Por ocasião da cerimónia de homenagem a Sean Connery pelos seus pares, cerimónia do AFI Life Achievement Award ocorrida em 2006, uma das personalidades homenageantes foi James Earl Jones, que começou o seu elogio dizendo “Is his voice”.
Realmente, a voz de Sean Connery, o seu timbre, a sua pronúncia, são distintivos e até objecto de algum gozo (coisa que o próprio, por regra, não achava grande graça).
Recordo este episódio porquanto agora que James Earl Jones já não está fisicamente entre nós, também ele é comummente referido como possuidor de uma voz única. Qualquer interpretação sua frente às câmaras ou num palco, qualquer narração, ganhava uma dimensão de solenidade e de profundidade impossível de não ser notada e identificada.
Do drama à comédia, da ficção científica ao policial, muitos foram os estilos em que interpretou as suas personagens. Mas, para mim, a sua grande interpretação foi a de Douglass Dilman, no filme “O Homem” – uma adaptação cinematográfica da obra literária homónima do grande escritor norte-americano Irving Wallace, levada a cabo com Rod Serling.
A imensidão que representa um só homem – Douglass Dilman, o primeiro negro a tornar-se presidente dos EUA -, de Senador a Presidente, por todo um calvário de circunstâncias e das suas respectivas forças, tecido pela sua raça, pelas responsabilidades do cargo, pela sua vida privada, por todos aqueles que o rodeiam e pelo acaso, é interpretada de forma absolutamente genuína por James Earl Jones. Tão genuína, quanto a sua voz. Numa clara e perene prova da sua excelência.
A sua voz, as suas interpretações, ficarão para sempre entre nós.
RIP








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