Uma choldra com Constituição

A forma como está a ser noticiada a contratação de uma ex-governante pelos mercados é sinal de que a manipulação da realidade ultrapassou o ponto de não retorno.

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Vítor Gaspar informa: meta do défice para 2015 não será cumprida

Gaspar

Em Agosto, o governo garantia aos portugueses que o défice de 2015 ficaria abaixo dos 3%, sem necessidade de recorrer a medidas adicionais.

No início de Setembro, a UTAO revelava que o défice no primeiro semestre, ajustado de medidas extraordinárias, rondaria os 4,7% e que para conseguir atingir a meta dada como garantida pelo governo seria necessário que o valor do défice não ultrapassasse 1% durante o segundo semestre de 2015.

Passos não desarmava e, no calor do combate eleitoral, chegaria mesmo a afirmar que o atingimento da meta dos 3% era “uma questão de honra“. Os amigos do Banco de Portugal ainda tentaram vir ontem em socorro do cacique mas Vítor Gaspar, directamente do quartel-general do FMI e de folha de Excel em punho, colocou um ponto final na encenação e apresentou a revisão em alta do Fundo para os números do défice: 3,2%, meio ponto percentual acima da previsão utópica feita para iludir gado ovino em período pré-eleitoral e, ainda assim, uma previsão muito optimista e simpática para um valor que actualmente se aproxima mais do dobro do valor anunciado pela propaganda governamental.

Mais um embuste deste governo, mais uma meta que não será cumprida. Resta saber que desculpa irão os Pàf’s usar desta vez para encobrir o logro.

Contra o Orçamento do Estado para 2015

É um orçamento evidentemente de rigor
— Miguel Macedo

 

Evidentemente.

Acerca do Orçamento apresentado às Cortes, em 1836, Francisco António de Campos, ministro da Fazenda no Governo de José Jorge Loureiro, de 18 de Novembro de 1835 a 20 de Abril de 1836 – além de autor quer de A lingua portugueza é filha da latina, quer da primeira tradução portuguesa das Metamorfoses ou O Burro de Ouro de Apuleio (nas palavras de Costa Ramalho, “uma tradução digna, ainda hoje, de ser lida”)–, escrevia o seguinte:

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Hoje, como acabámos de saber, foi dado mais um passo acelerado para a nossa ruína e verifica-se que, desde a proposta de 2012 (“em Outubro de 2011, Passos Coelho apresentou o seu primeiro Orçamento anual, o que passaria a vigorar em 2012“), a acção do tempo não foi reparadora.

Espero que António Costa mantenha a sensata decisão de votar contra a proposta que o Governo entregou há pouco na Assembleia da República. Efectivamente, como previsto ontem por Heloísa Apolónia, o Orçamento do Estado para 2015 é um “Orçamento do Estado da continuidade”. É verdade que Apolónia termina a frase com “da austeridade”, mas [Read more…]

É insultuoso dizer que Gaspar foi o 4.º elemento da Troika

Claro que não foi o 4.º elemento da Troika. Foi o 1.º.

Com o devido respeito

Exactamente: with all due respect. Vítor Gaspar, hoje, duas vezes, no Público.

Ruptura

oligarquia21

Esta manhã, num dos canais de rádio do serviço público, ouvi um jornalista (um jornalista? talvez melhor escrevendo: um funcionário) a «fazer-se» a uma viagem, e um entrevistado (ou talvez melhor escrevendo: um «cliente») sem mais demoras nem pudores a convidá-lo. É este tipo de coisas e de pessoas que já não se aguenta. Sim, são as coisas (e as pessoas que as fazem) a que também o antigo ministro das Finanças aludiu na sua entrevista, agora livro (porquê livro? não há jornais?) à decana Maria João Avillez. O Estado corporativo das teias finas de interesses de todas as naturezas e de micro e de médios sistemas de poderes e de sub-poderes subsiste – no funcionário tolo da corrupçãozinha pequenita, como nos muitos mais que sobrevivem por aí em cima da miséria da maioria. Vergonha de gente no meu país (digo-o «meu» para dizer que sou dele) que assim nunca mais rompe com o sistema profundamente injusto e anti-democrático que já não se aguenta. Será sem dúvida esta a mais intangível «obra» do Dr. Salazar: a que naturalmente não morre com reformas. É também por estas que alguns dos que agora emigram não querem voltar jamais: não aguentam esta imoralidade. Começa, começou já, justamente aí, a ruptura. Mas é um rompimento que não age sobre o essencial, porque no território ficam os que não se importam de fazer o que for preciso para que tudo continue na mesma e eles próprios (e os seus, e os seus «clientes») se mantenham à tona.

Afinal Roma paga aos traidores

Arnaut na Goldman Sachs, Gaspar no FMI. É a diáspora dos ladrões.