prefiro não acreditar que acabemos num 24 de Abril. Porém, os indícios são preocupantes. E representam um péssimo sinal para a democracia, esteja esta opção prevista ou não na Constituição que Marcelo-Rei-Sol jurou defender.

Nota: António Costa jogou o seu trunfo da crise política quando a direita está desorganizada, numa possível jogada de ganho político.  Marcelo trocou-lhe as voltas, criando espaço para a direita para se organizar. Uma vez mais, o interesse partidário acima do interesse do país.

Comprovativo de transferência

Marcelo, amigo, obrigado, já entrou o dinheiro que me transferiste!

Deve ter ido pagar as quotas para poder votar no Rangel…

Após chumbo do Orçamento, Marcelo saiu de Belém para ir… ao multibanco

Recado ao Presidente da República

Bruno de Carvalho exige ser recebido por Marcelo.

Marcelo, Rangel e a selfie da filhadaputice

Aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa fez a Rui Rio, ao receber Paulo Rangel em Belém, não na qualidade de eurodeputado, mas na de candidato a líder do seu partido, que vem a ser o mesmo do presidente, tem um nome. Chama-se filhadaputice.

A filhadaputice torna-se ainda mais filha da puta se considerarmos o momento que vivemos, com o chumbo do orçamento iminente, a possibilidade de dissolução da Assembleia da República e as internas do PSD no horizonte. Internas que Rangel está a tentar, a todo o custo, antecipar, correndo atrás de assinaturas para um conselho nacional extraordinário. Terá reunido com o presidente para coordenar o calendário da dissolução da AR? Não sabemos. Mas sabemos que já cheira a sangue e a poder, que Rio está na linha da frente para ser primeiro cordeiro a ser sacrificado e que o velho Marcelo, não o performer das selfies, está oficialmente de volta.

Repito o que já escrevi estes dias: Rangel está em melhor posição que Rio para derrotar Costa nas urnas. E em pior para formar governo, por ter queimado as pontes com o CH, cujos deputados poderão ser fundamentais para a aritmética à direita. Da minha perspectiva, que tenho como prioridade máxima a reposição do cordão sanitário com a extrema-direita do lado de fora, Rangel serve melhor os meus interesses do que Rio. Mas esta sequência de punhaladas nas costas de Rui Rio, à qual se junta agora Marcelo, é reveladora daquilo que poderá vir a seguir. Não surpreende. Rangel tem a escola dos grandes escritórios de advogados neste país. É um lobo com pele de cordeiro. Mal por mal, de Rio sabemos o que esperar.

Falta de noção

“A minha análise é que ele [António Costa] não se recandidata [em 2023]”. Foi com estas palavras que Marcelo demonstrou novamente que o papel de rei sol lhe subiu à cabeça.

 

Conversas vadias 24

Aqui está a vigésima quarta edição das Conversas Vadias. A cumprir o dever de vadiar, estiveram três mosqueteiros (ou seja, quatro): José Mário Teixeira, Orlando Sousa, António Fernando Nabais e António de Almeida.

Começámos por servir a vitória do Sporting na Supertaça, atacámos o disparate das janelas de mercado no futebol, provámos um pouco de outras modalidades, à custa dos Jogos Olímpicos, valorizámos Neemias Queta, explicámos o que significa “andar na berlinda”, degustámos a estranha intervenção do Presidente da República sobre a vacinação dos jovens, inquietámo-nos com a D. G. S., lembrámos o fecho da Dielmar, digerimos Bolsonaro e acabámos com sugestões para todos os gostos, incluindo um desgosto.

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Conversas vadias 24







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Desnorte acerca do isolamento profilático e do Certificado Digital de Vacinação

António Costa, com vacinação completa e após teste PCR negativo, encontra-se em isolamento profilático por ter contactado com pessoa infectada, cumprindo instruções da DGS.
Sendo que ainda no fim-de-semana anterior o Certificado Digital de Vacinação era suficiente para evitar confinamento em áreas previstas, Marcelo Rebelo de Sousa pede, e muito bem, pede à DGS que esclareça os portugueses por que razão está o Primeiro-Ministro em isolamento profilático.

Lesta a esclarecer o pedido do Presidente da República, a DGS informa que, e cita-se,
“Pelo princípio da precaução em Saúde Pública, no atual momento epidemiológico, de acordo com a Norma 015/2020 e 019/2020 da Direção-Geral da Saúde, as pessoas vacinadas são abordadas, no que diz respeito ao isolamento e testagem, respetivamente, da mesma forma que as pessoas não vacinadas”, sendo que, “esta abordagem está em discussão e “poderá ser atualizada com base na evolução da evidência científica e se a situação epidemiológica assim o suportar”.
Ou seja, [Read more…]

Bendita pandemia que dá para tudo

Esta pandemia tem servido para tudo e um par de botas. Ora para se apelar ao sacrifício ora para se justificar a inércia.

Muitos foram já os casos nos antípodas, e que foram já escalpelizados.

Para não cair na repetição dos ditos, vou directamente ao caso mais recente: porque houve a detenção de Joe Berardo, veio à baila a questão do processo de retirada, ou não, das condecorações presidenciais ao dito cujo, que foi instaurado em 2019, não ter tido qualquer desfecho.

E, como não podia deixar de ser, Marcelo Rebelo de Sousa presenteou-nos com a sua especialidade de explicar o que mais ninguém consegue: “Há um processo em curso, que a pandemia acabou por parar ou suspender ou adiar, como tanta coisa na vida. E vamos deixar essa tramitação seguir. É da competência do Conselho da Ordem e cabe-lhe a ele a última palavra“.

Pelos vistos, o processo em causa é de tal ordem complexo que, ao contrário de julgamentos judiciais, investigações criminais, comissões de inquérito, escrituras públicas, e outras coisas de lana-caprina, não foi possível realizar-se por causa da pandemia.

Ou seja, em plena pandemia foi possível diligenciar uma investigação criminal que levou à detenção de Joe Berardo. Mas, não foi possível que o dito Conselho decidisse se o sujeito fica ou não com as medalhas.

Sinceramente, Senhor Presidente da República, este tipo de explicação já começa a cansar…

Conversas vadias 19

Especialidades do dia: Campeonato Europeu de Futebol, eliminação de Portugal, o presidente-da-república-comentador-de-futebol, Fernando Santos, adultério, ministro da saúde inglês, cinema, Mel Brooks, gases intestinais, João César Monteiro, Seinfeld, Larry David, televisão sobre nada, atropelamento, COVID e muito mais. Para sobremesa, sugestões de livros, filmes e vídeos. Calorias em barda.

No final, após as sugestões habituais, um registo muito especial de João César Monteiro a não perder, in memoriam.

Ementa idealizada e concebida pelos chefs Orlando Sousa, António de Almeida, Francisco Miguel Valada, José Mário Teixeira, Carlos Araújo Alves e António Fernando Nabais. Hoje, com a ausência especial do João Mendes e do Fernando Moreira de Sá.

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Conversas vadias 19







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Incompetência e irresponsabilidade no controlo da pandemia

Não foi por falta de aviso nem de escassa informação que não se controlou a expansão epidémica na Área Metropolitana de Lisboa. Não, foi mesmo incompetência e irresponsabilidade sustentadas em desmesurada soberba!
No pretérito dia 3, especialistas escarneceram da decisão do governo britânico, aduzindo que só tínhamos 12 casos da nova variante nepalesa e que estavam perfeitamente controlados. 17 dias volvidos, o mesmo especialista do Instituto Ricardo Jorge, João Paulo Gomes, vem à televisão dizer que já representa 60% dos infectados na Grande Lisboa!

Henrique Silveira no Facebbok

Mas isso foi apenas o começo! Logo no dia seguinte, a 4 de Junho, depois de o Ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, explicar que a decisão do seu governo se deveu “a taxa de positividade” que “quase duplicou desde a última revisão em Portugal” e com “uma espécie de mutação do Nepal”, surge o nosso inefável Ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva, a afirmar que a atitude do governo britânico tinha sido fruto de uma decisão “intempestiva” e baseava-se em “irrelevância estatística”!
Cega e despudoradamente, [Read more…]

Controlo da Pandemia – Irresponsabilidade insana

O Presidente da República, o Primeiro-Ministro, os órgãos de comunicação social e boa parte dos cidadãos serão co-responsáveis pela insana ausência de medidas de controlo da pandemia na Área Metropolitana de Lisboa, que poderá seriamente colocar em risco a manutenção de Portugal como país seguro para o turismo.
Reconheço a validade dos argumentos do Presidente e do Primeiro-Ministro: de que a vacinação já efectuada permite que os novos infectados não representem risco de vida ou sequer de internamento, uma vez que os sectores etários de risco mais elevado ou já morreram ou estão vacinados, e que, por tal, poderemos não ser tão severos no controlo da pandemia e que, por outro lado, não podemos adiar mais a recuperação económica de muitos sectores que foram obrigados a parar.
Trata-se de um sério erro de perspectiva, seja do ponto de vista sanitário, seja do ponto de vista económico, porque os critérios utilizados pela União Europeia para classificar os seus membros como destino seguro não contemplam esses argumentos.

Portugal avança no desconfinamento

Recordemos esses critérios estabelecidos a 20 de Maio de 2021: [Read more…]

Conversas vadias 9

A nona edição das “Conversas vadias”, contou com António Fernando Nabais, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Orlando de Sousa, António de Almeida e Francisco Salvador Figueiredo, que vadiaram à volta de José Sócrates, fotocópias, ecologia, Fernando Medina, António Costa, Estaline, Abrantes, Salgueiros, Nixon, Mourinho, Sporting, Marcelo Rebelo de Sousa, papagaios, capitalismo, microfones, Andarilho, Paula Bobone, Pamela Anderson, Bruno de Carvalho, gravidez, eleições autárquicas, Vila Real de Santo António, e, claro está, o tirano Francisco Moreira de Sá.

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Conversas vadias 9







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PQP – O depoimento de Pedro Queiroz Pereira

A capa da Sábado de hoje mereceu um silêncio ensurdecedor. Não só das televisões como também nas redes sociais. A excepção, pelo menos na minha timeline, foi o Rui Calafate. Como ele refere, “Eu não ponho em causa a idoneidade de Marcelo, mas se fosse qualquer outro envolvido, e eu não gosto de dois pesos e duas medidas, já o tribunal popular o carimbava de corrupto”.

Segundo o testemunho de Pedro Queiroz Pereira (conhecido como PêQêPê), Ricardo Salgado (BES) supostamente teria “comprado” Marcelo Rebelo de Sousa contratando a sua namorada: O dr. Ricardo Salgado pegou no departamento jurídico do Grupo Espírito Santo e mandou entregar trabalho de cobranças à dra. Rita Amaral Cabral”, descreveu Queiroz Pereira, no depoimento citado pela Sábado. “Se for ao escritório da dra. Rita Amaral Cabral, verá que mais de metade, 60%, do trabalho era o BES que lho dava, o que era uma forma de comprar o professor Marcelo Rebelo de Sousa”

É uma acusação grave. Que se torna ainda mais grave quando estamos a falar do actual Presidente da República. E no meio de todo este turbilhão judicial, é mais uma machadada na imagem da justiça e da política portuguesa. Exige-se o cabal esclarecimento. Se é verdade que Marcelo Rebelo de Sousa o merece, os portugueses e aqueles que, como eu, sempre acreditaram na sua seriedade, ainda mais. O silêncio, nesta matéria, é absolutamente ensurdecedor.

Esquerda Direita Volver 8 – Nem geringonça nem lua-de-mel?

É o oitavo episódio da rubrica de debate “Esquerda Direita Volver”. Desta vez dedicado à recente “crise política” por força dos apoios sociais aprovados no Parlamento e promulgados pelo Presidente da República, e o respectivo envio pelo Governo para o Tribunal Constitucional. Após o fim da geringonça, não há mais lua-de-mel entre Belém e São Bento?

A debater, os aventadores João Mendes, Fernando Moreira de Sá, Francisco Salvador Figueiredo, José Mário Teixeira e António de Almeida. Tudo com a moderação do bem regressado do Gulag, António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 8 - Nem geringonça nem lua-de-mel?







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Governe, Dr. Costa. De preferência à esquerda

Não percebo a polémica em torno da “coligação negativa” que aprovou o alargamento dos apoios sociais no combate aos efeitos económicos da pandemia. Por vezes, parece que nos esquecemos que quem realmente manda é o Parlamento, não o governo. Agora, no momento em que não convém a António Costa que assim seja, como em 2015, quando lhe correu tão bem que conseguiu governar, apesar de ter ficado atrás de Pedro Passos Coelho. A democracia representativa, quando nasce, é para todos. E o PS, que governa minoritariamente, e que até rejeitou acordos escritos com os antigos parceiros da Geringonça, que poderiam ter evitado mais este balázio no pé, já devia ter percebido isso.

As contas são algo complexas para um ignorante como eu, mas, grosso modo, a coisa custará uns 40,4 milhões de euros por mês. 3,3% da primeira injecção de 1200 milhões na TAP. 1%, se considerarmos as estimativas que apontam para um investimento total de 3700 milhões até 2024. Substituindo TAP por Novo Banco, estes 40 milhões equivalem a uma miserável percentagem de 0,4% dos 11.263 milhões que já torramos no banco “bom”, até Maio de 2020. 2,2% do custo anual da corrupção em Portugal, estimado em 1820 milhões pelo relatório de 2018, The Costs of Corruption across the EU, do grupo parlamentar dos Verdes/Aliança Livre Europeia. Mas como este é ano de autárquicas, prevê-se um aumento substancial nesta rubrica, pelo que aquela percentagem ainda deve descer. Peanurs, como dizia o outro. E com tanta despesa por executar, tantas cativações e a bazuca quase quase a chegar, não há de ser por 40 milhões por mês que não se ajudam as muitas vítimas das medidas de confinamento.

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António Costa vs Marcelo Rebelo de Sousa – Tá o Balho Armado

Todo o namoro acaba, ou em união ou em separação. A primeira fase de namoro terminou com os incêndios de Pedrógão, com António Costa a ceder a Marcelo Rebelo de Sousa.

O namoro continuou, com menor fulgor, é certo, mas unidos e apoiantes um do outro publicamente, até ao primeiro Estado de Emergência em Março de 2020 – Costa considerava-o desnecessário. Não era, porque o Estado não dispunha de outra moldura jurídica que sustentasse as medidas impostas aos cidadãos, nomeadamente a perda de direitos e liberdades, bem como a de garantias conferido pela Constituição. Em boa verdade, é difícil de compreender que um ano passou sem que qualquer deputado ou bancada parlamentar apresentasse um projecto de lei aplicável em caso de pandemias que evitasse o recurso ao Estado de Emergência, que deveria ser usado em casos extremos de catástrofes naturais, terrorismo ou de guerra. Não, a Assembleia da República nada fez nesse sentido, nem os que votam a favor nem os que foram contra e os que se abstêm relativamente aos sucessivos Decretos de Estado de Emergência.

Costa foi cedendo sempre a Marcelo, resignando-se [Read more…]

Bom dia…

…hoje é 1 de Abril mas nem tudo é mentira.

(foto montagem de Axel Soares)

31 de Março de 2021: Acabou a lua de mel

Guardem esta data. O dia em que acabou a lua de mel entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.

António Costa, ao enviar para o Tribunal Constitucional os diplomas sobre o alargamento dos apoios sociais aos trabalhadores independentes e sócios-gerentes, às famílias prejudicadas pelo encerramento das aulas presenciais e aos profissionais de saúde, acaba de contrariar de forma clara e objectiva o Presidente da República (e a vontade da larga maioria dos partidos com assento na Assembleia da República). Ou muito me engano ou começou mais uma daquelas guerras típicas e históricas entre São Bento e Belém. Voltou a política à portuguesa.

Conversas vadias 5

A quinta ronda vadia em torno do Futebol Clube do Porto, do bairrismo, Miguel Carvalho, centralismo, PCP, bandeiras e Aliados, o vermelho e o encarnado, Nuno Melo, Carlos Guimarães Pinto, comunismo, capitalismo, nazismo, religião, Marcelo Rebelo de Sousa e o bairro da Jamaica, TAP, banca e intervenções do Estado, bazucas e fisgas, a conquista liberal da Holanda, vacina, António Costa e a baixa médica, o tiroteio nos EUA, BE e Moçambique, Maçonaria e Opus Dei,

Isto com os vadios Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, Orlando Sousa, José Mário Teixeira, Francisco Salvador Figueiredo e António Fernando Nabais.

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Conversas vadias 5







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O bom senso ficou em casa – e nunca mais saiu

Terça-feira dia dezasseis de março de dois mil e vinte e um – segundo dia do início do desconfinamento gradual – saio à rua para manutenção da minha saúde física e mental. Fazendo-me acompanhar da “nova” peça de indumentária facial que permite proteger-me a mim e a terceiros do “bicho”, bem como manter um certo anonimato, sigo a minha caminhada acompanhada pela sombra de um certo sentimento de culpa por cada metro que me distanciava do meu lar. Sentimento esse alimentado pelo apertado policiamento que muitas vezes presenciei através da minha janela, onde os meus jovens vizinhos cometeram repetidas vezes o vil crime de se sentarem nos bancos de jardim. Felizmente, durante o fim de semana fomos presenteados pela boa notícia – escrita em letras garrafais em rodapé durante o telejornal – que o usufruto dessa peça de mobiliário público já está outra vez disponível para exercer a sua função de forma legal. Haja boas novas!

Depois de zigezaguear por entre as ruas até à marginal, apercebo-me que um largo troço da mesma deverá de estar ainda (só pode) encharcada de vírus, o que obriga a quem pretende esticar um pouco as pernas e arejar a mente a restringir-se ao passeio de dois metros de largura do lado oposto, naturalmente forçando cruzamentos com estranhos onde a distância de segurança não é passível de ser respeitada. Sigo o meu caminho acompanhada pela minha (as)sombra, cujo tamanho aumenta um pouco sempre que um atleta se cruza comigo sem se fazer acompanhar pelo trapo que me obriga a deixar os óculos em casa (para poder apreciar devidamente todos os tons de côr do pôr do sol sem ser através da condensação). [Read more…]

A semântica da eutanásia

O chumbo da lei da eutanásia pelo colectivo de juízes do Tribunal Constitucional, levou Francisco Rodrigues dos Santos e André Ventura a celebrar uma vitória que é sobretudo semântica: a inconstitucionalidade da nova lei assenta, fundamentalmente, no texto apresentado pelos deputados, e enviado por Marcelo para subsequente validação do TC, e não naquilo que é o objecto e o conteúdo da lei.

Enquanto agitavam as suas bandeiras e decretavam a derrota da maioria parlamentar, que incluiu BE, IL, PAN, Verdes, a maioria dos deputados socialistas e 14 deputados do PSD, Rodrigues dos Santos e Ventura não terão certamente dado ouvidos ao presidente do Constitucional, sobretudo quando este afirmou que “O direito à vida não pode transfigurar-se num dever de viver em qualquer circunstância”, algo que pode ser traduzido à letra como “ser humano algum deve ser obrigado a viver em sofrimento atroz, se assim não pretender”, ao que eu acrescentaria “apenas para servir os interesses ideológicos e religiosos de pequenos lobbies que se estão nas tintas para a liberdade individual de cada um”. O presidente do TC foi ainda mais claro, quando afirmou que a inviolabilidade da vida “não constitui obstáculo inultrapassável”. Posto isto, parece-me claro que, ultrapassada a questão semântica, a lei passará pelo crivo do Tribunal Constitucional sem levantar grandes ondas. É uma questão de tempo e de gramática.

Compete agora aos deputados dos partidos proponentes, rever os textos apresentados no hemiciclo e rescrever a lei de maneira a ultrapassar os obstáculos semânticos que a fizeram bater na trave do Constitucional, em particular o conceito de “lesão definitiva de gravidade extrema”. De resto, estamos no bom caminho: no caminho do reforço das liberdades e dos direitos civis. Já faltou mais para nos libertarmos desta amarra conservadora e egoísta, que reserva o direito à morte medicamente assistida apenas e só àqueles que podem pagar pelo privilégio de o fazer na Suíça, ou noutro país onde o procedimento é legal.

Notas sobre as presidenciais 7: Ana Gomes against the system

Não quero imaginar o que teria sido esta eleição sem a candidatura de Ana Gomes. Sem uma candidatura que representasse o espaço que vai da social-democracia ao socialismo democrático, onde me posiciono ideologicamente. Sem uma voz de esquerda suficientemente corajosa para questionar o establishment socialista, mas sem nunca renegar o europeísmo ou as vantagens de uma economia mista, onde os sectores público, privado e social se complementam, regulados pelo Estado. Uma voz do centro-esquerda com provas dadas de carreira e competência, que tem sido um farol na luta contra a corrupção, contra a criminalidade económica e a favor de um Estado mais honesto e transparente. Senti-me representado desde o primeiro momento, mesmo sabendo tratar-se de uma eleição com um resultado mais do que expectável, que de resto se veio confirmar. [Read more…]

Notas sobre as Presidenciais 6: será que Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos já perceberam o que se está a passar?

O resultado destas presidenciais, para os partidos da área política do presidente reeleito, são, como um dia disse o grande Jaime Pacheco, “uma faca de dois legumes”. Porque se é verdade que o candidato por ambos apoiado foi o inequívoco vencedor, não é menos verdade que a situação destes partidos piorou substancialmente.

E porquê?

Em primeiro lugar, porque a contestação a Marcelo Rebelo de Sousa tem sido mais estridente à direita do que à esquerda. Como seria de esperar, após cinco anos de braço dado com António Costa. E se é desejável que presidente e governo não se hostilizem por desporto ou tricas partidárias, e mais desejável ainda que estejam em sintonia para combater a pandemia, assume-se que a direita, legitimamente, esperaria que os quatro primeiros anos fossem de alguma oposição vinda de Belém. Ou pelo menos que Marcelo não se convertesse no BFF de Costa. Mas, como bem sabemos, não foi isso que aconteceu. Acresce a isto que Costa foi o primeiro a apoiar Marcelo oficialmente, tendo inclusive lançado a sua candidatura, e que arrastou consigo o eleitorado do PS. E, afirmar os matemáticos que estudam estas coisas, foi precisamente o eleitorado socialista quem maior peso teve na reeleição do presidente incumbente.

Em segundo lugar, o meio milhão de votos de André Ventura não apareceu por obra do divino Espírito Santo. Quando Rui Rio apareceu em êxtase, na noite eleitoral, a celebrar a vitória alentejana de Ventura, felicíssimo com o facto de João Ferreira ter ficado atrás do candidato de extrema-direita, não se terá certamente apercebido que os votos conquistados por André Ventura (e Tiago Mayan, sublinhe-se) em Beja, Évora, Portalegre e nos concelhos setubalenses pertencentes a território alentejano equivalem mais ou menos à votação obtida por PSD e CDS nas Legislativas de 2019. Mas Rio, deslumbrado com o resultado do parceiro açoriano, reagiu como se dezenas de milhares de votos obtidos pela extrema-direita no Alentejo tivessem sido subtraídos ao PCP, que, no total nacional, face a 2016, perdeu 2 mil votos. Não 60 mil.

Em terceiro lugar, ver Francisco Rodrigues dos Santos gritar “vitória”, na primeira reacção da noite, enquanto André Ventura digeria o que restava do CDS, rodeado por antigos quadros do partido de bandeira do Chega na mão, está ali algures entre o trágico e o cómico. É preciso não ter noção da realidade, ou estar em absoluta negação, para não perceber que o eleitorado do CDS está a ser literalmente açambarcado pelo Chega. E, já agora, pela Iniciativa Liberal, que, caso o CDS não mude rapidamente de rumo, rapidamente lhe ficará com toda a ala liberal que, nota-se, encaixa melhor no partido de Carlos Guimarães Pinto e João Cotrim Figueiredo do que no de Francisco Rodrigues dos Santos e Abel Matos Santos.

O que nem um nem outro parece perceber, é que PSD e CDS saem desta eleição mais fracos, com perda de eleitores para o Chega e perante dois novos adversários que, no médio prazo, transformarão o lado direito do espectro numa paisagem de pequenos partidos, sem capacidade de fazer frente a António Costa. Nem isoladamente, nem todos juntos. E se, no caso do CDS, o problema está na disputa do eleitorado mais conservador e católico, num duelo entre um predador e uma presa que parece não compreender a sua condição, de vitória de pirro em vitória de pirro, até à extinção total, no caso do PSD foi uma sucessão de erros, a começar pela narrativa de um partido ao centro, território dominado por António Costa, deixando a direita à mercê dos seus adversários. On top of that, foi Rui Rio que se atirou nos braços do abraço do urso, quando furou o cordão sanitário nos Açores, sem que tal fosse necessário para governar o arquipélago. Foi Rio, mais que qualquer outro, quem oficializou a legitimação do Chega. E pagará uma factura elevada por este misto de ambição e ingenuidade.

Notas sobre as Presidenciais 3: hecatombe à esquerda?

À medida que os resultados iam saindo, a narrativa da hecatombe à esquerda foi sendo construída, por painéis essencialmente feitos de fazedores do opinião alinhados à direita, que toda a gente sabe que a comunicação social é controlada pela esquerda.

Mas será que foi mesmo assim?

Comecemos pelos resultados PCP, responsáveis pelo primeiro momento de vergonha alheia da noite eleitoral, com assinatura de Rui Rio, que fez questão de dar grande ênfase, no seu discurso, ao facto de João Ferreira ter ficado atrás André Ventura, apesar de tal se dever, essencialmente, a votos do PSD.

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