Liberdades? Sim, claro, quando me dá jeito.

Na Assembleia, o deputado único do CHEGA teve uma declaração em que disse que lá por ser do Benfica, não tinha o direito de acabar com alguns adversários. Claro que a frase dele teve bastante impacto por se referir a clubes de futebol, mas nem é isso o que me impressiona na frase. André Ventura defende, e bem, que cada pessoa tenha a liberdade de ser do clube que quer e que essa liberdade acaba quando interfere na do outro.
Onde está André Ventura, o grande defensor das liberdades, quando defende que não deve ser ensinada a ideologia de género, tirando assim uma opção às escolas e aos pais? Onde está o sentimento de liberdade, quando defende um isolamento especial para uma etnia? Onde está o respeito pelas opiniões dos outros, quando se  promete acabar com a bandalheira que vai para o Twitter?

Ignorando o assunto que estava em questão na Assembleia, André Ventura percebeu, que para defender uma ideia, é preciso pensar como podemos tornar as pessoas mais livres. Mas tal como outros de direita e a maioria de esquerda, apenas proclama liberdade quando dá para defender os dele e aquilo que os dele gostam.

O problema é que André Ventura ainda não entendeu que não podemos defender apenas a liberdade quando é algo que nos toca. Temos defendê-la sempre. Alguém que lute verdadeiramente por pessoas livres, luta até por aqueles que não gosta.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    A esquerda não diz que a liberdade não é essencial, dá mais relevância à ideia, fundamentada IMNSHO, que liberdades sem excepções mais ou menos limitadas de uns retiram sempre liberdade a outros.
    É curioso que os libertários nunca se lembram da liberdade de não estar preso, ou de comer o que apetece, ou de não matar quando fazem loas ao absolutismo da ideia de liberdade, como se não fossem generalizaveis. Convém, não é?

  2. Abstencionista says:

    “Onde está André Ventura, o grande defensor das liberdades, quando defende que não deve ser ensinada a ideologia de género, tirando assim uma opção às escolas e aos pais?”

    Eu sempre acreditei que o A. Ventura iria aparecer na democracia portuguesa.
    Afinal a Itália teve uma actriz pornográfica e o Brasil um palhaço.
    Ambos desapareceram naturalmente.
    Bem sei que um comentador futebolístico é bem pior, mas nem por isso o fenómeno passaria a ser excepção à regra.

    Mas continuem a dar-lhe credebilidade como o comentário imbecil acima citado e o homem, ao contrário do Tiririca e da Cicciolina, ainda acaba de ser reeleito com um grupo parlamentar mais ruidoso.

    Claro que não me oponho de forma nenhuma a que a ideologia de género seja ensinada onde quer que seja, desde que esse ensino não seja imposto “tirando assim opções às escolas e aos pais”, que não estão para aturar chanfrados.