Francisco Seixas da Costa é um javardo


Francisco Seixas da Costa até nem parecia ser um mau embaixador. Mas é – sejamos claros! – um javardo. Deixemo-nos de eufemismos. E os políticos que se revêem no seu estilo são isso mesmo – uns javardos.
Para além de javardo, é cobarde. Atira a pedra e esconde a mão. Não gostou que lhe respondessem à letra no Twitter, vai daí fez-se de calimero (como se os primeiros insultos não tivessem partido dele) e a seguir bloqueou a sua conta.
Para além de javardo, não sabe escrever. Revêem-se escreve-se com dois e. Com um e, fica revêm-se – se não sabe o que significa, pergunte ao seu colega Jorge Ritto.
Quando penso em Francisco Seixas da Costa, penso num dos coveiros da Linha do Tua. A mando de Sócrates e de Mexia, prestou junto do ICOMOS um trabalho essencial para a construção da barragem e para a destruição de uma das mais belas linhas férreas do mundo. Espero que tenha sido recompensado em conformidade.
Entretanto, muito atento ao fenómeno futebolístico, ficamos a saber por si que os adeptos do FC Porto são javardos e que todos os sportinguistas apoiantes de Bruno de Carvalho também o são. De fora da sanha javarda de Francisco Seixas da Costa fica Luís Filipe Vieira. Pelos vistos, o discurso por ele proferido na Assembleia Geral do Benfica há pouco tempo – «Não comprámos o filho da puta de um resultado», «Jorge Mendes não tem um caralho de um jogador, caralho» ou «Isso é merda» – não é suficiente para ser apelidado de javardo.
Pois é, senhor embaixador, o respeitinho é muito bonito.

Seixas da Costa retractou-se

disto [imagem tirada daqui]: no futuro do presente composto, como é da praxe, e com o cê bem subjacente, apesar de tudo (e revêem em AO90 é reveem, mas, pronto, acontece).

Embaixador Seixas da Costa insulta treinador e adeptos do FC Porto

 

Imagem: internet

O embaixador Francisco Seixas da Costa terá usado as redes sociais para insultar os adeptos e o actual treinador do Futebol Clube de Porto, assim como os simpatizantes do ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, apelidando-os de “javardos”. É desagradável e parece até inapropriado, mais ainda vindo de alguém da carreira diplomática. E mesmo levando em linha de conta que a última vez que se ouviu falar em Portugal de um embaixador foi a propósito de algo bem pior que uma javardice, como bem estarão lembrados os ex-alunos da Casa Pia.

Aqui estamos

Isabela

Aqui cheguei um dia ao Aventar por acaso ( ou não ) e o certo é que por aqui fiquei convosco, com visita ”obrigatória” diariamente no meu recanto de intervenção muito limitada/condicionada e pessoal, mas firmada em princípios, alguns agora apelidados de conservadores, segundo a minha circunstância familiar, …eu que, desinformada e um tanto ingénua por educação “castradora”, marcada igualmente pela utopia dos saudosos anos sessenta, comecei a tomar consciência da complexidade do mundo só tardiamente lendo por ex. Roger Garaudy  e posteriormente em convívios  a outros níveis que não só familiar e restrito, atrevendo-me agora a comentários de acordo sobretudo com essa minha sensibilidade e vontade de acreditar ainda que é possível mantermos a esperança e teimosia simbólica de querer “ouvir as pedras a cantar ” (conforme poeta grande nosso e quase esquecido, José Gomes Ferreira) .

Apesar das pragas trazidas pelos vendavais, a capacidade de ter consciência do mundo que nos rodeia, socialmente interveniente e defensora das minhas opiniões mesmo que nem sempre escutadas ou pelo menos consideradas, ousando até agora contra essa coisa esquisita do política/socialmente correcto. [Read more…]

Mudança horária

Por norma não aprecio que a UE dite regras sobre a forma como Portugal decide viver. Mas lá diz o ditado, não há regra sem excepção e neste caso da mudança horária, não percebo a teimosia do governo e mais algumas pessoas em Portugal, quer-me parecer que se está a partir de errada premissa.
Muitos se lembram que no início dos anos 90, o governo de Cavaco Silva decidiu alinhar a hora com as capitais europeias, resultando a decisão no amanhecer perto das 09h00 durante os meses de Inverno. Mas o facto é que a hora de Verão na qual entramos hoje, está mais afastada da hora solar, logo da realidade, o que provoca nos meses de Verão que anoiteça perto das 22h00. [Read more…]

A Terra é Uma. Uma Terra. (4)

Nova Deli, Índia.

Respigar*

Glória Sacer*

Celebrando os 10 anos do Aventar, em que respigamos o que o dia nos traz de novo, trago o meu poema Respigar, também ele uma homenagem à cineasta belga falecida ontem: Agnes Varda.

“Nos meus filmes quero fazer com que as pessoas vejam profundamente. Não quero mostrar as coisas, mas quero dar às pessoas o desejo de ver.”
Respigar – O que foi que eu fiz ao dia de festa
No, no. Yo no pergunto, yo deseo. (Lorca)

O que foi que eu fiz ao dia de festa,

como uma flor deitada à beira do morto

imagina como morro

familiarmente e devagar,

devagar celebra – de ontem – o acerbo

e deseja relâmpago

a terra ou eu a tua água

aveludada sede

o poema

meu

esse pomar no filão de sóis

entardecendo-nos lado a lado,

e a vontade: não, não

chegar o quanto antes

a esse lado que nos traz ioiô;

ali o boomerang-amor

impedindo-nos a fuga fácil

a esse fluxo de fastio,

e a surpresa reacendo-nos

os olhos e o ventre

lado a lado: o gozo da caça,

os risos das noites de chuva arrancando

da puberdade o mar,

o coração exposto ao veneno

múltiplo das palavras

e no grupo de cães as cadelas

lambiam o próprio pêlo e o sexo

e bailavam atrás de nenhum rabo

e estabeleciam o preceito

e a intensidade da dentada

e o tão profundo medo de olhar

o sol vazado sob a areia,

veias de terror, as pegadas

tatuando dias e noite:

até morrerem – deslumbradas –

com a carne;

e a dor fecunda como a lua,

no seu movimento peculiar,

os olhos da infância,

o gozo e o riso dos olhos da infância

extinguindo-nos

diamante o sentido livre;

e o imprevisto viveu outra vez

a carne, o frio, e neles a ficção

ficando aquém de todo o sangue –

esse momento disseminando-nos

em agora: bailarina ou soldado,

e a metáfora embala, lambe

o coração em bala mata

o impossível nas forças armadas

e as nossas forças blindadas,

de visita ao corpo de batalha;

outra vez, já enternecido desse dia, fica

segando inevitáveis colmeias ou o coração

escorrendo ou discorrendo

– o quanto gostes –

exclui o mel – sem esquecer – o quase

familiar compacto

adoecer da noite.

[Continua]* poema de 2002/3

Faz hoje dez anos

Faz hoje DEZ anos que o Aventar nasceu e daqui a menos de um mês, os mesmos dez que por aqui comecei a andar, cheio de orgulho, que tinha, em pertencer a esta casa.

Os anos foram passando, e … acabei por rumar a outras paragens sem que alguma vez esquecesse o maravilhoso grupo de que fiz parte, e sem que alguma vez me deixasse de sentir aqui, como em minha casa.

Parabéns Aventar, pelo teu aniversário.

Parabéns Aventar porque a par dos teus dez brilhantes anos, também conseguiste manter a qualidade a que inicialmente te propuseste.

Parabéns Aventadores, pela qualidade que fez com que tanta gente viesse para “nos” ler.

Obrigado Ricardo Ferreira Pinto por me teres convidado nos idos de 2009.
Continuemos!

A aliança ortográfica

Linguistics is the field that tries to figure out how human language works — for example: how the languages of the world differ, how they are the same, and why; how children acquire language; how languages change over time and why; how we produce and understand language in real time; and how language is processed by the brain.

David Pesetsky

***

Depois de Santana Lopes ter promovido os fatos, através do famoso “agora facto é igual a fato (de roupa)“, vem agora o Expresso (num intervalo das aulas) dar uma notícia sobre a Aliança com contatou:

Na quinta-feira, dia deste excelente artigo de Nuno Pacheco, o Diário da República trouxe-nos os habituais fatos

e andou a promover contatos [Read more…]

João

Mais mês, menos mês, faz dez anos que o João me convidou para o Aventar.

Ao João não se podia recusar um convite sem ele se tornar chato. Um chato especial, é certo, mas chato.
O João podia ser um chato maravilhoso, cheio de doçura e candura, insinuante e convincente, e podia ser ríspido e cortante como um x-acto. Era capaz de ser chato quando falava e tataramudeava, e era capaz de ser chato quando se calava e nos olhava com olhinhos trocistas e aquele sorrizinho fuinha.
O João era capaz de ser chato até quando nos encantava. Se alguém não acredita que se pode ser chato e encantador, não conheceu o João. Mas também podia ser um adversário terrível, persistente até ao tutano, determinado como só um grande chato o pode ser.
O João, para dizer a verdade, até na morte foi chato. Não apenas porque morreu, porque essa é a suprema chatice, mas também pela forma como não morreu. Os outros muito nossos que morreram, o Tó, o Rui, o Paulo e mais alguns, ficaram postos em sossego e, depois de devidamente chorados, só aparecem raramente, de longe em longe, numa imagem fugaz, numa frase que recordamos, numa história que contamos, e regressam de novo ao seu repouso lá para os lados obscuros da eternidade. É como se tivessem morrido antes de nós para nos ensinar como se morre, como se permanece imóvel e ausente na penumbra, como, afinal de contas, se comporta um morto depois depois de ter morrido.
O chato do João, não. Está sempre a aparecer quando vamos na rua, quando bebemos um copo, quando discutimos uns com os outros. É inconveniente, interrompe-nos a leitura de um livro sem pedir licença, distrai-nos quando vemos um filme, espreita por cima do ombro se escrevemos um texto, fala-nos ao ouvido quando estamos em silêncio, põe-se a dizer larachas, a fazer advertências, a responder sem ser perguntado. E continua a mandar-nos à merda sem respeito nenhum. “Porra, pá, nunca mais aprendes”, “eu tinha-te avisado”, “és sempre a mesma merda mas já estou habituado”, “se eu não te conhecesse, até era capaz de te dar razão”, “se queres ir aí, vai, mas é só porque não percebes nada do assunto”, “Já te disse mil vezes onde é que se come o melhor cabrito aqui perto, isto se conseguisses imaginar o que é um cabrito a sério”.
O João é tão chato, aliás, que me obriga, para além de o ouvir, a falar com ele quase todos os dias, a fazer-lhe perguntas, a dar respostas por ele, a interrogar-me sobre o que ele acharia disto ou daquilo, a desatinar com ele e apanhar-me a dizer em voz alta “tá as a ver, meu cabrão, aconteceu exactamente como eu te tinha dito”, “olha, João, vai à merda mais o teu cabrito. Descobri um muito melhor que o teu, mas tu é que percebes de cabrito”, ou, quando ele, só para chatear, me vem falar do FCP, “epá, João, às vezes consegues ser quase tão fanático como o Pinto da Costa”. E leva-me regularmente a desabafos “Percebes, João? Esta treta não é fácil”, “Já viste isto?…”, “Repete lá aquela cena…”

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As 33 perguntas que o Aventar gostaria de fazer ao Presidente da República


No âmbito das comemorações dos 10 anos do Aventar, o nosso blogue convidou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para uma entrevista em data aberta, ou, em alternativa, para um texto de opinião a ser publicado pelo Chefe de Estado.
Dado que ambas as hipóteses foram recusadas, o Aventar aproveita o dia do seu aniversário para publicar em forma de post as perguntas que gostaria de fazer ao Presidente da República.
Por ser um trabalho colaborativo, que contou com a participação dos vários autores do blogue (e que aguarda também a participação dos leitores), optámos por não seguir qualquer critério na ordenação das perguntas. [Read more…]

A patética comparação de Estrela Serrano

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Quem me conhece e acompanha o que escrevo, certamente saberá que não tenho grande simpatia por Francisco Pinto Balsemão, o embaixador do sombrio Clube Bilderberg em Portugal. Mas uma coisa é não simpatizar (no meu caso é mais repúdio) com o indivíduo. Outra, muito diferente, é alinhar com comparações absurdas como esta, protagonizada por Estrela Serrano.

Estrela Serrano, para quem não sabe, faz lembrar um daqueles bloggers formatados do socratismo, sempre pronta para dar o peito às balas por qualquer donzela socialista em apuros. Como é seu direito. Daí a comparar o regabofe familiar-partidário que se instalou no governo à condução dos destinos de uma empresa privada, onde, naturalmente, os filhos do dono e fundador da empresa têm lugar na sua administração, é patético. Pura e simplesmente patético.

Interino com Santa

O “presidente interino” da Venezuela.

O esplendor do bloco central…

De interesses!

Futuro próximo, numa escola portuguesa…

Pai: – Filho, como foram as tuas notas este período?
Filho – Pai, tive negativa a português e matemática, mas nota máxima a andar de bicicleta.

Contra a cobardia do assédio moral

Nuno Oliveira ©PÚBLICO

O assédio moral no trabalho é um acto de violência particularmente cobarde e execrável. Ela é normalmente exercida, directa ou indirectamente, por um agente detentor do poder, com recurso à reiterada agressão psicológica e a processos persecutórios ilegais e injustificados. Visa eliminar o equilíbrio anímico do trabalhador, parti-lo por dentro, quebrá-lo moralmente, isolá-lo do meio profissional e social, afectar as suas relações pessoais e familiares. Distorcer a percepção que ele tem de si próprio e dos outros, através da diminuição da sua auto-estima e do corte afectivo com a realidade do quotidiano. É um crime sádico, praticado por delinquentes com traços de carácter particularmente perversos, cuja cobardia se acoita atrás de lugares de poder, lugares esses através dos quais expiam e projectam um subconsciente doentio, cheio de monstros simbólicos cujas imagens, normalmente, carregam desde a primeira infância.

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Há que acabar com a ditadura do politicamente correcto. Certo?

Pois então, sempre que ouço falar em Zeca Mendonça, vem-me à memória o caso do pontapé no jornalista.

as excecionais qualidades de caráter

Neste caso, é ressabianço

Mesmo quando, pontualmente, toma decisões acertadas, a Alemanha tende a receber má nota.

Razões há muitas e certeiras para criticar a política alemã – o tema é, sem dúvida, fértil. Agora, esta decisão – a Alemanha impôs, em outubro de 2018, um embargo às exportações de armas para a Arábia Saudita, incluindo vendas já aprovadas, na sequência do assassinato do jornalista saudita Khashoggi Jamal, no consulado da Arábia Saudita em Istambul” – não é um desses posicionamentos dignos de crítica, muito pelo contrário. O destaque dado nesta notícia à falta de entendimento entre os partidos, e não ao resultado objectivo – por muito que irrite a França e o Reino Unido, que querem continuar o negócio e precisam de umas peças alemãs para montar nas suas armas -, é tendencioso. Por uma vez, a decisão vai contra os interesses económicos alemães com a finalidade de impedir “exportações de armas para zonas de crise e ditaduras“, ou seja, em favor dos tão badalados e tão descurados valores europeus. Há-de ser temporário, mas, ao menos, vigora desde Novembro.

A Terra é Uma. Uma Terra. (3)

China

Vede a unificação ortográfica e pasmai!

O chamado acordo ortográfico (AO90) foi criado para uniformizar a ortografia lusófona e para acabar com uns alegados desentendimentos gráficos entre falantes intercontinentais da língua lusa e dar início a um universo editorial cheio de edições únicas do Minho a Timor. Escolheu-se o chamado “critério fonético”, o que garantiu, logo à partida, a impossibilidade de criar uma ortografia única. A incúria e a falta de rigor juntaram a essa impossibilidade a possibilidade de, dentro do mesmo país, poder passar a escrever-se “expectativas” e “expetativas”, em nome do estranho critério acima referido.

Os defensores do AO90, diante do caos, dizem que não era bem uniformizar, era só aproximar ainda mais, o que levou a que nascessem diferenças outrora inexistentes, como “receção” e “recepção”. [Read more…]

A Terra é Uma. Uma Terra. (2)

Menzies, Austrália.

Penhoram casas por dívidas de 3.500 euros

A comunicação social dá hoje nota de que há um número significativo de famílias em Portugal cujas casas de habitação permanente estão a ser penhoradas por dívidas resultantes de incumprimento de contratos de crédito, geralmente ao consumo. Há casos de penhora da habitação permanente por dívidas de 3.500 euros, segundo diz a DECO.

Desde 2016 é proibida a execução de dívidas fiscais através da venda da casa destinada a habitação própria, mas essa proibição não se aplica a outras dívidas.

É inútil regressar à discussão sobre a responsabilidade individual nos contratos de crédito. As contas são meticulosamente feitas por quem o concede e, tal como nos casinos, a casa ganha sempre.

Este tipo de selvajaria social foi um dos motivos que levaram à pífia derrota eleitoral da direita, nas últimas legislativas. Permitir ou não permitir que se penhore a casa a uma família por causa de uma dívida de 3.500 euros, ou mesmo que seja de 35.000, é uma posição de princípio que representa a última fronteira entre a filosofia política de Bannon e a do Partido Socialista, actualmente no Governo de Portugal. Derrubada essa fronteira, com ela cairá o PS.

Nem tudo pode ser atribuído à natureza – o corrupto governo moçambicano tem a sua quota-parte de culpa

Michael Hagedorn

Sem dúvida que a ajuda às vítimas do ciclone IDAI é imperiosa e premente. Mas nem por isso há que fechar os olhos ao contributo do governo moçambicano para esta tragédia e para a situação miserável em que o país se encontra.

A última grande catástrofe com fortes cheias em Moçambique foi há quase 20 anos e, nesta época do ano, o país é regularmente fustigado por devastadores ciclones.

Mas o que foi feito, depois da calamidade ocorrida em 2000, para evitar que as consequências das próximas fossem tão dramáticas? Nada. Uma elite corrupta não fez nada para assegurar que na segunda maior cidade do país, que está praticamente ao nível do mar, fossem realizadas medidas concretas e eficazes para proteger as pessoas dessas devastações cíclicas. Desde o fim da guerra em 1992, o nível de vida da população pouco melhorou. No relatório da ONU sobre a pobreza, Moçambique ocupa o 180º lugar entre 186 países. [Read more…]

Com tanta consanguinidade no governo…

… é natural que as medidas sejam deficientes.

Rui Pinto, vilão ou herói?

As minhas costelas benfiquistas poderão levar a que leitores mais apressados vejam nesta minha breve opinião a defesa de um clube. Apesar de saber que isso vai ser ignorado, desejo deixar claro que sou adepto do Benfica durante os 90 minutos que dura um jogo, que não encontro nenhuma superioridade moral no meu clube, que não me espantaria que houvesse ou que haja muitos esquemas mafiosos associados directa ou indirectamente ao Benfica, o que quiserem, assim fique provado em tribunal, mesmo sabendo que pode haver uma grande distância entre tribunais e Justiça.

Ora, parafraseando Churchill, a propósito da democracia, é forçoso reconhecer que o nosso sistema de Justiça é o pior que há, à excepção de todos os outros. Por isso, enquanto Luís Filipe Vieira, o Benfica ou o diabo a quatro não forem condenados, serão inocentes, por muito que nos custe.

Rui Pinto, para quem não gosta de futebol ou para quem não gosta do Benfica, dois sentimentos respeitáveis e compreensíveis, é um herói. Se da sua actividade resultar a condenação de criminosos, óptimo, independentemente da cor clubística, partidária ou da roupa interior. [Read more…]

Government mob

São frequentes os casos de nepotismo em países do terceiro-mundo. Em Portugal longe vão os tempos em que um secretário-geral do PS, em vésperas de se tornar primeiro-ministro, alertou os correligionários que governar não era distribuir jobs pelos boys.
Nos últimos 24 anos, o PS governou 17, governando também a maioria das autarquias. A Juventude Socialista tornou-se na maior incubadora de empregos pagos pelo erário público, aos quais há que somar um infindável rol de pareceres, estudos, ajustes directos e afins. [Read more…]

A Terra é Uma. Uma Terra. (1)

A Terra é um Ser Vivo.
Ela respira, alimenta-se, move-se. Alegra-se e sofre.
Sente.
O seu Corpo é de uma beleza única. Guarda segredos em presença dos quais só o espanto e o silêncio respondem. O seu Espírito é o próprio Mistério em movimento. Uma vibração da origem que se manifesta nas rochas, nas florestas, nos rios e nas montanhas, nos desertos, nos pântanos, nas cidades, nos oceanos. Nos seres que os habitam. Nas construções que erguem. No visível e no invisível,  a Terra é um gesto de Amor de proporções infinitas.
A Terra é Uma. Uma Terra.
A série que hoje se inicia tem por base imagens do nosso planeta recolhidas do Google Earth. Começamos com Samarinda, na Indonésia.

Samarinda, Indonésia.

Ganhou o lobby das editoras. Os tótós dos autores acham que foram eles que ganharam.

Quando vir um autor mostrar a fortuna, ou uns trocos, até, com a nova lei da rolha, garanto que como um chapéu (*).

Directiva dos direitos de autor é aprovada numa vitória para as indústrias de conteúdos

Como votaram os eurodeputados portugueses na nova directiva dos direitos de autor? Um enganou-se

Por exemplo, com a nova lei, para publicar os links em cima, o Aventar teria que pagar uma comissão ao Público. O que vai acontecer? Aqui no blogue não temos receitas, isto é mantido por carolice, pelo que se chegar a vias de pagamentos, bye-bye links (é a minha opinião e não a do Aventar – ainda não discutimos o assunto). Quanto aos gigantes, como Google e Facebook, farão, muito provavelmente, aquilo que o Google já fez em situações semelhantes. Adeuzinho hiperligações.

Quanto aos tais filtros, quem já tentou contactar o Youtube ou o Facebook sabe perfeitamente que do outro lado não há ninguém.

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O elogio da saudade

João Branco

 

Certo dia, Jean-Paul Sartre afirmou que “cada palavra proferida surte as suas consequências, mas, cada silêncio também”. O silêncio mata mais do que um berro, do que uma discussão acalorada, fruto do momento. O silêncio é a arte da tristeza, os píncaros da solidão, o maior inimigo humano. Antoine Saint-Exupery pintou o quadro construtivista da nossa existência enquanto ser social, quando ditou que “somos responsáveis por todos aqueles que cativamos”.
O tempo, esse magnífico escultor de Yourcenar, não perdoa e avança a galope pela estrada fora, qual Julian Alaphillippe nos cumes dessa Europa. Se a minha vida fosse uma subida ao Muur-Kapelmuur ou ao Muur de Huy, certamente nunca teria passado da base.
Como um dia cantou Kate Bush: “se eu pudesse fazer um acordo com esse Deus de mil faces, e o convencesse a mudarmos de posições, eu subiria com todo o gosto essa estrada, essa colina, esse edifício” vezes sem conta, mesmo se não fosse para cortar a fita na primeira posição, porque saberia de antemão que estaria a chegar e a aspirar sempre a um mundo melhor.
Tu és e sabes que és o meu mundo melhor. A crítica mais certeira e aquela que me doeu mais nos últimos anos, porque de facto roça a obscenidade da verdade, esse valor tão raro nos dias que correm e como tal tão obsceno para tantas pessoas, foi proferida por uma das pessoas descritas neste breve exercício de ajuste de contas com o meu passado, com esse tenebroso monstro que por vezes não nos deixa avançar: “Tu prometes mundos e fundos às pessoas e depois nunca cumpres, não porque não queiras ou porque não trabalhes para isso, mas porque as tuas expectativas são sempre superiores à tua capacidade de trabalho”. Passaram 10 anos sobre a formação desta casa aberta por uma das pessoas com as quais me pretendo reconciliar nesta casa com este texto, o Ricardo. Porém, antes de passar ao Ricardo, que ainda está vivinho e de boa saúde, vêm-me à mente duas outras pessoas do meu passado com quem me quero reconciliar: uma infelizmente não está entre nós. A outra ainda está mais presente do que nunca, apesar da distância. Este post é dedicado ao Ricardo, ao João José e à Natascha, três das pessoas que mais rasto deixaram na minha existência, três das pessoas que mais marcas me deixaram no corpo.

“Eu sei que a saudade está morta… Quem mandou a flecha fui eu” – Conan Osiris

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A grande família socialista e a hipocrisia dos restantes aristocratas do regime

tacho.jpg

Concordo com as críticas que têm sido feitas à excessiva predominância de laços familiares no governo de António Costa, com ramificações no Parlamento, em empresas públicas e noutros domínios da vida pública portuguesa.

Não se trata de questionar a competência de A ou B. Trata-se, acima de tudo, de questionar o processo de selecção, que numa sociedade democrática não se pode assemelhar ao de uma monarquia. [Read more…]