We’ll always have plastic!

Dizem os especialistas que, lá para 2050, teremos mais plástico do que peixes no mar. Trata-se de uma das várias consequências das opções desse simpático grupo de crianças inconsequentes que dá pelo nome de Humanidade, especialista em futebol, redes sociais e reality shows parolos, mas globalmente incapaz de, por exemplo, separar o lixo que produz, como o macaco Gervásio por cá tentou ensinar, sem grande sucesso, já lá vão quase 20 anos. Sem grandes surpresas, o slogan “Se o Gervásio consegue, tu também conseguirás” continua ensombrado pelo “inconseguimento“.

Mais do que não conseguir imitar o macaco, o que nos diz muito sobre a evolução das espécies, o ser humano continua a contaminar todo o planeta, para gáudio dos interesses financeiros que orbitam em torno de empreendedorismos vários, como o do plástico barato e descartável. Para não falar em ironias como esta. Felizmente, e porque nem toda a humanidade dispensou os serviços dos seus neurónios por tempo indeterminado, o macaco Gervásio conseguiu sensibilizar alguns, o que demonstra que ainda há quem dê ouvidos aos ensinamentos dos seus antepassados.

Porém, há quem olhe para a grunhice reinante e veja nela uma oportunidade, como foi o caso de dois designers portugueses, Adriana Mano e António Barros, que decidiram recolher embalagens de plástico que todos os dias dão à costa, transformando-as em sandálias. Cada par de sandálias Zouri consome cerca de seis garrafas de plástico para ser produzido, faz referência à praia onde o plástico foi recolhido e não será confundido com comida por qualquer um dos cerca de 100 mil mamíferos marinhos que todos os anos morrem devido a complicações relacionadas com as 8 milhões de toneladas de plástico que são anualmente despejadas nos oceanos. Bem-hajam por isso!

A este ritmo, dentro de poucos anos, a dívida pública será uma brincadeira de miúdos, inconsequentes ou não, comparada com catástrofe ambiental que, qual bola de neve, desce montanha abaixo sem que se lhe dê a devida importância, até que toda a fauna e flora sejam atropeladas e contaminadas. Sem salvação possível. Mas o plástico, esse, nunca nos faltará.

Comments


  1. …..” grupo de crianças inconsequentes que dá pelo nome de Humanidade, especialista em futebol, redes sociais e reality shows parolos, mas globalmente incapaz de, por exemplo, separar o lixo que produz…” !!!

    Existem eco pontos a 30 metros e as pessoas aqui da zona aonde vivo deitam o lixo de papel, plástico e vidros e etc nos contentores normais que estão colados ás casas ou no chão desses mesmos contentores !!!
    Espectáculo diário e continuado, de gente jovem, mentalidade tuga e de povo atrasado e ignorante !

    E resta acrescentar quais as autarquias que cumprem realmente com a separação e reciclagem !!!

  2. Paulo Marques says:

    Bom, ainda bem que só vai haver uma única catástrofe ambiental, pode ser que a humanidade ainda sobreviva. 🙂

  3. Carlos Almeida says:

    Boas

    Infelizmente o problema do plástico nos mares é bem maior do que a presença de sacos, cotonetes e palhinhas, o que por si já é um enorme problema.
    Os micro plásticos, resultantes das lavagens de roupa com tecidos sintéticos, são enviados para os esgotos domésticos e vão parar aos rios e mares, simplesmente porque são tão pequenos que os filtros das ETAR não os conseguem reter, é outro enorme problema para os seres vivos muito pequenos como as minhocas, bivalves, causando problemas de saúde e morte a estes pequenos animais que estão na base da pirâmide alimentar de crustáceos, peixes ate chegar a nós humanos.
    Se não houver uma mudança radical que impeça a a confecção de vestuário com tecidos sintéticos não bio degradáveis, esse vai ser o maior problema a médio e longo prazo.

    Mas se uma coisa tão óbvia como não usar sacos de plástico nos supermercados, parece tão difícil de implementar, roupas de tecidos bio degradáveis, só no século 22.


    • E eu que odeio vestuário sintético e nem o suporto, nunca tinha pensado nisso, Carlos Almeida, tem toda a razão !

      • Luís Lavoura says:

        A Isabela odeia vestuário sintético, mas quase toda a roupa interior feminina é feita de tecidos sintéticos…


  4. A reciclagem não resolve quase nada. O que resolve o problema é não produzir. E principalmente não consumir. Só quando não se consome e não se produz é que não polui. Reciclar é aliviar a consciência pesada. As pessoas consomem hoje como nunca consumiram, têm uma pegada ecológica brutal, são precisos quatro planetas, mas depois separam os resíduos como se isso fosse resolver alguma coisa. A Reciclagem é um negócio! Fariam mais pelo mundo se não trocassem de carro a cada 5 anos, de telemóvel a cada seis meses, se não viessem carregados de roupa para casa (que não vão usar) quando há saldos e compram só porque está barato. Compra-se, compra-se compra-se!! Ah, mas depois fazem a reciclagem! Grande coisa!
    Se não aprenderam ou esqueceram os 3 R eu relembro-vos. Antes da Reciclagem vem o Reduzir e vem o Reutilizar!! Então comprem menos, consumam menos. Usem as coisas o máximo que puderem. Reutilizem. Dêem uma nova vida. Isso sim faz faz alguma coisa pelo planeta. Agora consumirem até não poderem mais, e depois virem dizer que separam os resíduos, só se for mesmo para aliviar a consciência pesada.


    • …pois que eu não sendo consumista nem tendo sido formatada para tal, muito pelo contrário, compro a quantidade mínima na qualidade máxima possível. mas claro que em nossas casas se vai acumulando o lixo de papel, vidro e embalagens de bens estritamente necessários e que não são vendidos avulso !! mesmo reutilizando o possível .
      Pois fazer o quê desse tipo de lixo que não em contentores normais, claro que há que separar e lançar nos ecopontos acreditando nas reciclagens anunciadas !
      e sim fazermos campanhas contra as mentalidades do consumismo desenfreado e em tudo o que seja acudir a este planeta que nem é nosso, pois que o pedimos emprestado aos nossos filhos !!!!


    • você disse, sucintamente, absolutamente tudo! Parabens. Subscrevo as suas palavras


  5. Muito bem que retire 6 garrafas para fazer umas sandalias. O problema, é que passados algum tempo essas mesmas sandalias poderão andar a boiar algures no meio do Atlantico. A reciclagem é uma aldrabice, embora sempre necessaria pois apenas uma pequena parte do lixo que se produz é efectivamente reciclado. E o acto de reciclar é ele proprio um acto que implica poluição. O papel/plastico/metal/vidro velhos não se enfia num lado de uma maquina e sai do loutro lado novinho. Dos automoveis apenas se recicla o metal, pois tudo o resto é despedaçado em milhões de pedacinhos e incinerado. Isto para dizer que o homem vai ter que produzir é menos porcaria, menos folhetos de superficies comerciais, menos revistas, menos embalagens plasticas ………menos tudo.

  6. Luís Lavoura says:

    A propósito do inconseguimento de separar o lixo, eu questiono quantos fumadores portugueses é que conseguem perceber que uma “beata” (ou “pirisca”) é lixo e que deve ser depositado, como tal, num caixote do lixo.
    A maior parte dos fumadores portugueses, incluindo dos ambientalmente conscientes que conseguem separar o lixo, não conseguem perceber que uma beata é lixo e atiram-na para todo o lado menos para um caixote do lixo (devidamente apagada, claro).


    • Sim, sendo as beatas com filtro que são lançadas para o chão ( que não em países civilizados ! ) e levadas pela água da chuva para os esgotos altamente poluidoras !!

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