Como manter viva uma ideia

Impondo-lhe dificuldades.

Problema de expressão: Open Conventos

Devia ser como no cinema
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém

Carlos Tê

 

Há uns tempos, escrevi sobre o Pordata Kids. Recentemente, descobri que uma outra iniciativa igualmente meritória foi baptizada e lançada no mundo com o nome Open Conventos.

Se o objectivo é chamar o turista estrangeiro, o que está ali a fazer, desavergonhada, uma palavra portuguesa? Se o alvo é o português, para quê uma palavra inglesa? “Conventos abertos” ou “Abrir os conventos” ou “Conventos desconhecidos” seriam disparates? Tu, leitor, sentir-te-ias menos cosmopolita e, ao mesmo tempo, menos português?

Enquanto se conhece o magnífico património arquitectónico, por que razão se desconsidera o linguístico? Será que somos tão saloios que não podemos participar em iniciativas anunciadas exclusivamente em português? Em vez de uma expressão que não está em nenhuma língua, não seria melhor publicar um anúncio com a mesma expressão em duas línguas, apelando ao indígena e chamando o estrangeiro?

Não sei, talvez já não seja o timing certo para fazer estas perguntas. Fico a aguardar o vosso feedback.

 

Morreu uma lenda


R.I.P. Niki.

Acordo Ortográfico de 1990: os contatos estão assegurados

SUMO
SUMPTUOSO
SUBIDO
ESPLÊNDIDO
ERGUIDO
SUBLIMADO
TRANSCENDENTE

o casamento de adjectivos a que assisti

— Paulo Pego

***

Efectivamente, depois do desastre da semana passada e de um fim-de-semana glorioso (sem Diário da República e com o Benfica campeão), regressamos ao mesmo, no sítio do costume:

Exactamente: “que não fique por fazer o que podia ter sido feito”.

© Global Imagens [https://bit.ly/2TrZPkT]

***

EUA contra Huawei, a batalha do monopólio

A administração norte-americana baniu a Huawei dos EUA, interditando simultaneamente as empresas norte-americanas de exportarem tecnologia para esta empresa.

Além do bloqueio no território americano, a medida tem impacto global e os efeitos sentir-se-ão em breve. A Google anunciou que as suas aplicações e serviços, tais como Gmail, Maps, YouTube e outros, não poderão ser usados em futuros modelos dos telemóveis Huawei. Idem para actualizações de segurança. A Intel também anunciou restrições às suas tecnologias. E o mesmo se passará com todas as empresas americanas que exportem bens e serviços.

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Os dois Presidentes

 

 

[clique no vídeo para assistir] O presidente de uma das maiores Câmaras Municipais do país – Vila Nova de Gaia – assina, em nome do Município que representa, um contrato de financiamento de centenas de milhares de euros com um clube de futebol, na mesma cerimónia em que toma posse como presidente do Conselho Fiscal desse mesmo clube.

Por que motivo terão apagado o vídeo do Youtube ?

Glória ao vencedor

O Povo que o tal Comendador alegadamente gozou está em festa no Marquês. A Comissão celebra com malte e um robusto no Bairro Alto. O Infante, na Ribeira, está sujo de vermelho.

Abuso e exploração infantil

Hoje 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil no Brasil (Lei 9.970/00). Esta data foi escolhida em virtude do crime cometido contra Araceli, uma menina de apenas 8 anos de idade, torturada, estuprada e brutalmente assassinada em 18 de maio de 1973 em Vitória/Serra ES. O caso chocou mas era Ditadura né? Os criminosos foram absolvidos. Toda semana vejo notícias de meninas assassinadas nas mesmas condições. Dados do Ministério da Saúde apontam aumento de mais de 130% de registros de casos de violência sexual a crianças e adolescentes no país. 

E ainda elegem um presidente que oferece todas as brasileiras ao turismo sexual. Fico pensando em Araceli. Todos os sonhos destruídos por ter nascido menina. Era somente uma criança. 

Penso nos antepassados indígenas. Este país tem uma brutalidade ancestral que se perpetua de várias formas. 

Ao cuidado dos donos de gatos:

«Os gatos vão ser obrigados a usar microchip de identificação, prevê um projecto de decreto-lei do Ministério da Agricultura

O capitalismo do calote

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Fotografia: Lusa

Joe Berardo não fez um favor aos bancos. Fez um favor ao país. Demonstrou bondade e compaixão por todos nós, pobres portugueses, ao apresentar-se perante a comissão de inquérito sem máscara, o que lhe permitiu gozar, abertamente e sem rodeios, com a cara dos deputados, do Parlamento e dos portugueses, deixando a nu a verdadeira face de uma certa elite parasitária, famosa por manobrar políticos sem espinha e viver à custa do erário publico. [Read more…]

Ensinar ou preparar para os exames?

João Costa é secretário de Estado da Educação desde 26 de Novembro de 2015. Está, portanto, prestes a perfazer uma legislatura.

A equipa de que faz parte acabou com os exames nacionais de quarto e de sexto ano, inventando umas provas de aferição inúteis no quinto e no oitavo. Os argumentos para acabar com os primeiros foram tão profundos como os de Nuno Crato para os manter ou impor; as razões para justificar a criação das provas de aferição são igualmente inexistentes.

João Costa, aliás, como muitos que passaram pelo Ministério da Educação, tem funções tão decorativas que acaba por se dedicar a inutilidades folclóricas. Sendo o ideólogo de serviço, limitou-se a impor ideias vagas acerca da flexibilidade e da inclusão, o ai-jesus de muitas sessões de formação, a fazer lembrar o entusiasmo dos pregadores e pastores de seitas religiosas.

Recentemente, João Costa declarou que “as escolas devem preocupar-se em ensinar em vez de se inquietarem com a preparação dos alunos para os exames nacionais, argumentando que desta forma os estudantes terão melhores resultados académicos.”

Em primeiro lugar, os exames existem e têm uma importância enorme no percurso que leva os alunos a entrar no Ensino Superior. Se um professor se preocupar com os alunos, deve, portanto, preocupar-se com a preparação para o exame, o que não é incompatível, imagine-se!, com ensinar. [Read more…]

A união de fato e o pára-raios: hábitos e recaídas

Kein Mensch kann wirklich leben, wenn nicht noch ein Funken von Hoffnung in ihm ist. Und das sollten die Massenmedien nie vergessen.

Hans-Georg Gadamer

A marcha era lenta, iam velhos entre eles e mesmo os moços estavam no limite da fadiga, não podiam mais. Alguns quase se arrastavam, sustentados apenas pela esperança.

Jorge Amado

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Esta semana tem sido extremamente produtiva. Tivemos alguns exemplos do sítio do costume, como o contato de 13 de Maio ou os contatos de anteontem, aos quais se juntam os fatos de ontem:

 

Exactamente: fatos.

No Expresso. tem havido recaídas. Como se sabe, não há três sem quatro.

Ei-la:

Efectivamente: pára-raios.

E hoje?

Hoje, dedicaremos a nossa atenção ao sítio do costume e a outro aspecto da adopção do AO90 :

Exacta e efectivamente: coletivo, colectiva e colectivamente.

E amanhã?

Amanhã, felizmente, não há Diário da República.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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«João Ferreira faz rescaldo dos fogos do verão passado»

Salvo melhor opinião, ‘verão‘ não é passado: verei, verás, verá, veremos, vereis, verão. Efectivamente.

As Comendas, os que vão comendo e os que comem tudo

Vai, pelos vistos, séria e profunda a reflexão na Assembleia sobre os “deveres e obrigações” dos titulares de graus honoríficos, matéria em que releva actualmente a alegada dislexia do Comendador patriarca do Budismo do Bombarral ao qual, imagine-se, se dirige agora um “processo disciplinar” que visa retirar-lhe a comenda e a grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique, este último às voltas no túmulo ante tanto escândalo institucional, tanta cruz, tanta comenda e tão pouco que comer.
Instrua-se, com a coerência que reste, igual e competente “processo disciplinar” aos que distribuem comendas, sempre às custas dos que são comidos, pelos que comem tudo e nada deixam a não ser esta República em feitio de comissão de garagem. Uma comissão de garagem que pensa poder disfarçar a sua falta de vergonha com tardios e artificiais “processos disciplinares” para retirar comendas a quem não apenas já comeu tudo, mas, acima de tudo, deu de comer a muitos dos falsos indignados de circunstância.

Aquele Chagall diz-me muito

De repente, a colecção de quadros do Comendador transformou-se numa espécie de Cova da Iria estética do republicano e indigente protectorado. É melhor ouvir um fado do Alfredo Marceneiro e comer dois bolinhos de bacalhau.

Pontas soltas

Berardo, no pico da crise acionista do BCP, chegou mesmo a ser considerado pelo comentador Marcelo Rebelo de Sousa a figura empresarial do ano.

 

A Palestina na Eurovisão

Através de Conan Osíris.

A ideologia da decência

A decência – a mera decência – não é característica que exija santidade, que faça andar o paralítico ou o cego ver. A decência não é um milagre nem viaja até junto de nós num raio cósmico vindo de outros sistemas ou galáxias. A decência é um módico atributo da simples humanidade, um asseio que a separa das bestas, as quais, porém, manifestam amiúde graus de decência que uma boa parte dos homens não alcança.

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“A verdade e nada mais que a verdade”

Comentários ao Manifesto – Pela Verdade dos Factos e à vergonhosa decisão do Parlamento no Educare.pt. Num país em que o poder político é inimigo dos professores e da Escola.

As recaídas do Expresso e os «contatos posteriores»

Rogava aos santos que lhe permitissem morrer. Ah! para não ver cumprir-se o inelutável destino, acontecer a inexorável desgraça.

Jorge Amado

Tu já sabes o que é que vai acontecer

— Conan Osíris

All this was real, it was really happening, but with a quality of the unreal; it was reality happening in quite a different way.

— Anna Kavan, “Ice”

***

Escreve o Expresso:

Queda de betão da parte inferior do tabuleiro da ponte da Arrábida origina inspeção.

Felizmente, o caso está a ser acompanhado pela Protecção Civil.

Efectivamente: Protecção.

Como é sabido, não há nem uma recaída sem duas, nem duas sem três, nem três sem quatro — e assim sucessivamente.

Quanto ao Diário da República, não há surpresas.

Aliás, quando se menciona Diário da República, todos sabemos, como cantava ontem Conan Osíris, “o que é que vai acontecer”:

Exactamente: a grafia habitual, no sítio do costume.

***

L’État c’est Costa!

Santana Castilho*

É deplorável o que acabamos de viver. PSD ofereceu, sem dar. CDS dava um se tirasse quatro. PCP e BE confirmaram o que sabiam desde sempre: o tempo político para fazerem justiça aos professores esgotou-se quando aprovaram o OE 2019, nas condições em que foi votado. No balde dos despejos desta crise política de baixo nível ficou uma classe profissional maltratada por todos os partidos, com mais ou menos responsabilidades, consoante as cambalhotas que foram dando. Tudo aconteceu com Marcelo ausente, certamente à procura do urso pardo para fazer uma selfie, enquanto aqueles que qualificou como os melhores professores do mundo eram sacrificados na fogueira das mentiras.

António Costa não denunciou a mínima intenção de se demitir quando morreram mais de 100 cidadãos nos incêndios de 2017. Resistiu quando um bando de pilha-galinhas protagonizou o escândalo de Tancos. Ficou, quando a incúria sem responsáveis deitou abaixo a estrada de Borba e ceifou mais umas vidas. Não deu sinal de querer partir quando o presidente do seu partido fez do Estado a residência da família e a moda contaminou outros do seu Governo. Tendo acordos firmados com o PCP e BE, nunca se sentiu constrangido a não estabelecer vários pactos com o PSD para fazer vingar políticas a que se opunham os seus parceiros da “geringonça”. Mas rasgou as vestes, qual vestal profanada, quando o parlamento se “coligou negativamente” para lhe contrariar a tendência continuada para instilar na opinião pública ódio social aos professores. O mesmo parlamento que se “coligou positivamente” para lhe oferecer o lugar que perdeu nas urnas. Como se os outros partidos políticos estivessem proibidos de se entenderem sobre os efeitos futuros do descongelamento da carreira dos professores. [Read more…]

E vão três – o chimbalau na Bayer

É o terceiro caso em que um júri dos EUA pronuncia uma pesada sentença contra a Monsanto, colocando de rastos a Bayer, que há apenas uns meses a comprou por 54 mil milhões de euros.

Mais uma vez cancro, mais uma vez o herbicida Roundup e o seu funesto glifosato.

A primeira condenação em 81 milhões de dólares, a segunda em 290 milhões e agora em mais de dois mil milhões de dólares. A Bayer anunciou que irá recorrer da decisão e espera que os veredictos sejam anulados em segunda instância – o que é pouco provável; mais provável será uma redução dos valores. Seja como for, os custos dos processos são substanciais e entretanto, o seu número nos EUA disparou para 13.400, com tendência crescente. [Read more…]

Eurovisão

Em face dos resultados obtidos pelo concorrente português à Eurovisão não se vislumbra outra saída que não seja a imediata demissão, com efeitos retroactivos à vitória do excelente cantor Salvador Sobral, de sua excelência o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Como diria Ary dos Santos, “Aristóteles, visita de casa da minha Avó, não acharia estranha esta forma de estar só”. O senhor ministro, lamentavelmente, falhou. Deve ter a dignidade de o reconhecer.

Lei Aúrea e a falácia da libertação dos escravizados

Um fato que muitos, principalmente os pretos e pretas do Brasil, não caem mais é o papinho da sinhá Izabel ter libertado, de fato, escravizado algum. Assinou a Lei Áurea em 1888, no lugar do pai  Dom Pedro II,  (escravocrata declarado que se recusou a assinar o documento, pois o  considerava  um absurdo), devido a pressão exercida pelos interesses econômicos dos países envolvidos na Revolução Industrial e as sangrentas revoltas de resistência negra por todo o país.   Isabel não era abolicionista e também atendeu a pressão da elite rural que viu no documento um ganho para evitar a reforma agrária.  Deram terras improdutivas a emigrantes italianos e etc enquanto os ex-escravizados nada. Como cantou o samba enredo da Escola de Samba da Mangueira este ano “Não veio do céu nem das mãos de Isabel a liberdade”.

O soteropolitano (meu conterrâneo) Luiz Gama sim. Este abolicionista tem um passado memorável.  Como advogado, conseguiu a alforria para mais de 500 irmãos e irmãs escravizados. Viveu entre 1830-1882. Filho de mãe negra livre e pai branco, nasceu livre e foi vendido pelo pai como pagamento de dívidas de jogo. Conseguiu reconquistar, judicialmente, a sua liberdade. Ficou conhecido como “O Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil. A ele toda nossa reverência.

 

Via Xeidiarte

Tell No One

O documentário independente pelos irmãos Tomasz e Marek Sekielski. Sobre a ICAR na Polónia.

Este documentário já conta com mais de 12 milhões de visualizações nos últimos três dias (página IMDB). O documentário foi financiado on-line. É neste momento história de destaque na imprensa polaca. O documentário apresenta várias vítimas de padres pedófilos, o que parece ser hábito.

(Em polaco, legendado em inglês, espanhol e noutros idiomas.)

Ilusões ortográficas

Tu já imaginou a decepção, homem?

Coronel Jesuíno Mendonça

Para o segundo número da revista preparou um artigo, em português não menos clássico e com argumentos irrespondíveis, no qual, baseado em fatos e sobretudo nos versos do poeta Teodoro de Castro, esmagava definitivamente as negativas do conde.

Jorge Amado

***

Ontem, 13 de Maio de 2019, lembrei-me do dia 13 de Maio de 2009.

De facto, tendo lido isto,

lembrei-me disto:

O Diário da República não nos desilude.

Efectivamente,

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.

***

Há que dizê-lo…


Aos indignados com a prestação do comendador Joe Berardo na A.R., relembro que a dívida contraída serviu para ajudar o governo de José Sócrates a travar uma OPA da Sonaecom à PT e fortalecer na disputa de poder pelo controlo do BCP a facção que permitiu a Santos Ferreira e Armando Vara liderarem o Banco. Tudo feito de acordo com os interesses dos donos disto tudo, em conivência com o PS. Vários ministros de então continuam hoje no governo…

Excelência da gestão privada (2)

Depois dos CTT, o aeroporto de Lisboa. Em 132, conseguiu ser o pior.

Novamente, em causa está o argumento que se usou para justificar a privatização (o privado faz melhor) e não se a gestão é pública ou privada. Os maus exemplos não escolhem lados.

[imagem]

Kramer contra Kramer

É sem surpresa que se verifica a tentativa de fazer do Comendador Joe Berardo o “bode expiatório” da gigantesca rapina de que foi – e é – objecto o povo português.

Quem tenha assistido à audição do empresário na II Comissão de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, terá ficado a pensar que de um lado estavam os representantes da República e do Estado Português, e do outro lado um milionário habilidoso procurando iludir as suas responsabilidades. Mas não foi isso que sucedeu. Na verdade, de um lado estava o Estado a fazer perguntas e do outro estava também o Estado, representado pelo senhor Comendador Joe Berardo, a responder a essas perguntas de modo juridicamente adequado. Ou seja, estava o Estado a fingir que inquiria o Estado e este a fingir que respondia.

Não é fácil, convenhamos, descobrir um caminho virtuoso neste jogo de espelhos. Mas pior é continuar a permitir a grotesca impunidade daqueles que, em nome e representação do Estado e da República, são cúmplices da rapina e da destruição do património comum, rapina e destruição que servem depois como argumento falacioso para esmagar os direitos da população que é seu dever servir.

Flor de sal

Vem para a rua

Que a vida é partilha universal

Vem para a luta

Munido de amor e flor de sal

É o tema que se segue.