Medrosos

Imaginem uma povoação com cerca de 1000 pessoas em que 950 ficam em casa caladinhos e os outros 50 vêm para a rua gritar muito e histericamente. Não tenham dúvidas, esses 50 vão parecer 500, 600 ou 700 e o que berram vai aparentar ser o pensamento dominante.

E o que fazem os outros 950? O normal seria indignarem-se e dizer “calma ai que não é isso que nós pensamos e isto ainda é (devia ser) uma democracia”. Mas não, medrosamente, acatam e submetem-se ao que uma minoria, com muita batota, lhes impõe.

Esta é a geração dos “totós’ que no liceu eram malvada e injustamente tratados. O presente mundo foi desenhado e construído à sua imagem. Se calhar, bem. A tolerância passou a ser dominante. Mas esqueceram-se de um pormenor. Para haver “totós” (na pior acepção da palavra) são preciso dois cobardes: um que, temerosamente, aceite a condição de vítima e outro que, psicopatamente, abuse dessa condição.

E, conforme as ininterruptas notícias que vão chegando de tudo o que é sítio, o que estes anormais estão agora a fazer ao mundo, a coberto de causas nobres que, despudoradamente, pervertem e invertem, têm um nome: bullying.

E nós como bons “totós” medrosos, continuamos a permitir. Até porque se há algo que define o presente mundo é o conforto que o papel de vítima dá à grande parte das pessoas.

Comments

  1. Fernando says:

    O actual mundo foi construído à Imagem de Margaret Thatcher e Ronald Reagan.
    Dois pulhas parasitas da sociedade que enaltecerem a ganância, sociopatia, psicopatia e corrupção.
    Chama-se a esta sociedade a sociedade do “mercado livre”, não está a gostar?
    Tem que culpar as minorias pela merda que os neoliberais fizeram?
    Olhe que não é o primeiro a fazer isso, o Adolfo já o tinha feito…


    • Esqueceste-te do Salazar, idiota?
      Era mais liberal que o Adolfo, apesar deste ter inventado o 13º mês..

      • Rui Naldinho says:

        Foi o Salazar que inventou o 13° Mês, ó artolas?
        Descobriste isso em que Diário da República?
        Deve tê-lo lavrado na tumba!
        Decreto-lei 457/72

      • POIS! says:

        Pois foi!

        Foi Salazar mas era reservado á D. Maria, ao calista e ao Cerejeira. Mas temos de concordar que havia de começar por qualquer lado.

  2. Democrata_Cristão says:

    Osório

    Não que para mim seja uma surpresa esse seu argumento, mas a táctica propagandística da “Maioria Silenciosa”, foi usado pelo General Spinóla e a extrema direita portuguesa, para tentar o golpe que ficou conhecido pelo 28 de Setembro, em 1975.
    Leia e actualize-se que esse argumento já foi usado há quase 50 anos, sem sucesso.
    Os liberocas de 2020 usam os mesmos argumentos dos reaccionários de 75 ? O que é que os distingue ?

  3. POIS! says:

    Pois temos de concordar!

    Que aquela imagem do Calimero deveria ilustrar não um, mas todos os posts do Sr. Osório, na ausência de foto do autor.

    É para aí o quarto ou quinto post calimerdoso das últimas semanas.

  4. Paulo Marques says:

    Pois, os judeus eram cobardes, os escravos eram cobardes, os índios eram cobardes, era tudo cobarde menos o guerreiro dos tweets que nem responde a quem lhe responde.


  5. Era o que mais faltava, andar a correr para a rua de cada vez que um bando de cretinos descubra uma ‘justa luta’.

    O Estado tem as instituições e os meios de determinar maiorias, assim os partidos não seja corruptos ou cobardes.

    • POIS! says:

      Pois estam todos perplexos!!

      Ao ver JgMenos, na sua monumental varanda, a entoar enfaticamente, dirigindo-se a Osório, que está de smartphone em riste a indignar-se ao vivo, o refrão da conhecida canção abrilesca:

      “Não me obriguem a vir para a rua gritaaaaar!
      Que é já tempo de embalar a trouxa e zarpaaaaar!”

      Obrigamos pois! Vá lá malta, ajudemos o Menos a zarpar!

  6. POIS! says:

    Pois sim, o DL era de 1972, mas parece ter sido escrito por Salazar. Como se sabe Salazar continuou a legislar no Hospital da Cruz Vermelha,no quarto em S. Bento e, mesmo depois de 1970, a partir de Santa Comba que, nesse tempo, era tão longe que toda a gente dizia estar para além do Além.

    Segundo reza a história Salazar perdeu a noção do tempo e estava convencido que o ano tinha 396 dias e que havia mais um mês que, em sua homenagem, tinha sido batizado de salazembro..