Bárbaros à civil

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Quando pedimos a alguém um bom exemplo de um Estado organizado, justo e solidário nunca ouvimos como resposta um país africano ou um país subdesenvolvido. No entanto, é aqui que encontramos as maiores percentagens de “empreendedorismo” (por todos os santinhos, leiam e memorizem este artigo). Ou seja, quando um governo assume como política o “cada um por si” (ou na novilíngua, “empreendedorismo), sabemos que vivemos na selva. Sabemos que o Estado foi destruído, foi desmantelado.

Como estamos a uns dias de 2014, recupero este texto que escrevi em Janeiro de 2012.

Contaram-me que este episódio se passou durante o período da recruta com alguém que cumpria o Serviço Militar Obrigatório. Decorria a tradicional semana de campo, actividade habitual neste tipo de obrigatoriedades. Farto de obedecer às constantes ordens do instrutor e dos exercícios propostos – o mais famoso era o “queda na máscara” que consistia em atirar-se rapidamente para o chão à dita ordem -, um recruta, num momento de pura inspiração, levanta-se após o tal repentino mergulho para o matagal, atira a arma violentamente para o chão e diz: [Read more…]

O princípio da incerteza

cemitério de navios na Mauritânia

Ou o fim? No porão os ratos (muitos, muitos!) remexem-se aflitos, o velho navio afunda-se, o País vai mesmo mudar, e para muitos acabou. Resta saber quanto mudará, e sobretudo como, com que custos para o povo, com que Governo (Rui Vilar?), com que orçamento para 2013, com que resultados depois das eleições de 2014 (quem? que esquerda? que líder?) No Aventar, traduzimos o relatório do FMI: queremos compreender, com as palavras da nossa Língua. Está quase. Não será a bíblia do Governo, como disse já Passos Coelho (a do povo português não é certamente), mas muito do que vai ser levado a cabo no País (falando da sua condição de Estado-membro da UE, sob assistência financeira e soberania condicionada) desenha-se por lá. A parte relativa à equidade intergeracional levanta muitas questões – para além da linguagem paternalista e culpabilizadora dirigida às actuais gerações de pensionistas. Mas também a despesa com a Saúde e com a Educação dos portugueses é matéria de análise – sempre com o objectivo de reduzi-la, claro. A publicação deste relatório (feito por um credor do Estado, não deixa de ser irónico) marca claramente o fim de um ciclo longo. Resta saber que país vamos ter, quando à austeridade brutal (para pagar, designadamente, as heranças criminosas da corrupção financeira endémica) se acrescentarem as reformas.