Descativações eleitoralistas

Ontem perdi a cabeça e vi 10 minutos do telejornal das 13h. Logo no inicio, assim de rajada, duas notícias captaram a minha atenção: uma sobre uma cerimónia qualquer que assinala o início (???) das obras na ala pediátrica do São João, outra sobre uma verba que foi “descativada” por Mário Centeno, para comprar ambulâncias. Eleitoralismo com o dinheiro e, pior, que instrumentalizam os anseios e emoções dos contribuintes. Um nojo.

É por estas e por outras, muitas outras, que espero sinceramente que o PS NÃO tenha maioria absoluta. Porque, perante a inexistência de oposição, a vitória dificilmente lhe escapará. E se a ditadura do défice foi o que foi com a Geringonça, imaginem as cativações de um PS a mandar sozinho. E as “descativações” eleitoralistas que usarão para comprar e manipular o eleitorado em 2023. Não, obrigado.

Comments


  1. Sinceramente não estou a ver que sair no Telejornal que (não sei quanto tempo depois) vai avançar a ala pediátrica no São João e que tenha sido desbloqueado dinheiro (porque as ambulância “já têm dez anos”) possa ser motivo para toda a gente desatar a votar no PS em Outubro.
    Tal como não será por as televisões só terem comentadores de direita (na sua maioria) a denegrir o governo (até os jornalistas lhe começaram a chamar Geringonça e tudo) que o PSD e o CDS ganharão as eleições.

    E eu continuo o a dier que o PS de Costa Não ganhará com maioria absoluta. Tal sempre fui contra a ideia que o BE teria um grandes revés nas europeias por causa do caso Robles. Acho que os politólogos e comentadeiros têm os portugueses em má conta de mais.

  2. Rui Naldinho says:

    Dou de barato aquele aparato todo na assinatura do contrato da empreitada da Ala Pediátrica do São João, porque eles são todos iguais, nessa matéria. Estes não fizeram diferente dos anteriores, e os vindouros não farão diferente destes.
    Nem acredito que os pais daquelas criancinhas vão a correr votar no PS, depois de quatro anos a ver os filhos serem consultados e tratados dentro de contentores.
    Contudo, e recorrendo ao texto de Miguel Sousa Tavares, no Expresso, o que eu temo mesmo são os vícios do PS, que podiam também ser os do PSD, não estivesse a história da nossa democracia repleta de exemplos para todas as décadas e governos.

    A CAMINHO DOS VÍCIOS DO PASSADO?

    “É esse Estado — gastador, improdutivo, cobrador até ao limite, central de empregos para amigos e camaradas — que um Governo de maioria absoluta do PS nos irá servir nos próximos quatro anos. Apesar de Mário Centeno, apesar das lições do passado. Porque é assim a regra do jogo, com o PS ou com o PSD. E, no topo do bolo, talvez ainda nos sirvam a cereja da regionalização, para os poucos do partido que não arranjarem emprego e para sossegarem os da oposição.”

    • Francisco Mendes says:

      “…depois de quatro anos a ver os filhos serem consultados e tratados dentro de contentores” diz Rui Naldinho.
      Sim, alguns pais só repararam que os filhos estavam em contentores há 4 anos quando já lá estavam há + 6.
      Sim, alguns pais já voltaram às televisões depois dos filhos estarem instalados condignamente num espaço no interior do hospital, clamando que as obras de substituição dos contentores nunca mais se iriam iniciar.
      I.e., o que importava eram os contentores mesmo que estes já não “contivessem” as crianças.
      O que é isto senão fazer política com a doença dos próprios filhos?
      Ainda há dias a RTP3 noticiou uma avaria de um equipamento
      ocorrida 1 hora antes.
      Se as eleições não estivessem para breve ainda veríamos avarias de equipamentos públicos em direto.

      • Rui Naldinho says:

        Como é óbvio as crianças já estavam a ser consultadas e até tratadas ali, vai para dez anos. Mas presumo que a direita não esteja à beira nem da maioria relativa, quanto mais absoluta.
        Isto serve apenas para escamotear o quê?
        Que o PS deixou as crianças mais quatro anos no “buraco”, e descobriu agora uma janela de oportunidade para de lá as tirar. Eu a isto chamo populismo. Mas não me deixo enganar. Talvez alguns se deixem, por motivos que me são alheios, mas isso é uma escolha deles.

  3. Helder Sousa says:

    “que instrumentalizam os anseios e emoções dos contribuintes. Um nojo.”
    Acho um exagero estas afirmações. Há muita gente que critica o que chamam caça ao voto.
    Eu respondo: se houver democracia, necessariamente há caça ao voto. Todos os partidos, e bem, anseiam por ter votos suficientes para governar.
    Só há uma maneira de acabar com a caça ao voto: acabando com a democracia. No tempo da ditadura não havia caça ao voto. E ganhavam sempre a maioria mais que absoluta.
    Como vivi muitos anos nesses tempos, é com agrado que vejo as medidas que os partidos tomam para convencer os eleitores.


    • Concordo bastante com o Helder Sousa.
      É evidente que estamos em campanha eleitoral e é normal a caça ao voto.
      No entanto, o que já não é muito democrático é quando a comunicação social escrita e falada é biased. Tomem nota de quem ou o quê aparece nas aberturas dos noticiários, nas headlines dos jornais e quem são os comentadores tudólogos e os comentadores partidários. Até nos programas de futebol!!
      Quais os partidos “mass media” que aparecem?…..e os que raramente aparecem?
      E aqui entra a capacidade dos eleitores de saberem ler para além das promessas e do folcore noticiário.
      É todo um outro jogo e campeonato.

      Um exemplo que li ontem: O PAN defende no seu programa a introdução da Inteligência Emocional e da prática do Mindfulness nas escolas.
      WTF???!!!

  4. António Rosa says:

    Assim vai a informação. Imagine-se quando a TVI passar ao Canal 2 do Correio da Manhã, com o que parece ninguém se preocupar.

    https://abertoatedemadrugada.com/2019/08/tvi-manipula-resultados-do-barometro-antonio-costa.html

  5. Julio Rolo Santos says:

    Maioria absoluta do PS ou de qualquer outro partido? Não, obrigado.

  6. Julio Rolo Santos says:

    Maiorias absolutas transformam-se NORMALMENTE em ditaduras de um só partido. Há que evita-lo. Normalmente voto PS e voltaria a dar-lhe o meu voto nestas eleições se estivesse em perigo a sua maioria relativa mas, como já se fala numa maioria absoluta, o que faço figas para que não se concretize, opto por ir votar no BE por me parecer um partido em evolução para a democracia, deixando de ser um simples partido de protesto.

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