James Earl Jones – “Is his voice”

Por ocasião da cerimónia de homenagem a Sean Connery pelos seus pares, cerimónia do AFI Life Achievement Award ocorrida em 2006, uma das personalidades homenageantes foi James Earl Jones, que começou o seu elogio dizendo “Is his voice”.

Realmente, a voz de Sean Connery, o seu timbre, a sua pronúncia, são distintivos e até objecto de algum gozo (coisa que o próprio, por regra, não achava grande graça).

Recordo este episódio porquanto agora que James Earl Jones já não está fisicamente entre nós, também ele é comummente referido como possuidor de uma voz única. Qualquer interpretação sua frente às câmaras ou num palco, qualquer narração, ganhava uma dimensão de solenidade e de profundidade impossível de não ser notada e identificada.

Do drama à comédia, da ficção científica ao policial, muitos foram os estilos em que interpretou as suas personagens. Mas, para mim, a sua grande interpretação foi a de Douglass Dilman, no filme “O Homem” – uma adaptação cinematográfica da obra literária homónima do grande escritor norte-americano Irving Wallace, levada a cabo com Rod Serling.

A imensidão que representa um só homem – Douglass Dilman, o primeiro negro a tornar-se presidente dos EUA  -, de Senador a Presidente, por todo um calvário de circunstâncias e das suas respectivas forças, tecido pela sua raça, pelas responsabilidades do cargo, pela sua vida privada, por todos aqueles que o rodeiam e pelo acaso, é interpretada de forma absolutamente genuína por James Earl Jones. Tão genuína, quanto a sua voz. Numa clara e perene prova da sua excelência.

A sua voz, as suas interpretações, ficarão para sempre entre nós.

RIP

tomlinson@bbn-tenexa

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Tó Neto 1955 – 2013

Acabo de saber da morte súbita do meu amigo Tó Neto.

Estive com ele há poucos dias, estava cheio de projectos e muito contente com as coisas que andava a fazer. Tinha projectos para o futuro a curto/médio prazo que passavam por Angola, uma ideia muito bonita e interessante para o qual se estava já a preparar, não apenas como músico, mas como documentarista e, importantíssimo para ele, como angolano.

Cheguei a visitar o camião-estúdio que tinha comprado para, como me dizia, ir filmar os lugares de Angola que ele sabia que iam desaparecer em breve.

Partiu domingo à tarde sem se despedir dos amigos e eu não sei como o homenagear. Prefiro pensar que foi filmar, à sua maneira, paraísos longínquos perto do Kuíto, onde os rios são tantos que lhes perdemos os nomes,  enquanto nós aqui ficamos a ouvir músicas do seu último disco

Descansa em paz, Tó, foi um prazer ter-te conhecido.

Ray Manzarek, 1939-2013, quando o órgão se acaba

Alguém mete uma cunha ao filhodaputa do diabo, a ver se grava e mete no youtube o Jim e o Ray reencontrando-se nas portas do inferno? É que morreu o teclista que, agradecido.

(feito a 4 mãos com o Francisco Miguel Valada)

Stéphane Hessel (1917-2013)

stephane_hessel(Johannes Eisel/AFP )

Faleceu esta noite aos 95 anos o autor do manifesto Indignez-vous! (2010). Deixa uma vida de resistência e de combate pela democracia. “É preciso que a indignação dê lugar a um comprometimento conjunto.”

Pedro Osório 1939/2012

O maestro Pedro Osório morreu ontem em Lisboa. Há anos que não ouvia falar de Pedro Osório até que, muito recentemente, fui surpreendido com o seu novo disco “Cantos da Babilónia“, do meu ponto de vista um trabalho absolutamente extraordinário e a merecer a atenção que já não se dá às coisas verdadeiramente bem feitas. Divulgá-lo, é a minha humilde homenagem.