Bem prega frei Tomás…

Será hoje votada na A.R. a renovação do estado de emergência, que deverá manter em casa a maioria dos portugueses. Aproximando-se a data do 25 de Abril, decidiu o parlamento manter a sessão solene de comemoração da data, mas pasme-se, apesar de reduzir os deputados no hemiciclo a um terço, decisão controversa, porque cada deputado é titular do seu próprio mandato, que não pertence aos partidos e muito menos ao presidente da A.R., pelo que à partida, só não estarão presentes os deputados que não quiserem estar.

Mas pior, decidiram que irão abrir as galerias a convidados. Bem sei que alguns zombies políticos apenas fazem prova de vida a cada ano no dia 25 de Abril, com o cravo na lapela, mas não posso ignorar o confinamento a que os portugueses estão obrigados. Obviamente que de Norte a Sul do país e regiões autónomas, diversas autarquias também irão aproveitar para assinalar a data. Uma vez mais os políticos mostram ao povo que todos são iguais perante a Lei, mas há sempre alguns mais iguais que outros. Que moral terão para criticar os que pretenderem sair de casa no próximo fim de semana? Merecem que todos os portugueses aproveitem o 25 de Abril para passear na rua, como protesto pela discriminação que estão a ser alvo por parte dos políticos…

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Protesto por baixos salários? Infâmia! Manifestações contra a precariedade? Preguiçosos! Greves contra abaixamento de impostos às empresas? Irresponsáveis! Greves contra condições de trabalho? Deixem o mercado trabalhar. Quebrar uma quarentena por causa de uma celebração institucional? Isso é que era civismo!

    • António de Almeida says:

      Caro Paulo Marques,
      A data poderia ser assinalada com as galerias encerradas e cobertura televisiva. Mantenho as reservas quanto ao funcionamento da AR com um terço dos deputados em plenário. Estou curioso para ver como farão no 1º de Maio. Dirigentes sindicais sem trabalhadores? Acredito que a 10 de Junho já não estejamos em estado de emergência…

      • Paulo Marques says:

        Não faz mal, estaremos em salvação nacional, que o mexilhão tem que ser bem cozido.

        • António de Almeida says:

          Será que temos salvação? Emenda sei que não…

  2. Albino manuel says:

    Que bom que era Marcelo Caetano, grande democrata e liberal. Não é António de Almeida? Até foi bom demais. Deu cabo da democracia cristã do senhor professor doutor. Vá catar pulgas lá para a Foz!

    E faça o favor de não nos infectar com o covid .

    • António de Almeida says:

      Não sou desse tempo, vi uma vez esse senhor ao vivo, no estádio de Alvalade, em vésperas do 25 de Abril. Tinha 8 anos e fui pela mão do meu pai. Infelizmente perdi o jogo, que era a única coisa que me interessava. Em rigor, nem percebi bem o que significava ser campeão, quando festejei algumas semanas mais tarde o título. Já percebi melhor o que era ganhar a final da taça, porque era jogo a jogo e nessa altura estava a descobrir o futebol com a inocência dos meus 8 anos.
      A política só me despertou mais tarde, mesmo o verão quente de 75 passei ao lado, embora já conhecesse os protagonistas. Mas não percebi o que estava em causa. Por isso Marcelo Caetano para mim, faz parte dos livros de história, personagem menor quando comparado com Salazar, por exemplo, que foi o arquitecto do Estado Novo.
      Por isso, passou-me ao lado. Mas cuide-se, o vírus é letal.

      • Albino manuel says:

        Não faz não. Reflecte bem o espírito desse tempo.

        O que expõe hoje é aliás uma bela ilustração de um certo pensamento: o mesmo que leva a que ainda hoje haja integristas monárquicos e católicos.

        Não é do seu tempo, afirma. Ilusão. É. É e até é mais. Como não conheceu esse tempo, como o que conhece desse tempo são os suspiros saudosos do seu meio, não só é do seu tempo como até é mais porque é uma quimera longínqua tornada num sonho sebastianista.

        Todavia manda o pudor que a nudez das partes seja tapada pela parra: no caso a parra da vergonha chama-se liberalismo, em que António Almeida acredita tanto como Rivarol.

        Convém dizer: quase toda a direita autoritária nesta terra esconde o que quer debaixo do cobertor do liberalismo, de que em boa verdade nem quer ouvir falar. O fio dental chama-se liberalismo clássico. Mas não enganam ninguém.

        • António de Almeida says:

          Felizmente nada tenho que lhe provar, ou a quem quer que seja. Mas permita que lhe diga, liberdade e tolerância não são para mim chavões, pratico-as…

          • Albino manuel says:

            Não tem que provar como é óbvio. Se pratica ou não desconheço e também não me atinge.

          • Democrata_Cristão says:

            Sr A Almeida

            “Mas permita que lhe diga, liberdade e tolerância não são para mim chavões, pratico-as”

            Um admirador de Salazar, mesmo encapotado, diz que pratica a liberdade e tolerância ?
            Ao que chega o cinismo e hipocrisia.

            Cada tiro, cada melro

      • abaixoapadralhada says:

        Sr Antonio Almeida

        “Por isso Marcelo Caetano para mim, faz parte dos livros de história, personagem menor quando comparado com Salazar, por exemplo, que foi o arquitecto do Estado Novo.”

        Ao fim de tanta conversa redundante, esta sua frase acima esclarece-nos muito mais do que essa prosa todo.
        Ainda bem que as coisas se clarificam

        Afinal o Sa Lazarento menor não está sozinho.
        Mas não estou à espera que o negue. Eu estou esclarecido.
        Para ser honesto acho o JgMenos mais honesto

        • António de Almeida says:

          Há quem goste de julgar a História. Eu limito-me à sua análise e compreensão dos fsctos, sabendo que nada do que faça ou pense irá mudar algo…

          • abaixoapadralhada says:

            “Eu limito-me à sua análise e compreensão dos fsctos, sabendo que nada do que faça ou pense irá mudar algo…”

            A hipocrisia liberoide.

            “Não sei nada que nem sou de cá. Só vim ver a bola”

            São piores que a padralhada,, também especialistas em não assumir seja o que for.


      • António Almeida. Ao contrário do que diz, Marcelo Caetano não foi um personagem menor na arquitectura do chamado Estado Novo. Participou na elaboração de legislação estruturante, como o Estatuto do Trabalho Nacional e a Constituição de 1933, para além da autoria do Código Administrativo foi considerado o “delfim” de Salazar e seu “eterno” e putativo sucessor. Foi comissário nacional da Mocidade Portuguesa e procurador e Presidente da Câmara Corporativa. Apoiante do Golpe Militar de 28 de Maio de 1926, nos verdores da juventude auto-classificava-se como anti moderno, anti-liberal e anti-democrático.
        .

        • António de Almeida says:

          Não sou de facto um grande conhecedor do Estado Novo, leio alguma coisa. Tinha ideia que Salazar se apoiara em António Ferro, no cardeal Cerejeira e Agostinho Lourenço, além do apoio militar. Estava convencido que Marcelo Caetano era posterior, pelos vistos não.

          • abaixoapadralhada says:

            Sr Antonio Almeida

            Mais uma prova de desonestidade intelectual liberoide.
            Está farto de saber e toda a gente sabe que Marcelo Caetano, nascido numa família pobre na aldeia de Simantorta concelho de Gois, distrito de Coimbra, mas profundamente Papista tal como Salazar, assumiu o poder no Estado Novo depois da morte deste em Julho de1969. Mas também devia saber que o perfil e carreira política de Marcelo Caetano foi o que VN coloca no seu post.
            Mas agora não sabe nada. Que conveniente.!

  3. Socorro says:

    Este Toino de Almeida , é cá um reaça…
    Também és como a múmia paralitica com cartão da DGS ?

  4. Rui Naldinho says:

    Compreendo as razões que aponta o António Almeida. Na verdade não se pode pregar uma coisa, e a seguir, fazer outra, a não ser que:

    Esta pandemia transporta um vírus cujo nome dado foi, “Covid 19”, ou de outra forma, “Corona vírus”. Mata todos por igual. Mais ou menos. Nem tanto ao mar nem tanto à terra.
    Já morreu um banqueiro, que foi notícia. Já morreram cientistas, músicos, cantores e escritores, que também foram notícia. Mas muitos mais morreram que não foram notícia. Digamos que, a esmagadora maioria. Até houve muitos que morreram e foram para valas comuns, como se depreende das notícias vindas dos EUA. E haverá os que morrem sem saber que foi do vírus. Neste caso tiveram uma vantagem sobre os outros. “Morreram no silêncio da dor, dos familiares e dos deuses” sem despertar consternação, com excepção dos mais chegados, ou iras e ódios, daqueles que os detestavam.
    No caso Português, até ao momento não morreu nenhum político. Desconhece-se se há algum infectado com o vírus. Presumo que não, mas a existirem, “ele que se acuse”.
    Portugal não pode perder os seus inestimáveis políticos. Estes, os outros antes destes, e os de outrora, que ainda estejam vivos.
    Eu tenho a intuição de que os nossos políticos estão imunes por génese, ou será por formação partidária(?), a este tipo de vírus, venham eles de onde vierem.
    A maioria dos nossos políticos estão contaminados por um outro vírus, que eu não digo qual é, apenas porque não há português que não o saiba. Desta forma escuso-me de repetir.
    Presumo que qualquer político português que se preze, sabe que está imunizado contra o Covid 19, por ação desse outro vírus de que falei, mas não disse o nome, de propósito.
    Senão vejamos:
    Ao inalar as partículas do Covid 19, este, ao circular na garganta do político, é rapidamente neutralizado, através da mente do dito, e por ação desta, sob a forma de energia positiva, que está nesse momento a pensar no negócio que vai fechar através da empresa do filho ou do primo, com o Estado, nos meses seguintes. Ou quem sabe, no lugar que irá ocupar depois de sair daquele local em forma de anfiteatro, onde debita prosápia.
    Ainda bem que os nossos políticos são saudáveis e imunes ao Covid 19. Sem eles, estávamos desgraçados. Morreríamos de tédio.

    Faltam algumas aspas, mas podem colocar onde muito entenderem.

    • António de Almeida says:

      Caro Rui Naldinho,
      Os políticos sabem lá o que é coerência. E começam no interior dos próprios partidos a que pertencem…

  5. Luís Lavoura says:

    Excelente post!!! As duas críticas são totalmente válidas.

    De recordar que, de todas as violações do “distanciamento social”, as mais perigosas no contexto de uma epidemia são precisamente as manifestações, espetáculos, ou missas, nas quais se encontra gente muito diversa e que normalmente não contacta entre si. São essas reuniões, como a que acontecerá na Assembleia da República no próximo 25 de Abril, que mais potenciam o espalhamento social de uma epidemia.

    Os deputados metem totalmente a pata na poça.

    • António de Almeida says:

      Caro Luís Lavoura,
      Há algumas semanas tivemos aquele episódio com o grupo parlamentar do PSD e Rui Rio, quando este saiu do parlamento. Quer maior hipocrisia que reduzirem o plenário a um terço e chamarem mais alguns para se verificar quorum?
      Isto dá razão a quem defende a redução do número de deputados, ou redução dos salários pelo menos enquanto durar a situação. Na Nova Zelândia por exemplo, todos os titulares de cargos políticos reduziram vencimento durante 6 meses…

  6. Samuel Clemens says:

    Alega-se que a maioria do país continuará em quarentena.
    Qual maioria?
    A Agricultura está em actividade assim como a Pesca,as indústrias extractivas,as indústrias transformadoras,as indústrias químicas,incluindo os Laboratórios,os transportes, a refinação,a produção de energia (não tem energia nas fichas de casa e da oficina ?),o comércio parcialmente ,etc.,etc..
    Estão, em parte, parados o Ensino,a TAP e a Hotelaria.
    Não somos parvos para embarcar em pretensas crises. Juízo !
    O Tsunami nas Filipinas matou 200.000 pessoas e os negócios,as usual, nem pestanejaram!
    Austeridade? Apliquem-na em quem pariu os seus teóricos !!!

    • António de Almeida says:

      Estão parados a maioria dos restaurantes (mesmo os que servem take-away estão com redução de pessoal). Todos os funcionários de lojas seja na rua ou centros comerciais, excepto produtos alimentares, até dentistas, cabeleireiros, esteticistas, também estão totalmente parados. É muita gente…

    • Paulo Marques says:

      E esses que trabalham, e não foram para a rua, têm ido encher shoppings e praias? Ou isso não conta como quarentena? Com os seus defeitos, yadda, yadda.

      • António de Almeida says:

        Como quarentena não contam esses nem tão pouco a maioria dos que estão em casa. Existe sim um recolhimento geral ou confinamento se preferir. Só que o comentário acima insinuava que a maioria das pessoas está trabalhando. Também sei que existe diferença entre as várias regiões do país…

        • Paulo Marques says:

          Eu sei o que quis dizer, e é um sentimento de revolta com qb de justiça que será ignorado e aproveitado por oportunistas a fazer de conta que faziam diferente. Resmas destes.
          Mas não há regresso ao normal de movimento tão cedo, o que faz com que o normal sócio-económico, já de si frágil, não volte a existir como o conhecemos.