Manifesto – Pela Verdade dos Factos

[Blogues de Educação]

Como Professores, membros da comunidade educativa e autores de diversos espaços de discussão sobre educação, temos opiniões livres e diversificadas.

Porém, não podemos ficar indiferentes quando está a ser orquestrada uma tão vil e manipuladora campanha de intoxicação da opinião pública, atacando os professores com base em falsidades.

Tais falsidades, proferidas sem o devido contraditório, por membros do Governo e comentadores, deveriam ser desmontadas com factos e não cobertas ou reforçadas pelo silêncio da comunicação social, que deveria estar mais bem preparada para que a opinião pública fosse informada e não sujeita a manobras de propaganda.

Serve este manifesto para repor a verdade dos factos:

  • O Governo, pelo Ministério da Educação, a 18 de novembro de 2017, assinou um acordo com os sindicatos de professores, onde se comprometeu a recuperar todo o tempo de serviço. É, por isso, falso que essa intenção seja uma conspiração da oposição ou resulte de uma ilusão criada pelos sindicatos de professores.
  • A recuperação total do tempo de serviço também foi proposta pelo PS. O PS, em dezembro de 2017, recomendou a total recuperação do tempo de serviço, conforme se pode verificar no diário da república (Resolução da Assembleia da República n.º 1/2018). É, por isso, falso que o PS nunca apoiou a recuperação integral do tempo de serviço congelado.

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Vómito

Agora abriram-se as cortinas para o odioso espectáculo do lamaçal, enriquecido, à direita, pela bílis acumulada nos últimos anos.

O Presidente da República das Bananas

Cavaco

Quando o país atravessa uma crise política, Cavaco Silva faz a mala e ruma à Madeira. Foi assim em 2013 quando Gaspar e Portas se demitiram, repete-se a façanha esta semana com o país em suspenso à espera que sua majestade delibere. O que o presidente não faz pela estabilidade da nação!

Na Madeira, Cavaco fez-se acompanhar pelo novo regime mas não perdeu a oportunidade de se encontrar com os valorosos sociais-democratas que passavam férias à custa dos contribuintes. Numa das suas visitas, quiçá inspirado pela traquinice jardinista, Cavaco aproveitou o momento para, em tom maroto, elogiar as bananas madeirenses, maiores e mais saborosas, depois de uma primeira incursão pelo humor brejeiro quando explicava à comitiva, de sorriso travesso, que o dourado não era o macho da dourada.

Enquanto Cavaco passeia e graceja, o país espera. Ciente da situação como é seu apanágio, Cavaco aproveitou as férias na Madeira para mandar uns recados para o “contenente”, avisando os netos e os hereges de esquerda que também ele esteve em gestão durante 5 meses e aproveitando os holofotes para fazer, com é seu hábito, o frete à propaganda do PàF. Sorte das cagarras que desta vez não tiveram que o aturar. Haja pagode que o país pode esperar. Tudo pela nação, nada contra a nação!

A enorme farsa chamada governo em três palavras: irresponsável, irrevogável, inconstitucional

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Este é um artigo que não carece de desenvolvimento. Bastam três pequenos parágrafos para desmontar a enorme farsa em que se transformou este governo. Três palavras, até: irresponsável, irrevogável, inconstitucional:

  • Ontem, Portas inventou uma comparação que mete o Tribunal Constitucional, “irresponsabilidade financeira” e, consequentemente, os juros da dívida no mesmo saco.
  • Mas como é factual, foi ele mesmo um dos irresponsáveis que fez disparar os juros da dívida com a sua demissão irrevogável. Foi há um ano apenas.
  • E como se não bastasse, o único período com melhor desempenho económico nestes três anos deveu-se a um dos cortes do TC, os quais trouxeram um pouco de poder de compra aos portugueses.

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Ou Portugal ou a Autópsia das Culpas

O Presidente falou. Sublinho a aposta inovadora que fez para o futuro nos entendimentos e acordos interpartidários em Portugal, especialmente no eixo da governação, os quais devem passar à normalidade, como nos países europeus mais ricos, mais prósperos e mais descomplexados.

O Presidente havia promovido uma negociação aberta, leal, entre os três partidos de Governo, PSD, CDS, PS, negociação sensível às actuais exigências do País no sentido de um acordo que robustecesse a parte portuguesa no confronto negocial com a Troyka. Esse acordo não foi gerado, mas as portas de diálogo ficaram abertas e nunca mais se podem fechar. Com a sua palavra, o Presidente mata a crise aberta a 1 de Julho. Fora só uma crise política. Uma crise conjugal no Governo. Essas crises superam-se sem esmagar os filhos pelo meio, na refrega estúpida por atenção, por mais sexo ou por outra coisa qualquer que atrapalha a vida de um casal.

Ganha o Governo, com a garantia de remodelação que preparara e vai agora propor. Ganha o Governo com o fôlego novo e o novo foco para os próximos dois anos, a economia. Ganha o Presidente porque define uma saída daquela crise, onde anteriormente se via prolongamento e indefinição dela por sua mão. Repito: era só uma crise política. Um nada comparado com a crise financeira e económica que impacta injustamente na vida das pessoas com cuja realidade os semedo, os jerónimo, os galamba, os sócrates, os soares e os alegre não estão nada preocupados, ocupados que estão no grande jogo-religião fanática do xadrez táctico político, na movimentação de peças cegas que não produzem um prego nem colhem um pepino, mas lançam o azedume, a cizânia do ressentimento e do facciosismo primitivo e insultador. Ganham os portugueses por escaparem a eleições, isto é, aos reles desejos de vingança baixa da Ala Socratista do PS, ainda no Parlamento a instigar a humilhação de Seguro e nos corredores minoritários e demagógicos da baixa conspiração. Perdem todos os grupos e facções que apostam todas as fichas no pior desempenho possível do Memorando, na destruição preso-por-ter-cão-preso-por-não-ter do Presidente, apostados na manutenção no Estado Português da velha pressão vampirista e corrupta das morsas dos partidos que, em 39 anos, têm sempre comprometido um País Viável, um País capaz de Superavits, um País como os outros do Norte europeu, capaz de gerar e distribuir riqueza.

Investe-se demasiado na autópsia das crises políticas e das respectivas más-disposições, Ricardo. Que tal privilegiar o Povo que sobrevive, que muda de vida antes que lha mudem, parafraseando Carlos Sá, o Povo que não vive de política nem para a política, mas de trabalho e de sofrimento pessoal apenas para sobreviver?! O Povo que recusa perguntar o que é que Portugal pode fazer por si e age no sentido de fazer o máximo por si mesmo e por ele?!

Cavaco, o entalador, fala ao país

baralhar e voltar a darComo se percebeu desde logo, o PS nunca aceitaria um acordo com o governo. Obviamente. Aceitar seria um tremendo tiro nos dois pés e, além disso, traduzir-se-ia na partilha de todos os insucessos que tem sido a governação do governo PSD-CDS. Também ao PSD não agradava que se estabelecesse um acordo que, na prática, equivaleria a ficar num governo de gestão durante um ano. E o CDS viu o seu líder fazer um ping-pong em tempo muito mais curto do que o habitual em Portas. Cavaco entalou-os a todos.

Cavaco, nessa altura, resolveu passar da inactividade política para o primeiro plano, condicionando em absoluto o cenário da política nacional. Com o esperado não acordo, prestou um enorme favor ao PSD ao empurrar o PS para um cenário de perde-perde. Perderia por não negociar, perderia por negociar um acordo e perde, como se vê, por negociar e negar um acordo.

Voluntariamente ou não, a acção de Cavaco fortaleceu o governo e é seguro dizer que  não foi um jogador imparcial. Baralhou as cartas, deu e hoje o jogo ficou na mesma, ao ponto do Presidente da República nem sequer se ter demitido.

Campanha de troikas

7882985_5zZKfQue me desculpem os Silvas, mas não há nome que, por ser tão vulgar, assente tão bem a um presidente da república que representa o pior do portuguesinho. Cavaco, o silva, é a imagem fiel da pior mediocridade possível: julga-se iluminado e tem poder. Tivesse o engolidor de bolo-rei ficado por Boliqueime e estaria a divertir os amigos, ao tentar pronunciar correctamente a palavra “programa”, numa qualquer tasca algarvia, para animação do estabelecimento e alívio de um país inteiro.

Do alto da sua mediocridade, e na qualidade de empregado de uma das troikas, não tentou sequer disfarçar que está ao serviço de interesses que, sendo classificados como patrióticos, são puramente económicos e financeiros, ao arrepio de qualquer sentimento minimamente humano. Como não tem na cara qualquer vestígio de vergonha e acredita, com razão, que o povo é desmemoriado, é claro que faz de conta que não contribuiu em nada para o estado actual do país, sabendo-se que, ocupando cargos diferentes, está no poder há quase vinte anos. Se nos lembrarmos que o 25 de Abril faz quarenta anos em 2014, é só fazer as contas. [Read more…]

Crise política: todos mal na fotografia

Se se tratasse de um filme de animação, Cavaco Silva puxaria o tapete e todos os líderes que assinaram o memorando com a troika se estatelariam em simultâneo. Não se tratando, todos acabam derrotados, sem apelo nem agravo.

   – Paulo Portas é, irrevogavelmente, o grande derrotado quando, minutos antes da comunicação do PR, se preparava para aparecer como o grande vencedor, capaz de reorganizar o “equilíbrio” de poderes à sua medida. Mas Cavaco puxou-lhe o tapete e o Maquiavel do Caldas desfez-se em cacos: revogou o irrevogável, engoliu a ministra das finanças, ficou com o que restava de credibilidade política evaporada e terá que dar a cara por um governo que acabara de rejeitar (Gaspar e Álvaro Santos Pereira devem estar a rir-se à gargalhada).

De uma penada, reduziu o potencial do CDS, tornou-se irrelevante na solução governativa e terá que enfrentar em breve as hostilidades e críticas no congresso do seu partido.

Sem cara para dar a cara no governo (apesar do seu proverbial jeito para o contorcionismo), prevejo que “adoecerá gravemente” na rentrée pós-estival por forma a ser substituído com pouca honra e menor glória. Se, apesar de tudo, ainda se vê como uma fénix capaz de renascer das cinzas, espera-o uma longa travessia do deserto.

   – Passos Coelho sai quase tão ferido como Portas. [Read more…]

Governo de salvação internacional

Muitos têm sido os que procuraram identificar os culpados locais dos estranhos acontecimentos que têm marcado a actualidade política nos últimos dias em Portugal. Mas o que esta dita “crise política” e o seu desfecho revelam é o domínio dos interesses extra-nacionais e a afirmação, em todo o seu esplendor, de uma realidade que a maioria tem sub-avaliado, naquela negação de quem fecha os olhos para não ver o que contudo será verdadeiramente  irrevogável, e a que apenas factores exteriores, ou uma não-expectável posição radicalíssima de um outro Governo (que não vai existir antes de 2015, creio) poderiam fazer inflectir: a perda de soberania, até agora enunciada como uma espécie de ameaça abstracta, é agora uma realidade horrorosa e corporizou-se no rigoroso momento em que, perante o pasmo da generalidade dos democratas, emerge um Governo de salvação internacional, chefiado por Cavaco Silva. E o próximo alvo que visa é… a reforma do Estado, eufemismo para machadada-final e definitiva nas responsabilidades sociais do Estado.

O Irrelevante

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Até poderiam ter sido marcadas eleições antecipadas que ele poderia ganhar e tornar-se o próximo primeiro-ministro, mas, qualquer que fosse o caminho escolhido, a sua influência na decisão seria como foi: ZERO.

Completamente “entalado” entre a única janela de oportunidade para ganhar umas eleições que os seus coleguinhas de partido lhe permitiam e o pavor de ter de assumir a resolução dos problemas do País, imaginando que contava para o campeonato, pôs-se em bicos de pé e repetiu até à exaustão: eu é que sou o presidente da junta, perdão, são necessárias eleições antecipadas.

Governar à esquerda

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Mais preocupante do que a actual “crise política” (eufemismo para desagregação da coligação) é a ausência de uma verdadeira alternativa governativa, com um PS mais interessado em coligar-se com o CDS do que com os partidos doutrinariamente mais próximos – sendo certo que também esses não foram até agora capazes de um diálogo que possa tornar possível uma futura solução governativa à esquerda, necessariamente assente no compromisso.

Quase sempre dispostos a uma radicalização de posições, e por essa razão ditos radicais (para grande perplexidade dos mais libertários), os partidos da esquerda carregam as divergências históricas locais que nenhuma renovação parece ser capaz de sanar. [Read more…]

Resumindo e concluindo

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Eleições não, que as perdemos. Tudo isto porque Paulo Portas se esqueceu dos submarinos e sonhou-se numa coligação com o Seguro.

Não sejam piegas: nem o PS teria maioria absoluta, para alianças à esquerda não está virado e tem de se pasofikar antes,  deixem lá o povo ir a votos, dá um governo do arco, provavelmente com menos jotinhas e até com gente que saiba fazer contas. Exactamente o que o país precisa para um ou dois resgates depois ter um governo de esquerda.

Portugal não é bem a Grécia: levamos um ano de atraso, embora tenhamos uma vasta experiência histórica no assunto. E entretanto ontem e hoje foi um fartote na bolsa. Haja festa a caminho do abismo.

Fotografia: Sérgio Rodrigo

Coelho, Portas, Cavaco e o Rato

A montanha pariu um rato. Um rato muito caro, mas um rato.

Agora, com o reality-show a meio, a pergunta que me fica é: que fazer com um coelho, uma porta, um cavaco e um rato?

Agradeço respostas ou propostas.

Derrotem-no em Eleições. Ou não.

OberkapoO cão conveniente de todas as culpas, o alvo privilegiado de todas as setas é Passos Coelho. Tão justo quanto a raiva gratuita que esta tarde uma ou outra hoste futebolística tenha ou não razões para vazar razias e desculpas. As medidas que o directório da ingerência troykista visa implementar em Portugal são de tal modo contorcionistas quando comparadas aos cenários pré-eleitorais de 2011 que não há como fugir de um certo nível de escândalo: ontem, na SICN, José Adelino Maltez, se tivesse uma arma, disparava contra os delegados nacionais de Berlim, à conta do que se prepara ou é possível nos cortes das pensões actuais em pagamento. Todavia, nada se faz ou manda fazer sem a efectiva e fática-phátis pressão e aval da Troyka, pelo que, como não a elegemos, pois só o PS votou nela e fez por ela, devemos derrotar Passos nas próximas eleições. Até lá, deixem-no trabalhar, isto é, obedecer à Troyka. [Read more…]

Reiterações

Ilustração: Alex Gozblau

Freitas com o povo

“O relatório do FMI é um documento ideológico. (…) Por que não cortam nos 40% do Estado dos boys&grils dos partidos? (…) O exercício do poder político muitas vezes cai na injustiça e na ofensa aos direitos adquiridos” Diogo Freitas do Amaral à TVI

Bola em Belém

Estive a ouvir António José Seguro atentamente no seu discurso de encerramento das Jornadas Parlamentares do PS. As suas palavras são as de quem já está em campanha. Não será demasiado cedo? Não acredito em eleições antecipadas para este ano. Duvido que seja possível. Essas eleições serão, creio, no ano que vem, depois das Autárquicas, e havendo nesse próximo mês de Outubro um Governo credível, que gere consensos, ou seja, um Governo de iniciativa presidencial, com um primeiro-Ministro que represente o bloco central, e seja capaz de levar este orçamento (ou o que restará dele depois do escrutínio Constitucional) até ao fim do ano sem haver desobediência civil se não antes seguramente durante as Autárquicas. Com Passos Coelho essas eleições não poderão ser realizadas, ou então o Governo vai bater em toda a gente que as boicote (e não faltará quem). Por fim, e apesar dos esforços de Seguro, duvido que venha a encabeçar o PS nas próximas legislativas. António Costa é o homem para compor um Governo à esquerda com capacidade negocial no contexto do programa de reformas dos Estados da UE, mas isso só depois das Autárquicas, lá está. Resumindo: a bola continua em Belém. E enquanto isto, Passos Coelho inibe os jornalistas de participar no debate para que tem vindo a convidar a sociedade civil.

O princípio da incerteza

cemitério de navios na Mauritânia

Ou o fim? No porão os ratos (muitos, muitos!) remexem-se aflitos, o velho navio afunda-se, o País vai mesmo mudar, e para muitos acabou. Resta saber quanto mudará, e sobretudo como, com que custos para o povo, com que Governo (Rui Vilar?), com que orçamento para 2013, com que resultados depois das eleições de 2014 (quem? que esquerda? que líder?) No Aventar, traduzimos o relatório do FMI: queremos compreender, com as palavras da nossa Língua. Está quase. Não será a bíblia do Governo, como disse já Passos Coelho (a do povo português não é certamente), mas muito do que vai ser levado a cabo no País (falando da sua condição de Estado-membro da UE, sob assistência financeira e soberania condicionada) desenha-se por lá. A parte relativa à equidade intergeracional levanta muitas questões – para além da linguagem paternalista e culpabilizadora dirigida às actuais gerações de pensionistas. Mas também a despesa com a Saúde e com a Educação dos portugueses é matéria de análise – sempre com o objectivo de reduzi-la, claro. A publicação deste relatório (feito por um credor do Estado, não deixa de ser irónico) marca claramente o fim de um ciclo longo. Resta saber que país vamos ter, quando à austeridade brutal (para pagar, designadamente, as heranças criminosas da corrupção financeira endémica) se acrescentarem as reformas.

Vamos ser amigos?


PSD convida CDS a renovar apoio ao acordo de coligação

Como de costume

O interesse dos partidos está a frente do interesse do país. É o que se conclui das últimas movimentações.

Angela Merkel, a Presidente da República de Portugal…

… já exerce magistratura activa. Que é como quem diz, se Cavaco não fala, falo eu.

PS e PSD: as cabeças da hidra

PS e PSD: as cabeças da hidra

Hoje, há razões para comemorar, porque estamos perto de confirmar o óbito político do pior Primeiro-Ministro da Democracia portuguesa, o que não era um título fácil de atingir, tendo em conta que a concorrência era grande (e ser pior do que Santana Lopes era um desafio a que Sócrates não soube resistir).

Hoje, continua a não haver razões para comemorar, pois, ao que tudo indica, o PSD voltará a governar, o que constituirá uma mera alteração de siglas e uma continuidade de políticas. Depois de ter PECado em conjunto com o PS, o PSD irá a correr assinar os papéis que confirmam a união de facto, tumultuosa, é certo, mas não é o tango a dança que retrata essas relações em que o amor tem aparências de ódio? [Read more…]

Portugal está melhor que os portugueses

José Sócrates, o eminente químico português, descobriu que Portugal e os portugueses são, afinal, elementos independentes na tabela periódica, sendo, portanto, possível que o empobrecimento dos segundos não afecte a riqueza do primeiro. Deste modo, Sócrates deu origem a um profundo corte epistemológico, contrariando os dados, hoje considerados obsoletos, que levavam a conclusões erradas como a que afirmava que, por exemplo, a operação química denominada “corte salarial” daria origem a uma reacção que, antigamente, era designada “recessão”.

Entretanto, ao contrário do que sucedeu com o urânio enriquecido, as instâncias internacionais não vivem preocupadas com o português empobrecido, considerado um resíduo facilmente reciclável, graças à facilidade com que pode ser transformado em adubo de relva para campos de golfe.

Como todos os visionários que têm razão antes de tempo, o ilustre cientista corre o risco de ser expulso do laboratório onde tem trabalhado nos últimos seis anos. Sócrates já confessou que, neste momento, se sente muito identificado com a figura também injustiçada de Galileu e declarou ao Aventar: “Ó pá, e, no entanto, isto move-se, pá!”

A magistratura activa de Cavaco Silva

O Presidente da República pronunciou-se finalmente sobre a actual crise política. Para dizer o quê? Para dizer que foi tudo tão rápido – aconteceu logo nas primeiras horas e até, pasme-se, nos primeiros dias – que já não tem nada para dizer.

Ainda bem que esta é a magistratura activa. Se fosse a outra nem tinha chegado a aperceber-se de que existe uma crise.

Sócrates, para ex-primeiro só falta o quase

O quase ex-primeiro-ministro José Sócrates anunciou hoje mais um triunfo para o país.

Tem sido assim com Sócrates, o “filósofo”: de triunfo em triunfo até à derrota terminal.

O mesmo tem acontecido com Sócrates, o político: de vitória em vitória até à crise final.

Já Sócrates, o mentiroso, andou de consenso em consenso até ao abandono total.

Por outro lado Sócrates, o ilusionista, apresentou truques de crescimento em crescimento até à recessão real.

Também Sócrates, o provinciano, foi de afirmação internacional em afirmação internacional até ao descrédito local.

E lembremos Sócrates, o engenheiro, de PEC em PEC até ao desespero mortal.

Falta apenas Sócrates, o demitido, a bem de Portugal.

Chora, chora, PS, chora…

O choradinho aumentou de volume, vem aí a berraria.

A culpa? É dos outros. Responsáveis? Os outros. Quem falhou? Os outros. Maus da fita? Os outros, pois claro, nós até queríamos dialogar, queríamos resolver, queríamos o melhor para o povo, os cidadãos, sei lá, os gajos que pagam e não choram muito alto porque o microfone é nosso, deles será a macrofome, quando muito.

Entretanto, buaáááá, mamã Merckel, aqueles meninos já não querem brincar mais comigo, sou tão coitadinho, tão incompreendido, tão injustiçado…

Esta foi a parte que ouvi. Como não tinha tampões para os ouvidos  aumentei o volume da aparelhagem e ouvi um CD. De quem? Dos Deolinda, era o que tinha à mão.

 

Pedro Passos Coelho, numa espécie de “Por qué no te callas?”

Juan Carlos CAW35N6YAo ler a notícia, lembrei-me da célebre pergunta do rei Juan Carlos a Hugo Chavez: “Por qué no te callas?”. E pensei: o que é que PPC pretende dizer com estas afirmações? Os militantes do PSD, dos anónimos aos mediáticos, caso refiram a “crise política do País”, estão a “falar demais”.

Das palavras do líder social-democrata, há inúmeras leituras possíveis . Uma delas, porventura a mais excêntrica, é a de que Passos Coelho sofre da mesma síndrome de José Sócrates. Na ideia de ambos, parece diabólico questionar se o País está em crise? Também política, claro. Não entendo. Sinceramente, tenho de recorrer aos serviços de um psicanalista amigo, também conhecido por astrólogo, a fim de saber o que Pedro Passos Coelho pretende.

Em antecipação à análise psicanalítica, arrisco uma opinião; à medida que o tempo corre, o líder do PSD emite sinais de hesitação ou mesmo de inconsistência, só de imaginar a hipótese da governação na grave situação económica, social e política em que estamos atolados.

Sem militância em qualquer partido, PSD incluído, estou consciente de agir com conta, peso e medida.  E as dúvidas, sobre o futuro do País, emanam também de Pedro Passos Coelho estar ciente de que contributos deste tipo de gente  são decisivos para governar a bem dos portugueses. Está profundamente errado e assevero que estou mesmo a “falar de menos”. Mesmo sem conhecer a bitola do sistema métrico do líder “laranja” que afere o menos, o normal e o demais, para abordar a realidade do País e a sorte que o espera.