Eurogrupo: conjunto de imbecis às ordens de Schäuble e participado por Gaspar

De Manuela Ferreira Leite a Paul de Grauwe, passando por Paul Krugman e outros académicos e especialistas, há um numeroso grupo de economistas que se pronunciou, em uníssono, pela contestação  da medida imposta a Chipre e sua generalização de confiscar depósitos bancários em situação de resgate financeiro de qualquer País da Zona Euro que, no futuro, venha a recorrer à tóxica ajuda da ‘troika’ – depósitos superiores a 100.000 euros, entenda-se.

A generalização da medida foi anunciada por Jeroen Dijsselbloem, o holandês agora presidente do Eurogrupo, eleito para a função; segundo o suplemento económico do ‘Expresso’ (pg. 5), os critérios de selecção foram os seguintes:

Foi escolhido não pela sua experiência política e económica mas por ser um guardião das ideias mais ortodoxas do norte da Europa relativamente ao sul.

Esta frase não se limita a definir o mandarete holandês. Caracteriza claramente a subserviência à Alemanha – personalizada em Schäuble – a que o belga Paul da Grauwe, Prof. da ‘London School of Economics’, no mesmo suplemento (pg. 9) se refere nos seguintes termos:

[…] A Alemanha nunca aceitaria que os seus bancos fossem tratados como os bancos cipriotas foram. E usam o dinheiro dos contribuintes se necessário.

Uma primeira conclusão, dia-a-dia mais evidente, resulta da interpretação que entre o Norte da Europa (liderado pela Alemanha e muito apoiado por holandeses e finlandeses) existe um deliberado elitismo contra os países do Sul da Europa. Não é nada de novo em relação àquilo a que historicamente os alemães desde há mais de um século nos ensinaram sobre um comportamento psicopático de alguns dos seus políticos arrogantes – chame-se-lhes xenófobos ou proto xenófobos, porque o grau de classificação pouco importa. Interessa, isso sim, estar atento à sobranceria, agora económico-financeira, outrora militar, com que políticos nacionalistas, ao longo da História, tentaram dominar outros povos.

Constatado este comportamento, valha a verdade que  encontram sempre nos países dominados, Portugal neste caso, um Gaspar disposto a submissa conivência. E, a respeito da eventual aplicação do esbulho ao nosso País, parece-me oportuno interrogar:

Desde 2011 que trabalhadores da função pública tiveram os salários reduzidos, subsídios de férias e de Natal eliminados (em 2013, o corte poderá ser menor, incluindo, porém, trabalhadores do sector privado), tal como reformados, impostos directos e indirectos agravados, preços de energia, bens e serviços aumentados e por aí fora; tudo isto se assemelha ao ponto de partida de um resgate?

e pergunto mais:

Discordando totalmente das medidas previstas no resgate de Chipre, tendo em conta os interesses do pequeno país e não das máfias russas, será lógico que os portugueses,  com o desumano programa de austeridade desde Maio de 2011 ainda corram o risco de, em alguns casos, se confrontarem com as poupanças esbulhadas, em acréscimo ao desemprego, à instabilidade social, aos cortes na Saúde, à necessidade de emigração massiva e, sobretudo, à pobreza e miséria em expansão pelo País inteiro?

Entendo que competiria a Gaspar submeter na reunião do Eurogrupo este conjunto de interrogações e reservas, para rejeitar a medida. Não o fez. Uma vez mais foi imbecil (=cobarde), sob a forma de reverente servilismo ao Sr. Schäuble – há que preparar e cuidar do interesse pessoal…os portugueses que se amanhem!, é o que pensará.

Comments

  1. murphy says:

    Lamentável, a campanha em curso promovida pelo jornalismo militante… A Merkel e o Schaubel são o demónio! Eles são os culpados da crise e os pobres estão a ser roubados para que eles enriqueçam! (esperam lá, não era isto que, em outros tempos, se dizia do judeus?… )
    Pois, ao contrário do que sugerem as redacções, gostava que nas décadas recentes, o povo português tivesse sido governado como o povo alemão. Ainda esta semana o presidente do T Contas revelou isto:
    “Obras públicas custam entre 2 e 7 vezes mais que previsto”
    Será culpa dos alemães?! Ou casos como este, será que Portugal merece salvação enquanto governantes que levaram o País à miséria se sentam impunemente na Assembleia da República?
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/03/justica-portuguesa.html

    • Carlos Fonseca says:

      A Alemanha é um país desgraçado… desde Bismarck ao Plano Marshall e ao perdão de 60% de dívida em 1952.
      O que o meu ‘post’ refere são opiniões de gente qualificada, de orientações políticas e nacionalidades distintas; é a louca medida anunciada para os depósitos bancários em Chipre (> 100.000 euros) ser extensiva a outros países da Zona Euro em situação de resgate; é o historial de um país – Portugal – que está sob resgate há 2 anos e tendo a população sofrido a desvalorização fiscal, entretanto, ficar sujeito a tal condenação.
      Misturar isto com o que diz o Martins evidencia um estado de incapacidade de análise que aconselharia a ficar quedo e mudo. O disparate é desperdício de tempo e, para lhe responder, o meu esgotou-se.

      • murphy says:

        “Portugal – que está sob resgate há 2 anos”… pela 3ª vez em 30 anos, é só um pormenor bem revelador desta …

        Isto é responsabilidade dos portugueses (nossa), nomeadamente, pela (má) gestão dos líderes eleitos democraticamente em Porugal, ou não? E esta má gestão não está relacionada com o que Oliveira Martins apresentou?

        A Alemanha tinha essa dívida que foi perdoada em 62, porque perdeu a guerra e tinha de indeminizar os países invadidos. Os Aliados, apesar de também terem arrasado a Alemanha, não tinham “dívida” porque a venceram – demagógico é misturar um perdão de dívida associado a um período pós-guerra com as dívidas actuais que resultam das nossas decisões de pedir dinheiro emprestado.

        Existem 2 formas de ver as coisas: onde, uns podem achar que se “misturam assuntos”, outros vêm que “anda tudo ligado”
        http://jornalismoassim.blogspot.pt/2012/11/o-tabu-das-assimetrias-regionais-em.html


        • Existem várias formas de ver as coisas.E a forma como um propagandista barato nos quer vender as suas “manobras” enquanto nos impinge um blog de duvidosa honestidade e de segura mediocridade é positivamente de bradar aos céus.
          Mas o que assusta neste comentário é a desonestidade.A desonestidade patente até no simples facto de nem sequer se ter lido a notícia do link e discorrer sobre essa mesma notícia.Vejamos:
          ” Não foi perdoada nenhuma dívida à Alemanha por parte da Grécia em 1962.”A Grécia exigiu o pagamento da Alemanha em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987, e em 1995 (após a reunificação da Alemanha)”.
          As indemnizações pedidas à Alemanha não foram “simplesmente”por esta “ter perdido a guerra e ter que indemnizar os países invadidos. As coisas de facto são bastante piores do que as “pinta ” este murphy.”Os alemães não levaram apenas “os cordões dos sapatos” aos gregos. Durante a Segunda Guerra, a Grécia perdeu 13% da sua população como resultado directo da guerra (Doxiadis p 38, Illiadakis p 137). Em resultado da resistência à invasão do país, quase 20.000 combatentes gregos foram mortos, mais de 100 mil foram feridos ou sofreram queimaduras com o gelo e cerca de 4.000 civis pereceram em ataques aéreos. Mas estes números são irrisórios quando comparados com a perda de vidas humanas durante a ocupação.
          De acordo com estimativas moderadas, as mortes decorrentes directamente da guerra ascendem a cerca de 578 mil (Sbarounis p. 384). Estas mortes foram o resultado da fome persistente, causada pelo saque e pelas políticas económicas do Eixo e pelas atrocidades cometidas tanto como represálias, como por resposta à resistência ou como meio para aterrorizar a população grega. Os números acima não incluem as mortes que ocorreram após o fim da guerra devido a doenças como a tuberculose (400.000 casos) e a malária, desnutrição persistente, ferimentos e más condições de vida, todas elas resultado directo das condições de guerra. Assim, na Segunda Guerra Mundial a Grécia perdeu tantas vidas, sobretudo homens desarmados, mulheres e crianças, como os EUA e o Reino Unido juntos.
          A maioria das atrocidades cometidas pelos alemães na Grécia teve origem diretamente em duas ordens vindas das mais altas esferas do Terceiro Reich. Uma primeira, decidida pelo próprio Hitler, ordenava que se se suspeitasse que uma residência tinha sido usada pela resistência devia ser incendiada juntamente com os habitantes. A segunda ordem, assinada pelo marechal Wilhelm Keitel, especificava que, por cada alemão morto, um mínimo de 100 reféns seriam executados e por cada alemão ferido, 50 gregos morreriam (Payne 458ff, pp 189-190 e Goldhagen pp 367-369, Blytas pp 418-419).
          As primeiras execuções em massa tiveram lugar em Creta, antes de esta ser tomada pelos alemães. Em 1945, sob os auspícios das Nações Unidas, um comité liderado por Nikos Kazantzakis enumerou a destruição de mais de 106 povoações de Creta e o massacre dos seus habitantes (ver sobre o massacre de Kontomari [inglês]). Durante a ocupação, os alemães assassinaram a população de 89 aldeias e vilas gregas (ver sobre o massacre de Distomo [inglês]), enquanto mais de 1.700 povoações foram total ou parcialmente queimadas e muitos dos seus habitantes também foram executados (ver Holocausto Grego [inglês]). Às vítimas gregas do reino de terror alemão devem ser acrescentados 61.000 judeus gregos que, juntamente com 10.000 cristãos, foram deportados para campos de concentração de onde a maioria nunca voltou (Blytas p.429 and p. 446).”

          É assim particularmente chocante ler coisas como “os aliados apesar de também terem arrasado a Alemanha” …como se se pudesse colocar em pé de igualdade os crimes inenarráveis dos nazis com as consequências na Alemanha da derrota do nazi-fascismo.
          Também é confrangedor e sinónimo de uma ignorância atroz ou de uma manipulação rasteira a afirmação que “os aliados não tinham dívida porque a venceram”.A destruição em infra-estruturas, na actividade económica, em património, o número de mortes e feridos, o sofrimento não mensurável dos povos vítimas da ideologia nazi e da guerra de ocupação perduraram muito tempo sobre estes países e fizeram regredi-los muito para além da contabilidade das “dívidas” que ao que parece os aliados não tiveram.
          De facto e por mais que isso custe ao murphy não se podem comparar as dívidas dos crimes da Alemanha que não foram perdoadas a esta por parte da Grécia, com as dívidas actuais que resultam do pedir “dinheiro emprestado”.
          É que aqui entra outra questão.Como é que se processaram tais dívidas? Ficará para mais tarde.
          Entretanto que fiquem estes números:”Os indicadores do valor actual das dívidas alemãs à Grécia são os seguintes: com base na taxa média de juros das Obrigações do Tesouro dos EUA desde 1944, que é cerca de 6%, estima-se que o valor actual do empréstimo de ocupação seja de 163,8 mil milhões dólares e o valor da reparação de guerra seja de 332 mil milhões de dólares”

          Este murphy pensa que ainda nos pautamos pelo “povo Livre” e outras demagogias trauliteiras e acéfalas como as que escreve?

          • murphy says:

            Depreendo do seu texto, que também acha adequado, a propósito dos perdões de dívida que se discutem desde 2010 para cá, invocar o perdão de dívida alemã de 1952 (por lapso referi 62) e recordar o sofrimento que as populações foram vítimas à mão do regime nazi. Pois, eu acho essa comparação completamente despropositada.

            Apenas repito o que disse antes: acho demagógico misturar um perdão de dívida associado a um período pós-guerra com as dívidas actuais, que resultam das nossas decisões de pedir dinheiro emprestado. Ou não é assim?

            Em memória das vítimas de guerra (que passaram por um sofrimento inimaginável às mãos dos abjectos ideiais nazis) acho até essa mistura de assuntos de muito mau gosto e, inclusivamente, manipulativa e perigosa, por trazer a uma discussão puramente económica (pelo menos é assim que a vejo) temas que encerram uma forte carga emocional e humana.

            Mas cada um pensa pela sua cabeça e fará o seu julgamento sobre quem “recorre a manipulação rasteira” ou a “demagogias trauliteiras e acéfalas ” para suportar os seus pontos de vista.

            Cumprimentos.


          • De facto acho a minha resposta perfeitamente adequada.
            Se tivesse tido a honestidade de ter lido o link rinicialmente referido por mim,poderia ser que percebesse o meu comentário sobre os alemães serem “exímios ” no cumprimento das suas obrigações.
            Em vez disso o que vimos foi um espectáculo confrangedor. Desonesto pelos motivos já citados, desumano porque na sua pretensa resposta apoucou as vítimas da guerra e quase que colocou em pé de igualdae o agressor e a vítima.Manipulador, porque branqueia um dos vectores responsáveis pela presente situação-a Alemanha.
            Finalmente a sua resposta é ideologicamente conotada com o este governo de neoliberais trauliteiros.Não há uma discussão “pura” sobre sobre temas económicos.Nem as análises da situação são isentas nem sobretudo as soluções.Vias únicas como o pretendem os terroristas sociais que nos governam só mesmo no fascismo.


          • Como se depreende do meu comentário, o texto que causou a pretensa indignação de Murphy estava lá desde o início.Murphy teve a desfaçatez de o comentar sem sequer o ler.Nem sequer o perdão da Dívida foi concedido à Alemanha por parte da Grécia nem em 1952 nem em 1960
            Mas há um outro aspecto que importa esclarecer: estas condições”resultam das nossas decisões de pedir dinheiro emprestado”
            Pedir dinheiro emprestado?Quem pediu?Quem é responsável por tal? Não é a direita que nos tem governado desde há mais de 35 anos, em regime mais neoliberal ou mais caceteiro?E o papel da Alemanha e da Goldman-Sachs?E o prescindir da nossa actividade económica para passarmos a ser “clientes” do centro da Europa?E os cozinhados dos grandes interesses económicos que saqueiam o nosso património com o beneplácito deste governo de vendidos?
            Há mais e muito mais para dizer.Fica para mais tarde

          • piet says:

            Tem razão com tudo que escreve das barbaridades cometidas pela Alemanha, Itália e a Bulgaria na Grécia durante a II Guerra Mundial e não ha dinheiro no mundo para compensar.
            “De jure” a situação é outra: Com o Acordo de 2+4 – feito em vez dum tratado de paz – futuras requisitos de reparações foram excluídas, uma vez por todas. A Grécia, pela conferencia de Paris em 1990 concordou. Ainda ha o caso dum “credito forçado” que pode ser considerado não ser parte dos danos de guerra.
            Além disso concordo completamente com o Murphy. No contexto da crise económica de hoje falamos demais da II e até da I Guerra Mundial. Temos que falar sobre o caminho para fora da crise. Recair em nacionalismo e estereótipos chauvinistas e racistas não ajuda.


          • O tanas:
            A Grécia exigiu o pagamento da Alemanha em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987, e em 1995 (após a reunificação da Alemanha

            Mais outro que não lê os links referidos.
            E pode ler a restante informação em vez de….certo?

        • piet says:

          o “diz” disse num comentário:
          “[…]Pedir dinheiro emprestado?Quem pediu?Quem é responsável por tal? Não é a direita que nos tem governado desde há mais de 35 anos, em regime mais neoliberal ou mais […]”
          isto é muito giro. Com esta lógica o governo alemão p. ex. podia dize: a guerra foram os nazis, não fomos, foi o Hitler, está morto, tenham paciência. E porque o governo da república alemã então tinha de pagar pela guerra da monarquia?


          • Está a brincar não está?De certeza que sim.
            É exactamente isso que faz o governo alemão

            E que tal ler o link respectivo em vez de dizer baboseiras?

          • piet says:

            O governo alemão faz exactamente o que? Ha poucos casos na história de um povo tentar de confrontar-se e assumir a responsabilidade pelo passado colectivo como o alemão.


          • Mais uma vez a ignorância ou a má fé?
            Qual confrontar-se com…l
            eia o link e deixe de vir fazer propaganda barata e tosca.
            Certo?


    • Por definição os alemães são “exímios” no cumprimento das suas obrigações.:
      http://aventar.eu/2011/12/08/peticao-sobre-a-divida-da-alemanha-a-grecia-em-reparacao-pela-invasao-na-ii-guerra-mundial/

      E perante a “Gross Deutschland”há já quem tenha feito as suas opções, arrastando-nos para o fundo, como os submarinos que alguns corruptores alemães nos impingiram:
      http://foicebook.blogspot.pt/2013/03/mais-europa-ou-mais-alemanha_26.html

      • piet says:

        O termo “Grossdeutschland” ao contrario do “Kleindeutschland” tem a ver com o discurso se a Austria faria parte da Alemanha ou não no sec IXX. Com referencia a esta discussão a Alemanha chamava-se Grossdeutschland a partir de 1938.
        Tem nada a ver com compras de submarinos por portugueses corruptos e corruptores impresas alemãs.


        • Não tem?
          Mas claro que tem.
          Provavelmente até devia ter usado uma outra palavra mais justa: Lebensraum
          Achei mais “simpático usar o termo “Grossdeutschland”,a quem passos e gaspar obedecem e prestam vassalagem, enquanto abocanham os pedaços que lhes caem no prato. E enquanto espalham a miséria e a fome neste país vendido por tuta e meia ao grande poder económico
          Quando, em 1871, a Prússia anexou a Alsácia e a Lorena, Bismarck exigiu que a justiça preponderasse sobre o abuso: todos os franceses que quisessem sair do território foram indemnizados, a preços de mercado, até ao último centavo. Mas a prudência de Bismarck morreu com ele. Neste fim de semana, aprendemos que a Zona Euro se transformou, através da decisão sobre o “resgate” a Chipre, com a cumplicidade do FMI, numa organização que promove o terror económico e viola os graus mínimos de segurança jurídica, que separam a vida civilizada da barbárie. O “imposto” de 6,75% sobre os depósitos inferiores a cem mil euros, em bancos cipriotas, revela a total ausência de respeito pelo quadro legal europeu que protege os depósitos até esse montante e destrói a confiança dos cidadãos no sistema bancário. Mas há lições ainda mais graves a retirar do que se passou. Aprendemos que, para ganhar as eleições de setembro, Merkel não hesitou em lançar, de um só golpe, um país inteiro para a miséria (a economia de Chipre estava doente, com este resgate será liquidada), nem em desencadear um processo que não só compromete os tímidos avanços na União Bancária como ameaça semear uma corrida aos bancos noutros países, além de fazer aumentar os juros sobre a dívida pública dos “países periféricos”. Aprendemos que, perante a grosseria de Schäuble (o ministro alemão das Finanças, que agora se diz inocente…) no Eurogrupo, toda a gente se calou, e que o pormenor deste roubo aos aforristas no Chipre foi detalhado com a cumplicidade de P. Moscovici, o seu homólogo francês. Aprendemos que Berlim está definitivamente possuída pela desmesura que conduz ao abismo. Aprendemos que nos outros 16 países da Eurozona parece não existir um único governante com coragem para dizer “basta!”. A juntar ao défice de liderança política e à estupidez económica, somam-se a apatia moral e níveis patologicamente baixos de testosterona
          Viriato Soromenho Marques

        • murphy says:

          Meu caro, acho que há aqui um mal entendido. Quando referi o o perdão de dívida de 62 estava a responder ao comentário de Carlos Fonsca que referiu esse mesmo perdão (01.04 19.49) etambém porque perdão é recorrentemente referido aqui no Aventar (e em muitas outras fontes).
          http://aventar.eu/tag/perdao-da-divida/
          http://aventar.eu/2011/11/08/a-alemanha-e-caloteira/

          No resto, lamento, mas não tenho mais novidades para dar…


          • http://aventar.eu/2011/11/08/a-alemanha-e-caloteira/
            “Na verdade, o acordo de dívida de Londres adiou a questão das indeminizações – incluindo o pagamento de dívidas de guerra e o dinheiro dos impostos nos países ocupados pela Alemanha durante a guerra – para uma conferência a ter lugar depois da reunificação. Esta conferência não chegou a acontecer: desde 1990, os alemães teimosamente têm-se recusado a abrir esta caixa de Pandora. As poucas indemnizações pagas, a maior parte a trabalhadores escravizados, foram canalizadas através de ONG’s, sobretudo para não ser aberto um precedente. Apenas um país se tem oposto abertamente a este procedimento, tendo tentado ser compensado através dos tribunais: a Grécia”

            Há mais

          • piet says:

            Outra vez: o Acordo 2+4 (final settlement about Germany) acabou com a questão das reparações. Foi aprovado pela 21/11/1990 na conferencia da CSCE (incluindo a Grécia) em Paris. Se a Grécia tinha direitos legais, então porque é que não vai ao tribunal internacional.


          • Outra vez para o Pet:
            Mas porque motivo o pessoal que defende merkel e os seus capos não lê ao menos os links antes de os comentar?
            Tudo começou por ter colocado em dúvida a honestidade da Alemanha em cumprir as suas obrigações. Citando-me disse:
            “Por definição os alemães são “exímios” no cumprimento das suas obrigações.”
            E coloquei um link de um artigo saído aqui no Aventar:
            http://aventar.eu/2011/12/08/peticao-sobre-a-divida-da-alemanha-a-grecia-em-reparacao-pela-invasao-na-ii-guerra-mundial/.Aqui pode ler-se o seguinte:
            A Grécia exigiu o pagamento da Alemanha em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987, e em 1995 (após a reunificação da Alemanha). Antes da unificação da Alemanha, utilizando o acordo de Londres de 27 de Fevereiro de 1953, a Alemanha Ocidental evitou o pagamento das obrigações decorrentes do empréstimo de ocupação e das reparações de guerra, usando o argumento que nenhum “tratado de paz final” tinha sido assinado. Em 1964, o chanceler alemão Erhard prometeu o pagamento do empréstimo após a reunificação da Alemanha, que ocorreu em 1990. A revista alemã Der Spiegel escreveu, em 23 de Julho de 1990, que o acordo “Dois-Mais-Quatro” (assinado entre as duas Alemanhas e as quatro potências mundiais EUA, URSS, Reino Unido e França), ao preparar o caminho para a unificação alemã, fazia desaparecer o pesadelo dos pedidos de reparações que poderiam ser exigidos por todos os que tivessem sido prejudicados pela Alemanha, caso tivesse sido assinado um “tratado de paz”. Esta afirmação do “Der Spiegel” não tem nenhuma base legal, mas é um reconhecimento dos estratagemas usados pela Alemanha para recusar um acordo com a Grécia (ver também o “The Guardian” de 21 de Junho de 2011).A mesma revista, em 21 de Junho de 2011, cita um historiador económico, Dr. Albrecht Ritschl, que aconselha a Alemanha a tomar uma atitude mais moderada na crise europeia de 2008-2011, uma vez que poderia enfrentar renovadas e justificadas exigências de reparações.
            Os indicadores do valor actual das dívidas alemãs à Grécia são os seguintes: com base na taxa média de juros das Obrigações do Tesouro dos EUA desde 1944, que é cerca de 6%, estima-se que o valor actual do empréstimo de ocupação seja de 163,8 mil milhões dólares e o valor da reparação de guerra seja de 332 mil milhões de dólares.
            O economista francês e consultor do governo, Jacques Delpla, declarou, em 2 de Julho de 2011, que a Alemanha deve à Grécia 575 mil milhões de euros devido a obrigações decorrentes da Segunda Guerra Mundial (Les Echos, sábado, 2 de julho, 2011).”

            A “boa fé” da Alemanha está aqui bem patente..Recorramos então a outro artigo que fala também do mesmo assunto,este de Sergio Lavos do Arrastão:

            “Contudo, o que é verdadeiramente bizarro é a curta duração da memória colectiva da Alemanha. Durante grande parte do século XX, a situação era radicalmente diferente: depois da Primeira Guerra Mundial e novamente após a Segunda Grande Guerra, a Alemanha tornou-se o país do mundo com maior dívida externa, e em ambos os casos a sua recuperação económica apenas foi possível com o perdão generalizado da dívida.

            A crise da dívida alemã entre guerras começou há exactamente 80 anos, nos últimos dias de Junho de 1931. O que a espoletou foram os empréstimos excessivos contraídos nos últimos anos da década de 20 para pagar indemnizações. Uma bolha no crédito foi o resultado, e quando rebentou, em 1931, acabou com as indemnizações, o preço do ouro e, mais importante, a democracia de Weimar.

            Os americanos adiaram o pagamento da dívida para depois da Segunda Grande Guerra, até terem imposto em 1953 aos seus aliados o acordo para a dívida de Londres, um exercício de perdão da dívida da Alemanha em termos bastante generosos. O milagre económico da RFA, a estabilidade do marco alemão e a saúde das suas finanças públicas foram o resultado deste generoso perdão. Mas colocou os credores da Alemanha em desvantagem, ao verem-se confrontados, eles próprios, com as consequências financeiras da ocupação alemã.

            Na verdade, o acordo de dívida de Londres adiou a questão das indemnizações – incluindo o pagamento de dívidas de guerra e o dinheiro dos impostos nos países ocupados pela Alemanha durante a guerra – para uma conferência a ter lugar depois da reunificação. Esta conferência não chegou a acontecer: desde 1990, os alemães teimosamente têm-se recusado a abrir esta caixa de Pandora. As poucas indemnizações pagas, a maior parte a trabalhadores escravizados, foram canalizadas através de ONG’s, sobretudo para não ser aberto um precedente. Apenas um país se tem oposto abertamente a este procedimento, tendo tentado ser compensado através dos tribunais: a Grécia.


          • Mais outro testemunho:
            “Estamos em 1941. No dia 6 de abril, a Wehrmacht invadiu a Grécia. Ela permaneceria ali até 1944. Em sua obra “Na Grécia de Hitler” [“Inside Hitler’s Greece”], o historiador Mark Mazower afirma que a Grécia talvez seja o país que mais sofreu com o jugo nazista – depois da Rússia e da Polônia – e que ela passou por uma “pilhagem sistemática de seus recursos”. Em 1941, os nazistas impuseram ao Banco Central grego, assim como fizeram em outros países, um empréstimo de 476 milhões de reichsmarks a título de contribuição para o esforço de guerra.

            Esse “empréstimo” nunca foi pago, pela simples razão de que ele não figura no acordo de Londres de 1953 que determina o montante das dívidas externas contraídas pela Alemanha entre 1919 e 1945. Para não repetir os erros do tratado de Versalhes e poupar esse novo aliado do Oeste diante da ameaça comunista, os Estados Unidos consentiram em reduzir a dívida da Alemanha pela metade. Solicitou-se às vítimas da Ocupação que elas esquecessem seus pedidos de reparação. O objetivo estratégico dos aliados era edificar uma Alemanha forte e serena, e não arruinada pelas dívidas e humilhada.

            Washington conseguiu sobretudo dos países beneficiários do Plano Marshall que eles desistissem de exigir imediatamente o que lhes era devido, adiando possíveis reparações para um reunificação da Alemanha como parte de um “tratado de paz”. “A partir daí, a Alemanha teve plena saúde, enquanto o resto da Europa sofria para curar as feridas deixadas pela guerra e pela ocupação alemã”, resume o historiador da Economia Albrecht Ritschl, professor alemão da London School of Economics, em uma entrevista ao “Der Spiegel” (em versão francesa no “Courrier International”).

            A Alemanha deu o calote três vezes
            Esse adiamento permitiu que a República Federal da Alemanha vivesse um verdadeiro “milagre econômico”, o famoso Wirtschaftswunder, durante quatro décadas. E na hora de pagar a conta, Bonn deu um jeito de não honrar seus compromissos. O chanceler Helmut Kohl conseguiu de fato que o Tratado de Moscou de 1990 ratificando a reunificação não trouxesse a menção “tratado de paz”, uma das condições que figuravam no acordo de 1953 para possíveis pagamentos. “Era uma forma de continuar fugindo das reparações. “Na prática, o acordo de Londres de 1953 liberava os alemães da obrigação de pagar suas dívidas de guerra”, resume o jornal alemão.

            Em outras palavras, o atual campeão econômico da zona do euro deu o calote três vezes ao longo do século 20: nos anos 1930, em 1953 e em 1990. “A Alemanha não pagou suas reparações após 1990 – com exceção das indenizações pagas aos trabalhadores forçados”, diz Albrecht Ritschl ao “Der Spiegel”. “Os créditos obtidos à força nos países ocupados durante a Segunda Guerra Mundial e os gastos associados à Ocupação tampouco foram pagos. À Grécia também não.” Mas “ninguém na Grécia se esqueceu de que a República Federal devia sua boa forma econômica aos favores consentidos por outras nações”, ele diz.

            A República Federal indenizou a Grécia uma única vez: 115 milhões de marcos alemães (cerca de 58 milhões de euros). Foi em 1960, como parte de um acordo global com diversos países europeus e Israel. Desde então, a Alemanha acredita ter quitado sua dívida. Melhor ainda, ela não hesita em lembrar que ela “pagou desde 1960 cerca de 33 bilhões de marcos alemães em ajuda à Grécia, tanto de maneira bilateral como parte da União Europeia”. A isso se deve acrescentar que a Grécia recebeu mais de 545.68€ milhões da época como parte do Plano Marshall.”

            Só que nesse período de crise continental, nem todo mundo, inclusive na Alemanha, se satisfaz com os imensos favores concedidos a Berlim após a guerra. Sufocados por suas dívidas e pressionados por Berlim a aplicar os planos de austeridade, há cada vez mais gregos querendo dividir parte de seu fardo com seus antigos invasores.
            A soma de 162 bilhões de euros mencionada vai bem além do pagamento do empréstimo forçado, estimado entre 54 bilhões e 81 bilhões de euros. Além disso, ela engloba os 108 bilhões avaliados durante a Conferência Internacional de Paz em Paris para a reparação dos prejuízos causados pelas tropas nazistas à infraestrutura econômica do país.

            Sergio Lamarca de Le Monde


          • Mais outro artigo que testemunha a “boa fé” da alemanha:
            “http://www.ionline.pt/opiniao/ingratidao-falta-memoria”
            “A Alemanha regista a pouco honrosa distinção de ter entrado em bancarrota em 1920 e em 1953. Da última vez, Berlim contou com a ajuda financeira da Grécia”

            DIE WELT, reproduzido na TIME:
            “Outra questão legal que irrompeu relaciona-se com os 476 milhões marcos alemães emprestados contra vontade á Alemanha pelo Banco Nacional Grego durante a guerra. Se isto fosse considerado como uma forma de prejuízos de guerra, seria em princípio assunto de indemnização _ excepto se de acordo com o tratado de 1990, a Alemanha não o tivesse de pagar. Se o dinheiro fosse considerado crédito normal, então a Grécia teria direito ao retorno do dinheiro.

            Sem juros, a soma ascenderia hoje 14 biliões de dólares. Com juros a 3% em 66 anos, atingiria pelo menos 95 biliões de dólares. O problema é o seguinte: mesmo só o reconhecimento parcial de uma tal dívida criaria um precedente que traria reivindicações enormes no seu rasto

            Quanto às questões legais o Pet deve andar distraido.Os membros da oligarquia grega responsáveis pela governação da Grécia ( o bloco central de interesses de lá,neoliberal e corrupta quanto baste) foram cúmplices das negociatas com os alemães.
            Como sucedeu em Portugal as ditas elites trairam os interesses do povo grego.
            Ora acontece que as coisas começam a ser questionadas.E estão a levantar-se processos em tribunal por parte de instituições gregas.
            Porque e por mais que isso custe ao Pet “as reivindicações dos descendentes das vítimas gregas continuam. O caso mais conhecido foi feito pelos filhos dos residentes de uma vila chamada Distomo que foram mortos em 10 de Junho de 1944, no que os alemães chamaram de “acção retaliatória”. Em 1997 receberam o veredicto de que tinham direito. Depois de muita disputa legal, o caso está no Tribunal Internacional de Justiça de Haia.”
            A máquina está em andamento.O juízo da História também

  2. AACM says:

    Manuela FL ?????? o autor deste post apresenta cada expert….mas que anedota…….viva a Alemanha abaixo os subsidiodependentes.

    • Carlos Fonseca says:

      Leia a página do Caderno de Economia do último fim-de-semana do ‘Expresso’, o artigo ‘Sem Perdão’, na página 3. Evitará continuar a fazer figura de ignorante e e……… (isso mesmo!).

    • nightwishpt says:

      Ora bem, quando param os subsídios à banca então?

  3. adelinoferreira says:

    carlos fonseca o seu erro é considerar o Gaspar um dos nossos. Esse imbecil é
    mais um boy de Chicago!

    • Carlos Fonseca says:

      Admito não ter sido claro, mas a intenção era demonstrar que Gaspar não está do nosso lado e escrevi:
      há que preparar e cuidar do interesse pessoal…os portugueses que se amanhem!, é o que pensará.
      Tem razão. É, de facto, um Chicago boy.

  4. joao riqueto says:

    O sr Gaspar deve estar mas é do lado do sr Garrett Hardin , um dos apologista da seleção natural, o homem da “Tragédia dos Bens Comuns” e da externalidades.
    Será que vamos levar com a externalidade negativa, ou os tipos querem é exterminar os mais fracos?

    • Maquiavel says:

      Sim, os neoliberais querem é exterminar os mais fracos, entendido como os menos ricos. Há dúvidas?

  5. manuel.m says:

    Há um pequeno detalhe que merece ser lembrado :
    O Artº 63 do tratado da Ue establece o principio do livre transito de pessoas e bens (financeiros) entre os Estados membros :

    «…On the basis of these provisions and of those liberalising banking, stock-exchange and insurance services [see sections 6.6.1, 6.6.2 and 6.6.3], the EC/EU financial market has been completely liberalised since January 1, 1993. European businesses and individuals have access to the full range of options available in the Member States as regards banking services, mortgage loans, securities and insurance. They are able to choose what is best suited to their specific needs or requirements for their daily lives and for their professional activities in the large market….»

    Ora, por imposição da troika, Chipre está sujeito a um regime de severa restrição da liberdade de circulação de capitais o que é obviamente é uma flagrante violação dos tratados.
    A consequencia mais imediata é a de que,por exemplo, um depósito bloqueado de €100.000 num Banco cipriota,vale hoje bastante menos que a mesma quantia depositada num Banco alemão, ou seja os Euros que estão em Chipre já não são bem os mesmos que os que circulam no norte da Europa.
    Mas mais ainda ,quando a UE, o FMI e o BCE aprovam o confisco de 40% dos depósitos acima dos €100.000, confisco esse que era para ser de 6.7% de todos os depósitos abaixo dessa quantia, foi establecido um precedente o que faz com que os Euros depositados em Bancos da Grécia,Portugal, Espanha e Itália tambem já não sejam exactamente iguais aqueles que estão em Bancos do norte da Europa.
    Carlos Fonseca ,a quem saúdo,quererá certamente esclarecer os leitores do Aventar sobre as implicações disto tudo.
    manuel.m

    • Carlos Fonseca says:

      Estou-lhe imensamente grato pelo comentário. Ter gente ética, dotada de capacidade e lucidez a comentar o que o escrevo é atitude que reconheço; isto, independentemente de poder discordar comigo.
      Aceito e vou seguir a sugestão de publicar um ‘post’ alusivo ao Tratado da UE de 1993 e a infracção no caso do Chipre.
      Um abraço e muitos sucessos,
      Carlos Fonseca

  6. joao riqueto says:

    Só ama o Bem quem odeia o Mal !!!

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