A recta dos Feitos

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Manuel Melo

Os Doutor Assério são uma banda de Barcelos, descontraída e integrada por três veteranos da música barcelense. Este projecto é uma pura banda rock sem complicações e divertida.
Ora, um dos temas chama-se “A Recta dos Feitos” e alude, em tom irónico e humorístico, à prostituição de estrada que tem lugar nesta freguesia – uma coisa igual a qualquer outra noutra terra deste país.
O mais ridículo é que alguns dos supostos habitantes dessa terra (que até é simpática e fica próxima da cidade) partiram para o insulto e andam a arregimentar mais pessoas para ir à página da banda deixar insultos e soltar verborreia. Para já, só conseguiram regurgitar,mas com o tempo talvez lhe apanhem o jeito.
Também nós temos os nossos rednecks ansiosos por se sentirem ofendidos e atacados, gentinha pobre que gosta de se fazer de vítima e apelar à piedade alheia. Um tipo pensa que isto só existe no Iowa ou no Alabama e, afinal, está aqui tão perto. É apenas gente que não tem noção do ridículo, mas tem o mesmo sentido de humor de um pneu traseiro de um tractor agrícola.

O original de “Y Viva España” é belga

O país que serve de refúgio a Puigdemont é também aquele que criou o tema que serve quase de hino à Espanha (o verdadeiro hino é uma marcha militar sem letra) e que tem sido cantado durante as manifestações pró-espanholas na Catalunha.

O original intitulado “Eviva España” de 1971 era uma cançoneta para animar programas de televisão e festas para a terceira idade cuja ideia de Espanha remetia para o exotismo das férias de Verão, de letra simples e carregada de estereótipos sobre os povos ibéricos. Os autores são ironicamente flamengos, Leo Caerts e Leo Rozenstraten, e a cantora Samantha interpretava a música em flamengo. Tornou-se num sucesso quase global quando Manolo Escobar interpretou o tema em espanhol em 1973, sob o título “Y Viva España”.

Primeira, segunda e marcha atrás

Imagem: Dr. Drodd Graphics

Comece pela tónica, passe à quarta, continue na quinta de sétima e volte à tónica. Ou como se diz na gíria musical, primeira, segunda e marcha atrás. Falamos de acordes e das fórmulas para escrever canções. Numa melodia em Dó Maior seriam Dó Maior, Fá Maior e Sol Maior de sétima os acordes em causa.

Existem outras receitas bem conhecidas e, ainda mais, usadas. De facto, muito do cançonetismo por elas passa, independentemente da sua popularidade e origem. Não é uma melodia complexa que garante o sucesso, tal como uma melodia simples não está necessariamente condenada ao fracasso – que o diga quem analise Zeca Afonso. Há muito para além das palavras e das notas nas canções, tendo a interpretação um papel determinante na conquista do podium. [Read more…]

O Sargento Pimenta faz 50 anos

Banda sonora do mundo. Ou nas palavras de Paul McCartney, um álbum tão importante “que, por vezes, as pessoas ouvem a reputação em vez de ouvirem o disco”. Parabéns ao mundo.

Sobre a Eurovisão…

Admiro a Luísa Sobral, mas quando li que tinha composto a canção vencedora do festival da canção, nem me dei ao trabalho de ouvir. Seria impossível não ter reparado nos inúmeros posts publicados no FB, passei a reconhecer Salvador Sobral através de foto e continuei sem ouvir a canção. Até ontem, Domingo de manhã, já sabendo que vencera o festival da Eurovisão, evento que não me diz rigorosamente nada, razão pela qual não embarquei na euforia colectiva, pois como poderia celebrar algo desprovido do mínimo interesse da minha parte, por não lhe reconhecer qualquer qualidade musical? Já passaram mais de 20 anos desde a última vez que gastei umas horas com tal evento e não seria agora que mudaria de atitude. [Read more…]

Crónicas do Rochedo XVII – É só uma canção?

salvador

Nem sei precisar o número de anos sem um simples “deitar o olho” a um festival de canção. Este ano foi diferente por um mero acaso: ter visto/ouvido a canção do Salvador Sobral nas redes sociais e a sua prestação nas meias finais. Ficou aquela sensação de: “será que uma música destas ganha o festival da canção?”. Ganhou para enorme surpresa minha. E depois foi o: “será que consegue o milagre de ganhar em Kiev?”.

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Olho por olho, (resi)dente por (resi)dente

Uma série de acontecimentos ocorridos recentemente, entre descarrilamentos, um eloquente post de alguém muito atento à matéria ferroviária e actos de residência pífios, levaram-me, em associação livre de ideias, ao novo disco dos The Residents, todo ele construído sobre relatos do crescente número de acidentes de comboio que o incontrolável desenvolvimento tecnológico de finais do século XIX ia produzindo e das “rápidas e desagradáveis mortes” que infligia.

Não pretendendo enveredar pela crítica a mais um capítulo da extensa obra desta super-banda – toda a gente ama os Residents, os quatro decoradores de interiores do apocalipse, embora desconhecendo a identidade dos seus membros, quando não mesmo a sua música (música?) -, não posso deixar de assinalar aqui o seu 84.º álbum, “The Ghost of Hope,” na esperança que vos possa assombrar o luminoso fim de semana que se avizinha.