Cristiano Centeno no Real Madrid?

mc.jpg

Fotografia: Julien Warnand/EPA

Centeno vinha de um país pobre, num contexto particularmente delicado. Treinou intensamente, deu nas vistas numa inesperada geringonça, ainda que sem grande futuro, e não demorou muito até que o seu talento despertasse o apetite de grandes emblemas estrangeiros.

Lá fora continuou a dar nas vistas. Tinha a rara habilidade de saber aproveitar os ventos favoráveis para apresentar números históricos, driblando os seus companheiros de equipa mais indisciplinados, ao mesmo tempo que iludia os sócios da instituição com o seu jogo de cintura.  [Read more…]

A greve dos Enfermeiros

O senhor Primeiro-Ministro afirmou, hoje, no Parlamento, sobre a greve dos enfermeiros, que o “exercício do direito à greve não pode ter como consequência a morte de pessoas”, aludindo a supostas declarações de um responsável da Ordem dos Enfermeiros.

O senhor Primeiro-Ministro tem toda a razão. Sendo legítimo por princípio, o exercício do direito à greve deixa de o ser quando provoca a morte de pessoas. Tal, aliás, como o exercício do direito à cativação. Quando o governo da República cativa os recursos necessários ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, induzindo com tal opção o aumento de mortes ou danos irreversíveis por deficiente ou tardia assistência, incorre numa ilegitimidade não inferior à dos grevistas que critica. É pena que ninguém lhe diga isto na cara.

CP: como destruir um serviço público para vender a preço de saldo

Imagem: Público via Maquinistas.org

A situação actual em que se encontra a CP é vergonhosa e indigna de um país desenvolvido da Europa Ocidental. Num momento em que os nossos parceiros europeus investem na ferrovia, em Portugal assistimos à degradação de infraestruturas e equipamentos, às constantes supressões de comboios, atrasos e avarias, enquanto a imprensa afiliada aos interesses privados trata de doutrinar a opinião pública, estendendo a passadeira vermelha para a “inevitável” privatização.

As grandes empresas ferroviárias europeias, claro, estão já com os olhos postos em Portugal. Porque o negócio da ferrovia nacional é atractivo e, bem gerido – não confundir com a gestão medíocre de boys partidários – será seguramente um negócio lucrativo. Para não falar nos subsídios públicos que virão indexados ao negócio. E nas cativações do Dr. Centeno, que deixarão de dar o ar da sua graça. É que já estamos em Agosto, e dos 44 milhões de euros (quase nada) previstos no OE18 para investimentos da CP, pouco mais de 10% foi executado. Assim é fácil destruir um serviço público.

%d bloggers like this: