Bom 2019

Para todos os que fazem o Aventar, autores, convidados e leitores, votos de um bom 2019.

Imagem: Paresh Nath, politicalcartoons.com

Para os entusiastas

A agenda mediática e política

Imagem: Diário de Notícias, edição impressa de 23/12/2018. Clicar para aumentar.

Ouvindo os ecos da política difundidos pela comunicação social, ficamos a saber que os temas quentes são a contagem do tempo de serviço dos professores para efeitos de progressão na carreira, a empolada manifestação nacional dos coletes amarelos e  a greve dos enfermeiros e de outras classes com menos capacidade mediática, tais como os oficiais de justiça. [Read more…]

A escravatura e o Dr. Chef Avillez

Obrigado, Dr. Jovem, por continuar a iluminar o nosso caminho, obscurecido pelos esquerdalhos totalitários.

A urgência de encarcerar Armando Vara

Sem título

Fotografia: Luís Barra@Visão

Armando Vara foi constituído arguido, no âmbito do processo Face Oculta, em Outubro de 2009. Em Fevereiro de 2011, foi acusado de três crimes de tráfico de influência pelo Ministério Público. Em Setembro de 2014 foi condenado a 5 anos de prisão efectiva pelo tribunal de primeira instância. Recorreu para a Relação e perdeu o recurso. Recorreu para o Supremo e o recurso não foi admitido. Recorreu para o Constitucional que, em Julho deste ano, recusou o último recurso. [Read more…]

Fiscalidade amiga dos deputados

AR

Estas coisas emergem de esgotos noticiosos ou de sites onde o fakenewsismo abunda, e a malta fica com a sensação que ali poderá haver gato (espero que esta expressão escape a malha fina do PAN). Mas eis que o Polígrafo mete mão na coisa, e a esmiúça até ao tutano, e fica confirmado para a posteridade que sim, os rendimentos dos deputados da nação beneficiam de um regime fiscal mais simpático que os demais mortais. E a cereja no topo do bolo? São as ajudas de custo e outros “extras”, incluindo aqueles que derivam de vigarices relacionadas com deslocações ou declarações de residência, que escapam ao leviatã fiscal. [Read more…]

Anedota de fim de ano

Não há nada como a boa disposição para ajudar a acabar um ano e a começar outro. Por isso decidi, a título absolutamente excepcional, sem exemplo, contar aqui uma pequena anedota:

Um dos advogados da equipa jurídica que acabou de salvar o Benfica de ir a julgamento no processo “e-toupeira”, é membro do Conselho de Prevenção da Corrupção, uma entidade administrativa independente que funciona junto do Tribunal de Contas e tem como fim desenvolver, nos termos da lei, uma actividade de âmbito nacional no domínio da prevenção da corrupção e infracções conexas (artigo 1º da Lei nº 54/2008).

Bom Ano!

O Natal dos professores

Santana Castilho*

1. Depois de várias manobras pouco abonatórias, a AR aceitou a Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) para contagem de todo o tempo de serviço prestado pelos professores. Reitero o apreço pelo trabalho dos proponentes. Romper o ciclo da democracia fechada e enquistada nos diferentes aparelhos, abrindo uma fresta diferente de participação, é obra e merece cumprimento.

E agora? Agora, nem que Cristo desça à Terra, o chumbo está garantido. Com efeito, a AR não pode impor normativos que gerem despesa sem provisão em Orçamento de Estado. E o de 2019 foi aprovado, como convinha (e as manobras dilatórias providenciaram), antes da aceitação, discussão e votação da ILC. Mas sobra contrariedade para o Governo e entalanço para os partidos e deputados, que vão ter de cambalhotar nos bastidores antes de saltar para o trapézio. Estou de lugar cativo na plateia. [Read more…]

A Venezuela europeia da direita portuguesa

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Viktor Orban, o fascista que a imprensa controlada pela extrema-esquerda apelida de conservador, não vá a PIDE do politicamente correcto fazer-lhes uma visita, deu mais um passo no sentido de fazer a Hungria Great Again.

A poucos dias do Natal, para que não restassem dúvidas sobre a matriz católica apostólica romana que o norteia esta nova Hungria, onde a extrema-direita assume, sem rodeios ou cosmética, o namoro com neoliberalismo, Orban decidiu aumentar de 250 para 400 o número de horas extraordinárias anuais que o patronato pode exigir aos seus trabalhadores – e aqui a palavra “seus” assume contornos notoriamente esclavagistas – bem como de um para três anos o prazo-limite para proceder ao seu pagamento. [Read more…]

O pecado do capitalismo selvagem, segundo Francisco

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Belém: o nome significa casa do pão. Hoje, nesta «casa», o Senhor marca encontro com a Humanidade. Sabe que precisamos de alimento para viver. Mas sabe também que os alimentos do mundo não saciam o coração. Na Sagrada Escritura, o pecado original da humanidade aparece associado precisamente com o ato de tomar alimento: «…agarrou do fruto, comeu» – diz o livro do Génesis (3, 6). Agarrou e comeu. O homem tornou-se ávido e voraz. Para muitos, o sentido da vida parece ser possuir, estar cheio de coisas. Uma ganância insaciável atravessa a história humana, chegando ao paradoxo de hoje em que alguns se banqueteiam lautamente enquanto muitos não têm pão para viver.

Adoro quando o Papa Francisco usa o seu poder mediático para nos lembrar que o capitalismo selvagem e as suas elites opulentas e corruptas são um nojo. Nunca é demais recordar.

Alexandra Leitão

Alexandra Leitão, Secretária de Estado Adjunta e da Educação, tem, como todos os outros membros do executivo, uma nota biográfica no sítio da internet do XXI Governo Constitucional da República Portuguesa.

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No país do “rir é o melhor remédio”

“Portugal não é um país para gente séria. Quem é sério está tramado.” “Detesto viver neste país faz de conta, de tansos, cobardes, ladrões, corruptos e sem lei. Portugal mais parece o Far West. Não sei se dá para rir ou chorar!? Somos um país de paródia, sem direito, sem razão, sem uniformidade, sem equidade, sem rigor, sem dignidade, sem imparcialidade”, frisa Joaquim Jorge.

Todos sabemos que rir é das coisas melhores da vida. De preferência à gargalhada, até às lágrimas.

Mas rir da tristeza

– das leis que não são para cumprir (ou só para alguns cumprirem) e dos alçapões das leis; da sangria aos cidadãos para assegurar lucros privados; da corrupção pequena e grande e da impunidade; da subserviência aos chefes e da prepotência dos chefes; da arrogância de funcionários que nos deveriam servir dignamente; do empurra-empurra de competências entre instituições, para se pouparem ao trabalho; das cunhas imprescindíveis para resolver o que deveriam ser direitos; da desorganização que nos faz perder tempo de vida; do sebo das amigalhices e negociatas por baixo dos panos (ou até por cima); do poder opaco de certas Ordens empresariais, profissionais, clubistas ou secretas; do “se não aproveitas és burro”; da comentadoria emproada e produtora de nevoeiros; da generalizada desresponsabilização pelo bem comum e pelo planeta; da sobranceria perante o empenhamento cívico em prol de causas públicas, onde ele existe, e da falta do mesmo; do desistir “porque não adianta nada”, do enfiar a cabeça na sua própria vidinha e interesses –

rir de tudo isto, não é mais do que cinismo. Cinismo e canalhice.

Sejamos melhores em 2019, se possível, sem deixarmos de rir. Chin chin.

Nascer da Terra: uma imagem icónica com 50 anos

“Ninguém lhes havia dito para procurar a Terra. Era véspera de Natal de 1968 e a primeira missão tripulada à lua chegara ao seu destino. Quando a Apollo 8 entrou na órbita lunar, a tripulação preparava-se para ler passagens do Génesis para uma transmissão televisiva. Mas, à medida que o módulo de comando completava a sua quarta volta, ali estava ela, visível através da janela – um enfeite azul e branco suspenso no preto acima do severo cinzento da lua.

Antes daquele momento, há 50 anos, ninguém havia visto o nascer da Terra. Esta visão fez Bill Anders, o fotógrafo da missão, precipitar-se para a sua máquina fotográfica. Colocou um rolo de 70mm colorido na Hasselblad, definiu o foco para o infinito e começou a fotografar através da teleobjectiva.

O que ele capturou tornou-se numa das imagens mais influentes da história. Força motriz do movimento ambientalista, a imagem, que ficou conhecida por Earthrise (nascer da Terra), mostrou o mundo como um oásis singular e frágil.” [Ian Sample, The Guardian]

Artigo completo: “Earthrise: how the iconic image changed the world“.

Feliz Natal


Este ano regresso a Fairytale of New York, porque alguns talibãs, doutrinadores do pensamento único, consideram ofensiva, logo passível de censura a letra desta bela canção.
Tempos perigosos para a Liberdade quando patrulheiros do politicamente correcto pretendem reescrever a História, mudar estátuas, nomes de ruas, culpar povos pelo passado, proibir ou impor comportamentos, incluindo a linguagem, entre outras barbaridades, na busca pelo homem novo, com que tantos tiranos sonharam…
A todos desejo um feliz Natal.

Coletes Amarelos: “porta-te bem, senão voto nos fascistas”

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No reino da grande fogueira virtual, uma velha ameaça paira no ar. Fartos de tanta corrupção e compadrio, fartos da impunidade e do descaramento, os zés e as marias entrincheiraram-se nas redes sociais, onde descobriram outros zés e outras marias que partilham a sua indignação. E todos os dias, sem excepção, uma massa indignada de zés e marias cresce, alimentando-se de likes, partilhas e retweets, e torna-se audível demais para ser ignorada, ainda que desorganizada demais para se emancipar do abstracto.

Inevitavelmente, o inorgânico é capturado pela primeira força organizada que consiga infiltrar-se. Fundamentalistas religiosos, extremistas políticos, um maluco qualquer. E pode resultar em encenações primaveris, na eleição de um Bolsonaro ou noutra maluqueira qualquer. O mais comum é dar merda, e na maior parte dos casos dá, mas tal não retira legitimidade às reivindicações que se fazem ouvir. [Read more…]

Catalina Pestana (1946-2018)

Em Memória.

Catalina Pestana

Douglas Engelbart (1925-2013), o visionário

“Chamei rato a este dispositivo de apontar, não sei bem porquê, mas o nome foi ficando”. Assim explicou Engelbart, com uma humildade estonteante, uma das suas invenções que actualmente consideramos banais.

Teve lugar numa demonstração tecnológica que ficou conhecida por “The Mother of All Demos” (a mãe de todas as demonstrações), assim baptizada por ter introduzido, num único sistema, muitos dos componentes presentes na computação moderna e pelo carácter visionário dos conceitos introduzidos.

Esta apresentação, que fez recentemente 50 anos, a 9 de Dezembro, durou 90 minutos e contou com a introdução de um sistema completo de hardware e software de computador. Entre outras invenções, incluiu a apresentação do rato de computador, videoconferência, teleconferência, hipertexto, processamento de texto, hipermédia, ligação dinâmica de ficheiros e um editor colaborativo em tempo real.

A lista de invenções é notável, mas ainda mais estonteante é a simplicidade com que Douglas Engelbart as apresentou. Talvez a plateia tenha tido a sensação de estar perante um vislumbre do futuro. Se sim, estava certa.

Resta saber se serve…

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O Conselho Constitucional francês validou a primeira lei europeia especificamente contra a manipulação da informação on-line em período eleitoral (a aplicar nos 3 meses anteriores ao primeiro dia do mês das eleições), salientando que apenas devem poder ser eliminadas das plataformas de distribuição:

1) As informações manifestamente falsas ou enganadoras (e não as paródias, as informações parcialmente inexactas ou simplesmente exageradas);

2) relativas a factos (não abrangendo, portanto, as opiniões);

3) que possam condicionar, de forma manifesta e objectivamente demonstrável, a sinceridade da eleição; e

4) que sejam distribuídas de modo automático, massivo e deliberado.

A eliminação é requerida judicialmente através de processo sumário, devendo o juiz decidir no prazo de 48 horas.

A lei requer aos operadores de plataformas on-line cuja actividade exceda, em França, um certo número de conexões, que forneçam aos utilizadores informações leais, claras e transparentes sobre 1) a identidade das pessoas singulares ou colectivas que pagam à plataforma para a promoção de conteúdos informativos relacionados com um debate de interesse geral (isto é, com o acto eleitoral a realizar), 2) o montante de tais remunerações, se for superior a um determinado limiar fixado por decreto, e 3) o uso que é feito, como parte desta promoção, dos dados pessoais dos utilizadores. Esta informação é agregada num registo disponibilizado ao público e actualizado regularmente durante o período em questão. O incumprimento destas regras pode dar lugar a um ano de prisão e a uma multa de 75.000 euros.

A lei prevê ainda o estabelecimento, pelos operadores das plataformas on-line, de um sistema que permita aos seus utilizadores assinalar informações falsas e vincula esses operadores a aplicar medidas adicionais que podem incluir a transparência dos algoritmos ou a luta contra as contas que promovam a divulgação massiva de informações falsas.

Vista com estas reservas, parece ser uma lei equilibrada e necessária para fazer frente à intoxicação da opinião pública que a extrema-direita vem desenvolvendo de forma metódica e sistemática, na Eu ro pa, nos Estados Unidos e no resto do mundo, cavalgando sem escrúpulos o descontentamento das populações com os vícios dos sistemas políticos e a tibieza das políticas públicas.

 

 

Tavares “loves” Tutankamon

O Professor Freitas do Amaral publicou há dias um artigo no qual questiona o facto de Ricardo Salgado ser apontado como o único responsável pelo terramoto financeiro, político e judicial que envolve o Grupo Espírito Santo. Nesse artigo, o Professor Freitas do Amaral não escreve tudo o que pensa, nem tudo o que sabe, o que é normal e avisado. A queda do GES, independentemente dos juízos de valor que cada um possa fazer sobre a personalidade e a actuação do seu líder, é uma história que não foi, nem será contada, uma vez que é inverosímil. Não foi Ricardo Salgado, nem o seu império empresarial que ruiu.

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O lado oculto. A ler.

As “fake news”, tal como entraram muito recentemente nas nossas vidas, trazem no bojo uma ambição de censura não institucionalizada mas muito mais eficaz. A operação “fake news” impõe, de facto, as verdades oficiais do sistema dominante transmitidas precisamente através dos meios que sempre produziram as falsas notícias, os chamados mainstream. Ou seja, a comunicação social de grande consumo não apenas continua a limitar o acesso dos seus frequentadores – seguramente mais de 90 por cento da população mundial – à realidade em que vivem como aponta o dedo inquisitorial aos que lutam por desvendar e divulgar essa mesma realidade, transformados assim em criminosos fazedores de “fake news”.
Por isso, a operação “fake news” não apenas reforça o juízo moral, político e económico, que pretende ser absoluto, como tenta asfixiar a contestação fundamentada desse juízo. A operação “fake news”, no limite, quer inviabilizar os efeitos dos mecanismos através dos quais se divulgam realidades diferentes, factos contraditórios, opiniões contrárias – desacreditando-os, perseguindo-os, caluniando-os.

José Goulão
O Lado Oculto. Antídoto para a propaganda global. Semanário digital de informação internacional.

Protesto pára para almoço

E a suposta nova ortografia pára para falar dos coletes amarelos.

Quem são os Coletes Amarelos em Portugal

No que respeita movimentações colectivas, sendo importante conhecer quais são os objectivos declarados, perceber quem as está a promover pode ajudar a avaliar a autenticidade das posições defendidas. Uma forma de o fazer consiste em procurar saber quem tem sido os promotores dos protestos dos Coletes Amarelos Portugal e que dimensão têm estes movimentos. [Read more…]

“Outras questões”

Como é que nunca ninguém se tinha lembrado disto?

Lago gelado em Marte

Imagem trabalhada com dados da Mars Express, da ESA, mostrando a Cratera de Korolev, uma área de 82 quilómetros de diâmetro, situada nas terras baixas do norte de Marte.

As críticas às greves ou a distracção dos democratas

Entre os professores, há um ou vários cismas que não nasceram ontem e que se vão prolongando na paz podre em que aceitam viver há vários anos, acatando tudo aquilo que, desde 2005, é atirado para cima das escolas.

O episódio mais recente correspondeu à greve às avaliações, em que pudemos verificar a existência de, no mínimo, três trincheiras. Numa, esteve (e está) um governo irredutível que rejeita repor o tempo de serviço a que os professores têm direito. Numa outra, estiveram a maioria dos sindicatos e muitos professores que, reivindicando a dita reposição, acabaram por, conscientemente ou não, terminar uma luta que decorria serenamente, inventando várias desculpas esfarrapadas. Finalmente, um sindicato jovem e uma quantidade apreciável de professores que estiveram dispostos a prosseguir uma luta que, ainda assim, continua aquém do fundamental. Pelo meio, a oposição fingiu estar ao lado dos professores.

Acrescente-se que a greve às avaliações foi feita rotativamente, através da criação de fundos de greve, porque – deixemo-nos de lirismos – não é possível um profissional por conta de outrem fazer uma greve prolongada de outra maneira.

Fiz parte do último grupo, sem heroísmos nem arroubos épicos, apenas porque sou incapaz de ambos e porque, de qualquer maneira, as palavras de ordem me parecem, cada vez mais, ruído vazio. [Read more…]

Pedofilia, mas da menos chocante

O bispo do Porto, D. Manuel Linda, afirma, em entrevista ao Público (edição de hoje), quando questionado sobre os casos de pedofilia na Igreja e, em concreto, da Igreja portuguesa, o seguinte:

Aqueles dois casos – o da Madeira, com o célebre padre Frederico, e, recentemente, o caso da Guarda -, tudo leva a crer que não tenham tido aquela dimensão de gravidade de que estamos habituados a ouvir falar quando falamos de pedofilia. Talvez tenha havido alguma intimidade, mas não uma intimidade daquelas mais chocantes.

[sublinhado meu]

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Águas de Gaia, 46.125 euros de “rebranding”

A arte do Plágio parece estar muito em voga nas teses de doutoramento, mas é preciso não cometer exageros de análise, sempre subjectiva, e oferecer ao criativo o benefício da dúvida, cujo direito conquistou ao longo de muitos anos de trabalho árduo.

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Mário Centeno está em Portugal

O Ministro das Finanças português foi visto, esta quarta-feira, na Assembleia da República.

Marcellus vobiscum!

Um dia um anjo do Senhor – que digo eu, um arcanjo! – aparecendo a Marcelo, ordenou-lhe: “Marcelo, filho de Baltazar, serás presidente de todos os portugueses, que é essa a vontade do Altíssimo!”. Marcelo ficou perplexo, já que, sendo jurista, pensava serem indispensáveis os votos dos eleitores, mais que a vontade divina, para atingir tal desiderato. Porém, sendo crente, não se lhe pôs dúvida nem hesitação sobre o caminho a seguir. Pelo que, engolindo em seco, gaguejou humilde: “Assim seja”.
O anjo lá foi à sua vida – seja o que for que tal signifique, que o modesto escriba nada sabe sobre costumes angelicais – resmungando para com as suas penas qualquer coisa pouco abonatória para O encomendante de tais tarefas.
E foi assim que Marcelo, o inocente, passo a passo, abriu o caminho à sua inevitável ascensão, caminho que não deixou de incluir um baptismal mergulho nas águas do rio onde nadam as Tágides.  [Read more…]

Filhadaputice é isto

O comissário europeu para os Assuntos Económicos disse, esta terça-feira, que a França não será sancionada se o défice público ultrapassar os 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, mas pediu que o Governo “seja sério no futuro”.

Venham daí as luminárias dissertar sobre as virtudes de um número, 3%, escrito nas costas de um guardanapo, para tapar a boca dos opositores, e sobre o desígnio da austeridade saudável. E recorde-se a chantagem do défice, qual guilhotina pronta a cortar a credibilidade financeira, tão presente como arma de arremesso quando a geringonça se estava a constituir com alternativa ao governo daquele se sentou em Salazar.

Não é a primeira vez; regista-se mais esta iteração da história dos porcos que são mais animais do que os outros.

“Sério”, diz o farsola. Façam-se, depois, machetes sobre o inacreditável crescimento dos populistas.

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