O SAP de Valença perdeu em tribunal.

A Câmara meteu uma providência cautelar para impedir o fecho do SAP mas viu indeferido esse pedido pelo tribunal. Claro que após as manifestações de rua, houve um tempo de negociações, muita coisa melhorou, diz o autarca, que ainda não desistiu de ter um SAP aberto 24 horas/dia.

Após Valença, foram encerrados na região norte mais dois SAP Armamar (distrito de Viseu) e Vale de Cambra (distrito de Aveiro), num programa que promete fechar mais uma dezena,

O juiz foi de opinião que a existência de um SAP sem os meios necessários para atender as urgências e as emergências, só complica, estes casos devem estar referenciados a um local onde esses meios estejam presentes, assim se ganhando tempo que pode ser fundamental para a prestação atempada de cuidados médicos diferenciados.

Foram arvoradas as bandeiras da Galiza e da Espanha, nessas manifestações de rua, mas após estes meses com o SAP fechado é muito residual o número de pessoas que se dirigem aos vizinhos serviços de Tui.

O SAP de Valença -2

O meu texto de ontem ” O SAP de Valença” despertou muita curiosidade e muitos comentários que agradeço. Respondi a alguns, mas valerá a pena voltar ao problema de fundo. Há a possibilidade de termos cuidados médicos próximos? Qual é a melhor forma de o fazer já que é impossível existirem em todos os lugares onde viva gente?

Hoje as comunicações via telefone, fax, telemedicina permitem que muitas das situações possam ser diagnosticadas e tratadas à distância, ou prestar os primeiros socorros , estabilizar o doente e seguir para o lugar certo. O lugar certo é o lugar indicado para onde o doente deve ser encaminhado segundo a sua doença. O lugar onde estão reunidos os meios humanos e ténicos para prestar a melhor assistência. Ora, não é certo ( e não estou contente por ser assim) que o lugar certo seja o lugar mais perto.

Por exemplo, estudos revelam que num acidente, se os socorros chegarem nos primeiros 15 minutos, é possível salvar 80% dos acidentados. E este socorro, por exemplo nas estradas, deve ser prestado por ambulâncias e hélios devidamente equipados que estabilizam o doente e que o canalizam para o hospital mais capaz de lhe prestar assistência adequada que, na mais das vezes, não é o que está mais perto.

A existência de um SAP pode significar uma grande segurança psicológica mas não garante a assistência necessária. Não, porque não é possível ter em todos os lugares pessoal médico , de enfermagem e equipamento que garantam a assistência adequada. É muito mais realista ter transportes com apoio à vida e com pessoal devidamente formado que rapidamente presta os primeiros socorros e acede ao hospital, do que estar a pensar que tem ali à mão um serviço com todos esses meios. Não tem e não é posssível tê-los!

Compreendo que as pessoas se revoltem por ver uma e outra vez os serviços saírem da sua terra, sublinhando a desertificação que se acentua, mas não se deixem enganar por promessas que não são realizáveis.

Proximidade ou qualidade? Ter as duas seria óptimo mas não é possível!

O SAP de Valença

Como se lembram foi por seguir uma política de concentração de meios e correspondente aumento de qualidade na prestação de serviços às populações, que um dos homens que mais sabe de política de saúde no país, foi despedido.

Maria Jorge, apesar de tudo fazer para não mexer em nada, ou no menos possível, não pode deixar de seguir essa política.

Os que manipulam a população vêm com os argumentos dos costume, ter cuidados médicos ali à porta, dá segurança e comodidade. É mentira, como ficou completamnete demonstrado no caso das maternidades. Uma parturiente, sem problemas até pode ter a criança em casa, mas se tiver problemas, se precisar mesmo de cuidados médicos, vai mesmo para um hospital onde estejam reunidos os meios, técnicos e humanos necessários. E esse meios não podem estar em todos os serviços, por muito que se minta.

Aqui em Valença o problema é o mesmo, as pessoas estão convencidas que se tiverem um SAP à porta, encontram lá os meios técnicos e humanos para serem tratados. Isto é falso! Há uma componente psicológica importante, não nego isso, mas dizer mais do que isso é uma falsidade.

Ter meios rápidos de transporte, pessoal capaz de prestar os primeiros socorros, estar em ligação 24/24 horas com a unidade hospitalar mais próxima, isso é uma boa medida. Mais do que isto é andar a vender fantasias.