A escala consente

(Texto de Marcos Cruz )

(Quadro de Adão Cruz)

 A Joana Vasconcelos é, de acordo com o Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, “uma artista de uma modernidade assustadora”. Ele lá saberá por que acha isso. A frase, em si, pouco diz. Cada um de nós, face ao conhecimento que tem quer do SEC quer da JV quer do meio artístico quer da conjuntura nacional quer seja do que for que conte para o caso, pode interpretá-la como lhe apetecer. Na minha opinião, o SEC pretende dizer: a JV é uma artista à frente do seu tempo, visionária. E não: a modernidade que consagra a JV como artista é assustadora. A mim, porém, faz-me mais sentido esta segunda hipótese. [Read more…]

Tampões femininos, em Versalhes, só no sítio “certo”

joana de vasconcelos

A recente proibição da presença da peça “A Noiva” (representando um lustre feito com tampões higiénicos) na exposição de Joana de Vasconcelos em Versalhes -com o fantástico argumento de não ser “adequada” ao local – é um acto censório que tem muito de preconceituoso e nada de artístico.

Como lembrou a própria artista, “A Noiva” foi uma das peças que lhe abriu as portas para a sua circulação internacional.

Acresce que Joana Vasconcelos foi convidada por ser autora de uma obra conhecida, na qual a peça agora censurada se inclui com grande visibilidade, e que nenhuma objecção foi levantada aquando do convite.

Esta actual tendência para a censura artística é preocupante e invade uma das poucas esferas onde a liberdade de expressão, criação e exposição eram ainda defendidas e estimuladas.

A leitura de Joana de Vasconcelos sobre o assunto é explícita mas podia (devia) colocar mais profundamente o dedo na ferida e vincar o aspecto político/castrador da decisão: [Read more…]