A greve dos ferroviários

greve_ferroviarios[Miguel Teixeira]

A minha solidariedade com as razões da greve dos ferroviários. Impor que um Comboio carregado com centenas de pessoas passe a circular só com o maquinista (por razões meramente economicistas, – o dinheiro, sempre o dinheiro a condicionar a vida das pessoas), – não me parece minimamente aceitável, colocando em causa a segurança dos utentes deste meio de transporte. No mundo, porque isto não sucede só em Portugal, andamos a brincar com coisas demasiado sérias, com a cumplicidade dos governos. A vontade de “comedoria” dos administradores de empresas de transportes, concessionárias de serviço público não tem limites.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    O mundo mudou desde que fomos invadidos pela cáfila de “gestores” de folhas Excell que transformam tudo em números, com mais ou menos cifrões para justificarem as suas opções de “gestão”.
    Tivemos aqui um caso na cidade do Porto, como presidente da câmara, que acabou por destruir património de uma forma irresponsável, ao transformar os verdes jardins de Barry Parker da Avenida pelo frio e cinzento granito.
    Ao mesmo tempo, desapareceram os canteiros da cidade e os jardins foram miseravelmente mutilados, como aconteceu na Cordoaria.
    Uma visão puramente economicista, contrária aos interesses da cidadania.
    A história dos comboios, é igual. Esta gente descobriu o dinheiro e tornaram-se insensíveis nas suas opções e todas elas contra o cidadão.
    Quando olho para estes “gestores”, mais não vejo que reles merceeiros que têm na orelha um lápis rombudo e um papel de cartuxo para fazer contas. Com todo o respeito que me merece a classe dos merceeiros, entenda-se…


  2. …” Impor que um Comboio carregado com centenas de pessoas passe a circular só com o maquinista (por razões meramente economicistas, – o dinheiro, sempre o dinheiro a condicionar a vida das pessoas), – não me parece minimamente aceitável, colocando em causa a segurança dos utentes” !!!!!

    É isso, Miguel Teixeira, e agravado ainda com o recente relatório preocupante sobre o mau estado de toda a linha ferroviária nacional !!

  3. Rui Naldinho says:

    Meados de Setembro. Início do ano lectivo, mas ainda com turismo a “potes” pelas cidades de Itália.
    Será que eles têm época baixa? Duvido.
    Viagem entre Bolonha e Florença, e vice versa uma semana depois. Duração do percurso entre as duas cidades, cerca de 50 minutos no comboio de alta velocidade, conhecido por “frecciarossa”, numa daquelas viagens à Toscania. Não há pré validação dos bilhetes comprados na net. Apenas uma folha A4 com um código de barras, o preço, a identificação do passageiro, presumo.
    Comboio completamente cheio. Revisor, nem vê-lo! Este vinha de Veneza e ia para Nápoles.
    As pessoas olham-se umas nas outras, cada uma falando a sua língua nativa, em pequenos grupos, com alguma predominância do italiano e do inglês.
    Não vi um único revisor ou qualquer fiscal.
    Perguntam-me:
    E acha bem?
    É óbvio que não. Nem podia achar, “a não ser que achasse estarmos no paraíso”.
    Percebe-se que aquilo está já formatado para pessoas que dominam as redes digitais, a informação on line, enfim, um mundo de novas tecnologias que os mais velhos não dominam. Ou dominam de forma incipiente.
    E a segurança, não conta?
    Um zero absoluto. Muitos polícias nas estações, apinhadas de gente, mas nenhum funcionário dos caminhos de ferro, visível no comboio. Um revisor, não é um polícia. Mas é alguém informado. A vários níveis. E é dentro do comboio que ele faz mais falta.
    Depois é “rezar”, para que tudo corra bem.

    Caro, Senhor Teixeira.
    Desengane-se, porque “esta Europa nåo é para velhos”, e talvez mesmo, para crianças.

  4. Fernando says:

    “Impor que um Comboio carregado com centenas de pessoas passe a circular só com o maquinista (por razões meramente economicistas, – o dinheiro, sempre o dinheiro a condicionar a vida das pessoas)”

    Um neoliberal diria que a vida humana é sobrevalorizada, a não ser a do próprio neoliberal, claro…

  5. Paulo Marques says:

    Eu não sei se um técnico chega ou não, mas o argumento de que é o que os outros fazem não cola. Primeiro, porque também outros 18 países têm a EMU e não é por aí que é boa ideia; segundo, tenho dúvidas que tenham veículos com peças tão velhas, por muito que o desenrascanço seja uma qualidade nacional.

    • Paulo Marques says:

      Terceiro, há várias décadas que as alterações nos tranportes não são propriemante por razões técnicas; quarto, independentemente do resto, os maquinistas seguem o exemplo neoliberal do topo (governo e administração), fazem pela vida que ninguém faz por eles.

  6. Luís Lavoura says:

    1) Ninguém impõe que o comboio circule só com o maquinista. A lei permite isso, não o impõe.
    2) A CP circula sempre com dois ou mais trabalhadores. Porque é que, então, a greve foi dirigida contra a CP? A greve deveria ter sido dirigida contra aquelas empresas que circulam só com um trabalhador, não contra a CP!

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