Leite, tabaco e droga: o triângulo do Inferno

Luís Cabral da Silva, especialista em transportes, lacticínios e estupefacientes, explicou, por assim dizer, que, com a baixa dos preços dos passes, as pessoas mais necessitadas poderão comprar leite, tabaco e, já agora, droga.

O pobrezinho, como se sabe, só está como está porque quer, porque o mundo está cheio de oportunidades, assim ele quisesse trabalhar. O pobrezinho, na realidade, é só um parasita que anda a ser sustentado com o dinheiro dos impostos das pessoas que trabalham. Com esse dinheiro, que não ganhou, na melhor das hipóteses, o pobrezinho irá comprar, como se sabe, um pacote de leite, um maço de tabaco e um saquinho de erva. Sabonete não precisa, porque o pobrezinho é naturalmente porco e, se cheirasse bem, já não era pobrezinho.

A melhor coisa a fazer ao pobrezinho é manter ou aumentar preços, baixar salários, a ver se o pobrezinho se mexe. Assim, é tudo ao contrário: é só facilidades e o pobrezinho lá continua a viver com a mulher e os três filhos, todos no mesmo quarto e todos desempregados. Pedro Mota Soares, há uns tempos, já tinha explicado tudo cristãmente.

Deve haver um pobrezinho que não é assim, que até é sério, que até agradece a esmola ao senhor doutor e o pacote de arroz ao Banco Alimentar. Deve haver, mas está muito mal, não deve chegar a Agosto. O resto é tudo gente – mas tudo! – que vai gastar as sobras do passe antigo em leite, tabaco e droga, que é a muamba, banana e cola do pobrezinho.

Encontrei o vídeo no mural do Ricardo M. Santos, mesmo se já anda felizmente espalhado, porque isto só visto, contado ninguém acredita.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O Senhor Luís Cabral da Silva tem toda a razão. Sigam o raciocínio dele e perceberão a sua lógica.

    Vamos a um exemplo prático.

    Se me sobrarem 20€ por mês na despesa com a aquisição do passe para os transportes públicos, eu ainda assim não consigo sair da miséria em que me encontro. O destino é fo**do para alguns transeuntes desta vida, eu incluído. Dessa forma resta-me o consolo de beber mais uma litrada, branco ou tinto, não interessa, e logo se verá se o fígado reage mal.
    No entanto, se no final do mês me sobrarem os 20€ do passe, acrescido de mais um aumento de 25€ no ordenado mínimo, imposto pela Geringonça, eu olho para as duas notas de vinte e uma de cinco que me sobram, aproveito a bonança, e para além da litrada, compro um maço de tabaco e enfumaço umas quantas horas, com o copo na mão, armado em Lorde, até me dar o sono.
    Contudo, se me arranjarem um emprego melhor, mais bem remunerado, não sujeito a aumentos às pinguinhas, nem a congelamentos de carreira, quem sabe o de Chefe de Relações Públicas da Galp, ou o de comentador residente da SIC, estilo “a Procuradora da estupidez reinante”, eu subo na vida social e financeira à força toda, como um verdadeiro “boy sem cornos”, acho que não me enganei, e nesse caso, eu até deixo de beber e fumar, só para não perder o tacho.

    PS. Admiro a vossa paciência em descobrir estas preciosidades na nossa comunicação social. Vocês são uns verdadeiros caça talentos, naquela versão muito portuguesa, “deixa-me procurar quem é o idiota de serviço, hoje!”
    Ao pé de vocês, sinto-me o verdadeiro homem das cavernas.

    • ZE LOPES says:

      Eh! Pá! Mas o que é isto?

      Vou citar, mas com relutância…”No entanto, se no final do mês me sobrarem os 20€ do passe, acrescido de mais um aumento de 25€ no ordenado mínimo (…)”.

      Uma aumento de…25 euroszezeze? E o que fariazeze com eleszezeze? Trocava-os por duas notas de 12,5 euroszezeze e destinava metade aos consumos e outra metade a poupanças…mas…como colocar no cofre uma nota de 12,5 euroszezeze?

      O melhore é comprar droga! Uma lata de cola custa 2 euroszezeze! E é uma tripe fenomenalezezeze!

      Os ricos são uns tristeszezezeze e uns ifeliszeszezezeze! Já alguém viu um rico comprar drogaszezezeze?

      Os ricos andam pedradoszezeze, mas com as cotações das bolsaszezeze!


  2. …Aqui “tasse bem”, gosto deste tipo de “tertuliar” convosco, é fixe e diz com a minha maneira de ser moldada ainda de convívios de alegria sã e rebeldias provocadoras e irreverentes da velha/saudosa malta coimbrã . Este modo de criticar sendo mordaz e inteligente, o humor com uma bela saudável gargalhada a arejar o dia ! Bem hajam .
    Sendo bem sério o assuntar em causa que apela à nossa reflexão. E que me faz lembrar numa outra dimensão uma frase de Vasco de Lima Couto que sempre me ficou :
    ” Para quê só falarmos de pão para simbolizarmos angústia, se há outras fomes ? “

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