Viva a ministra da Cultura e morte às touradas

Para começar, o argumento de que os comedores de carne não podem criticar as touradas não pega. É totalmente diferente matar animais para a alimentação ou matar para o divertimento do ser humano.
Dizer que ninguém é obrigado a ver – «quem não gosta, não veja!» – também é descabido. Posso não ver, mas vai acontecer na mesma. É isso que está em causa – o que está a acontecer e não se eu gosto ou não, se vejo ou não.
É, pois, uma questão de civilização, como muito bem diz a ministra da Cultura. E como as touradas não são cultura nem são nada, não deviam ser taxadas a 13% mas sim à taxa máxima do IVA.
De resto, nem sequer sou a favor da proibição. As touradas vão morrer a médio prazo, sim, mas de forma natural. Sem ataques, sem proibições. Apenas porque os valores civilizacionais vão falar cada vez mais alto.
Só espero que esses tais valores civilizacionais cheguem em breve à indústria alimentar.
Disse alguém um dia que, se os matadouros tivessem janelas em vez de paredes, ninguém comia carne.
É verdade e, por muito que custe aos anti-touradas, quem dera que os animais da nossa alimentação fossem tratados como são tratados os touros. Vida de luxo, a dos cornudos, anos e anos em saudável liberdade até à semana fatal. Os animais que comemos nascem, vivem e morrem em cativeiro; comem, mijam e são inseminados artificialmente – tudo no mesmo sítio. Até serem levados, em transportes colectivos pouco arejados, para o matadouro.
Quem lhes dera, a eles, serem touros!

A eles, aos animais do circo, aos animais da indústria da moda e dos cosméticos, etc, etc.
Por motivos profissionais, contactei de perto, há anos, com os forcados de Vila Franca. Mesmo sabendo o estado em que o touro lhes chega às mãos, são os únicos que respeito naquilo a que chamam de «festa».
Com eles, aprendi a relativizar as touradas no contexto dos maus-tratos aos animais. Há tanta coisa, mas tanta!, pior do que as touradas.
Que as deixem morrer aos poucos – que a civilização humana não aguentará por muito mais tempo tamanha selvajaria tão à descarada – e que se dediquem sobretudo àquilo que as paredes de cimento continuam a esconder e a considerar como natural.

Comments


  1. “(…) Só espero que esses tais valores civilizacionais cheguem em breve(…)” 😉

  2. JgMenos says:

    «as touradas não são cultura nem são nada»

    A cultura faz-se nas pastelarias com cretinos urbanos sentados à volta de uma mesa!

    E quanto aos touros que se fodam, castrem-nos e dêem-lhes calmantes e ponham-nos para bifanas.

    Progressistas de merda!

    • abaixoapadralhada says:

      Padreca de merda.
      F. duma curta de Jesuita

    • ZE LOPES says:

      Estou solidário com os desabafos de V. Exa. principalmente para a falta de reconhecimento social da atividade a que se tem dedicado há, anos a esta parte: a de peão de brega. É realmente uma profissão muito digna e muito incompreendida.

      Tanto é que, porque insistem em frequentar pastelarias em vez de curros, os novos “aficionados” não passam de turistas que se divertem a ver um gajo a correr à frente do touro ou a pegá-lo ao colo, embora pelos cornos.

      São esses tipos que, numa prática consentida por certos “inteligentes”, e entre dois pastéis de nata, se dedicam a cravar bandarilhas nos peões de brega, ao mesmo tempo que gritam pela libertação do touro, que sonham ver transformado em empadas, para gaudio de uma certa intelectualidade. Pelo caminho, ainda drogam os touros, não pensem eles tentar entrar diretamente na pastelaria sem passar pela picadora.

      Pelo caminho, alguns são castrados. E é a sorte deles, porque não são bifanados. Pelo contrário, após algumas aulas de canto, engrossam o naipe de sopranos do Coro Gulbenkian. Só voltam à lide durante as encenações da “Carmen”.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Este Jg é claramente MENOS, mas em má educação é um MAIS…. O Trump à beira dele é um anjo de coro…

  4. Manuel Silva says:

    Se a tourada é cultura, ao canibalismo é culinária.
    Já imaginaram o Menos a ser lançado de pára-quedas numa selva, sobre uma tribo de canibais, até lhe chamavam toucinho do céu.


  5. Excelente, 5 * ! Estou inteiramente de acordo com tudo o que afirma e denuncia, felicito-o, Ricardo F. Pinto !

    ” É, pois, uma questão de civilização, como muito bem diz a ministra da Cultura. E como as touradas não são cultura nem são nada, não deviam ser taxadas a 13% mas sim à taxa máxima do IVA. ” !!!!

    ” porque os valores civilizacionais vão falar cada vez mais alto.
    Só espero que esses tais valores civilizacionais cheguem em breve à indústria alimentar. ”

    …na mouche !!

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